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Aborto de repetição

A dor e a surpresa de uma perda gestacional precoce são, por si só, uma experiência traumatizante. No entanto, há famílias que passam por este tipo de perda uma, outra e outra vez. Quando três abortos consecutivos ocorrem antes das 22 semanas, com os mesmos progenitores, considera-se uma situação de aborto de repetição.

O aborto de repetição afeta entre 1 a 5% das mulheres em idade reprodutiva.

Atualmente, em Portugal, podem ser realizados exames para apurar possíveis causas de perdas gestacionais precoces após a terceira perda. Ainda assim, mesmo depois de investigação, cerca de 50% dos casos continuam sem explicação clínica.

Aborto de repetição: possíveis causas

Apesar das causas genéticas serem, geralmente, responsáveis por cerca de 50% dos casos de aborto antes das 10 semanas de gestação, outras causas incluem:

  • causas anatómicas (como o útero septado e o útero bicórneo),
  • causas endócrinas (como alterações da tiroide)
  • causas imunológicas, infeciosas
  • Trombofilias (alterações da coagulação do sangue que podem resultar em trombose) e outras. 

De facto, há, ainda, muitas áreas cinzentas no que diz respeito às causas e tratamentos de abortos de repetição e outras perdas gestacionais. Contudo, segundo um estudo recente do The Lancet, podem estar relacionadas com o uso de progesterona em gravidezes após a perda para que a gestação seja levada a termo com taxas substanciais de sucesso. Num outro estudo, a Tommys publicou informação também muito útil em relação à progesterona e medicação ligada à diabetes para otimizar as probabilidades de uma gravidez com sucesso.

Contudo, há muitos fatores em jogo que podem afetar o risco de aborto como a idade materna ou dos progenitores, historial de perdas anteriores, entre outros.

Por isso, é importante oficializar, clinicamente, as perdas que se tem. Sabemos ser triste, mas desta forma, ser-lhe-ão oferecidos exames que poderão prevenir futuros abortos espontâneos.

Infelizmente, há ainda muitos casos em que as causas não são descobertas e isto afeta imenso os casais.

De qualquer forma, como já notamos, para a maioria das mulheres em idade reprodutiva, a gravidez é, por si só, um acontecimento transformativo e o aborto, representa mais do que simplesmente a perda do produto de conceção.

Representa, principalmente, a morte de um filho, a mudança súbita de planos e expectativas e pode, até, despertar dúvidas sobre a sua competência como mulher e como pais. E o processo de luto não é fácil. Tem direito a chorar pelo bebé que perdeu. Seja ele o primeiro, segundo, terceiro…São todos seus e todos importam.

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Pré-concepção consciente

Qualquer gravidez requer alguma preparação por parte dos pais. Acima de tudo, esta serve para assegurar que tudo o que está sob o nosso controlo e que vai correr bem. Sobretudo, após uma perda, este sentimento torna-se, ainda mais, acentuado. Afinal, uma perda é algo que não se controla e, por isso, é natural que se queira fazer o possível e impossível para dar a uma futura gravidez as melhores probabilidades possíveis. A isto, chamamos de pré-conceção consciente.

Deste modo, disponibilizamos algumas dicas para estar o mais preparada possível.

Pré-concepção consciente: Alimentação e nutrição

Uma alimentação equilibrada, por parte dos progenitores, contribui para a fertilidade do casal, tal como oferece os nutrientes que a mãe necessita em quantidades suficientes para ela e o bebé. A sua dieta pode afetar o desenvolvimento físico e neurológico do bebé.

Entre as vitaminas a incluir na sua dieta estão, por exemplo, o Ácido Fólico, Vitaminha D e Vitamina B12.

Por exemplo, o zinco atua no sistema imunológico e o cálcio, na divisão celular. Já nutrientes como ácido fólico, ómega 3 e vitamina B12 influenciam diretamente a formação do sistema nervoso do bebé.

Pré-concepção consciente: Exercício Físico

Durante uma gravidez, existem múltiplas transformações no corpo da mulher: a nível hormonal, mudanças anatómicas e cardiovasculares, aumento de peso e outras que podem afetar o seu sistema. O exercício durante a gravidez (exceto em casos em que há contraindicações) é recomendado e influencia como se sente com o seu corpo e até afetar a forma como experiencia o parto. Em Portugal, empresas como a Bebé e Barriguitas, focam-se no exercício físico para mamãs e preparam-nas para o parto (além de as acompanhar durante o pós-parto também).

Pré-concepção consciente: Pediatria pré-natal e obstetrícia

Muitas mulheres já terão o seu ginecologista/obstetra antes da gravidez, mas caso não tenham, e especialmente depois de uma perda, é aconselhável que procure apoio adicional que a possa tranquilizar durante a gestação.

Em relação à pediatria pré-natal, este é o primeiro passo no estabelecimento da relação entre os pais e o médico. O pediatra pode iniciar a família na sua função de pais para que estes possam responder adequadamente às necessidades e comportamento do bebé.

Aconselha-se que a primeira consulta ocorra algures depois das 30 semanas, mas pode começar mais cedo ou mais tarde se assim o desejar.

Estilo de vida

Factores que poderão afetar a sua gravidez:

  • Excesso de peso
  • Excesso de cafeína
  • Consumo de alcool, de drogas e tabaco
  • Medicação que está a tomar
  • Entre outras

Uma gravidez após uma perda é mentalmente difícil. Procure ajuda se precisar.

Apoio Psicológico

Voltar a pensar em recomeçar e voltar a tentar, pode ser muito díficil mentalmente. Assim, pode ser necessário apoio psicológico como acompanhamento por um profissional de saúde ou de uma doula. Apesar de estas áreas serem diferentes, são complementares ao bem estar dos pais.

Pode procurar ajuda aqui.

Importante: Por favor tenha em conta que, apesar da informação presente neste artigo ir de encontro às recomendações de médicos de família e profissionais de saúde, esta não substitui o apoio qualificado. Consulte sempre o seu médico de família e/ou obstetra e outros profissionais que o irão aconselhar de acordo com as suas necessidades.

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Como lidar com a perda gestacional

lidar com a perda gestacional

Como lidar com a perda gestacional e neonatal?

É uma pergunta aberta e que não tem nem respostas certas ou erradas. Porquê? Porque cada pessoa faz o seu luto e lida com a perda de forma diferente. Há quem queira falar sobre a perda e que não se evite o assunto. Há pessoas mais reservadas que só querem estar no seu canto e que preferem o silêncio. Cada pessoa tem o ritmo naquela que é uma recuperação que tem muitos altos e baixos. Neste artigo, procuramos ajudar a dar algumas respostas sobre como superar esta perda, aliás, como aprender a viver com ela. 

E, lembre-se, o tempo não cura tudo. O nosso processo durante esse tempo e o que fazemos é que ajuda a sarar as feridas. 

Não havendo uma forma certa ou errada, deixamos alguns conselhos que a podem ajudar. 

Conselhos para lidar com a perda gestacional ou neonatal 

Peça ajuda, se precisar 

Se precisar de ajuda, por favor procure-a. Pode ser através de amigos ou familiares em quem confie, através de apoio psicológico ou contactando com pessoas que tenham passado por uma situação idêntica. O Amor para Além da Lua, por exemplo, tem um grupo privado de apoio à perda gestacional onde pode participar. Temos também uma secção de testemunhos com histórias de perda gestacional (precoce ou tardia) e neonatal. 

Relativamente ao apoio psicológico, hoje em dia existem, por exemplo, vários profissionais de saúde especializados no luto que a podem ajudar a lidar com a perda gestacional. 

Não se apresse “a ficar bem” e a reagir 

É muito comum as pessoas, não sabendo o que dizer, tentarem ajudar ao dizer “tens de superar e ter força”, “és nova vais ver que bem rápido vais ter outro filho”, “anima-te”. A intenção é a melhor e a nossa tendência é julgar-nos e acharmos que temos de reagir e ultrapassar. Às vezes, ao querer fazer o caminho mais curto, não nos permitir sentir tristeza e pensar no assunto, é apenas varrer “um assunto para debaixo do tapete” e adiar o inadiável. É importante deixarmo-nos sentir tristeza, levarmos o nosso tempo, fazermos o nosso luto. 

dias difíceis após a perda gestacional

Aceite os seus sentimentos e tente esclarecer as suas dúvidas

Os dias, semanas e meses após a perda de um bebé são extremamente dolorosos e a verdade é que sentimos, e é um facto, que não há palavras para nos confortar. Se sentir revolta, raiva e angústia, saiba que é perfeitamente normal. Nestes dias parece que caímos num enorme buraco e que não vamos conseguir sair dele. Sentimos a perda de forma forte no nosso corpo. Arrancaram-nos uma parte de nós. 

Procure saber junto dos médicos quais foram as causas da perda do seu bebé. Poderá ajudá-la a amenizar a sua culpa e a encontrar as respostas que necessita.  

“Do lado de fora”, mas também de dentro, está o pai. O pai que luta para ver a mulher bem e que tudo faz para a amparar e ser um pilar no meio da dor. Converse sobre o seu companheiro e procure falar sobre os seus sentimentos. 

Não se culpe, nem julgue (ou pelo menos tente): o impacto na intimidade

É normal, após a perda gestacional ou neonatal, haver um abalo na intimidade. Para além da enorme perda ter impacto na vida íntima e em que como nos sentimos física e psicologicamente, as relações sexuais são muitas vezes associadas à gravidez. Saiba que é normal haver um afastamento sexual e impacto na intimidade. Dê tempo ao tempo e não se culpe por este impacto. 

Lamentamos imenso caso tenha passado ou esteja a passar neste momento por uma perda gestacional ou neonatal e desejamos-lhe muita força.

Demore o seu tempo. Respeite os seus sentimentos e as suas emoções.

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Como explicar às crianças a perda de um bebé

explicar a perda de um bebé

A perda de um bebé pode ter um impacto profundo em toda a família. Terá impacto nas crianças que estavam à espera de um irmão(ã), sobrinha(o) ou primo(a). Igualmente na criança que sobreviveu de um par de gémeos ou até filhos que nascem depois do bebé ter morrido. Neste artigo, damos algumas dicas para explicar às crianças a perda de um bebé.

Apesar de estar dirigido aos pais, este artigo pode aplicar-se a outros familiares, professores e outras pessoas que possam apoiar a criança.

Explicar às crianças a perda de um bebé: dicas

Contar a alguém que um bebé morreu já pode ser bastante difícil. Contar a crianças pode ser especialmente complicado.

É desafiante escolher quando e qual informação dar e explicar o que aconteceu de forma a que a criança entenda. É também complexo passar a mensagem de que este fim não pode ser alterado.

Se não se achar capaz de contar aos seus filhos o que aconteceu, pode pedir a um familiar, como os avós, para o/a ajudar.

Esta pessoa poderá explicar o que aconteceu e o porquê de você estar triste e que, enquanto se estão a resolver as coisas, a criança terá de ficar com ela.

Se o seu bebé faleceu numa unidade neonatal, pode recorrer a um psicólogo ou terapeuta que o possa ajudar com isto.

Quando decidir partilhar a notícia com os seus filhos, é natural sentir-se ansiosa(o) e protetor(a). É importante que considere as idades e a sua capacidade de perceção.

As crianças podem reagir de forma diferente ao esperada – podem não lhe dar a atenção que acha que deveriam ou podem mostrar-se incrivelmente afectados. Ambas e tudo no entremeio é normal

É também fundamental que as crianças percebam que não há problema em chorar e que a(o) podem ver a chorar também.

Quando falar com eles, pode usar frases como “estamos tristes porque o nosso bebé morreu. Quando alguém morre, isso significa que nunca mais os vamos poder ver”. Pode também ser levado pelas questões das próprias crianças.

Pode querer incluir alguns detalhes como o sexo do bebé ou o nome. Assegure-os que podem perguntar mais quando quiserem.

Muitas vezes as crianças aceitam estas simples explicações sem grandes dúvidas e continuarem com as atividades em que se encontravam antes ou mudam imediatamente de assunto. Esta é uma reação normal.

Quando a perda é neonatal

E como explicar às crianças a perda de um bebé nos casos de perda neonatal?

Crianças pequenas que tenham visitado o bebé nas unidades neonatais poderiam estar sob a impressão que o bebé iria melhorar e vir para casa. Podem, portanto, ficar confusos e aflitos sem perceber porque é que este não foi o caso.

É possível que as suas rotinas tenham sido alteradas pelos longos períodos no hospital e desenvolvido uma relação com o bebé. É importante encorajá-los a falar sobre o que sentem e explicar-lhes o que aconteceu.

Algumas crianças gostam de saber sobre o funeral ou para onde vamos quando morremos. Crenças religiosas podem influenciar as suas respostas. Se não for o caso ou quiser manter o assunto mais neutro pode começar as suas respostas com “algumas pessoas acreditam…” ou simplesmente “não sabemos…” Para crianças mais novas, tente dar-lhes uma ideia do que vai acontecer no funeral. Relembre-os que o bebé não sente nada e não está em sofrimento – já que um funeral pode ser assustador.

como explicar às crianças a perda de um bebé

Uma forma de ajudar crianças mais novas a entender a morte é ler livros que abordam o tema de modo apropriado para a idade.

Ser honesto com as crianças

Mesmo pequenas, as crianças sentem quando algo está errado.

Se não lhes for dito o que está a contecer, isso pode assustá-los e fazê-los imaginar que eles são a razão da sua tristeza.

Por duro que pareça, uma linguagem simples e honesta é melhor do que frases que possam ter significados múltiplos.

Por exemplo, dizer que o bebé está a dormir podem soar confusas e pode preocupa-los sobre irem para a cama e não voltarem a acordar. Expressões como “perdemos o bebé” ou “ não está cá” podem levá-los a pensar que o bebé está só perdido ou vai voltar. Isso leva a uma esperança falsa sobre o estado do bebé e a possibilidade de ele poder acordar ou ser encontrado. Estas expressões podem também preocupar a criança sobre se o mesmo lhe poderá acontecer ou a si.

De igual forma, dizer que o bebé estava doente pode assustá-lo quando eles ficarem doentes.

Tal como os adultos, as crianças têm um vasto leque de emoções; estes podem aparecer em ordem aleatória. E, tal como os adultos, estes sentimentos podem ser conflituosos e complicados.

Sentimentos de revolta e culpa

As crianças têm sentimentos mistos sobre o novo irmão ou irmã. Uma criança que tenha sentido inveja durante a gravidez pode sentir-se culpada sobre a morte do bebé. Pode ser benéfico lembrá-lo que nada é culpa deles e nada que eles tenham feito ou pensado poderia mudar o que aconteceu.

Outras crianças podem sentir revolta contra o bebé ou até os pais. Poderão também temer que que outros chegados a si possam morrer também. Podem demonstrar também mais irritação do que o habitual a pais que estejam separados, especialmente se a mãe se encontrar criticamente doente ou tem de ficar no hospital.

Fatores de alerta no comportamento

Assim como os adultos, crianças, especialmente as mais novas, podem ter dificuldades em expressar os seus sentimentos. Procure mudanças no seu comportamento. Por exemplo, uma criança que já estava treinada para ir à casa de banho, podem querer voltar a fraldas ou recomeçar a molhar a cama. Poderão também tornar-se mais dependentes. Mudanças em rotinas de alimentação ou sono também devem ser notadas. Tente manter a rotina o mais normal possível e crie oportunidades para os seus filhos fazerem perguntas.

É comum para crianças expressarem os seus sentimentos através de brincadeira, pintura ou desenho. Isto poderá indicar os sentimentos e humor deles e ser uma forma de expressar o que sentem. Considere que apoio externo a criança pode precisar, quer seja através de familiares, amigos ou terapia.

Profissionais como professores, tutores ou médicos devem ser mantidos informados para que possam ser apoiados devidamente.

Crianças, por norma, navegam o entendimento como vai ver mais à frente. Se a criança já tiver experienciado uma morte na família ou tiver dificuldade de aprendizagem ou mental, isto pode afetar a sua capacidade de compreensão ou de resposta.

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Procurar ajuda: Profissionais especializados em luto

Apesar de percebermos que uma perda gestacional ou neonatal é algo trágico e traumático e que o processo de luto dura uma vida, é, também, importante reconhecer quando precisamos de ajuda. Então, neste artigo, escrevemos sobre profissionais especializados em luto.

Profissionais especializados em luto, rumo

Quando o seu bebé morre, poderá ser-lhe oferecida ajuda para que inicie o processo de luto e para gerir as suas emoções de forma saudável para si.

Deste modo, muitos hospitais poderão indicar-lhe psicólogos que a acompanharão nesta jornada.

No entanto, gostaríamos de salientar que, apesar de toda a educação recebida, o luto é algo muito específico. Afinal, é, na sua essência, um trauma que precisa de cuidado. Daí, abordarmos o tema da ajuda especializada e vários profissionais especializados em luto que podem ajudar.

Profissionais especializados em luto – Psicólogos

Aceitar a perda e aprender a viver com o luto (e não em luto) é algo muito delicado. Muitas pessoas tentam superar o trauma inicial sozinhas. Todavia, nunca podemos esquecer o quanto a ajuda de profissionais que se especializam em luto pode fazer a diferença na sua saúde mental e recuperação.

Naturalmente, o processo de luto é, inevitavelmente, doloroso. Principalmente porque traz angústia, tristeza, mágoa e outros sentimentos que podem ser muito intensos.

No entanto, como somos uma sociedade que instiga o “andar para a frente” (mesmo que bem intencionado), muitas vezes tentamos continuar a nossa vida. Embora isto resulte para muitos, noutros casos não se respeita o nosso coração e o processo. A dor faz parte do processo de luto e deve ser sentida.

Desta forma, a ajuda de um psicólogo que se especializa em luto, será muito benéfico. Conforme o apoio que precisar, irá perceber as suas emoções e trabalhá-las para que as gerir mais eficazmente.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza – é um ato de coragem

Profissionais especializados em luto – Doulas

Apesar do conceito de Doula ser relativamente recente para nós, esta é uma das formas de ajuda mais antigas do mundo. Na verdade, a palavra Doula vem do grego “mulher que serve”.

Profissionais especializados em luto

Contudo, atualmente, as doulas são conhecidas por se dedicarem ao acompanhamento pessoal, emocional e físico da gestante. Uma Doula apoia emocionalmente uma mãe para que esta se sinta o mais segura e reconfortada possível.

Tal como quando os bebés nascem vivos e a doula oferece a sua ajuda emocional, quando há uma perda gestacional ou neonatal. Esta também é uma das competências de doulas especializadas no luto.

Assim, o que é importante perceber é que uma doula ajudará no que puder, dentro do aceitável, no hospital e até em casa. As doulas ajudam a humanizar os partos e a reconhecer o luto pelo que é, ajudando os pais a processar e aceitar o que aconteceu.

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Aborto Retido

Independentemente do tempo da gravidez, uma perda, vem sempre com o seu peso físico e emocional. Assim, neste artigo, escrevemos sobre uma complicação de uma das perdas gestacionais precoces mais comuns: o aborto retido.

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Geralmente, entre a oitava e a décima segunda semana da gestação é confirmado, em consulta, que o bebé, infelizmente, morreu no útero. Este é, muitas vezes, chamado um aborto incompleto.

Nestes casos, o corpo retém o saco gestacional, embrião e outros tecidos, demorando semanas (por vezes meses) a libertá-los naturalmente.

Por norma, quando se recebe esta terrível notícia, a equipa médica vai recomendar, primeiramente, deixar que o corpo aja de forma natural. Por outro lado, se não for esse o caso, poderão dar-lhe medicação. Esta serve para estimular a expulsão de material e feto do útero.

Na eventualidade deste método não funcionar, há como alternativa um procedimento cirúrgico para limpeza uterina.

Por vezes, algumas mães escolhem o tratamento de esvaziamento uterino imediatamente. Afinal, este é mais rápido e oferece algum controlo sobre a situação. Contudo, não deixa de ser um procedimento invasivo que poderá provocar consequências na mulher. Assim, tire, por favor, tempo para discutir com o seu ginecologista ou obstetra as suas opções. Desta forma, ficará mais confiante de que está a tomar a decisão mais acertada para si.

Aborto Retido: Causas e Sintomas

Tal como num aborto espontâneo, este pode trazer consigo alguns sintomas, ou ser assintomático. Por isso, em alguns casos, passam-se semanas sem que as mães percebam que a gravidez não está a evoluir.

Além do mais, por vezes os sinais de gravidez, como enjoos e desconforto continuam. Assim, torna-se muito difícil a sua descoberta. É, portanto, importante que a sua gravidez seja devidamente acompanhada e que vá a todas as consultas.

Os sinais mais comuns de aborto retido são:

  • Sangramento vermelho vivo ou acastanhado
  • Dor pélvica
  • Desaparecimento de sintomas gestacionais
  • Ausência de continuação de crescimento da barriga

Semelhante a outras perdas, as causas para um aborto retido passam por:

  • Problemas cromossómicos
  • Malformações fetais
  • Problemas de saúde maternos
  • Idade, peso e abuso de drogas
  • Entre outros

Apesar de esta ser uma experiência traumática e de grande peso emocional, não há razões para perder a esperança. Há muitas mães que têm posteriormente gravidezes de sucesso e sem complicações.

No entanto, procure ajuda se precisar. Embora seja uma experiência solitária, não tem de sofrer sozinha.

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Perda gestacional: Desafios físicos e emocionais

Ao voltar para casa, muitos são os desafios emocionais e físicos da perda gestacional a enfrentar. Sobretudo se esta foi a sua primeira gravidez ou fruto de um tratamento de fertilidade. Neste caso, há muitas coisas que pode não conseguir entender imediatamente. Como resultado, vai sentir mudanças no seu corpo, incluindo alguma dor física e desconforto nas primeiras semanas, especialmente no caso de ter tido um parto normal.

Durante esta fase, pode tentar perceber por que é que aconteceu. Este é um direito que tem. Notará que, na grande parte das vezes, os momentos que se seguem são de espera para saber os resultados de exames que possam ter sido realizados a si e ao seu bebé.

Há, indiscutivelmente, poucas experiências que se possam comparar ao trauma de perder um bebé. Assim como os vários aspetos práticos que possam ocupar o seu tempo nas primeiras semanas, deverá reconhecer que haverá significantes desafios emocionais e físicos da perda gestacional. Apesar do impacto ser, principalmente para si e para o seu parceiro, é usual que a família sinta o peso e a tristeza da perda.

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Desafios Físicos

Da mesma forma que o seu corpo se preparou para um bebé vivo, este nem sempre regista que o bebé tenha morrido. Na maior parte dos casos, o parto será efetuado à semelhança de um nascimento normal. No evento de sofrer de complicações pós-parto, é vital que receba a atenção médica que lhe é devida.

Consequentemente, pode expressar leite. Isto pode ser um choque físico e psicológico. Frequentemente, e dependendo da fase da gravidez, o seu corpo estaria preparado em antecipação da chegada do bebé. Nestes casos, os médicos poderão dar-lhe medicação para parar a produção de leite.

Por causa de todas as tranformações que occorrem durante um curto espaço de tempo, é natural que o seu corpo demore o seu tempo a voltar à “normalidade”. Assim, pode estar algum tempo sem menstruar e voltar à regularidade.

Para todos os pais, o luto pode ser esgotante. Como tal, pode estar cansada física e emocionalmente. Devido ao do choque de descobrir que o seu bebé morreu, as decisões que teve de tomar ou até mesmo o parto, a probabilidade de se sentir exausta (o) será enorme.

Desafios Emocionais

O impacto emocional de perder um bebé é inestimável e duradouro. Será, por isso, natural sentir choque, entorpecimento, raiva, ressentimento, tristeza, vazio, culpa, perda de autoestima e muitas mais emoções. Enquanto isto pode ser difícil de aceitar, é importante que faça o luto pela a sua perda e que procure a ajuda que precisar.

É absolutamente normal sentir uma confusão de emoções e, passado algum tempo, vai perceber que esta não é uma dor comum. Assim, vai vê-la de outra forma e perceber que esta angústia vai demorar mais a passar que o esperado. No entanto, se passado algum tempo, continuar a achar a vida diária difícil, ou não conseguir ir trabalhar, por favor procure ajuda.

Acima de tudo, Lembre-se que pode contactar o seu médico de família e explicar o que sente e eles poderão referi-la(o) para um psicólogo.  Alternativamente, pode também procurar ajuda pessoalmente.

desafios físicos e emocionais

Para além disto, conversar com alguém que tenha passado por uma situação semelhante e partilhar a experiência, pode também ser extremamente benéfico. Recorde-se que todos sofrem de forma diferente e tente não comparar a sua experiência ou luto com a dos outros. Pode ler aqui alguns testemunhos de perda gestacional.

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Despedir-se do seu bebé: algumas dicas

Durante a vida, nenhum pai ou mãe pensa, ao ver um teste positivo, que vai ter de dar à luz. Muito menos despedir-se do seu bebé ou ter de organizar um funeral para ele.

rosa, despedir-se do seu bebé

Por um lado, pode ser uma ação extremamente dolorosa. Por outro, para muitos pais esta ação pode trazer conforto; uma forma de honrar e dizer adeus ao seu bebé e de lidar com a sua dor.

No entanto, saiba que não há ações certas ou erradas. Cada pessoa faz o seu luto de maneira diferente e o facto decidir não fazer nada não significa que não ame o seu bebé. Para além disso, existem várias fases e poderá sempre homenageá-lo mais tarde, quando se sentir preparado(a).

Despedir-se do seu bebé: O que pode fazer durante a altura do parto:

Ver e/ou pegar no seu bebé

Se o seu bebé ter vivido por algum tempo ou ter sido admitido numa unidade neonatal, pode ter tido a oportunidade de pegar e embalar o seu bebé antes de ele morrer.

Por outro lado, se o seu bebé morreu antes ou durante o parto, as perguntas serão diferentes. Provavelmente irão perguntar se deseja ver e/ou pegar no bebé. Contudo, é importante saber que despedir-se do seu bebé desta forma é uma escolha completamente pessoal. 

Deste modo, se quiser ver e não lhe perguntarem, não tenha medo de perguntar por isso e o profissional de saúde irá organizar isso para si.

Ainda assim, se não quiser ver/pegar no seu bebé ou se sentir muito ansioso(a), poderá fazer alguns pedidos. Isto é importante para quando, numa fase posterior, se sentir preparada e quiser ver. Tal como esta decisão, pode ainda pedir para:

  • guardar uma madeixa de cabelo;
  • a enfermeira tirar uma fotografia, nem que seja a um pé ou uma mão;
  • uma descrição para se assegurar que não há anomalias visíveis antes de o ver;
  • ver apenas um pé ou uma mão.

Por favor, note que não há decisões erradas. A pressão e a angústia com que se lida com estas situações faz-nos tomar as decisões que necessitamos para sobreviver ao trauma que estamos a viver.

É muito importante também lembrar-se que a sua escolha pode ser diferente à do seu parceiro(a). Igualmente, cada um tem de decidir o que é certo para si.

Dar um nome ao bebé

Muitos pais decidem dar um nome ao bebé, o que lhes dá uma identidade e pode tornar mais fácil referir-se a ele.

Por exemplo, alguns pais continuam a usar a alcunha ou diminutivo que usaram durante a gravidez. No evento de um bebé ser extremamente prematuro ou morrer antes do parto, pode ser difícil determinar o género. Por isso, pode ser mais simples escolher um nome que se atribua a ambos os sexos.

No entanto, pode também preferir não dar nome ao bebé, pelo menos não nesse momento, e essa escolha é também válida.

Lavar e vestir o bebé

Para muitos, dar banho ao bebé é uma oportunidade especial para sentirem que estão a ser pais e criarem memórias. Simultâneamente, pode ser uma forma de se despedir do seu bebé. Assim, se quiser, poderá fazê-lo ou até pedir a uma enfermeira(o) para a ajudar. Note que os procedimentos poderão mudar de hospital para hospital.

Por exemplo, pode trazer também uma roupa para o bebé. Dependendo da condição do seu bebé, pode tornar difícil vesti-lo. Por isso, pode sempre embrulhá-lo num cobertor. No caso de preferir, uma enfermeira(o) ou parteira(o) poderá ajudá-la a fazer isto.