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Em dezembro de 2020, eu e o Papá tomámos a decisão de, em janeiro de 2021, procurarmos ajuda para conseguirmos o nosso tão desejado bebé que, durante 10 anos não tínhamos conseguido.

E a vida, em janeiro de 2021, acabou por nos presentear com uma bebé, quando nós mesmos já tínhamos perdido a esperança…estava grávida de 4 semanas.

Foi uma emoção tão grande! No meio de tantos negativos, aquele positivo foi um misto de sensações que não soubemos controlar.

Para que tudo corresse bem, procurámos as melhores clínicas de Portugal para realizar todos os exames, no qual todos estavam bem e a correr dentro da normalidade.

Dois dias após perder a minha avó (que era mais que minha mãe), realizei a primeira ecografia mais profunda onde se iria saber o sexo da bebé e ver se estava tudo OK. Foi impedida a entrada de acompanhantes.

Foi detetada uma translucência nucal muito elevada e a menina estava muito inchada, ao qual a médica me disse, sem problemas “A bebé não vai sobreviver, pode morrer a qualquer momento “…

Seguiu-se uma série de exames e ecografias, tal como a biópsia das vilosidades, que não detectou nada…a menina era, aparentemente, saudável.

Chegando às 21 semanas, nas últimas ecografias que realizei, a médica informou-me que a menina tinha uma hérnia diafragmática congénita, problemas cardíacos graves e estômago colapsado. O mais certo era a menina morrer ainda na barriga… mas, caso não acontecesse, acabaria por morrer numa das operações que iria ter que realizar à nascença.

Informaram-me que o melhor seria interromper a gravidez…Não quis acreditar que a vida me iria tirar o chão!

Tinha acabado de perder a minha avó e iria ter que acabar por perder a bebé que me deu força naquela partida tão dura.

A Benedita era a bebé mais desejada deste mundo. Tanto eu, como o Papá dela, a desejávamos com todo o nosso coração.

Mesmo tendo dado à luz uma bebé sem vida, ela deu-me o dia mais feliz da minha vida

A Benedita já tinha o quartinho pronto e mais roupa que os Papás, que reviraram o mundo e percorreram em 6 meses mais médicos diferentes que em 6 gravidezes normais juntas.

A Benedita esteve 21 semanas e 3 dias dentro de mim. Permitiu-me ser mãe, realizou-me um sonho, mesmo tendo-me tornado mãe de colo vazio. A Benedita deixou-me senti-la durante horas, logo após as 17 semanas; não deixava dormir a Mamã e acalmava sempre que sentia o Papá.

Tinha o narizinho e os pés do Papá e adorava dormir toda enroladinha como a Mamã.

A vida é de facto injusta, e comigo tem sido avassaladora desde sempre. Quem diria que eu, que desde pequenina que sonhava com esta menina, iria ter que passar um processo destes tão doloroso. Eu, que me agarrei à esperança de que ela estivesse em crescimento e fosse apenas teimosa como a Mamã.

Tive que ter o acto de coragem mais difícil de toda a minha vida, por ela, para que não sofresse.

Passei pelo meu primeiro parto, sozinha, 4 dias num hospital, devido à pandemia “mais devastadora” do momento. Senti-a encostada às minhas pernas, grandinha e quentinha.

Mesmo tendo dado à luz uma bebé sem vida, ela deu-me o dia mais feliz da minha vida.

O mais fácil é sempre dizer : “ És nova, terás outro! ” … A questão não está em ter outro, a questão está em ter sido uma bebé tão desejada durante anos.

Ninguém sabe, para além de mim e do Papá dela, o quão difícil foi aquele primeiro positivo, que nem sabíamos como reagir de tão felizes que estávamos.

O medo permanecerá sempre. E a saudade também.

E se há coisa que me faz sentir perto da minha filha, é estar abraçada ao Papá dela.

A Benedita será sempre o meu anjinho mais bonito do céu. Tudo acontece por uma razão…O meu arco-íris há-de chegar… Mas a Benedita fará sempre parte das conversas do dia-a-dia cá de casa! E será das maiores luzes na nossa vida, como o tem sido até agora, desde a sua partida para longe de nós!

Benedita, 06-05-2021 / 12h55

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Soube que estava grávida do Gabriel já com 12 semanas.

Sentia-me mais cansada do que o normal, então resolvi fazer o teste de gravidez. E lá estava ele positivo…era nosso 4º bebé: temos 2 meninas e 1 menino, ficámos com 2 casais, o que o pai sempre disse que haveria de ter.

No dia 22 de novembro fiz a primeira eco. Tudo bem um bebé praticamente formado e muito mexido. Correu tudo normal até às 16 semanas, quando tive uma perda de sangue enorme. Pensava mesmo que já não tinha o bebé, mas não, ele era forte e aguentou. No entanto, a placenta tinha começado a descolar.

Vim para casa de repouso. Fiz uma ecografia no dia 2 de janeiro, na qual a médica me diz “está tudo bem mãe, não se preocupe”. Mas o meu coração não descansava, havia algo que não me deixava descansar. Até que, no dia 27 de janeiro, comecei com contrações, fomos logo deixar os irmãos  e seguimos para hospital.

Quando fui observada, vi logo que havia algo de complicado. O médico chamou logo outra médica para vir ver. A bolsa estava a sair com o bebé lá dentro. Foi-me dito que estava a entrar em trabalho de parto com 22 semanas. Nem tinha noção do que viria depois, só queria perceber se estava vivo. E estava, tinha batimentos cardíacos.

O Gabriel nasceu com 25cm e 480 gramas (…) um bebé perfeito, só faltava crescer

Fui para a sala de partos, chamaram o pai para perto de mim e disseram-me: “o médico já vos vem esclarecer e contar ao pai o que está a acontecer.”

As horas passaram e não apareceu ninguém… Até que as águas rebentaram. Fiz outra ecografia para percebem se o bebé tinha batimentos e sim, mais uma vez tinha.

Na minha inocência perguntei se ia ficar ali ou teria de ir para outro hospital… A resposta que me foi dada foi que era um bebé muito pequeno, mesmo que nasça com vida não iam fazer nada…se já estava mal naquele momento caiu o resto.

É o meu filho, aquela médica estava a falar do meu filho!

Voltei para a sala de parto onde ele nasceu às 02:45 do dia 28 de Janeiro.

Não sei dizer quanto tempo, se segundos, se minutos…se foram minutos não foram muitos, estava completamente desnorteada mas só ouvi a parteira a dizer que já não tinha batimentos.

Levaram-no para medir e pesar e, no fim, trouxeram-no enrolado num lençol branco…O Gabriel nasceu com 25cm e 480 gramas. Lindo, perfeito e nada vermelho; um bebé perfeito, só faltava crescer.

Esteve deitado ao meu lado, até me dizerem que tinham que o levar. As horas a seguir não foram nada fáceis, ainda passei pelo bloco operatório, a placenta tinha sido retida então foi fazer a limpeza.

Só pensava em sair dali ir para casa, para junto dos meus filhos. A mais velha fazia 9 anos no dia a seguir. Só não queria que se soubesse nada naquele momento.

Saí no dia 29 de janeiro com um termo de responsabilidade. Ela não podia saber que tinha perdido um irmão na véspera dos anos dela. Vim para casa e só lhe contamos uma semana depois…

Hoje todos nós temos um anjinho bo céu a olhar por nós.


O nosso Gabriel que nunca vai ser esquecido.

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Para aumentar a dor de já ter perdido o meu filho Rodrigo, com 4 anos de idade em Maio de 2015, depois de lutar durante 2 anos contra um cancro cerebral em fase terminal (AT/RT), descobrimos que estava grávida – era o nosso bebé arco-íris -, que se tornou, novamente, no nosso maior pesadelo em outubro de 2020.

Estava grávida de 26 semanas de gémeos, quando me disseram que um tinha sido absorvido pelo meu próprio corpo, e pelo irmão. O Lucas, a 18 de abril de 2020, fez o nosso mundo cair, mas estávamos felizes porque o Benjamim estava a crescer bem. Estava bem nas ecografias e via-se, nas ecografias, o nosso tão desejado menino a rir.

O parto estava planeado para outubro de 2020, mas como eu tenho endometriose, era uma gravidez de risco e tinha que ser mais vigiada. A obstetra dizia estar sempre tudo bem e nunca valorizou as minhas queixas com dores e perdas de sangue. A partir de setembro, quando ia quase todas as semanas ao hospital, apenas ligava o CTG e fazia ecografia e estava sempre tudo bem; mesmo quando eu deixei de sentir o meu Ben em inícios de outubro, estava sempre tudo bem.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe.

No dia 15 de outubro de 2020, às 3 da manhã, senti uma dor enorme e estava a perder sangue. Eu sabia que não estava tudo bem e fui de emergência para o hospital. Cheguei lá de 39 semanas e disseram-me que já não havia batimentos cardíacos e que tinha fluido na minha barriga. Tinha de dar à luz de imediato, pois corria risco de vida e já não havia nada a fazer, pois o Benjamim já tinha partido.

Altura de Covid-19, pico alto da pandemia e aí sonhos destruídos. No dia seguinte voltámos a casa de coração cheio e colo vazio.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe. O meu filho estava sereno, no sono eterno.

Não há maior dor que dar à luz um filho e não o ouvir chorar…Já lá vão 7 meses e a dor é a mesma.

Os meus anjinhos no céu.

A autópsia, obviamente, deu inconclusiva, mas sim, se a obstetra tivesse provocado o parto no dia 5 de outubro de 2020, quando eu lhe disse que não me sentia bem, o meu filho teria 7 meses.

A mamã e o papá amam-te daqui até ao céu.

Coração cheio, colo vazio.

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Perda tardia Testemunhos

O meu nome é Vanessa tenho 31 anos e em 2020, no dia 20 de maio soube que estava grávida de 6 semanas.

Uma gravidez desejada, tudo super tranquilo até ao dia 19 de outubro já com 29 semanas…comecei a sentir umas picadas na barriga, um ligeiro corrimento com sangue; pensei logo que seria uma infeção urinária porque já tinha tido durante a gravidez.

Dirigi-me às urgências onde me foi dito que com o bebé estava tudo bem. Iríamos então fazer análises à urina e à urina acética (esta análise demoraria 2 dias até sair o resultado, até lá iria tomar progesterona. Assim foi. Fiz um CTG tudo normal.

O Afonso nasceu no dia 21 de Outubro às 23h45, um parto normal com uma equipa médica fantástica.

Dia 21 de outubro, mesmas dores mas mais fortes. Vou à consulta médica, só por precaução, quando a médica me diz “não há batimento cardíaco”… Nesse momento o mundo para, fico sem chão, sozinha no consultório.

Então a medica decide “vamos mudar de máquina pode ser uma avaria”… mas não era! O meu Afonso partiu e eu não consegui perceber quando ele deixou de se mexer. Já estava a entrar em trabalho de parto!

Na altura só pensei “e agora?!”. Lá fui para o hospital, nas urgências sozinha, só tive o meu namorado comigo às 17h30, dei entrada ao 12h30. Fui sujeita a todo o tipo de estudo_ amniocentese, análises, tudo!

O Afonso nasceu no dia 21 de outubro às 23h45, um parto normal com uma equipa médica fantástica. Não vi o meu filho porquem quando dei entrada no hospital, a médica disse-me “sente-se preparada para ver o seu filho, sabe que ele pode não ter uma aparência normal “… fiquei assustada e não vi. A médica disse isso porque o Afonso tinha a translucência da nuca um pouco elevada, mas fiz todos os exames e o meu bebé era normal.

Tenho alta no dia seguinte – se havia dia para saírem mães com ovinhos foi no dia que eu saí de colo vazio ainda em choque com o que nos aconteceu. Tinha tudo planeado, roupinhas e de repente a vida pregou-me uma partida.

Fizemos muitos exames morte inexplicada foi o resultado, e é isto que me dizem, sujeitei-me a tudo a nível de exames mas “a medicina ainda não está assim tão evoluída”.

Felizmente descobri o vosso blogue que tem sido uma grande ajuda a nível psicológico, porque sempre que vejo uma grávida, um bebé no ovinho pergunto-me quando será a minha vez.

E como fazemos tantos exames e ninguém vê que algo está errado com o bebé.

Espero que a minha história ajude quem também passou por uma perda.
Sou mãe de primeira viagem de um anjo que tenho a certeza me vai proteger 💙

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Cada filho uma missão

Chamo-me Ivone. Acabo de fazer 45 anos. Nasci no Porto e vivi perto de Famalicão até ao fim da minha adolescência. Fui para a faculdade no Porto. Dali, migrei para a Itália como assistente Língua e aqui conheci o meu marido. Pensávamos que eu não podia ter filhos.

Estávamos a tentar há três anos e meio, e nada. Depois; o atraso, a ameaça de aborto, o colo do útero mais curto do que o devido.

Às 32 semanas, nasceu o Samuel.

Vi o meu menino depois de quatro longos dias e trouxe-o para casa depois de vinte. Fiquei com um grande trauma pela prematuridade do meu filho.

Tentei ajudar outras mães como eu. Criei um grupo, e percebi que a prematuridade pode ser vista como uma forma de luto. Agora, o Samuel tem 13 anos. Está bem, é saudável, mas ainda tenho essa cicatriz.

Quando o Samuel tinha seis anos, tive uma gravidez completa. O Gabriele Pio nasceu às 41 semanas, depois de um trabalho de parto de sonho. Romperam-me as membranas e disseram-me para me deitar. Os batimentos cardíacos subiram para 200 e caíram imediatamente para 45. Fizeram-me imediatamente a cesariana e o meu menino ganhou um lugar no céu.

Sempre o incluí como membro da nossa família. Nunca evitei falar dele, de o contar entre os meus filhos, e muitas pessoas reagem mal a isso. Tenho cinco fotografias dele que, para mim, são preciosas. Estão na minha carteira, na minha secretária em casa, no meu telefone, num medalhão, e não escondo nenhuma dessas coisas. Para mim não seria natural escondê-las.

O Gabriele faz parte de mim e estará sempre comigo. 

Depois de três anos, nasceu-me a Íris. Nasceu há nove meses quase certinhos e felizmente consegui amamentar. Teve um bocadinho de icterícia mas essa a nós faz-nos cócegas depois de tudo o que passámos.

A Íris tem quatro anos e conhece muito bem o irmão Gabriele. Fala dele sem medo e isso para nós é muito importante. A gravidez dela foi muito difícil. Fiz cesariana programada, porque estava aterrorizada. Normalmente digo que ela é a minha fadinha, porque trouxe outra vez a magia para a minha vida.

Agora tenho 45 anos. Está para fazer 8 anos que o céu tem um pedaço imenso do meu coração. E ainda dói.

O Samuel mostrou-me o que é a prematuridade e quanto pode ser precioso SABER que há outras pessoas que passaram ou passam pelo mesmo. O Gabriele mostrou-me como se ama com um céu de distância. A Íris ajudou-me a sentir-me outra vez viva. A magia existe, e para mim chama-se Irís. 

❤️
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Perda tardia Testemunhos

Olá a todas.

Gostava também de contar a minha história. Sou a Ana Sofia Silva tenho 35 anos. Durante seis anos andei na luta com a infertilidade.

Passei por alguns tratamentos de fertilidade. Mudei para uma clínica em Lisboa onde consegui o meu positivo em Junho de 2020. Passei uma gravidez tranquila. Vim para casa às 16 semanas.

Trabalho no atendimento ao público. Vim para casa por causa do covid. Estava tão feliz.

Passei o meu tempo em casa a decorar o quartinho a tratar de tudo para o meu menino.

No dia 15 de janeiro 2021 fui ao hospital privado consulta das 36 semanas está tudo bem, mas estava com algumas contrações. Não tinha dor. A médica mandou-me fazer repouso e tomar um medicamento para as contrações diminuírem. Tomei a medicação e vim para casa.

No dia seguinte, o bebé mexia muito, mas como ele se mexia muito normalmente achei normal. Na tarde de sábado achei que se estava a mexer menos, mas a médica disse que era normal. A medicação ia baixar-me as tensões e eu pensei que fosse disso.

Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

Quando fui à consulta das 37 semanas fui fazer as cintas e a enfermeira não estava a encontrar batimentos. Entretanto chegou a médica eu já estava em pânico e confirmou que o bebé não tinha batimentos cardíacos.

Como é possível perguntei eu. Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

O meu mundo desabou. Fiz uma cesariana.

Quando acordei ainda tinha a esperança que ele estivesse ao meu lado vivo, que tudo fosse um mero engano. Não consegui ver o meu bebé. Na altura pensei que seria o mais apropriado uma vez que ia ter que me levantar depois desta perda. E não sabia se o conseguia fazer se o visse.

Hoje não sei se o deveria ter visto. Passaram 7 semanas. O meu coração está despedaçado. Nunca pensei que estas coisas aconteciam. A médica disse que foi o cordão à volta da barriga. Mandamos fazer autópsia. Ainda não sabemos o resultado. Olho para as outras pessoas com os seus bebés e digo muitas vezes: como é que é possível isto ter acontecido?

Os bebés não morrem.

Tenho tudo no quartinho do Tiago, na esperança de voltar a ser mãe. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de colo vazio.

Beijinhos obrigada 

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Perda tardia Perda Tardia - Durante

Em muitos casos, não há razões, nem é atribuída uma causa, para a morte de um bebé no útero em fases avançadas da gravidez ou que levem à necessidade de uma interrupção voluntária da mesma.

Frequentemente, não receber uma explicação sobre as possíveis causas da perda gestacional tardia torna mais difícil a compreensão do que aconteceu. Devido a esta incerteza, muitos pais têm dificuladade em aceitar e processar esta traumática experiência.

Assim, para apurar as causas, é muito importante a realização de exames e investigação clínica.

Por isso, neste artigo, referimos um número de possíveis causas e sintomas associados a algumas delas. Posteriormente, certos estudos poderão usar esta informação para trabalhar na reducão de perdas deste género.

Possíveis causas da perda gestacional tardia

Apesar de muitas perdas continuarem inexplicáveis, há um número de possíveis causas:

  • Problemas na placenta

A placenta fornece nutrientes e oxigénio ao bebé, conectando-o à mãe. É, aliás, o que mantém o bebé vivo e é crucial para o seu crescimento e desenvolvimento.

O descolamento prematuro da placenta ocorre quando esta se separa do útero antes do bebé nascer. Ou seja, um impacto no estômago ou complicações ligadas à pré-eclâmpsia pode fazer com que isto aconteça.

Desta forma é importante conhecer os sintomas de um descolamento de placenta. Estes incluem:

  • dores nas costas e abdómen,
  • contrações,
  • ventre sensível,
  • hemorragia vaginal.

Caso sinta algum dos sintomas acima, por favor ligue ao seu obstetra ou médico de família.

  • Movimentos Reduzidos – apesar de movimentos fetais não serem, em si, a causa da morte, são um sinal que o bebé pode não estar a receber comida ou oxigénio suficiente.

Logo, se notar diferença no padrão e rotina dos movimentos, por favor consulte o seu médico ou obstetra. Geralmente, movimentos podem ser registados algures entre as 16 e as 22 semanas.

Bem como outras, as possíveis causas da perda gestacional tardia estão também:

  • Infeções bacterianas: podem viajar da vagina ao útero, como por exemplo: clamídia, mycoplasma e e.coli. Igualmemte, outras infeções que podem afetar o bebé são: toxoplasmose, listeria, malária etc,.
  • Pré-eclâmpsia
  • Diabetes ou diabetes gestacional
  • Defeitos genéticos do bebé
  • Hemorragia antes ou durante o parto
  • Problemas com o cordão umbilical

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Ajuda prática Perda Tardia - Durante

Quando lhe dão a notícia de que o seu bebé faleceu ainda no seu útero, ou irá falecer em breve ou mesmo que terá de interromper a gravidez por razões médicas, uma das questões que pode colocar a seguir é como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Nas primeiras horas, poderá ser complicado. Logo que se sinta preparado, damos algumas dicas do que pode fazer para ser mais fácil:

  • Pedir ajuda quando precisar. Por exemplo: use um familiar em que confie para partilhar a notícia com a restante família ou amigos;
  • Em alternativa, uma mensagem para todos poderá chegar;
  • Se precisar ou quiser, pode também partilhar nas redes sociais para que possa revelar o que aconteceu e pedir que lhe deem espaço ou o(a) contactem para o(a) ajudarem.

Como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé: mais conselhos

Se o seu bebé tiver morrido perto da data prevista do seu nascimento, é comum que as pessoas a par da sua gravidez estejam à espera, entusiasticamente, por notícias boas. Assim, poderá ser um equilíbrio bastante delicado contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Se ligar a familiares e amigos, pode, por exemplo, começar por: “Tenho notícias tristes”.

Assim, frases como esta poderão ajudar a definir o tom da conversa que se vai seguir. Ajudam ainda a reduzir o número de comentários e interjeições que serão custosas. Seja firme quanto ao tempo da conversa, explicando que será uma conversa breve. Isto pode ser não só pela quantidade de partilha, mas também para proteção pessoal.

Se a perda for neonatal, pessoas que estavam a par do estado de saúde do bebé podem também ter dificuldades em continuar uma conversa consigo.

É possível que os seus amigos e entes queridos não saibam bem o que dizer. As suas notícias são difíceis para eles também e poderão despertar experiências pessoais. Desta feita, poderá sentir-se culpado(a) e na situação de os confortar a eles. No entanto, é importante que se lembre que esta é a sua experiência e que esta é a altura para receber apoio e conforto em vez de se preocupar com os outros.

Peça ajuda, se precisar

Tente não sentir que tem de responder a todas as perguntas de toda a gente. Diga apenas o que achar melhor e conseguir. Mais tarde, haverá tempo e cabeça para partilhar mais detalhes e responder a pessoas.

Se precisar e puder, peça a família e amigos que tomem conta de crianças que possa ter ou ajudar em atividades caseiras, como trazer uma refeição ou até ajudar na lida da casa.

Frequentemente as pessoas vão querer ajudar e agradecem instruções claras. Se deixar outros filhos com avós ou familiares próximos, poderá também pedir-lhes que expliquem o que aconteceu e que os pais estão a resolver as coisas antes de voltarem para casa.

apoio, suporte, contar a amigos e familiares

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Perda gestacional Perda tardia - Depois

Ao voltar para casa, muitos são os desafios emocionais e físicos da perda gestacional a enfrentar. Sobretudo se esta foi a sua primeira gravidez ou fruto de um tratamento de fertilidade. Neste caso, há muitas coisas que pode não conseguir entender imediatamente. Como resultado, vai sentir mudanças no seu corpo, incluindo alguma dor física e desconforto nas primeiras semanas, especialmente no caso de ter tido um parto normal.

Durante esta fase, pode tentar perceber por que é que aconteceu. Este é um direito que tem. Notará que, na grande parte das vezes, os momentos que se seguem são de espera para saber os resultados de exames que possam ter sido realizados a si e ao seu bebé.

Há, indiscutivelmente, poucas experiências que se possam comparar ao trauma de perder um bebé. Assim como os vários aspetos práticos que possam ocupar o seu tempo nas primeiras semanas, deverá reconhecer que haverá significantes desafios emocionais e físicos da perda gestacional. Apesar do impacto ser, principalmente para si e para o seu parceiro, é usual que a família sinta o peso e a tristeza da perda.

desafios físicos e emocionais, vazio

Desafios Físicos

Da mesma forma que o seu corpo se preparou para um bebé vivo, este nem sempre regista que o bebé tenha morrido. Na maior parte dos casos, o parto será efetuado à semelhança de um nascimento normal. No evento de sofrer de complicações pós-parto, é vital que receba a atenção médica que lhe é devida.

Consequentemente, pode expressar leite. Isto pode ser um choque físico e psicológico. Frequentemente, e dependendo da fase da gravidez, o seu corpo estaria preparado em antecipação da chegada do bebé. Nestes casos, os médicos poderão dar-lhe medicação para parar a produção de leite.

Por causa de todas as tranformações que occorrem durante um curto espaço de tempo, é natural que o seu corpo demore o seu tempo a voltar à “normalidade”. Assim, pode estar algum tempo sem menstruar e voltar à regularidade.

Para todos os pais, o luto pode ser esgotante. Como tal, pode estar cansada física e emocionalmente. Devido ao do choque de descobrir que o seu bebé morreu, as decisões que teve de tomar ou até mesmo o parto, a probabilidade de se sentir exausta (o) será enorme.

Desafios Emocionais

O impacto emocional de perder um bebé é inestimável e duradouro. Será, por isso, natural sentir choque, entorpecimento, raiva, ressentimento, tristeza, vazio, culpa, perda de autoestima e muitas mais emoções. Enquanto isto pode ser difícil de aceitar, é importante que faça o luto pela a sua perda e que procure a ajuda que precisar.

É absolutamente normal sentir uma confusão de emoções e, passado algum tempo, vai perceber que esta não é uma dor comum. Assim, vai vê-la de outra forma e perceber que esta angústia vai demorar mais a passar que o esperado. No entanto, se passado algum tempo, continuar a achar a vida diária difícil, ou não conseguir ir trabalhar, por favor procure ajuda.

Acima de tudo, Lembre-se que pode contactar o seu médico de família e explicar o que sente e eles poderão referi-la(o) para um psicólogo.  Alternativamente, pode também procurar ajuda pessoalmente.

desafios físicos e emocionais

Para além disto, conversar com alguém que tenha passado por uma situação semelhante e partilhar a experiência, pode também ser extremamente benéfico. Recorde-se que todos sofrem de forma diferente e tente não comparar a sua experiência ou luto com a dos outros. Pode ler aqui alguns testemunhos de perda gestacional.

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Perda gestacional Perda Tardia - Durante

Durante a vida, nenhum pai ou mãe pensa, ao ver um teste positivo, que vai ter de dar à luz. Muito menos despedir-se do seu bebé ou ter de organizar um funeral para ele.

rosa, despedir-se do seu bebé

Por um lado, pode ser uma ação extremamente dolorosa. Por outro, para muitos pais esta ação pode trazer conforto; uma forma de honrar e dizer adeus ao seu bebé e de lidar com a sua dor.

No entanto, saiba que não há ações certas ou erradas. Cada pessoa faz o seu luto de maneira diferente e o facto decidir não fazer nada não significa que não ame o seu bebé. Para além disso, existem várias fases e poderá sempre homenageá-lo mais tarde, quando se sentir preparado(a).

Despedir-se do seu bebé: O que pode fazer durante a altura do parto:

Ver e/ou pegar no seu bebé

Se o seu bebé ter vivido por algum tempo ou ter sido admitido numa unidade neonatal, pode ter tido a oportunidade de pegar e embalar o seu bebé antes de ele morrer.

Por outro lado, se o seu bebé morreu antes ou durante o parto, as perguntas serão diferentes. Provavelmente irão perguntar se deseja ver e/ou pegar no bebé. Contudo, é importante saber que despedir-se do seu bebé desta forma é uma escolha completamente pessoal. 

Deste modo, se quiser ver e não lhe perguntarem, não tenha medo de perguntar por isso e o profissional de saúde irá organizar isso para si.

Ainda assim, se não quiser ver/pegar no seu bebé ou se sentir muito ansioso(a), poderá fazer alguns pedidos. Isto é importante para quando, numa fase posterior, se sentir preparada e quiser ver. Tal como esta decisão, pode ainda pedir para:

  • guardar uma madeixa de cabelo;
  • a enfermeira tirar uma fotografia, nem que seja a um pé ou uma mão;
  • uma descrição para se assegurar que não há anomalias visíveis antes de o ver;
  • ver apenas um pé ou uma mão.

Por favor, note que não há decisões erradas. A pressão e a angústia com que se lida com estas situações faz-nos tomar as decisões que necessitamos para sobreviver ao trauma que estamos a viver.

É muito importante também lembrar-se que a sua escolha pode ser diferente à do seu parceiro(a). Igualmente, cada um tem de decidir o que é certo para si.

Dar um nome ao bebé

Muitos pais decidem dar um nome ao bebé, o que lhes dá uma identidade e pode tornar mais fácil referir-se a ele.

Por exemplo, alguns pais continuam a usar a alcunha ou diminutivo que usaram durante a gravidez. No evento de um bebé ser extremamente prematuro ou morrer antes do parto, pode ser difícil determinar o género. Por isso, pode ser mais simples escolher um nome que se atribua a ambos os sexos.

No entanto, pode também preferir não dar nome ao bebé, pelo menos não nesse momento, e essa escolha é também válida.

Lavar e vestir o bebé

Para muitos, dar banho ao bebé é uma oportunidade especial para sentirem que estão a ser pais e criarem memórias. Simultâneamente, pode ser uma forma de se despedir do seu bebé. Assim, se quiser, poderá fazê-lo ou até pedir a uma enfermeira(o) para a ajudar. Note que os procedimentos poderão mudar de hospital para hospital.

Por exemplo, pode trazer também uma roupa para o bebé. Dependendo da condição do seu bebé, pode tornar difícil vesti-lo. Por isso, pode sempre embrulhá-lo num cobertor. No caso de preferir, uma enfermeira(o) ou parteira(o) poderá ajudá-la a fazer isto.