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Gravidez pós-perda Testemunhos arco-íris

Partilhar porque nos ajuda neste caminho de encontro da paz com a nossa história mas, acima de tudo, por todas as pessoas que neste momento passam por situações semelhantes – não estão e nunca estarão sozinhas. Este tem sido o nosso lema na partilha da nossa história com amigos, com amigos de amigos e muitas vezes até com pessoas desconhecidas que se vão cruzando no nosso caminho e a quem achamos que contar pode fazer a diferença.

Durante três anos e em quatro ocasiões diferentes visitámos a Lindo Wing em Londres para ver o nosso bebé e acabávamos sempre por ouvir “Lamentamos mas já não detectamos batimentos cardíacos”. Palavras que se tornavam tão recorrentes como assustadoras, e que cada vez nos afastavam mais daquilo que mais queríamos – ter o nosso bebé nos braços.

Com os quatros bebés que perdemos – entre as 8 e as 11 semanas – tivemos o privilégio de lhes ouvir sempre o coração e sabemos que (pelo menos) dois deles eram meninas (graças à indicação médica de testar os embriões que foram retirados no bloco – o que infelizmente não aconteceu nos dois primeiros). Infelizmente, durante todo este processo ouvimos algumas vezes “acontece, têm que tentar outra vez” – até hoje não consigo aceitar que um profissional de saúde seja capaz de colocar as coisas desta forma tão fria para quem está a sofrer tanto fisica e emocionalmente. Li muito, pesquisei muito e tentei muitos procedimentos (muitos deles mais alternativos e até invasivos) que em nada adiantaram mas que me foram dando a sensação de mover em frente. E às vezes era só isto que queríamos ter, a sensação de que estávamos a fazer alguma coisa diferente em cada uma das vezes.

Felizmente também tivemos o apoio de profissionais de excelência que nos trouxeram de volta para o caminho certo da investigação.

Ao Dr Raj Rai e ao Prof Pedro Xavier estaremos para sempre gratos pela sua disponibilidade, dedicação e empatia pela nossa causa. Nunca ouvimos uma palavra de dúvida sobre se iríamos conseguir, pelo contrário , o que ouvíamos eram planos de ação concretos que nos davam novamente alento nesta longa jornada. Sem nunca termos chegado a nenhum diagnóstico concreto, fomos encaminhados para FIV com indicação para testarmos os embriões antes da implantação dos embriões. Numa segunda tentativa estava novamente grávida pela quinta vez. Chegar às 12 semanas pareceu uma autêntica maratona e chegar às 40semanas foi muitas vezes um sufoco de ansiedade. Com o apoio de (bastante) medicação, com apoio psicológico e com uma rede de apoio incrível, o meu primeiro filho nasceu a 25 de Julho de 2023 – 3 anos e 3 meses depois de termos recebido a primeira má notícia que iria mudar a nossa vida para sempre. Lembro-me de dizer à minha mãe depois do primeiro aborto – “podemos nem estar a meio desta caminhada e temos que nos preparar para esse cenário”. Esta frase acompanhou-me durante o processo todo e ajudou-me a gerir as minhas próprias expectativas.

Hoje escrevo-vos grávida do meu segundo filho e com lágrimas nos olhos pela família bonita que fomos construindo ao longo destes anos e da qual nunca foi opção desistir. Hoje olho para o Dinis Maria e vejo toda a caminhada feita até o recebermos, as dores físicas, os procedimentos realizados, as horas em clínicas e hospitais, as noites sem dormir, o sofrimento muitas vezes apenas vivido a dois e na maior parte das vezes em silêncio.

Hoje, olho para o meu marido e lembro-me sempre que “no fim das contas é a parceria que vai fazer a diferença”. Nunca me falhou, nunca me faltou.

Esta é uma história dificil com um final feliz mas sabemos que nem sempre é assim. Perdas gestacionais nem sempre acabam com um bebé nos braços, nem sempre sabemos o que as outras pessoas estão a passar por isso a palavra empatia tem estado desde então muito presente na nossa vida.

A todas as pessoas que estão neste momento a passar por um processo semelhante, que possam ver nestes testemunhos a luz que muitas vezes teima em não aparecer. Não estão sozinhas.

Rita

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Testemunhos Testemunhos Perda Tardia

O Martim foi o sonho mais bonito que o meu coração já sonhou.

Quando descobri que ele existia, tudo mudou. O mundo ficou mais leve, o ar mais doce, e o meu coração começou a bater num novo ritmo — o dele. O Martim foi o amor mais puro e verdadeiro que alguma vez senti.

Durante as 21 semanas mais bonitas da minha vida, vivi entre sonhos, planos e promessas. Falava com ele todos os dias, imaginava o seu rostinho, o seu cheirinho, o som da sua voz. Cada pontapé era uma conversa, cada ecografia uma esperança, cada batimento uma prova de amor. Mesmo antes de o ver, o Martim já era tudo para mim.

Mas enquanto eu vivia esse amor imenso, o pai do Martim nunca mostrou o cuidado, o carinho ou a presença que o nosso filho merecia. E a família dele também escolheu o silêncio — um silêncio que magoava mais do que qualquer palavra. Faltou-lhes amor, faltou-lhes empatia. E no meio de tudo isso, sobrava-me a solidão.

Mesmo assim, amei por todos.

Falei com o Martim, cantei-lhe, contei-lhe segredos, prometi-lhe um mundo cheio de amor. Quis que ele sentisse, dentro de mim, tudo o que cá fora lhe faltava. E sei que sentiu. Porque havia uma ligação entre nós que nem o tempo, nem a distância, nem a morte podem quebrar.

Quando chegou o momento da despedida, o mundo desabou. O chão desapareceu, e o silêncio tomou conta de tudo. Nenhuma mãe está preparada para dizer adeus ao seu filho, muito menos quando o amor ainda estava a começar. A dor é impossível de descrever — é um vazio que se instala no peito e nunca mais nos deixa ser as mesmas.

Mas o Martim ensinou-me o verdadeiro significado do amor eterno.

Mesmo sem o poder ver crescer, ele continua comigo todos os dias. Vive nas minhas lembranças, nas minhas lágrimas, nas pequenas coisas que me fazem parar e olhar para o céu.

O Martim foi o maior presente que a vida me deu, e também a maior saudade que alguma vez vou carregar.

Ele é o meu anjo, o meu orgulho, o meu pedaço de céu.

O meu filho não ficou nos meus braços, mas ficou para sempre no mais bonito lugar que existe: dentro de mim, para sempre. 

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Ajuda prática Perda gestacional

Este artigo é especialmente dedicado a muitas mamãs que não tiveram oportunidade de criar muitas memórias com os seus bebés que, infelizmente, partiram cedo demais.

Mas também para mamãs que queiram acrescentar mais detalhes importantes nas suas caixas de memória.

Se souber o peso e/ou altura do seu bebé, poderá, por exemplo, colocar um pequeno objeto de igual peso/comprimento na caixinha. De certa forma, representará o que o seu bebé media e pesava.

Esta memória e ação é muito importante para quem também não pôde/conseguiu segurar no colo ou ver – e está tudo bem se foi como aconteceu porque são decisões muito pessoais e de sobrevivência.

Pode colocar um pedacinho de cordel ou de corda ou um fio ou fita que gostar e de uma cor que associe ao seu bebé e colocar lá: exatamente com o tamanho com que ele(a) nasceu.

Se não souber ou conseguir saber a medida do seu bebé, pode procurar a altura média por semanas.

Seja como for, pegue numa fita métrica, meça e corte uma fita ou fio bonito, de uma cor que goste ou que associe ao seu bebé e corte na medida dele(a). Pode deixá-la tal e qual na caixinha ou pode colocá-la num saquinho fofinho ou decorá-la a seu gosto, por exemplo, fazer um desenho ou colocar o nome dele(a).

Pode colocar algodão ou outro material numa caixinha pequena ou num saquinho com o peso que ele(a) tinha.

Outra sugestão é colocar uma moldura com as ecografias que tenha. Pode também guardar o livro de grávida, que é a história do seu bebé.

Música, construções, desenhos e família

Tinha uma música que costumava cantar quando o seu bebé estava na sua barriga? Alguma música especial? Pode adicionar à caixinha a letra da música, por exemplo. Pode imprimir a letra, os acordes, a partitura, o que quiser, colocar num papel decorado por si, enrolar e amarrar com uma fita bonita!

Se tiver filhos mais velhos, pode incluí-los na construção da caixinha com um desenho ou pintura que tenham feitam em homenagem ao mano/mana.

Pode também colocar as primeiras roupinhas do seu bebé, miminhos que lhe tenham oferecido ou até mesmo um gorrinho ou um miminho feito por si, mesmo que tenha sido depois dele nascer.

Já tem a sua caixa de memória e tem outras sugestões que gostaria de partilhar com outras mamãs?

Escreva-nos para: amorparaalemdalua@gmail.com

Teremos o maior gosto em incluí-las neste artigo.

Esperamos que estas ideias, inspiradas em publicações da Associação A contracor e na nossa experiência, vos possam ajudar!

Um abraço apertado!

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

É com um coração ainda pesado que partilho a minha história. No espaço de 6 meses passei por duas perdas gestacionais às 5 semanas. Já sou mãe de um menino maravilhoso que também só chegou depois de uma espera de mais de um ano. Por já ser mãe, sinto que talvez esteja a pedir demasiado ao universo. 

Mais do que trazer o palavreado médico que já está demasiado presente nas minhas conversas hoje em dia, gostava de falar sobre um pouco do que vai na minha cabeça e coração, que tão rapidamente tenho censurado. 

Começo pelo medo: esse bicho papão que intimida os meus dias. Medo de voltar a passar pelo mesmo. Medo do contra-relógio que são os meses a passar e a idade a pesar. Medo de perder aquilo que tenho de mais precioso, depois de tantas derrotas seguidas. 

Depois vem o ressentimento: por todas as pessoas que podem experienciar uma gravidez com a inocência do “tudo vai correr bem”. Pelo meu marido, que parece não sofrer da mesma forma que eu. Por não conseguir lidar com todas as grávidas à minha volta, algo que me deixa culpada e, de certa forma, envergonhada.

Por fim, o luto: uma sombra sempre presente mas nunca reconhecida. Como podemos fazer o luto por algo que nunca tivemos nos braços? Por um coração que não cheguei a ouvir? Como fazer o luto sem perder a vontade de seguir em frente? Sou grata pela vida que tenho, mas desde que vi aqueles dois positivos nos testes de gravidez, a sensação de incompletude é constante. 

Espero um dia conseguir aumentar a minha família, dar um irmão ou irmã ao meu menino maravilha que já cá está. Espero um dia voltar a sentir pontapés e soluços na minha barriga. Enviar fotografias de ecografias à minha família. Se essa felicidade nunca chegar, espero conseguir fazer as pazes com o que a vida me reservou. 

Um abraço apertado a todas as pessoas que possam ler estas palavras e, de alguma forma, rever-se nelas. Não estão sozinhas. 

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Testemunhos Testemunhos Perda Neonatal Testemunhos Perda Precoce

Existe um tempo e uma forma para contar cada história. E eu sinto que chegou a altura de contar a minha. Mas vou começar pelo fim. Um fim que é um início.

O meu filho Rodrigo nasceu a 17 de janeiro deste ano. Saudável. Perfeito. A berrar a plenos pulmões mal o obstetra o ergueu sobre o pano verde que ocultava o cenário de uma cesariana mais do que programada. Quando o levaram para fora do alcance da minha vista e o conforto de algum par de mãos lhe calou o choro, eu sabia que ele continuava algures naquela sala, por isso pedi-lhe alto: “Chora filho! Chora para a tua mãe ouvir!”. Mas que tipo de mãe quer ouvir um filho chorar? É simples. Uma mãe que já deu à luz antes mas nunca chegou a ouvir o choro do seu bebé. O choro. Esse sopro divino que anuncia o milagre da vida.

Em março de 2022 descobri que estava grávida pela primeira vez. E foi uma gravidez perfeita. Logo eu, que nunca pintei a maternidade de cor de rosa e estive sempre consciente sobre todos os desafios que nas diversas fases da gestação poderiam surgir. Sem enjoos, noites mal dormidas ou desconfortos maiores, eu agradecia diariamente aos céus pela plenitude física com que tinha sido brindada. Semana após semana, senti-me cada vez mais confiante sobre aquela vida que eu guardava no meu ventre e que cada ecografia confirmava: Era uma bebé saudável.

E às 40 semanas a Laura decidiu nascer. Observada pelo médico, constatou-se o que eu já calculava: ia demorar. Assim, fui instalada numa pequena ala com outras mulheres e respectivos companheiros. Deitada, sempre com o meu marido ao lado, de tão tranquila e confortável chegava a dormitar, mas depressa era acordada pelos gemidos de dor daquelas mulheres que embora eu não visse através das cortinas, ouvia muito atentamente, indagando-me quando seria eu. Nunca fui. A determinada altura uma enfermeira perguntou-me se precisava tomar algo para as dores. Estranhei a pergunta. Respondi-lhe que não tinha qualquer dor e ela estranhou a resposta. “Mas já tem contrações fortes mamã”, respondeu-me. Nesse momento senti de imediato que algo estava errado.

A enfermeira regressou à sala de monitorização e confirmou o registo das contrações que eu nunca senti. Voltou com uma médica e no momento em que eu me posicionava para ser examinada detectamos uma grave hemorragia. Silenciosa. Indolor. Vieram mais médicos e a minha calma escalou a pânico. Em menos de 10 minutos estava no bloco operatório para uma cesariana de emergência com anestesia geral. Contei pelo menos 8 pessoas a manobrar todo o meu corpo em simultâneo, a uma velocidade tão rápida que o meu raciocínio já não acompanhava. Perguntaram-me o meu peso. Só pela terceira vez fui capaz de responder. De seguida, disseram-me que ia adormecer. E a última coisa que eu pensei foi que já não acordava. Mas que pelo menos a minha filha pudesse viver.

Quando abri os olhos, ainda muito entorpecida pela anestesia, procurei-a ao meu lado. Não havia nenhum bebé. Era óbvio que as coisas não tinham corrido bem e provavelmente ela estaria em neonatologia – foi a minha conclusão de segundos. Identifiquei a imagem do meu marido e de 4 profissionais de saúde, entre eles a médica que me acompanhou até ao bloco cirúrgico. À medida que os seus rostos ficavam nítidos eu notava um semblante cada vez mais pesado. Perguntei pela minha bebé e vi o rosto da médica fechar-se ainda mais. Não tive resposta. O relógio de parede ao fundo marcava 12:20h. Perguntei novamente. E ela começou por dizer, a custo, que as coisas não tinham corrido bem.

Ainda hoje não me recordo do resto dessa conversa. A psicologia explica que devido ao choque da notícia o meu cérebro simplesmente apagou esse momento. Então foi durante os dias seguintes que passei internada na maternidade, entre transfusões de sangue, desmaios e novas conversas sobre o efeito de cada vez menos medicação, que fui tomando consciência clara e efetiva da minha dura realidade. A minha Laura, a minha bebé perfeita que crescia saudável no meu ventre, partiu momentos após nascer. E eu não tive sequer tempo de vê-la com vida, ouvir-lhe o choro, sentir-lhe o calor.

Perdi-a. E quando soube que a perdi, para além do tanto que morreu em mim, nasceu também um imenso grito de dor que eu não gritei. E durante semanas chorei sufocada por essa dor que me consumia, até que um dia os olhos doíam tanto que as lágrimas caiam e eu já não sentia. Hoje a dor ainda é dor, mas também é amor e inevitavelmente saudade. Saudade do que vivemos juntas enquanto o meu corpo lhe foi casa. Mas também saudade do que não vivemos e tantas vezes eu imaginei.

Largos meses depois tivemos as respostas médicas que necessitávamos. Há quem diga que quando nasce uma mãe nasce uma culpa. Mas quando nos morre um filho somos nós que perseguimos incessantemente A CULPA. Mesmo que os papéis digam que não tivemos culpa alguma, que ninguém teve culpa na verdade. Eu persegui A CULPA. Na falta de culpados com nome próprio, confesso que muitas vezes culpei em silêncio o meu corpo.

Precisamente um ano depois do nascimento da Laura, a 2 de novembro de 2023, eu estava na maternidade a fazer a primeira ecografia do meu segundo filho. Um verdadeiro presente dos céus. Tal como na primeira gravidez, descobri muito precocemente graças aos sinais que o meu corpo me dava, mas desta vez, curiosamente, preferia não ter sabido tão cedo. Embora feliz, preferia que o meu corpo fosse casa para este bebé, sem que a minha mente, sabendo disso, ficasse tolhida de medo e ansiedade. E foi precisamente assim que aconteceu.

Vivi os dias seguintes num estado de alerta permanente como quem, depois de experimentar a tragédia, espera uma nova a qualquer momento. Por isso, no decorrer da segunda ecografia, sem que o obstetra tivesse tempo de expressar uma única palavra, rapidamente captei a sua expressão desolada. Perguntei se estava tudo bem, com o tom de quem tem a certeza que não, mas quer desesperadamente estar enganada. Não estava enganada. Não havia batimentos. Desde as 8 semanas e 5 dias.

Depois do choque emocional, e da incredulidade de quem começava a erguer-se do chão e para lá foi novamente atirada com toda a força, o processo de abortamento provocado foi a coisa mais fisicamente devastadora que vivi em toda a minha vida. Depois de aguardar vários dias com este bebé sem vida no meu ventre, graças a um fim de semana prolongado de Dezembro em que a “Unidade de 1°Trimestre” não laborava, voltei à maternidade. Lembro-me da obstetra me perguntar se tinha percebido os procedimentos que me foram explicados, uma vez que parecia “tão perdida”. Perdida era a palavra certa. Completamente desconectada do tempo e do espaço porque efetivamente eu não estava ali. A única pergunta que fiz – “Vou sentir muita dor?”. “Qualquer aborto provoca dor” – foi a resposta. Iniciei a medicação abortiva e mandaram-me para casa.

Dor é uma crise renal ou uma cárie dentária. Dor é partir um braço ou torcer um pé. Aquilo que eu senti está para além do limiar da dor. Eu senti cada contração. Berrei. Contorci-me. Recolhi o feto para um frasco conforme me foi pedido. E senti mais contrações. E mais dor. Por muito pouco não perdi os sentidos enquanto deambulava pelo corredor de casa.
Aquilo que vivi nesse fim de dia e pela madrugada fora, e também nos dias seguintes, causou em mim uma tremenda revolta. Num misto de confusão e fragilidade culpei mais uma vez o meu corpo por falhar novamente na sua tarefa de gerar vida, mas sobretudo senti que tinha sido punida por essa falha com um castigo da idade média.

Semanas depois, a análise do feto permitiu-nos saber que não existia qualquer relação médica entre as duas perdas. E que era uma menina. Mais uma menina. Mais um sonho cor de rosa que não me deixaram pintar.

Durante meses ponderei se teria capacidade emocional de avançar para uma nova gravidez. Os relatórios médicos davam-nos algumas respostas mas nenhuma garantia. E em todas as consultas ouvíamos o mesmo: Qualquer gravidez implica risco e/ou possibilidade de perda. Mas quando já perdemos tanto, a possibilidade de perder de novo torna-se avassaladora. E quando já estava mais perto de desistir do que de tentar novamente, dei por mim a imaginar como seria a minha vida tendo desistido. E conclui que nada, mas absolutamente nada que pudesse fazer com a minha vida iria minimizar o vazio enorme que eu sentia. E aí entendi, que desistir não era opção.

E assim chegou o Rodrigo. Saudável. Perfeito. A berrar a plenos pulmões. Observo-o enquanto dorme e parece que ainda não acredito que está aqui.

Quando perdi a Laura, apanhada nesse duro golpe para o qual absolutamente nada nos prepara, eu percebi que não tinha outra alternativa senão sobreviver. Principalmente quando tomei consciência do sério risco que a minha própria vida correu na sequência das complicações decorrentes do parto. Eu ainda estava aqui. Embora me sentisse uma espécie de resto de qualquer coisa, em que a parte principal faltava, a verdade é que eu ainda estava aqui. E lembro-me de me focar nesse facto tão simples e ao mesmo tempo tão significativo: “Se eu ainda estou aqui, haverá uma razão. E se eu demorar muito tempo a descobrir qual é, talvez seja esse o segredo para me manter viva.” Hoje o meu segredo tem nome. Chama-se Rodrigo.

Existe um tempo e uma forma para contar cada história. Esta é a minha história. E tem um final feliz.

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Perda gestacional Testemunhos

As palavras que se seguem são do pai do Miguelito, a quem muito agradecemos a partilha do seu testemunho e a quem enviamos um enorme abraço. O Miguelito nasceu cedo demais no dia 13 de novembro de 2021 e deixou uma enorme saudade no coração dos seus pais.

De pai para pai…o que é possível fazer após a perda gestacional:

Não há forma certa de sentir ou viver o luto, mas é importante não julgar e estar ao lado da nossa esposa/mãe.

O sofrimento da perda é grande e, com o tempo, encontramos formas de seguir em frente sem esquecer o nosso filho.

Falar sobre o bebé, recordar todos os momentos que passamos “juntos” para manter a memória viva.

Procurar grupos de apoio (como o Amor para Além da Lua) para partilhar os seus sentimentos e não passar apenas esse papel para a mãe.

Honrar a memória do nosso bebé com pequenos gestos.

Que mesmo sem os nossos filhos nos braços, continuamos a ser pais, uma vez que o amor que sentimos por eles nunca desaparecerá.

Apoio recebido e que gostaria de ter recebido por parte da sociedade/família/hospital

 O que recebi:

  • Sociedade: Apoio dos grupos de apoio de pais que passaram pela mesma situação e os seus testemunhos.
  • Família: Apoio emocional sem pressões dos familiares mais chegados, que mesmo estando a sofrer com a perda, estiveram presentes para nos ajudar a ultrapassar o momento.
  • Hospital: Empatia e humildade da equipa médica que nos acompanhou no Hospital de São João, que nos colocaram num quarto da maternidade isolados, os gestos e sensibilidade que tiveram ao tratar do nosso filho e permitirem acompanhar todo o momento do parto.

O que gostaria:

Reconhecimento do luto paterno, com uma licença de luto para ter tempo para viver o luto no momento.

Muitas vezes, no meio do choque e da dor, não conseguimos pensar em criar memórias naquele momento, e depois, mais tarde, sentimos falta de algo para recordar. A criação das “caixas de memórias” com fotografias, pegadas, entre outros, podem fazer a diferença, e que os hospitais podiam ter algo mais preparado para esse efeito. 

O mais difícil de gerir enquanto pai/parceiro após a perda

Sentir que a sociedade não valoriza/entende a dor da perda de um pai, que mesmo não estando com o bebé no nosso ventre, já o amamos incondicionalmente.

Ver o sofrimento da mãe/esposa e não conseguir aliviar essa dor.

O medo do futuro.

O que mais ajudou após a perda…

Ver os testemunhos de outros pais que também passaram pelo mesmo, perceber que não aconteceu só a nós.

O apoio dos grupos socais/reuniões como do Amor Para a Além da Lua, onde partilhamos as nossas histórias e o apoio entre nós.

O apoio da psicóloga do hospital de São João.

Ultrapassar este momento com a pessoa que eu amo.

Pai do Miguelito

Apoio aos pais

A todos os pais, saibam que não estão sozinhos!

Procurem ajuda, se precisarem.

Outros apoios para pais (instagram Pais maiores: homens em luto gestacional)

Se quiser, poderá também partilhar algumas palavras/testemunhos/conselhos, bastando para isso que nos envie e-mail: amorparaalemdalua@gmail.com

Estamos aqui!

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez

A Lara foi uma bebé planeada, descoberta com 6 semanas, no meio de lágrimas de felicidade que espelhavam a concretização de um sonho dos pais. De médico em médico estava sempre tudo bem. Até ao dia em que deixou de estar.

Na ecografia morfológica das 22 semanas foi descoberto um problema cardíaco grave no coração da Lara. As chances eram praticamente nulas a seguir ao nascimento, era seguir com a gravidez até ao fim e esperar um milagre ou tomar uma decisão. 

A decisão foi tomada. Foi o maior ato de amor que podíamos ter tido para com ela. Foi também a decisão mais difícil das nossas vidas. Abdicar de um amor maior, abdicar de a ter nos braços para que ela pudesse ser livre. Houve mistura de culpa, de raiva, de porquês, de certezas e incertezas…

Foram 24 semanas de amor, de interação, uma bebé que se mexia muito e que reagia muito à voz do papá. 

Dia 10 de setembro de 2024, às 04:55h a Lara nasceu para ser livre, para não sofrer. Sofremos nós por ela enquanto pais que nasceram também naquele dia. Saímos da maternidade de colo vazio.

Continuamos a sofrer com a ausência dela, por tudo o que poderia ter sido e não foi, agarramo-nos a pequenos sinais que acreditamos que ela nos envia, lá do alto, onde acreditamos que ela brilha muito.

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O meu nome é Rafaela.

Partilho hoje a minha história, porque foi exatamente há um ano que ouvi e vi o Afonso pela primeira vez.

No dia 27 de novembro de 2023, fiz uma primeira ecografia, após um teste positivo, confirmando a gravidez com 6 semanas de gestação.

Foi um momento mágico. Foi o momento mais feliz da minha vida até hoje. Tenho um pequeno vídeo dessa ecografia e do coraçãozinho dele a bater, praticamente inaudível, mas que encosto ao meu ouvido para de alguma forma me transportar para aquele momento. E como
eu gostaria de voltar! De saber que estava tudo bem, que o meu bebé ainda estava comigo… Até dia 09 de janeiro de 2024, senti-me a mulher mais feliz do mundo, nunca senti tanto amor, nunca senti que tudo fazia tanto sentido!

Contudo, no dia 09 de janeiro de 2024, na ecografia do 1º trimestre, alguns marcadores apontaram para a existência de algum tipo de anomalia/trissomia. Foi um momento aterrador. Ainda há pouco o tinha visto pela segunda vez, em dezembro, com 9 semanas, e estava
tudo bem. Como é que agora me dizem que o meu bebé pode não estar bem?! Que devo fazer um exame para confirmar? Que existe o risco de o perder?!

A partir desse dia, a minha vida nunca mais foi a mesma. Tudo aconteceu muito rápido a seguir… A probabilidade de trissomia 21 era de 1 em 4, o que era bastante elevado. Eu tinha 29 anos e o pai, 28, e não, não tínhamos nenhum grau de parentesco (esta foi uma pergunta que na altura nos foi feita). O risco de trissomia 13 era também relativamente elevado, de 1 em 28.

Para confirmar o diagnóstico, como o meu bebé tinha apenas 12 semanas, não podia fazer uma amniocentese. Então, no dia 16 de janeiro, fizemos uma biópsia das vilosidades coriónicas. A biópsia das vilosidades coriónicas é, como a amniocentese, um procedimento
invasivo e consiste na colheita de fragmentos da placenta (onde se situam as vilosidades coriónicas) que contêm material genético idêntico ao do bebé. Estava muito nervosa.

Apesar de ser bastante reduzido, existia sempre risco de abortamento e estava com muito medo de o perder ali. Perante as circunstâncias, correu muito bem e, após realizaram o procedimento, a médica verificou os batimentos do bebé. Eu não sabia nesse dia, mas foi nessa data a última vez que ouvi o seu coração bater…

No dia 18 de janeiro, soubemos o resultado deste exame, confirmando-se a trissomia 21. Olhando para trás, foram poucos dias entre dia 09 e dia 18, mas confesso que me pareceu uma eternidade, em que, a cada dia, eu morria um bocadinho… Não sabia se havia de ter esperança, porque a probabilidade até estava a nosso favor (3 em 4) ou se havia de me mentalizar que não estava tudo bem (1 em 4). E, de repente, a confirmação de que realmente não estava tudo bem… Foi nesse momento que o meu mundo desabou.

Eu e o pai do meu bebé tínhamos conversado sobre esta possibilidade e, para nós, não fazia sentido trazer ao mundo uma criança com esta condição. Em primeiro lugar, porque o mundo não está preparado para aceitar a diferença. Em segundo, porque não sabíamos exatamente
que problemas de saúde estariam associados e ainda qual o grau de trissomia. Em terceiro, porque, a nosso ver, não teríamos condições para poder prestar o tipo de cuidados que uma criança com necessidades especiais merece e precisa. A interrupção médica da gravidez (IMG) era uma possibilidade e foi a nossa escolha. Na altura, foi muito difícil, mas foi a minha/nossa decisão…

Olhando para trás, novamente, foi tudo muito rápido mesmo e, independentemente de outras questões, agradeço ao hospital por isso. Isto, porque, a cada semana, o bebé evolui rapidamente e pensei que, quanto mais adiasse, maior seria a dor, se é que a dor de perder um filho se pode medir… Enfim, às vezes (ou muitas vezes), questiono-me sobre esta decisão, sinto culpa, penso que escolhi matar o meu filho… Tento lembrar-me que foi uma escolha por amor.

Foi uma escolha num contexto que não escolhi. Foi uma escolha
condicionada e nenhuma mãe/pai deveria ser confrontada com a decisão da vida ou da morte do seu próprio filho.

Mas assim foi… No dia 24 de janeiro de 2024, o Afonso nasceu e partiu. Com ele partiu também a pessoa que eu era até então. Não consigo deixar de sentir dor quando penso nesse dia e, ao mesmo tempo, um amor imensurável.

Na altura não fui capaz de expressar a vontade que tinha de pegar no Afonso. Essa opção também não me foi apresentada… E o momento em si roubou de mim todas as capacidades que me restavam para o pedir. A culpa também aparece por isso. Gostava tanto de ter pegado nele e não fui capaz de o verbalizar.

Não me despedi do Afonso como queria e gostava que me tivessem dado essa opção. Por mais pequenino que fosse, com 14 semanas e 2 dias, o meu colo era seu e não lho dei. Às vezes, revivo esse dia, imagino-o no meu colo… E fico mais em paz.

Só recentemente percebi que, por mais doloroso que tenha sido esse dia, escolheria sempre vivê-lo a nunca ter tido o Afonso. Foi curta a sua existência, demasiado curta, mas escolheria sempre tê-lo, apesar de saber o final da sua história…

Ainda estou a aprender a dar um novo significado à perda do Afonso. Estou a aprender quem sou eu agora e para onde vou. Penso que a dor nunca vai desaparecer, mas sinto que, aos poucos, vai doendo cada vez menos. A dor dá lugar ao amor. Um amor sem limites.

Um amor incondicional. E penso que foi mesmo isso que o Afonso me veio ensinar. O verdadeiro significado de amor. Tenho aprendido muito sobre isso e sobre tanto… Sobre mim, sobre as pessoas, sobre o luto, sobre a dor… Sobre apreciar a natureza, reparar nas flores, ver borboletas brancas vezes sem conta, ouvir os pássaros. Sobre apreciar a vida e a sorte que tenho pela minha própria existência. Sobre apreciar cada momento e celebrar pequenas vitórias. Agradeço ao Afonso por isto e por tanto…

A nossa história começou ainda antes do teste de gravidez positivo do dia 9 de novembro de 2023. Começou nos meus sonhos em ser mãe, em construir uma família…

Hoje, sou a mãe do Afonso e ele será sempre o meu primeiro filho. E sempre que dizem o nome dele, sempre que falam sobre ele, o meu coração fica quentinho e sinto-me feliz. Deixo aqui também um apelo a isso – digam o nome dos nossos filhos, por favor.

Eles existiram, mesmo que não os tenham visto, nós vimo-los e/ou sentimo-los… Eles existiram… E nosso amor por eles nunca deixará de existir!

Partilho esta história também, porque me lembro de, naqueles dias de janeiro, procurar outras histórias que me dessem algum “conforto”, para não sentir que estava sozinha nesta dor… E encontrei um testemunho no site do “Amor para além da lua” sobre IMG e trissomia 21. Li e reli vezes sem conta esse testemunho. Ainda o leio, às vezes, para sentir que não estou sozinha, para ter algum “colo” e sentir mais paz na minha escolha.

Lembro-me também de procurar histórias de mães que ficaram sozinhas, sem companheiro, depois da perda. E queria dizer que esta é uma dessas histórias. Duas semanas após a IMG, o pai do Afonso decidiu abandonar-me e deixou-me sozinha na nossa casa… Conto isto apenas para que, se alguém como eu procurar uma dessas histórias, essa pessoa saber que não está sozinha. Sim, isto acontece, é um pesadelo a dobrar, mas acontece. É viver o luto de um filho e, ao mesmo tempo, o luto de um relacionamento.

Nem sempre lidamos com a dor da melhor forma e os momentos mais dolorosos e desafiantes da nossa vida vêm exatamente mostrar-nos quem está verdadeiramente do nosso lado, quem verdadeiramente nos ama… E eu não fiquei sozinha, ainda que, muitas vezes, não me sentisse suficientemente compreendida, tive familiares e amigos que me deram (e dão) a mão. E serei eternamente grata por isso.

Neste caminho, também encontrei conforto e acolhimento em grupos de apoio à perda gestacional/neonatal e ainda na minha psicóloga,
a quem estou igualmente grata…

E, acima de tudo, estou muito grata por poder ter vivido a breve vida do Afonso que viverá para sempre em mim. É um amor sem fim.

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Natal Ofertas Ofertas e Recursos Perda gestacional
prendas com amor para além da lua natal

À semelhança dos últimos dois anos, criamos, novamente, uma campanha, com novas parcerias, a pensar em quem passou por uma perda gestacional, família e amigos.

Assim, juntamo-nos a alguns pequenos negócios, bem portugueses, para ajudar a celebrar esta quadra e incluir e lembrar os nossos pequeninos. Serão no formato desconto ou então no formato de percentagem com doação para as nossas caixas de memória.

Vamos conhecê-los:


A Cátia, da Do It by laser, doará 10% do valor dos produtos comprados para ajudar no nosso projeto das caixas de memória.

Sobre Do It by laser

Artigos Personalizados, Corte & Gravação Laser, Maternidade, Recordações, HomeDecor, ou peças para Empreendedores.

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A Renata Pintor, do Amor de Papel Atelier, doará 10% do valor dos produtos comprados nos seus quadros de lembrança ou celebração dos vossos bebés!

Sobre o Amor de Papel Atelier

É um projeto da designer Renata Pintor, que abraçou após uma perda gestacional. Ao criar a página de apoio Amor com Asas encontrou um reconforto nos pais quando homenageavam os seus bebés que partiram. No seguimento desse projeto lançou ilustrações especiais, de memórias ou nascimento para bebés. No Amor de Papel Atelier podem encontrar ilustrações personalizadas e fotográficas dirigidas às famílias. É sobre transformar dor, em amor. Sobre transmitir amor em forma de papel.

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A Renata Alves Marvão, da editora MyAura, vai descontar 15% na compra do seu livro: “Camila, meu amor”. (com o código amor15 por mensagem privada para @‌renata.alves.marvao ou e-mail para lojamyaura@gmail.com)

Sobre o livro

Camila, Meu Amor conta na primeira pessoa a história de uma perda gestacional e de uma interrupção voluntária da gravidez. Baseado na compilação de textos publicados pela autora no blogue Sobre nós, Mulheres, em 2018 e 2019, enquanto passava pelo processo de escrita terapêutica pós-traumática, Renata decide ir além e fazer uma reflexão ainda mais profunda, tocando em momentos chave da sua infância, adolescência e juventude.

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A Sofia, da Love & Details, oferece 10% de desconto em toda a Coleção de Natal (basta mencionar que vêm da parte da página Amor Para Além da Lua).

Sobre a Love & Details

A Love & Details nasce da paixão de recordar e registar os momentos mais importantes da Vida com artigos totalmente personalizados produzidos com muito Amor.

Somos uma empresa especializada na criação de peças em madeira e/ou acrílico nas quais a nossa imaginação e criatividade ganham asas.

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De forma a poderem usufruir destes descontos ou ajudar-nos com uma pequena doação, apenas precisam de mencionar a nossa página no ato da compra.

Esperamos que seja uma linda prenda no sapatinho de mãe para bebé ou até de mãe para mãe, de amiga para amiga, de avó para mãe…

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez Testemunhos Perda Tardia

Hoje faz 3 anos que conhecemos fisicamente o nosso primeiro filho. A vida quis que este momento fosse cedo de mais. Por isso hoje partilhamos um bocadinho da nossa história a 3.

A 04 de julho de 2021, descobrimos que a nossa vida seria feita a 3. O nosso desejado filho estava a caminho. Desde então começamos a sonhar com esse ser que ainda era tão pequenino e a construir planos para o futuro. A gravidez estava a correr bem, a felicidade inundava os nossos corações.

Em outubro de 2021 tivemos a pior notícia das nossas vidas, o nosso tão esperado/ desejado filho tinha uma malformação muito grave. Os dias que se seguiram a esta notícia foram de enorme tristeza, desorientação e culpa.

No dia 13 novembro 2021, apesar de toda a tristeza, foi muito especial…no meu da escuridão da madrugada a luz invadiu o quarto onde nós estávamos internados e foi aí que “nasceu” o nosso primeiro filho.

Embrulharam o nosso bebé numa fralda que levamos para esse momento, pedíamos para fazerem a impressões das palmas das mãos e pés e por iniciativa das enfermeiras também trouxemos a impressão da placenta com o cordão umbilical em forma de coração.

Foi nos dada a possibilidade de estar o tempo que precisávamos com o nosso bebé ao colo para o tão difícil “até já”, o que nos trouxe uma tranquilidade e paz aos nossos corações.

Está é a nossa história, carregada de muita emoção e muito amor.

Ao nosso querido e amado primeiro filho,

Querido M. foram 23 semanas de um amor maior que o mundo, és um ser muito especial com muita luz e amor.
A mamã e o papá têm muitas saudades tuas.
Estamos, para sempre, ligados a ti por um fio imaginário.
Viverás sempre dentro de nós num lugar onde só o amor pode entrar e que tanto amor tem nesse lugar.
Somos tão gratos por sermos teus pais!
Continua a iluminar o nosso caminho.
Um dia voltaremos a viajar juntos!

Até lá, estarás sempre no nosso coração.