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Marta N.

Depois de 2 anos a tentar engravidar, e já em consultas de PMA (infertilidade), engravidei naturalmente. Soubemos em Novembro de 2020, estávamos mega felizes…

Tudo correu bem até à segunda ecografia, em que a médica me diz (devido à pandemia, estava sozinha) que o bebé tinha uma malformação muito grave…

Mandou entrar o meu marido, também lhe explicou o que passava, e marcou-nos consulta para uns dias mais tarde, onde iríamos decidir o que fazer. Disse-nos para até lá irmos pensando.

Ficamos completamente desnorteados, o mundo caiu-nos em cima.  Tínhamos em mãos a pior das decisões para tomar, tirar a vida ao nosso bebé, era um rapaz…depois da decisão, foram mais uns dias até fazer a interrupção, porque até nestas situações a burocracia impera, e esses só foram os piores dias da minha vida.

Era um bebé perfeito

Continuar a ter dentro de mim um bebé, que sabia ia ficar sem ele, um bebé com vida, que eu lhe ia tirar…

E no dia 14 de março de 2021, nasceu o nosso bebé sem vida, uma vida que fomos nós que decidimos terminar, mas que no fundo sabemos que foi o melhor.

Era um bebé perfeito (decidimos que o queríamos conhecer), não fosse ter “espinha bífida aberta”.

E no fim de tudo isto, fica uma dor enorme…. não há dia que não pense, não há dia que não me lembre, e tenho a certeza que será eternamente assim, porque não há maior dor, do que a de perder um filho…. 

Um beijinho do tamanho do mundo e um xi-coração apertado.

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Vanessa

O meu nome é Vanessa tenho 31 anos e em 2020, no dia 20 de maio soube que estava grávida de 6 semanas.

Uma gravidez desejada, tudo super tranquilo até ao dia 19 de outubro já com 29 semanas…comecei a sentir umas picadas na barriga, um ligeiro corrimento com sangue; pensei logo que seria uma infeção urinária porque já tinha tido durante a gravidez.

Dirigi-me às urgências onde me foi dito que com o bebé estava tudo bem. Iríamos então fazer análises à urina e à urina acética (esta análise demoraria 2 dias até sair o resultado, até lá iria tomar progesterona. Assim foi. Fiz um CTG tudo normal.

O Afonso nasceu no dia 21 de Outubro às 23h45, um parto normal com uma equipa médica fantástica.

Dia 21 de outubro, mesmas dores mas mais fortes. Vou à consulta médica, só por precaução, quando a médica me diz “não há batimento cardíaco”… Nesse momento o mundo para, fico sem chão, sozinha no consultório.

Então a medica decide “vamos mudar de máquina pode ser uma avaria”… mas não era! O meu Afonso partiu e eu não consegui perceber quando ele deixou de se mexer. Já estava a entrar em trabalho de parto!

Na altura só pensei “e agora?!”. Lá fui para o hospital, nas urgências sozinha, só tive o meu namorado comigo às 17h30, dei entrada ao 12h30. Fui sujeita a todo o tipo de estudo_ amniocentese, análises, tudo!

O Afonso nasceu no dia 21 de outubro às 23h45, um parto normal com uma equipa médica fantástica. Não vi o meu filho porquem quando dei entrada no hospital, a médica disse-me “sente-se preparada para ver o seu filho, sabe que ele pode não ter uma aparência normal “… fiquei assustada e não vi. A médica disse isso porque o Afonso tinha a translucência da nuca um pouco elevada, mas fiz todos os exames e o meu bebé era normal.

Tenho alta no dia seguinte – se havia dia para saírem mães com ovinhos foi no dia que eu saí de colo vazio ainda em choque com o que nos aconteceu. Tinha tudo planeado, roupinhas e de repente a vida pregou-me uma partida.

Fizemos muitos exames morte inexplicada foi o resultado, e é isto que me dizem, sujeitei-me a tudo a nível de exames mas “a medicina ainda não está assim tão evoluída”.

Felizmente descobri o vosso blogue que tem sido uma grande ajuda a nível psicológico, porque sempre que vejo uma grávida, um bebé no ovinho pergunto-me quando será a minha vez.

E como fazemos tantos exames e ninguém vê que algo está errado com o bebé.

Espero que a minha história ajude quem também passou por uma perda.
Sou mãe de primeira viagem de um anjo que tenho a certeza me vai proteger 💙

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Rita

Pilar – A nossa história

Rita, mãe do Dinis, da Laurinha e da Pilar

A nossa família começou em 14.02.2014, quando inesperadamente eu e o pai descobrimos que o Dinis vinha a caminho. Depois do choque inicial, instalou-se aquele sentimento bom de que se ia realizar um sonho, há muito esperado.

Sempre fui uma grávida muito consciente, soube sempre que coisas más acontecem e sobretudo na primeira gravidez, tive sempre algum receio. A 03.11.2014 nasceu o Dinis e eu tornei-me mãe. Soube desde o primeiro momento que o meu coração era dele e que tinha nascido para isto. Aliás disse logo ao pai que sabia que não ficaríamos por ali. Na realidade, o nosso desejo sempre foram os três filhos, mas ouvimos sempre relatos de quem acaba por desistir, porque isto não é fácil.

O primeiro ano de vida do nosso Dinis foi muito desgastante e difícil, e nada cor-de-rosa, como toda a gente fazia parecer. No entanto, perseveramos e em 2017 engravidei novamente. Foi uma gravidez tranquila q.b., com alguns sobressaltos já no fim, mas senti-me muito mais descontraída. E foi então que em 03.01.2018 nasceu a Laurinha. A menina que eu não sabia que queria ter, porque sempre me imaginei mãe de três rapazes.

Foram anos complicados com duas crianças pequeninas, mas justamente quando começava tudo a acalmar, decidimos avançar com o nosso sonho e completar a nossa família. Foi assim que planeamos ter o nosso terceiro bebé. E claro que se tudo correu bem até agora, porque seria diferente?

Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.

Tivemos os mesmos cuidados que das outras gravidezes, fomos acompanhados pela mesma obstetra e fizemos inclusivamente um seguro para ter a bebé no privado. Como da última vez o parto foi um pouco atribulado, decidimos procurar uma alternativa. Certo é que o sítio de onde “fugi”, foi onde fui encontrar todas as respostas. Ironias da vida…

Tudo corria lindamente e tinha uma barriga muito grande que exibia com orgulho. Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.

Por voltas das 28 semanas, a nossa obstetra reparou que existia uma coisa mínima no coração e quis descartar qualquer situação, só mesmo por prevenção. Assim sendo, encaminhou-nos para um ecocardiograma fetal. Lá confirmaram que efetivamente existia algum “bloqueio”, mas que poderia estar associado a algum alimento que estivesse a consumir em demasia. Eu sempre soube que não era de nenhum alimento e nesse mesmo dia “deixei de respirar”. Eu sabia que algo se passava. Ficou acordado repetir o exame passadas duas semanas. A minha Obstetra decidiu antecipar a ecografia do 3º trimestre para eu ficar mais descansada. Lembro-me que saí de casa feliz da vida, afinal ia ver a minha querida menina. Esse dia mudou a minha vida para sempre.

Quando iniciei a ecografia, comecei logo a achar que algo não estava bem. A minha obstetra estava muito calada e media e revia tudo, vezes sem conta. Às tantas diz me que algo não se estava a desenvolver como era esperado no cérebro da bebé! Eu fiquei em choque, como assim no cérebro? Não era no coração? A Obstetra foi rever os resultados da 2ª ecografia para ver se se tinha enganado em alguma coisa. Tentou ver a menina em 4D para ver se existia alguma anomalia visível, mas não, era linda a nossa Pilar. De repente eu desatei a chorar e a minha Obstetra de mão dada a mim, não conseguia esconder o seu desespero. Depois disso, já só me lembro de chamarem o Pai para me ir buscar e seguir para o Hospital. Só tive tempo de ir a casa, preparar as coisas e despedir-me dos meninos. Nunca até à data os tinha deixado e custou me mesmo muito. Ficaram com a minha mãe que cuidou deles com todo o amor, sem nunca demonstrar o sofrimento horrível que passava ao ver a sua “menina”, única filha, a sofrer desta maneira.

Seguimos para o hospital e em poucos minutos chegou o diagnóstico: aneurisma da veia de Galeno e insuficiência cardíaca severa. É uma condição extremamente rara e com um prognóstico extremamente reservado. Aprendi mais tarde, com horas e horas de estudo, que muitas vezes só é detetado no nascimento. Seguiram-se momentos em que nos traçaram os piores cenários possíveis, mas eu segui forte.

Jamais iria interromper a gravidez. Ficamos internadas e o nosso caso foi a referenciação nacional. Foram contactados hospitais no estrangeiro e eu, nós, estávamos dispostos a tudo para salvar a nossa filha. A partir do momento em que entrei naquele hospital, posso dizer que entrei em modo de sobrevivência. Eu não pensava em mais nada que não fosse fazer o possível e o impossível pela nossa filha. Dia após dia a ouvir os piores cenários e sempre firme e forte. Toda a nossa esperança se depositava em alguém se predispusesse a operar a nossa menina. Ela mantinha-se estável e ativa. A nossa menina lutou com uma guerreira, ela queria viver. Dias depois chegou o veredicto: “a única opção que nos deram foi tentar mantê-la viva até aos 6 meses e depois operar”.

Como assim tentar mantê-la viva? Este ser gerado do amor, o nosso bebé, ia deixar o quentinho da minha barriga para a tentar manter viva? Sem existir qualquer perspetiva de que se conseguisse recuperar? Sem saber se poderia brincar com os irmãos? Vir ao mundo para ficar no hospital ligada às máquinas por 6 meses, no melhor cenário possível, sem sabermos sequer se conseguiria suportar a cirurgia e se correria bem? Mas que raio de solução é essa? Eu sou licenciada em Direito e dos primeiros conceitos que aprendemos quando entramos na Universidade é o conceito da “dignidade da pessoa humana”. Quando ouvi estas palavras, os meus instintos começaram a gritar e luzes vermelhas acenderam-se, isto não é DIGNO para um ser tão amado e desejado.

A minha vontade era fazer tudo o que pudesse para a ter ao pé de mim, mesmo que o desfecho fosse o pior possível, como me diziam. Mas que tipo de mãe seria eu? Seria um ato extremamente egoísta da minha parte. E assim depois de dois dias completamente isolada no quarto do hospital, só com visitas esporádicas do pai, porque se plantava à porta do hospital e lá o deixavam entrar, devido ao caso que era, decidi que iriamos interromper a gravidez. No dia em que tomamos essa decisão senti-me destroçada por dentro e sabia que essa decisão me iria destruir para o resto da vida, mas a outra opção também não seria capaz de suportar. Tomei a minha decisão e comuniquei como queria que tudo se processasse, caso contrário pedia alta e ia procurar um local que me desse dignidade, a mim e a minha filha.

Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas.

Felizmente cumpriram com tudo e assim no dia 02.06.2020 a Pilar partiu dentro do quentinho da minha barriga, a ouvir somente o bater do meu coração destroçado por a perder. No dia 03.06.2020, mais uma vez o dia 03 como os irmãos, a Pilar “nasceu”, e eu completamente “dopada” tive a secreta esperança de a ouvir chorar. Mas nada, só silêncio. Naquele dia a Pilar deixou a minha barriga e eu abandonei o lado da maternidade em mim. Fiz uma laqueação. Não podia conceber voltar a passar por uma experiência daquelas.

Momentos depois, aconteceu o nosso primeiro encontro, única altura durante toda este processo em que tive alguma paz, a Pilar conheceu o calor do nosso colo e o nosso amor por ela. Peguei na nossa menina e só pude pedir desculpa, por não a ter conseguido salvar. Nesse momento a “Rita” que existia, desapareceu e nunca mais vai voltar. Parte de mim partiu com ela. Mas o AMOR, esse continua aqui no meu peito e nunca, jamais irá desaparecer. Amo-a com todas as minhas forças e é nela e nos irmãos que vou buscar força para me levantar todos os dias e seguir.

Quero muito que eles se orgulhem de mim. Como podem ver lá por ser a terceira viagem ninguém está livre de um desfecho destes. Ouvi constantemente no hospital a pergunta: “É o primeiro?” e tive de responder sempre: “é a terceira!”. Como se isso diminuísse o meu sofrimento. Depois de sair do internamento, passei, e ainda passo, momentos muito duros. Há muitos dias em que o “escuro” volta e me quer engolir, mas tento valorizar os dias bons.

Muitas vezes me pergunto como vou viver com esta dor no meu peito, com este vazio que nunca nada vai preencher, com esta saudade que nunca cessa. Não sei, só sei que vou falar sempre em ti meu amor. Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas. Vou falar sempre em ti, todos os dias da minha vida, e em mim viverás para sempre. Esta é a nossa história minha princesa e é sobre AMOR, RESILIÊNCIA, RESPEITO e DIGNIDADE.

Amo-te muito minha doce menina!

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Telma

Somos Gémeos! Tomás e Tomé.

Estaríamos quase, quase a nascer, se tudo tivesse corrido bem, mas em vez disso nascemos antes… Dezembro de 2020. A nossa mamã e papá foram muito corajosos, preferiram sofrer sozinhos do que nos ver sofrer. A mamã conta tudo.

O meu nome é Telma, tenho 36 anos e carrego comigo a maior dor que uma mãe pode suportar, a perda de um filho, sim porque para mim é e sempre serão filhos. Os meus filhos!

Foram precisos 6 anos para conseguirmos engravidar, entre consultas e tratamentos lá conseguimos o nosso tão desejado positivo a 23 de Julho de 2020, fruto de uma FIV e consequentemente TEC, onde transferimos dois embriões. Foi uma alegria quando soubemos que estava grávida e ainda para mais de Gémeos.

Fizemos todos os exames e mais alguns, desde análises, ecografias de trissomias até o NEOBONA nós fizemos, afinal não podíamos correr o risco de alguma coisa correr mal, tanto tempo à espera dos meus meninos.

Tudo correu bem, até à Morfológica, onde foi detetado em ambos os meus meninos uma cardiopatia muito grave, não era viver mas sim sobreviver.

Ficámos sem chão, não podíamos acreditar, fomos a vários médicos e todos nos disseram o mesmo. Muitas consultas, medicações, operações e nunca nos garantiram que sobreviveriam sequer à primeira intervenção cirúrgica.

Nenhuma mãe ou pai acredita às primeiras no que os médicos lhes dizem, não é o que esperamos e muito menos o que desejamos para os nossos filhos, foi preciso tentar não pensar com o coração e sim pensar com a cabeça o que era melhor para eles, e infelizmente o melhor para os meus meninos não o era para nós.

Tomámos assim, a difícil decisão de interromper a gravidez. Os nossos filhos deixaram-nos a 16 de Dezembro e a expulsão foi a 17. Apesar de tudo termos feito por eles, sinto uma dor cortante.

Tenho um colo vazio. São dias difíceis, muito difíceis.

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Ana Sofia

Olá a todas.

Gostava também de contar a minha história. Sou a Ana Sofia Silva tenho 35 anos. Durante seis anos andei na luta com a infertilidade.

Passei por alguns tratamentos de fertilidade. Mudei para uma clínica em Lisboa onde consegui o meu positivo em Junho de 2020. Passei uma gravidez tranquila. Vim para casa às 16 semanas.

Trabalho no atendimento ao público. Vim para casa por causa do covid. Estava tão feliz.

Passei o meu tempo em casa a decorar o quartinho a tratar de tudo para o meu menino.

No dia 15 de janeiro 2021 fui ao hospital privado consulta das 36 semanas está tudo bem, mas estava com algumas contrações. Não tinha dor. A médica mandou-me fazer repouso e tomar um medicamento para as contrações diminuírem. Tomei a medicação e vim para casa.

No dia seguinte, o bebé mexia muito, mas como ele se mexia muito normalmente achei normal. Na tarde de sábado achei que se estava a mexer menos, mas a médica disse que era normal. A medicação ia baixar-me as tensões e eu pensei que fosse disso.

Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

Quando fui à consulta das 37 semanas fui fazer as cintas e a enfermeira não estava a encontrar batimentos. Entretanto chegou a médica eu já estava em pânico e confirmou que o bebé não tinha batimentos cardíacos.

Como é possível perguntei eu. Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

O meu mundo desabou. Fiz uma cesariana.

Quando acordei ainda tinha a esperança que ele estivesse ao meu lado vivo, que tudo fosse um mero engano. Não consegui ver o meu bebé. Na altura pensei que seria o mais apropriado uma vez que ia ter que me levantar depois desta perda. E não sabia se o conseguia fazer se o visse.

Hoje não sei se o deveria ter visto. Passaram 7 semanas. O meu coração está despedaçado. Nunca pensei que estas coisas aconteciam. A médica disse que foi o cordão à volta da barriga. Mandamos fazer autópsia. Ainda não sabemos o resultado. Olho para as outras pessoas com os seus bebés e digo muitas vezes: como é que é possível isto ter acontecido?

Os bebés não morrem.

Tenho tudo no quartinho do Tiago, na esperança de voltar a ser mãe. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de colo vazio.

Beijinhos obrigada 

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Perda gestacional tardia: causas e sintomas

Em muitos casos, não há razões, nem é atribuída uma causa, para a morte de um bebé no útero em fases avançadas da gravidez ou que levem à necessidade de uma interrupção voluntária da mesma.

Frequentemente, não receber uma explicação sobre as possíveis causas da perda gestacional tardia torna mais difícil a compreensão do que aconteceu. Devido a esta incerteza, muitos pais têm dificuladade em aceitar e processar esta traumática experiência.

Assim, para apurar as causas, é muito importante a realização de exames e investigação clínica.

Por isso, neste artigo, referimos um número de possíveis causas e sintomas associados a algumas delas. Posteriormente, certos estudos poderão usar esta informação para trabalhar na reducão de perdas deste género.

Possíveis causas da perda gestacional tardia

Apesar de muitas perdas continuarem inexplicáveis, há um número de possíveis causas:

  • Problemas na placenta

A placenta fornece nutrientes e oxigénio ao bebé, conectando-o à mãe. É, aliás, o que mantém o bebé vivo e é crucial para o seu crescimento e desenvolvimento.

O descolamento prematuro da placenta ocorre quando esta se separa do útero antes do bebé nascer. Ou seja, um impacto no estômago ou complicações ligadas à pré-eclâmpsia pode fazer com que isto aconteça.

Desta forma é importante conhecer os sintomas de um descolamento de placenta. Estes incluem:

  • dores nas costas e abdómen,
  • contrações,
  • ventre sensível,
  • hemorragia vaginal.

Caso sinta algum dos sintomas acima, por favor ligue ao seu obstetra ou médico de família.

  • Movimentos Reduzidos – apesar de movimentos fetais não serem, em si, a causa da morte, são um sinal que o bebé pode não estar a receber comida ou oxigénio suficiente.

Logo, se notar diferença no padrão e rotina dos movimentos, por favor consulte o seu médico ou obstetra. Geralmente, movimentos podem ser registados algures entre as 16 e as 22 semanas.

Bem como outras, as possíveis causas da perda gestacional tardia estão também:

  • Infeções bacterianas: podem viajar da vagina ao útero, como por exemplo: clamídia, mycoplasma e e.coli. Igualmemte, outras infeções que podem afetar o bebé são: toxoplasmose, listeria, malária etc,.
  • Pré-eclâmpsia
  • Diabetes ou diabetes gestacional
  • Defeitos genéticos do bebé
  • Hemorragia antes ou durante o parto
  • Problemas com o cordão umbilical

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Como contar a amigos e familiares

Quando lhe dão a notícia de que o seu bebé faleceu ainda no seu útero, ou irá falecer em breve ou mesmo que terá de interromper a gravidez por razões médicas, uma das questões que pode colocar a seguir é como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Nas primeiras horas, poderá ser complicado. Logo que se sinta preparado, damos algumas dicas do que pode fazer para ser mais fácil:

  • Pedir ajuda quando precisar. Por exemplo: use um familiar em que confie para partilhar a notícia com a restante família ou amigos;
  • Em alternativa, uma mensagem para todos poderá chegar;
  • Se precisar ou quiser, pode também partilhar nas redes sociais para que possa revelar o que aconteceu e pedir que lhe deem espaço ou o(a) contactem para o(a) ajudarem.

Como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé: mais conselhos

Se o seu bebé tiver morrido perto da data prevista do seu nascimento, é comum que as pessoas a par da sua gravidez estejam à espera, entusiasticamente, por notícias boas. Assim, poderá ser um equilíbrio bastante delicado contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Se ligar a familiares e amigos, pode, por exemplo, começar por: “Tenho notícias tristes”.

Assim, frases como esta poderão ajudar a definir o tom da conversa que se vai seguir. Ajudam ainda a reduzir o número de comentários e interjeições que serão custosas. Seja firme quanto ao tempo da conversa, explicando que será uma conversa breve. Isto pode ser não só pela quantidade de partilha, mas também para proteção pessoal.

Se a perda for neonatal, pessoas que estavam a par do estado de saúde do bebé podem também ter dificuldades em continuar uma conversa consigo.

É possível que os seus amigos e entes queridos não saibam bem o que dizer. As suas notícias são difíceis para eles também e poderão despertar experiências pessoais. Desta feita, poderá sentir-se culpado(a) e na situação de os confortar a eles. No entanto, é importante que se lembre que esta é a sua experiência e que esta é a altura para receber apoio e conforto em vez de se preocupar com os outros.

Peça ajuda, se precisar

Tente não sentir que tem de responder a todas as perguntas de toda a gente. Diga apenas o que achar melhor e conseguir. Mais tarde, haverá tempo e cabeça para partilhar mais detalhes e responder a pessoas.

Se precisar e puder, peça a família e amigos que tomem conta de crianças que possa ter ou ajudar em atividades caseiras, como trazer uma refeição ou até ajudar na lida da casa.

Frequentemente as pessoas vão querer ajudar e agradecem instruções claras. Se deixar outros filhos com avós ou familiares próximos, poderá também pedir-lhes que expliquem o que aconteceu e que os pais estão a resolver as coisas antes de voltarem para casa.

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Despedir-se do seu bebé: algumas dicas

Durante a vida, nenhum pai ou mãe pensa, ao ver um teste positivo, que vai ter de dar à luz. Muito menos despedir-se do seu bebé ou ter de organizar um funeral para ele.

rosa, despedir-se do seu bebé

Por um lado, pode ser uma ação extremamente dolorosa. Por outro, para muitos pais esta ação pode trazer conforto; uma forma de honrar e dizer adeus ao seu bebé e de lidar com a sua dor.

No entanto, saiba que não há ações certas ou erradas. Cada pessoa faz o seu luto de maneira diferente e o facto decidir não fazer nada não significa que não ame o seu bebé. Para além disso, existem várias fases e poderá sempre homenageá-lo mais tarde, quando se sentir preparado(a).

Despedir-se do seu bebé: O que pode fazer durante a altura do parto:

Ver e/ou pegar no seu bebé

Se o seu bebé ter vivido por algum tempo ou ter sido admitido numa unidade neonatal, pode ter tido a oportunidade de pegar e embalar o seu bebé antes de ele morrer.

Por outro lado, se o seu bebé morreu antes ou durante o parto, as perguntas serão diferentes. Provavelmente irão perguntar se deseja ver e/ou pegar no bebé. Contudo, é importante saber que despedir-se do seu bebé desta forma é uma escolha completamente pessoal. 

Deste modo, se quiser ver e não lhe perguntarem, não tenha medo de perguntar por isso e o profissional de saúde irá organizar isso para si.

Ainda assim, se não quiser ver/pegar no seu bebé ou se sentir muito ansioso(a), poderá fazer alguns pedidos. Isto é importante para quando, numa fase posterior, se sentir preparada e quiser ver. Tal como esta decisão, pode ainda pedir para:

  • guardar uma madeixa de cabelo;
  • a enfermeira tirar uma fotografia, nem que seja a um pé ou uma mão;
  • uma descrição para se assegurar que não há anomalias visíveis antes de o ver;
  • ver apenas um pé ou uma mão.

Por favor, note que não há decisões erradas. A pressão e a angústia com que se lida com estas situações faz-nos tomar as decisões que necessitamos para sobreviver ao trauma que estamos a viver.

É muito importante também lembrar-se que a sua escolha pode ser diferente à do seu parceiro(a). Igualmente, cada um tem de decidir o que é certo para si.

Dar um nome ao bebé

Muitos pais decidem dar um nome ao bebé, o que lhes dá uma identidade e pode tornar mais fácil referir-se a ele.

Por exemplo, alguns pais continuam a usar a alcunha ou diminutivo que usaram durante a gravidez. No evento de um bebé ser extremamente prematuro ou morrer antes do parto, pode ser difícil determinar o género. Por isso, pode ser mais simples escolher um nome que se atribua a ambos os sexos.

No entanto, pode também preferir não dar nome ao bebé, pelo menos não nesse momento, e essa escolha é também válida.

Lavar e vestir o bebé

Para muitos, dar banho ao bebé é uma oportunidade especial para sentirem que estão a ser pais e criarem memórias. Simultâneamente, pode ser uma forma de se despedir do seu bebé. Assim, se quiser, poderá fazê-lo ou até pedir a uma enfermeira(o) para a ajudar. Note que os procedimentos poderão mudar de hospital para hospital.

Por exemplo, pode trazer também uma roupa para o bebé. Dependendo da condição do seu bebé, pode tornar difícil vesti-lo. Por isso, pode sempre embrulhá-lo num cobertor. No caso de preferir, uma enfermeira(o) ou parteira(o) poderá ajudá-la a fazer isto.

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Perda gestacional: o nascimento do seu bebé

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Pensar que vai ter de dar à luz ao seu bebé depois de receber más notícias, vai soar como se lhe estivessem a pedir o impossível. Por isso, e especialmente na altura do nascimento do seu bebé após a perda gestacional, é muito importante ter apoio.

Por exemplo, pode ser útil ter uma ou duas pessoas consigo, se possível.

No caso dos parceiros (as), é normal que se sintam um pouco como espectadores durante o parto e debaterem-se com vários sentimentos conflituosos. No entanto, de facto, muitos pais admitem ser importante a sua presença durante o nascimento.

Nascimento do seu bebé após a perda gestacional: Se for induzido…

A forma como o seu parto será induzido depende do estado da sua gravidez. Normalmente, há medicação que lhe podem dar para preparar o útero para a indução. Como este processo pode demorar algum tempo, a maior parte das mulheres vai para casa durante este tempo e volta passadas 48 horas.

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Contudo, se a ideia de ir para casa for demasiado para si, pode pedir para ficar no hospital. Nestas situações, é provável que a equipa consiga organizar a estadia.

Uma vez no hospital, a indução acontece através de comprimidos. Estes podem ser combinados com gel ou pessários que são inseridos na vagina. Uma vez que será necessário estimular as contrações, poderá também precisar de medicação intravenosa.

Já em trabalho de parto, a maioria das mães dá à luz no decorrer das primeiras 24 horas. Aqui, a equipa de enfermagem poderá dar-lhe informação sobre o que irá acontecer e como poderão ajudá-la. No entanto, se tiver questões, por favor coloque-as, especialmente se for o seu primeiro filho.

Quando vai para casa até o útero estar pronto

Até o útero estar pronto, que por norma ronda as primeiras 48 horas, é lhe recomendado ir para casa. Enquanto esta escolha soa demorada, muitos pais reconhecem que este tempo é precioso para se prepararem para o que vai acontecer. Durante este tempo, a parteira ou enfermeira(o) irá dar-lhe um contacto no hospital que poderá ligar a qualquer altura para dúvidas ou preocupações. Irão também informá-la de quando terá de voltar e onde se dirigir.

Nestas condições, é preferível não vá para casa sozinha. Isto porque o choque e a  angústia podem afetar a sua capacidade de julgamento e concentração. Assim, é especialmente desaconselhado conduzir.

O que levar para o hospital?

Se quiser, pode levar algumas coisas especiais para o seu bebé. Por exemplo, algo para o vestir ou algo onde, talvez, queira guardar uma madeixa de cabelo. Caso deseje, pode também levar um smartphone/câmara, se quiser tirar fotografias.

O que esperar?

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Diferentes mulheres experienciam diferentes níveis de dor durante o parto. É normal algumas mulheres sentirem dor mais intensa, se estiverem assustadas ou nervosas. Um parto induzido é, por norma, mais doloroso do que um parto que começa naturalmente. Costuma também ser mais demorado, especialmente se for bastante prematuro.

Por isso, e como vai sentir dores, pode escolher ajuda adicional com medicação, adaptável durante o parto.

Podem ser desde medicamentos para as dores ou epidural. No evento de tomar medicação forte, como diamorfina, poderá sentir desorientação mesmo depois do parto e não se recordar de nada.

Por outro lado, se optar pela epidural, vai recebê-la através de uma injeção na zona lombar. Esta vai remover toda a dor e será administrada consoante a necessidade.

Caso deseje medicação durante o nascimento do seu bebé após a perda gestacional, consulte o seu médico/enfermeiro para receber o máximo de apoio possível.

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Perda gestacional: Preparação para o parto

Aguardar pelo nascimento de um bebé depois de descobrir que este já não está vivo é uma experiência inesperada e traumatizante. Assim, esperamos, que a informação oferecida sobre a preparação para o parto na perda gestacional a ajude em decisões difíceis.

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Quando o seu bebé morre

Durante a gestação, a vida do bebé pode terminar durante o parto ou até antes. Caso o seu bebé falecer antes da data prevista do nascimento, na maior parte dos casos, terá de passar pelo trabalho de parto.

No caso de o bebé ter vida, podem informá-la de que está fragilizado. Nestas situações, é comum que a avisem que o bebé poderá falecer no útero ou não viver mais do que algumas horas. Nesses casos, e antes das 24 semanas, poderá ser aconselhada a optar pela interrupção voluntária da gravidez.

Esperar para dar à luz é uma altura incrivelmente difícil. Enquanto espera, pode sentir-se desde dormente ou perto da loucura.

Aliás, mesmo depois do seu bebé falecer, pode senti-lo a mexer-se conforme muda de posição e isso é extremamente perturbador.

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Em alguns hospitais, existe a possibilidade de ter um espaço para o parto, longe das outras mães e famílias. Dada a natureza inquietante e assustadora do momento, será aconselhável ter ao seu lado o seu parceiro ou um familiar a apoiá-la.

Preparação para o parto na perda gestacional: como nasce o seu bebé?

Exceto haja uma razão médica para uma cesariana, os profissionais de saúde vão, por norma, recomendar que o parto seja vaginal. Medicamente, é mais seguro para si e a sua recuperação física será mais rápida.

No entanto, só o pensamento de ter de dar à luz um bebé que não sobreviveu à gravidez é, compreensivelmente, um enorme choque para os pais.

Não tenha medo de fazer perguntas, por mais simples que pareçam. Principalmente se for o primeiro filho.