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Como lidar com a perda gestacional: alguns conselhos

Como lidar com a perda gestacional e neonatal? É uma pergunta aberta e que não tem nem respostas certas ou erradas. Porquê? Porque cada pessoa faz o seu luto e lida com a perda de forma diferente. Há quem queira falar sobre a perda e que não se evite o assunto. Há pessoas mais reservadas que só querem estar no seu canto e que preferem o silêncio. Cada pessoa tem o ritmo naquela que é uma recuperação que tem muitos altos e baixos. Neste artigo, procuramos ajudar a dar algumas respostas sobre como superar esta perda, aliás, como aprender a viver com ela. 

E, lembre-se, o tempo não cura tudo. O nosso processo durante esse tempo e o que fazemos é que vai ajudar a sarar as feridas. 

Não havendo uma forma certa ou errada, deixamos alguns conselhos que a podem ajudar.

lidar com a perda gestacional

Conselhos para lidar com a perda gestacional ou neonatal 

Peça ajuda, se precisar 

Se precisar de ajuda, por favor procure-a. Pode ser através de amigos ou familiares em quem confie, através de apoio psicológico ou contactando com pessoas que tenham passado por uma situação idêntica. O Amor para Além da Lua, por exemplo, tem um grupo privado de apoio à perda gestacional no qual pode participar. Temos também uma secção de testemunhos onde pode ler histórias de perda gestacional (precoce ou tardia) e neonatal. 

Relativamente ao apoio psicológico, hoje em dia existem, por exemplo, vários profissionais de saúde especializados no luto que a podem ajudar a lidar com a perda gestacional. 

Não se apresse “a ficar bem” e a reagir 

É muito comum as pessoas, não sabendo o que dizer, tentarem ajudar ao dizer “tens de superar e ter força”, “és nova vais ver que bem rápido vais ter outro filho”, “anima-te”. A intenção é a melhor e a nossa tendência é julgar-nos e acharmos que temos de reagir e ultrapassar. Às vezes, ao querer fazer o caminho mais curto, não nos permitir sentir tristeza e pensar no assunto, é apenas varrer “um assunto para debaixo do tapete” e adiar o inadiável. É importante deixarmo-nos sentir tristeza, levarmos o nosso tempo, fazermos o nosso luto. 

Aceite os seus sentimentos e tente esclarecer as suas dúvidas

Os dias, semanas e meses após a perda de um bebé são extremamente dolorosos e a verdade é que sentimos, e é um facto, que não há palavras para nos confortar. Se sentir revolta, raiva e angústia, saiba que é perfeitamente normal. Nestes dias parece que caímos num enorme buraco e que não vamos conseguir sair dele. Sentimos a perda de forma forte no nosso corpo. Arrancaram-nos uma parte de nós. 

Procure saber junto dos médicos quais foram as causas da perda do seu bebé. Poderá ajudá-la a amenizar a sua culpa e a encontrar as respostas que necessita para conseguir lidar com a perda gestacional. 

pensar no bebé perda gestacional

Apoie o seu companheiro

“Do lado de fora”, mas também de dentro, está o pai. O pai que luta para ver a mulher bem e que tudo faz para a amparar e ser um pilar no meio da dor. Converse com ele e procure falar sobre os seus sentimentos. Superar uma perda pode ser mais fácil a dois e pode fazer com que o pai se sinta menos sozinho. 

Não se culpe, nem julgue (ou pelo menos tente): o impacto na intimidade

É normal, após a perda gestacional ou neonatal, haver um abalo na intimidade. Para além da enorme perda ter impacto na vida íntima, porque nos sentimos mal física e psicologicamente, as relações sexuais são muitas vezes associadas à gravidez. Saiba que é normal haver um afastamento sexual e impacto na intimidade. Dê tempo ao tempo e não se culpe por este impacto. 

intimidade perda gestacional

Lidar com a perda gestacional e neonatal não é fácil e é uma caminhada. Aliás, para uns pode ser uma caminhada e para outros pode ser uma maratona. O importante é não parar de andar e ter esperança porque os dias melhores vão chegar. 

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Ajuda: Linhas de apoio psicológico

Para além de consultas de psicologia com profissionais especializados no luto, há também, para alturas de maior urgência, linhas telefónicas de apoio psicológico. Não está sozinho(a)!

  • Centro SOS-Voz Amiga: Ajuda na solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio : 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 (Diariamente das 15:30 à 00:30)
  • Voz de apoio: Horário: 21:00 – 24:00; Contacto Telefónico: 225 506 070 | Email: sos@vozdeapoio.pt
  • Linha de apoio psicológico SNS24: 808 24 24 24 . O serviço está disponível 24h/dia, 7 dias por semana.
  • Sociedade Portuguesa de Psicanálise: 300 051 920 (Segunda-feira a Domingo das 8:00 à 00:00)

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Como explicar às crianças a perda de um bebé

explicar a perda de um bebé

A perda de um bebé pode ter um impacto profundo em toda a família. Terá impacto nas crianças que estavam à espera de um irmão(ã), sobrinha(o) ou primo(a). Igualmente na criança que sobreviveu de um par de gémeos ou até filhos que nascem depois do bebé ter morrido. Neste artigo, damos algumas dicas para explicar às crianças a perda de um bebé.

Apesar de estar dirigido aos pais, este artigo pode aplicar-se a outros familiares, professores e outras pessoas que possam apoiar a criança.

Explicar às crianças a perda de um bebé: dicas

Contar a alguém que um bebé morreu já pode ser bastante difícil. Contar a crianças pode ser especialmente complicado.

É desafiante escolher quando e qual informação dar e explicar o que aconteceu de forma a que a criança entenda. É também complexo passar a mensagem de que este fim não pode ser alterado.

Se não se achar capaz de contar aos seus filhos o que aconteceu, pode pedir a um familiar, como os avós, para o/a ajudar.

Esta pessoa poderá explicar o que aconteceu e o porquê de você estar triste e que, enquanto se estão a resolver as coisas, a criança terá de ficar com ela.

Se o seu bebé faleceu numa unidade neonatal, pode recorrer a um psicólogo ou terapeuta que o possa ajudar com isto.

Quando decidir partilhar a notícia com os seus filhos, é natural sentir-se ansiosa(o) e protetor(a). É importante que considere as idades e a sua capacidade de perceção.

As crianças podem reagir de forma diferente ao esperada – podem não lhe dar a atenção que acha que deveriam ou podem mostrar-se incrivelmente afectados. Ambas e tudo no entremeio é normal

É também fundamental que as crianças percebam que não há problema em chorar e que a(o) podem ver a chorar também.

Quando falar com eles, pode usar frases como “estamos tristes porque o nosso bebé morreu. Quando alguém morre, isso significa que nunca mais os vamos poder ver”. Pode também ser levado pelas questões das próprias crianças.

Pode querer incluir alguns detalhes como o sexo do bebé ou o nome. Assegure-os que podem perguntar mais quando quiserem.

Muitas vezes as crianças aceitam estas simples explicações sem grandes dúvidas e continuarem com as atividades em que se encontravam antes ou mudam imediatamente de assunto. Esta é uma reação normal.

Quando a perda é neonatal

E como explicar às crianças a perda de um bebé nos casos de perda neonatal?

Crianças pequenas que tenham visitado o bebé nas unidades neonatais poderiam estar sob a impressão que o bebé iria melhorar e vir para casa. Podem, portanto, ficar confusos e aflitos sem perceber porque é que este não foi o caso.

É possível que as suas rotinas tenham sido alteradas pelos longos períodos no hospital e desenvolvido uma relação com o bebé. É importante encorajá-los a falar sobre o que sentem e explicar-lhes o que aconteceu.

Algumas crianças gostam de saber sobre o funeral ou para onde vamos quando morremos. Crenças religiosas podem influenciar as suas respostas. Se não for o caso ou quiser manter o assunto mais neutro pode começar as suas respostas com “algumas pessoas acreditam…” ou simplesmente “não sabemos…” Para crianças mais novas, tente dar-lhes uma ideia do que vai acontecer no funeral. Relembre-os que o bebé não sente nada e não está em sofrimento – já que um funeral pode ser assustador.

como explicar às crianças a perda de um bebé

Uma forma de ajudar crianças mais novas a entender a morte é ler livros que abordam o tema de modo apropriado para a idade.

Ser honesto com as crianças

Mesmo pequenas, as crianças sentem quando algo está errado.

Se não lhes for dito o que está a contecer, isso pode assustá-los e fazê-los imaginar que eles são a razão da sua tristeza.

Por duro que pareça, uma linguagem simples e honesta é melhor do que frases que possam ter significados múltiplos.

Por exemplo, dizer que o bebé está a dormir podem soar confusas e pode preocupa-los sobre irem para a cama e não voltarem a acordar. Expressões como “perdemos o bebé” ou “ não está cá” podem levá-los a pensar que o bebé está só perdido ou vai voltar. Isso leva a uma esperança falsa sobre o estado do bebé e a possibilidade de ele poder acordar ou ser encontrado. Estas expressões podem também preocupar a criança sobre se o mesmo lhe poderá acontecer ou a si.

De igual forma, dizer que o bebé estava doente pode assustá-lo quando eles ficarem doentes.

Tal como os adultos, as crianças têm um vasto leque de emoções; estes podem aparecer em ordem aleatória. E, tal como os adultos, estes sentimentos podem ser conflituosos e complicados.

Sentimentos de revolta e culpa

As crianças têm sentimentos mistos sobre o novo irmão ou irmã. Uma criança que tenha sentido inveja durante a gravidez pode sentir-se culpada sobre a morte do bebé. Pode ser benéfico lembrá-lo que nada é culpa deles e nada que eles tenham feito ou pensado poderia mudar o que aconteceu.

Outras crianças podem sentir revolta contra o bebé ou até os pais. Poderão também temer que que outros chegados a si possam morrer também. Podem demonstrar também mais irritação do que o habitual a pais que estejam separados, especialmente se a mãe se encontrar criticamente doente ou tem de ficar no hospital.

Fatores de alerta no comportamento

Assim como os adultos, crianças, especialmente as mais novas, podem ter dificuldades em expressar os seus sentimentos. Procure mudanças no seu comportamento. Por exemplo, uma criança que já estava treinada para ir à casa de banho, podem querer voltar a fraldas ou recomeçar a molhar a cama. Poderão também tornar-se mais dependentes. Mudanças em rotinas de alimentação ou sono também devem ser notadas. Tente manter a rotina o mais normal possível e crie oportunidades para os seus filhos fazerem perguntas.

É comum para crianças expressarem os seus sentimentos através de brincadeira, pintura ou desenho. Isto poderá indicar os sentimentos e humor deles e ser uma forma de expressar o que sentem. Considere que apoio externo a criança pode precisar, quer seja através de familiares, amigos ou terapia.

Profissionais como professores, tutores ou médicos devem ser mantidos informados para que possam ser apoiados devidamente.

Crianças, por norma, navegam o entendimento como vai ver mais à frente. Se a criança já tiver experienciado uma morte na família ou tiver dificuldade de aprendizagem ou mental, isto pode afetar a sua capacidade de compreensão ou de resposta.

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Procurar ajuda: Profissionais especializados em luto

Apesar de percebermos que uma perda gestacional ou neonatal é algo trágico e traumático e que o processo de luto dura uma vida, é, também, importante reconhecer quando precisamos de ajuda. Então, neste artigo, escrevemos sobre profissionais especializados em luto.

Profissionais especializados em luto, rumo

Quando o seu bebé morre, poderá ser-lhe oferecida ajuda para que inicie o processo de luto e para gerir as suas emoções de forma saudável para si.

Deste modo, muitos hospitais poderão indicar-lhe psicólogos que a acompanharão nesta jornada.

No entanto, gostaríamos de salientar que, apesar de toda a educação recebida, o luto é algo muito específico. Afinal, é, na sua essência, um trauma que precisa de cuidado. Daí, abordarmos o tema da ajuda especializada e vários profissionais especializados em luto que podem ajudar.

Profissionais especializados em luto – Psicólogos

Aceitar a perda e aprender a viver com o luto (e não em luto) é algo muito delicado. Muitas pessoas tentam superar o trauma inicial sozinhas. Todavia, nunca podemos esquecer o quanto a ajuda de profissionais que se especializam em luto pode fazer a diferença na sua saúde mental e recuperação.

Naturalmente, o processo de luto é, inevitavelmente, doloroso. Principalmente porque traz angústia, tristeza, mágoa e outros sentimentos que podem ser muito intensos.

No entanto, como somos uma sociedade que instiga o “andar para a frente” (mesmo que bem intencionado), muitas vezes tentamos continuar a nossa vida. Embora isto resulte para muitos, noutros casos não se respeita o nosso coração e o processo. A dor faz parte do processo de luto e deve ser sentida.

Desta forma, a ajuda de um psicólogo que se especializa em luto, será muito benéfico. Conforme o apoio que precisar, irá perceber as suas emoções e trabalhá-las para que as gerir mais eficazmente.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza – é um ato de coragem

Profissionais especializados em luto – Doulas

Apesar do conceito de Doula ser relativamente recente para nós, esta é uma das formas de ajuda mais antigas do mundo. Na verdade, a palavra Doula vem do grego “mulher que serve”.

Profissionais especializados em luto

Contudo, atualmente, as doulas são conhecidas por se dedicarem ao acompanhamento pessoal, emocional e físico da gestante. Uma Doula apoia emocionalmente uma mãe para que esta se sinta o mais segura e reconfortada possível.

Tal como quando os bebés nascem vivos e a doula oferece a sua ajuda emocional, quando há uma perda gestacional ou neonatal. Esta também é uma das competências de doulas especializadas no luto.

Assim, o que é importante perceber é que uma doula ajudará no que puder, dentro do aceitável, no hospital e até em casa. As doulas ajudam a humanizar os partos e a reconhecer o luto pelo que é, ajudando os pais a processar e aceitar o que aconteceu.

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Voltar ao trabalho depois da perda gestacional

Voltar ao trabalho depois da perda gestacional pode ser desafiante e assustador. Neste artigo, deixamos alguns conselhos e dicas:

  • Tente pedir para visitar o local de trabalho antes de começar para ver como se sente e encontrar-se com os seus colegas de trabalho informalmente.
  • Pense sobre como partilhar as notícias ou com os seus colegas e se gostaria de partilhar a mensagem pessoalmente ou se prefere que a sua chefia ou alguém em quem confie no trabalho divulgue a notícia por si.
  • Caso não se sinta à vontade para ser abordada, pedir a um colega de trabalho em quem confie e de quem goste para avisar todos os colegas do seu regresso e pedir que não abordem o assunto;
  • Caso a abordem, pode já ter uma frase preparada para responder à pessoa sem a magoar: “Agradeço a tua preocupação, mas não quero falar sobre isso”.
apoio, regresso ao trabalho, suporte

Se se sentir sufocado(a), tire uma pausa, se puder. Voltar ao trabalho depois da perda gestacional não é fácil e é normal que possa ao início precisar de fazer uma pausa. Por exemplo, dar um passeio ou encontrar um espaço onde possa estar sozinho.

Poderá também ser bom falar em privado com um colega, ligar a um familiar ou amigo em quem confie. No caso de achar o regresso ao trabalho demasiado, fale com o seu supervisor ou médico de família sobre ter mais tempo de baixa ou em casa. Conheça aqui os seus direitos relativamente ao trabalho.

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Homenagear o seu bebé em datas importantes

Datas importantes como aniversários de nascimento ou morte, ou ocasiões geralmente celebradas em família, podem ser especialmente difíceis. O mesmo se passa com os dias da mãe e do pai. Como, normalmente, a antecipação é ainda pior que o próprio dia, por vezes, planear algo para o dia pode ajudar a distrair-se. Nestes dias, pode também sentir a necessidade de homenagear o seu bebé.

No caso de ter mais filhos, pode ser bom conversar com eles previamente sobre alguma data importante que possa ser mais pesada e explicar que nessas alturas podem sentir-se mais tristes. Aliás, não se surpreenda se também mostrarem indícios de sentimentos e outros comportamentos perto da data, pois é normal.

homenagem ao bebé

Datas importantes: o que pode fazer para homenagear o seu bebé

Férias e celebrações em família podem ser, de facto, alturas em que se sente, ainda mais, a falta do bebé. Por isso, algumas famílias celebram estas datas, acendendo uma vela ou organizando um dia especial para homenagear o seu bebé. Mas, na verdade, o que é importante é que faça o que é certo para si.

Por exemplo, pode marcar as datas com atos simbólicos para lembrar e homenagear o seu bebé, como visitar o cemitério ou o local onde espalharam as cinzas ou acender uma vela. Se celebrar o Natal, pode pôr um ornamento ou um sapatinho para o seu filho(a). Manter a memória pode ajudar os irmãos também e é algo importante no processo de luto.

datas especiais

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Casais separados na perda gestacional

Sofrer e recuperar é, em muitos casos, uma experiência conjunta. No entanto, em casos de separação durante a gravidez ou depois da perda do bebé, esta pode não ser uma opção. Neste artigo, saiba mais sobre o que fazer quando os casais estão separados na perda gestacional.

apoio individual

Sabe-se que a perda gestacional pode colocar à prova alguns relacionamentos. Uma vivência desta profundidade afeta todos e pode transparecer, por exemplo, na intimidade. Desta forma, é compreensível que seja uma experiência solitária e assoberbante em casais entretanto separados.

É importante, ainda assim, tentarem tomar decisões conjuntas e manterem o diálogo. Se tiverem outros filhos, trabalharem em conjunto. Esta cooperação pode ser bastante útil para terem acesso ao apoio e carinho que precisam de forma consistente. Para além disso é importrante para a partilha informação e emoções sobre o que aconteceu.

Sofrer e fazer luto em silêncio e sozinho é extremamente difícil. Pode, por isso, precisar de apoio adicional de familiares e amigos ou de procurar ajuda profissional.

Chorar e conversar são formas saudáveis de extravasar sentimentos. Como tal, pode precisar de contar a sua experiência uma e outra vez.

Por exemplo, pode achar útil escrever e manter um diário. Não ser capaz de partilhar a sua história e sentimentos com o pai/mãe/parente do bebé faz-nos sentir sozinhos, mesmo que haja outras pessoas à sua volta.

Pense na melhor maneira de expressar a sua angústia e que apoio pode precisar.

Lembre-se também que precisar de ajuda, de qualquer tipo, não é motivo de vergonha. Este tipo de perda é associado a uma dor muito peculiar e apoio pode ser necessário.

Caso seja um amigo ou familiar de casais separados na perda gestacional ou neonatal, mantenha-se em contacto. Há muito sofrimento em silêncio e muitos pais que não sabem/podem pedir ajuda.

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Como contar a amigos e familiares

Quando lhe dão a notícia de que o seu bebé faleceu ainda no seu útero, ou irá falecer em breve ou mesmo que terá de interromper a gravidez por razões médicas, uma das questões que pode colocar a seguir é como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Nas primeiras horas, poderá ser complicado. Logo que se sinta preparado, damos algumas dicas do que pode fazer para ser mais fácil:

  • Pedir ajuda quando precisar. Por exemplo: use um familiar em que confie para partilhar a notícia com a restante família ou amigos;
  • Em alternativa, uma mensagem para todos poderá chegar;
  • Se precisar ou quiser, pode também partilhar nas redes sociais para que possa revelar o que aconteceu e pedir que lhe deem espaço ou o(a) contactem para o(a) ajudarem.

Como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé: mais conselhos

Se o seu bebé tiver morrido perto da data prevista do seu nascimento, é comum que as pessoas a par da sua gravidez estejam à espera, entusiasticamente, por notícias boas. Assim, poderá ser um equilíbrio bastante delicado contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Se ligar a familiares e amigos, pode, por exemplo, começar por: “Tenho notícias tristes”.

Assim, frases como esta poderão ajudar a definir o tom da conversa que se vai seguir. Ajudam ainda a reduzir o número de comentários e interjeições que serão custosas. Seja firme quanto ao tempo da conversa, explicando que será uma conversa breve. Isto pode ser não só pela quantidade de partilha, mas também para proteção pessoal.

Se a perda for neonatal, pessoas que estavam a par do estado de saúde do bebé podem também ter dificuldades em continuar uma conversa consigo.

É possível que os seus amigos e entes queridos não saibam bem o que dizer. As suas notícias são difíceis para eles também e poderão despertar experiências pessoais. Desta feita, poderá sentir-se culpado(a) e na situação de os confortar a eles. No entanto, é importante que se lembre que esta é a sua experiência e que esta é a altura para receber apoio e conforto em vez de se preocupar com os outros.

Peça ajuda, se precisar

Tente não sentir que tem de responder a todas as perguntas de toda a gente. Diga apenas o que achar melhor e conseguir. Mais tarde, haverá tempo e cabeça para partilhar mais detalhes e responder a pessoas.

Se precisar e puder, peça a família e amigos que tomem conta de crianças que possa ter ou ajudar em atividades caseiras, como trazer uma refeição ou até ajudar na lida da casa.

Frequentemente as pessoas vão querer ajudar e agradecem instruções claras. Se deixar outros filhos com avós ou familiares próximos, poderá também pedir-lhes que expliquem o que aconteceu e que os pais estão a resolver as coisas antes de voltarem para casa.

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Como ajudar quando há outras crianças?

Assim como a tragédia da perda em si, há que reconhecer um dos grandes momentos na vida de um pai: contar aos filhos que já tem, que o irmão ou irmã que vinha a caminho, já não vem para casa. Por isso, neste artigo, damos dicas de como ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças.

À primeira vista, pode parecer que bebés e outras crianças mais novas não percebem bem o que se passa quando há acontecimentos trágicos como a morte de um familiar. No entanto, as crianças são muito sensíveis aos sentimentos das pessoas à sua volta.

Consequentemente, o seu comportamento pode mudar, podem tornar-se mais dependentes e os seus hábitos de sono e comida podem mudar.

Compreensivelmente, isto pode ser árduo para os pais que estão exaustos com a sua tristeza e angústia. Desta forma, se puder ajudá-los a tomar conta deles, isto dar-lhes-á algum tempo para descansarem. Tal como esta pode ser uma boa maneira de ajuda, também pode ser melhor para a criança ficar na sua própria casa e passar tempo com os seus pais e consigo.

crianças

É importante que os pais partilhem com a criança o que aconteceu. Logo, o que é dito à criança depende da sua idade e capacidade de compreender, das perguntas que faz e das decisões dos pais. 

Preste atenção à linguagem que os pais usam para melhor ajudar quando há outras crianças.

Outra forma de ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças é falar com os pais sobre o que foi dito à criança e saber qual a linguagem que foi utilizada para seguir o mesmo exemplo.

Poderá notar que a forma como os pais lidam com os filhos que estão vivos pode mudar. Por exemplo, podem tornar-se extremamente protetores. Assim como outros poderão relaxar as regras. 

Portanto, é importante perceber que eles estão a tentar fazer o melhor possível numa situação desesperante.

como ajudar quando ha outras crianças

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Como apoiar os pais que perderam um bebé?

Oferecer apoio pode ser complicado. Afinal, a perda gestacional ou neonatal pode apanhar-nos desprevenidos e muitas vezes podemos não saber como lidar ou como ajudar. Assim, como podemos apoiar os pais que perderam um bebé? Neste artigo, damos algumas dicas.

Primeiramente, o nível de envolvimento depende do quanto você quiser ou sentir que é certo. É natural ser influenciado pela relação que partilha com os pais e também pela forma como lidou com problemas comuns no passado.

Alguns pais precisam de tempo e privacidade e de passar pelas coisas sozinhos enquanto outros precisam de extravazar os seus sentimentos.

apoiar pais que perderam um bebé

É importante que ouça os pais para que perceba que tipo de apoio necessitam. Todos lidam com isto de maneira diferente. Portanto, oferecer uma forma de ajuda que lhe foi útil no passado, pode não ser aplicável para algumas pessoas.

Se recusarem ajuda ou preferirem estar sozinhos, é normal que se sinta excluído ou magoado. Todavia, nesta altura, eles precisam de fazer o que é certo para eles. Claro que isto não significa que não valorizem esforços no futuro – podem só não estar preparados agora, mas podem precisar em breve.

Mostre que se importa com os pais e com o bebé

É delicado encontrar um equilíbrio entre ser prestável e intrusivo. E, claro, também ser difícil mostrar que se importa sem trazer tristeza aos pais. Assim, isto pode reverter os papéis e eles podem sentir que o têm de confortar a si ou que a sua dor se sobrepõe à deles. Nestas alturas, se quer apoiar os pais que perderam um bebé mostre-lhes que se importa com eles e com o bebé. Ao fazer isso, tente sempre mostrar que eles não têm de o confortar a si.

O luto e a angústia podem tornar mais complicado que o usual ver e aceitar os pontos de vista e modos de fazer coisas diferentes. Lembre-se que as suas opiniões sobre os pais ou a recuperação dos mesmos, ou como deveriam estar a comportar-se podem ser ofensivas. Desta forma, estar presente para ouvir é a melhor forma de apoio.