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lidar com a perda gestacional

Como lidar com a perda gestacional e neonatal?

É uma pergunta aberta e que não tem nem respostas certas ou erradas. Porquê? Porque cada pessoa faz o seu luto e lida com a perda de forma diferente. Há quem queira falar sobre a perda e que não se evite o assunto. Há pessoas mais reservadas que só querem estar no seu canto e que preferem o silêncio. Cada pessoa tem o ritmo naquela que é uma recuperação que tem muitos altos e baixos. Neste artigo, procuramos ajudar a dar algumas respostas sobre como superar esta perda, aliás, como aprender a viver com ela. 

E, lembre-se, o tempo não cura tudo. O nosso processo durante esse tempo e o que fazemos é que ajuda a sarar as feridas. 

Não havendo uma forma certa ou errada, deixamos alguns conselhos que a podem ajudar. 

Conselhos para lidar com a perda gestacional ou neonatal 

Peça ajuda, se precisar 

Se precisar de ajuda, por favor procure-a. Pode ser através de amigos ou familiares em quem confie, através de apoio psicológico ou contactando com pessoas que tenham passado por uma situação idêntica. O Amor para Além da Lua, por exemplo, tem um grupo privado de apoio à perda gestacional onde pode participar. Temos também uma secção de testemunhos com histórias de perda gestacional (precoce ou tardia) e neonatal. 

Relativamente ao apoio psicológico, hoje em dia existem, por exemplo, vários profissionais de saúde especializados no luto que a podem ajudar a lidar com a perda gestacional. 

Não se apresse “a ficar bem” e a reagir 

É muito comum as pessoas, não sabendo o que dizer, tentarem ajudar ao dizer “tens de superar e ter força”, “és nova vais ver que bem rápido vais ter outro filho”, “anima-te”. A intenção é a melhor e a nossa tendência é julgar-nos e acharmos que temos de reagir e ultrapassar. Às vezes, ao querer fazer o caminho mais curto, não nos permitir sentir tristeza e pensar no assunto, é apenas varrer “um assunto para debaixo do tapete” e adiar o inadiável. É importante deixarmo-nos sentir tristeza, levarmos o nosso tempo, fazermos o nosso luto. 

dias difíceis após a perda gestacional

Aceite os seus sentimentos e tente esclarecer as suas dúvidas

Os dias, semanas e meses após a perda de um bebé são extremamente dolorosos e a verdade é que sentimos, e é um facto, que não há palavras para nos confortar. Se sentir revolta, raiva e angústia, saiba que é perfeitamente normal. Nestes dias parece que caímos num enorme buraco e que não vamos conseguir sair dele. Sentimos a perda de forma forte no nosso corpo. Arrancaram-nos uma parte de nós. 

Procure saber junto dos médicos quais foram as causas da perda do seu bebé. Poderá ajudá-la a amenizar a sua culpa e a encontrar as respostas que necessita.  

“Do lado de fora”, mas também de dentro, está o pai. O pai que luta para ver a mulher bem e que tudo faz para a amparar e ser um pilar no meio da dor. Converse sobre o seu companheiro e procure falar sobre os seus sentimentos. 

Não se culpe, nem julgue (ou pelo menos tente): o impacto na intimidade

É normal, após a perda gestacional ou neonatal, haver um abalo na intimidade. Para além da enorme perda ter impacto na vida íntima e em que como nos sentimos física e psicologicamente, as relações sexuais são muitas vezes associadas à gravidez. Saiba que é normal haver um afastamento sexual e impacto na intimidade. Dê tempo ao tempo e não se culpe por este impacto. 

Lamentamos imenso caso tenha passado ou esteja a passar neste momento por uma perda gestacional ou neonatal e desejamos-lhe muita força.

Demore o seu tempo. Respeite os seus sentimentos e as suas emoções.

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Perda tardia Perda Tardia - Durante

Em muitos casos, não há razões, nem é atribuída uma causa, para a morte de um bebé no útero em fases avançadas da gravidez ou que levem à necessidade de uma interrupção voluntária da mesma.

Frequentemente, não receber uma explicação sobre as possíveis causas da perda gestacional tardia torna mais difícil a compreensão do que aconteceu. Devido a esta incerteza, muitos pais têm dificuladade em aceitar e processar esta traumática experiência.

Assim, para apurar as causas, é muito importante a realização de exames e investigação clínica.

Por isso, neste artigo, referimos um número de possíveis causas e sintomas associados a algumas delas. Posteriormente, certos estudos poderão usar esta informação para trabalhar na reducão de perdas deste género.

Possíveis causas da perda gestacional tardia

Apesar de muitas perdas continuarem inexplicáveis, há um número de possíveis causas:

  • Problemas na placenta

A placenta fornece nutrientes e oxigénio ao bebé, conectando-o à mãe. É, aliás, o que mantém o bebé vivo e é crucial para o seu crescimento e desenvolvimento.

O descolamento prematuro da placenta ocorre quando esta se separa do útero antes do bebé nascer. Ou seja, um impacto no estômago ou complicações ligadas à pré-eclâmpsia pode fazer com que isto aconteça.

Desta forma é importante conhecer os sintomas de um descolamento de placenta. Estes incluem:

  • dores nas costas e abdómen,
  • contrações,
  • ventre sensível,
  • hemorragia vaginal.

Caso sinta algum dos sintomas acima, por favor ligue ao seu obstetra ou médico de família.

  • Movimentos Reduzidos – apesar de movimentos fetais não serem, em si, a causa da morte, são um sinal que o bebé pode não estar a receber comida ou oxigénio suficiente.

Logo, se notar diferença no padrão e rotina dos movimentos, por favor consulte o seu médico ou obstetra. Geralmente, movimentos podem ser registados algures entre as 16 e as 22 semanas.

Bem como outras, as possíveis causas da perda gestacional tardia estão também:

  • Infeções bacterianas: podem viajar da vagina ao útero, como por exemplo: clamídia, mycoplasma e e.coli. Igualmemte, outras infeções que podem afetar o bebé são: toxoplasmose, listeria, malária etc,.
  • Pré-eclâmpsia
  • Diabetes ou diabetes gestacional
  • Defeitos genéticos do bebé
  • Hemorragia antes ou durante o parto
  • Problemas com o cordão umbilical

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