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Em dezembro de 2020, eu e o Papá tomámos a decisão de, em janeiro de 2021, procurarmos ajuda para conseguirmos o nosso tão desejado bebé que, durante 10 anos não tínhamos conseguido.

E a vida, em janeiro de 2021, acabou por nos presentear com uma bebé, quando nós mesmos já tínhamos perdido a esperança…estava grávida de 4 semanas.

Foi uma emoção tão grande! No meio de tantos negativos, aquele positivo foi um misto de sensações que não soubemos controlar.

Para que tudo corresse bem, procurámos as melhores clínicas de Portugal para realizar todos os exames, no qual todos estavam bem e a correr dentro da normalidade.

Dois dias após perder a minha avó (que era mais que minha mãe), realizei a primeira ecografia mais profunda onde se iria saber o sexo da bebé e ver se estava tudo OK. Foi impedida a entrada de acompanhantes.

Foi detetada uma translucência nucal muito elevada e a menina estava muito inchada, ao qual a médica me disse, sem problemas “A bebé não vai sobreviver, pode morrer a qualquer momento “…

Seguiu-se uma série de exames e ecografias, tal como a biópsia das vilosidades, que não detectou nada…a menina era, aparentemente, saudável.

Chegando às 21 semanas, nas últimas ecografias que realizei, a médica informou-me que a menina tinha uma hérnia diafragmática congénita, problemas cardíacos graves e estômago colapsado. O mais certo era a menina morrer ainda na barriga… mas, caso não acontecesse, acabaria por morrer numa das operações que iria ter que realizar à nascença.

Informaram-me que o melhor seria interromper a gravidez…Não quis acreditar que a vida me iria tirar o chão!

Tinha acabado de perder a minha avó e iria ter que acabar por perder a bebé que me deu força naquela partida tão dura.

A Benedita era a bebé mais desejada deste mundo. Tanto eu, como o Papá dela, a desejávamos com todo o nosso coração.

Mesmo tendo dado à luz uma bebé sem vida, ela deu-me o dia mais feliz da minha vida

A Benedita já tinha o quartinho pronto e mais roupa que os Papás, que reviraram o mundo e percorreram em 6 meses mais médicos diferentes que em 6 gravidezes normais juntas.

A Benedita esteve 21 semanas e 3 dias dentro de mim. Permitiu-me ser mãe, realizou-me um sonho, mesmo tendo-me tornado mãe de colo vazio. A Benedita deixou-me senti-la durante horas, logo após as 17 semanas; não deixava dormir a Mamã e acalmava sempre que sentia o Papá.

Tinha o narizinho e os pés do Papá e adorava dormir toda enroladinha como a Mamã.

A vida é de facto injusta, e comigo tem sido avassaladora desde sempre. Quem diria que eu, que desde pequenina que sonhava com esta menina, iria ter que passar um processo destes tão doloroso. Eu, que me agarrei à esperança de que ela estivesse em crescimento e fosse apenas teimosa como a Mamã.

Tive que ter o acto de coragem mais difícil de toda a minha vida, por ela, para que não sofresse.

Passei pelo meu primeiro parto, sozinha, 4 dias num hospital, devido à pandemia “mais devastadora” do momento. Senti-a encostada às minhas pernas, grandinha e quentinha.

Mesmo tendo dado à luz uma bebé sem vida, ela deu-me o dia mais feliz da minha vida.

O mais fácil é sempre dizer : “ És nova, terás outro! ” … A questão não está em ter outro, a questão está em ter sido uma bebé tão desejada durante anos.

Ninguém sabe, para além de mim e do Papá dela, o quão difícil foi aquele primeiro positivo, que nem sabíamos como reagir de tão felizes que estávamos.

O medo permanecerá sempre. E a saudade também.

E se há coisa que me faz sentir perto da minha filha, é estar abraçada ao Papá dela.

A Benedita será sempre o meu anjinho mais bonito do céu. Tudo acontece por uma razão…O meu arco-íris há-de chegar… Mas a Benedita fará sempre parte das conversas do dia-a-dia cá de casa! E será das maiores luzes na nossa vida, como o tem sido até agora, desde a sua partida para longe de nós!

Benedita, 06-05-2021 / 12h55

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Soube que estava grávida do Gabriel já com 12 semanas.

Sentia-me mais cansada do que o normal, então resolvi fazer o teste de gravidez. E lá estava ele positivo…era nosso 4º bebé: temos 2 meninas e 1 menino, ficámos com 2 casais, o que o pai sempre disse que haveria de ter.

No dia 22 de novembro fiz a primeira eco. Tudo bem um bebé praticamente formado e muito mexido. Correu tudo normal até às 16 semanas, quando tive uma perda de sangue enorme. Pensava mesmo que já não tinha o bebé, mas não, ele era forte e aguentou. No entanto, a placenta tinha começado a descolar.

Vim para casa de repouso. Fiz uma ecografia no dia 2 de janeiro, na qual a médica me diz “está tudo bem mãe, não se preocupe”. Mas o meu coração não descansava, havia algo que não me deixava descansar. Até que, no dia 27 de janeiro, comecei com contrações, fomos logo deixar os irmãos  e seguimos para hospital.

Quando fui observada, vi logo que havia algo de complicado. O médico chamou logo outra médica para vir ver. A bolsa estava a sair com o bebé lá dentro. Foi-me dito que estava a entrar em trabalho de parto com 22 semanas. Nem tinha noção do que viria depois, só queria perceber se estava vivo. E estava, tinha batimentos cardíacos.

O Gabriel nasceu com 25cm e 480 gramas (…) um bebé perfeito, só faltava crescer

Fui para a sala de partos, chamaram o pai para perto de mim e disseram-me: “o médico já vos vem esclarecer e contar ao pai o que está a acontecer.”

As horas passaram e não apareceu ninguém… Até que as águas rebentaram. Fiz outra ecografia para percebem se o bebé tinha batimentos e sim, mais uma vez tinha.

Na minha inocência perguntei se ia ficar ali ou teria de ir para outro hospital… A resposta que me foi dada foi que era um bebé muito pequeno, mesmo que nasça com vida não iam fazer nada…se já estava mal naquele momento caiu o resto.

É o meu filho, aquela médica estava a falar do meu filho!

Voltei para a sala de parto onde ele nasceu às 02:45 do dia 28 de Janeiro.

Não sei dizer quanto tempo, se segundos, se minutos…se foram minutos não foram muitos, estava completamente desnorteada mas só ouvi a parteira a dizer que já não tinha batimentos.

Levaram-no para medir e pesar e, no fim, trouxeram-no enrolado num lençol branco…O Gabriel nasceu com 25cm e 480 gramas. Lindo, perfeito e nada vermelho; um bebé perfeito, só faltava crescer.

Esteve deitado ao meu lado, até me dizerem que tinham que o levar. As horas a seguir não foram nada fáceis, ainda passei pelo bloco operatório, a placenta tinha sido retida então foi fazer a limpeza.

Só pensava em sair dali ir para casa, para junto dos meus filhos. A mais velha fazia 9 anos no dia a seguir. Só não queria que se soubesse nada naquele momento.

Saí no dia 29 de janeiro com um termo de responsabilidade. Ela não podia saber que tinha perdido um irmão na véspera dos anos dela. Vim para casa e só lhe contamos uma semana depois…

Hoje todos nós temos um anjinho bo céu a olhar por nós.


O nosso Gabriel que nunca vai ser esquecido.

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Para aumentar a dor de já ter perdido o meu filho Rodrigo, com 4 anos de idade em Maio de 2015, depois de lutar durante 2 anos contra um cancro cerebral em fase terminal (AT/RT), descobrimos que estava grávida – era o nosso bebé arco-íris -, que se tornou, novamente, no nosso maior pesadelo em outubro de 2020.

Estava grávida de 26 semanas de gémeos, quando me disseram que um tinha sido absorvido pelo meu próprio corpo, e pelo irmão. O Lucas, a 18 de abril de 2020, fez o nosso mundo cair, mas estávamos felizes porque o Benjamim estava a crescer bem. Estava bem nas ecografias e via-se, nas ecografias, o nosso tão desejado menino a rir.

O parto estava planeado para outubro de 2020, mas como eu tenho endometriose, era uma gravidez de risco e tinha que ser mais vigiada. A obstetra dizia estar sempre tudo bem e nunca valorizou as minhas queixas com dores e perdas de sangue. A partir de setembro, quando ia quase todas as semanas ao hospital, apenas ligava o CTG e fazia ecografia e estava sempre tudo bem; mesmo quando eu deixei de sentir o meu Ben em inícios de outubro, estava sempre tudo bem.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe.

No dia 15 de outubro de 2020, às 3 da manhã, senti uma dor enorme e estava a perder sangue. Eu sabia que não estava tudo bem e fui de emergência para o hospital. Cheguei lá de 39 semanas e disseram-me que já não havia batimentos cardíacos e que tinha fluido na minha barriga. Tinha de dar à luz de imediato, pois corria risco de vida e já não havia nada a fazer, pois o Benjamim já tinha partido.

Altura de Covid-19, pico alto da pandemia e aí sonhos destruídos. No dia seguinte voltámos a casa de coração cheio e colo vazio.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe. O meu filho estava sereno, no sono eterno.

Não há maior dor que dar à luz um filho e não o ouvir chorar…Já lá vão 7 meses e a dor é a mesma.

Os meus anjinhos no céu.

A autópsia, obviamente, deu inconclusiva, mas sim, se a obstetra tivesse provocado o parto no dia 5 de outubro de 2020, quando eu lhe disse que não me sentia bem, o meu filho teria 7 meses.

A mamã e o papá amam-te daqui até ao céu.

Coração cheio, colo vazio.

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Perda tardia Testemunhos

Depois de 2 anos a tentar engravidar, e já em consultas de PMA (infertilidade), engravidei naturalmente. Soubemos em Novembro de 2020, estávamos mega felizes…

Tudo correu bem até à segunda ecografia, em que a médica me diz (devido à pandemia, estava sozinha) que o bebé tinha uma malformação muito grave…

Mandou entrar o meu marido, também lhe explicou o que passava, e marcou-nos consulta para uns dias mais tarde, onde iríamos decidir o que fazer. Disse-nos para até lá irmos pensando.

Ficamos completamente desnorteados, o mundo caiu-nos em cima.  Tínhamos em mãos a pior das decisões para tomar, tirar a vida ao nosso bebé, era um rapaz…depois da decisão, foram mais uns dias até fazer a interrupção, porque até nestas situações a burocracia impera, e esses só foram os piores dias da minha vida.

Era um bebé perfeito

Continuar a ter dentro de mim um bebé, que sabia ia ficar sem ele, um bebé com vida, que eu lhe ia tirar…

E no dia 14 de março de 2021, nasceu o nosso bebé sem vida, uma vida que fomos nós que decidimos terminar, mas que no fundo sabemos que foi o melhor.

Era um bebé perfeito (decidimos que o queríamos conhecer), não fosse ter “espinha bífida aberta”.

E no fim de tudo isto, fica uma dor enorme…. não há dia que não pense, não há dia que não me lembre, e tenho a certeza que será eternamente assim, porque não há maior dor, do que a de perder um filho…. 

Um beijinho do tamanho do mundo e um xi-coração apertado.

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Em janeiro de 2017 descobri que estava grávida! Sonhos, projetos, contar à família e aos amigos. Como sou uma pessoa super emocional e que sempre viveu intensamente o bom e o mau, estava para lá de feliz!

Passado duas semanas tive a minha primeira perda com apenas 6 semanas – uma gravidez molar. Senti um vazio como nunca poderia imaginar. Ia duas vezes por semana ao hospital para tirar sangue e ia a um médico ginecologista oncológico só para me dizer que o meu BetaHCG estava a descer.

Processo muito doloroso psicologicamente e que demorei muito para reagir, pois rodear-me de grávidas duas vezes por semana não é propriamente o que esperamos depois de passar por uma perda.

Despedi-me do meu trabalho, parei para respirar e passar pelo meu próprio processo à minha maneira, pois acredito que cada um tem o seu tempo e devemos respeitar.

Após um ano, a segunda perda ocorreu às 8 semanas. Pensava que nunca conseguiria parar de chorar, de lamentar e de perder a energia negativa e revolta que tinha com a vida.

Neste processo aprendi que temos de nos amar a nós para darmos o nosso amor aos outros, que há coisas na vida que não podemos controlar e que devemos viver a vida no presente e agradecer o que ela nos dá.

Decidi um dia recorrer ao life coach que me deu ferramentas e um novo olhar para a vida – cuidar e gostar mais de mim, pensar menos no que os outros dizem e olhar para o quão forte fui durante a vida toda e o que consegui. Neste processo, tive de lidar com a depressão do meu marido e não foi fácil, mas nada é impossível…Muita resiliência, muito acreditar e muita força.  

Em janeiro de 2021 finalmente teste positivo – decidimos não contar a ninguém e viver numa bolha de amor, meditação e tranquilidade durante uma semana. Novo sangramento, nova perda.

Quando passas três vezes por isto, já vês as coisas de forma diferente mas sentes sempre o vazio. 
Neste processo aprendi que temos de nos amar a nós para darmos o nosso amor aos outros, que há coisas na vida que não podemos controlar e que devemos viver a vida no presente e agradecer o que ela nos dá.

Hoje já estamos em estudos genéticos a tentar encontrar respostas para as nossas perdas e continuamos a acreditar que um dia, quando tiver de ser, a vida nos vai trazer este amor fora do coração, como tantas mães descrevem.
Cair… respirar… recomeçar… amar… acreditar…


Com amor para todas, 
Sofia

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Venho partilhar com vocês a nossa história, uma história de 6 e de muito Amor! Eu, o meu marido, o meu filho do anterior casamento, os gémeos e a minha filha.

Tudo começou em Novembro de 2018, quando eu e o meu marido percebemos que algo estaria de errado,  mais de 1 ano tinha passado e nada de conseguir-mos engravidar. Foi aí que decidimos conversar com a minha Ginecologista, sobre a possibilidade de algo estar errado. A médica pôs em cima da mesa a possibilidade, e decidiu então avançar para os procedimentos normais de avaliação.

Dia 27 de Dezembro tivemos a confirmação de que havia sim um problema de infertilidade e expôs todas as hipóteses para nos ajudar a ser pais. Avançámos então para todos os procedimentos seguintes, necessários, para o tratamento. Sempre estivemos muito positivos e a levar o tratamento com imensa calma e… após todos os procedimentos, dia 14 de Abril temos a confirmação: estava grávida de Gémeos, transbordámos de felicidade, pois tínhamos conseguido engravidar e à primeira.

Tive gravidez de alto risco a partir das 9 semanas, porque tive um descolamento e foi a total felicidade até às 18 semanas.

Às 18 semanas tivemos a melhor e a pior notícia que podiamos ter, a melhor notícia foi que era um menino e uma menina um tão desejado casal, a pior notícia foi que, felizmente, estava tudo bem com o menino mas, infelizmente, a menina tinha um problema grave e a gravidez não era viável.

“diga à sua filha o quanto a ama, o quanto foi importante o tempo que esteve dentro de si, diga-lhe tudo agora”

Tive a reação mais fria e pragmática da minha vida, congelei, aquelas palavras eram como se não tivessem chegado ao coração. Quando saí do gabinete fui marcar normalmente a próxima Ecografia e, quando saí, o meu Mundo caiu; foi como se apenas naquela altura o cérebro tivesse passado a mensagem ao meu coração. Chorei, chorei muito agarrada ao meu marido, questionei a Deus o porquê.

Apenas depois nos apercebemos que não sabíamos então o que fazer, nem o que ia acontecer. Passados uns dias fomos à consulta, e aí foi-nos explicado os prodecimentos possíveis, na minha cabeça eu ia perder os dois, mas porquê se o meu filho estava bem.

Foi então que conheci um mundo que desconhecia e que depois apercebi-me que imensas mulheres passavam por ele e aí ainda me senti pior. Foi-me dada a possibilidade de fazer um Feticídio seletivo, ou seja, parar o coração da minha filha para a gravidez dela não avançar e a do meu filho continuar. Isto era possível porque estavam em bolsas separadas e porque a minha filha tinha um problema realmente grave e se não perdesse a vida durante a gravidez, iria ter imenso sofrimento até acontecer após o nascimento. Enquanto me explicavam tudo isto e de como era feito o prodecimento, na minha cabeça eu só tinha, que para ter um filho eu ia ter que parar o coração do outro e a minha cabeça bloqueou ali.

A lei em Portugal nestas situações de gémeos em bolsas separadas cujo segundo bebé está bem, só permite o feticídio seletivo às 32 semanas, ou seja, até lá tudo podia acontecer: eu podia inclusive perder os dois se a minha filha não sobrevivesse até às 32 semanas, podia até entrar em trabalho de parto antes das 32 semanas e eles iriam nascer. A minha filha iria nascer viva, ou não, e iria sofrer até acontecer o inevitável. Eu ia ter a minha filha dentro de mim a mexer, a interagir com o meu toque e a interagir com o irmão até lá, e eu sabia o que iria acontecer.

Foi uma gravidez de muito stress, medo, culpa, e tantas coisas mais à volta na minha cabeça, desde o primeiro dia que o hospital disponibilizou uma psicóloga para os dois. Nós iamos às consultas com ela, ajudou muito, a preparar-me para o dia em que eu ia parar o coração da minha filha.

O que eu fiz foi amor, foi por amor

O pior dia da minha vida tinha chegado, o dia em que fazia as 32 semanas. O dia que eu não queria. O dia em que eu perdi para sempre um pedaço de mim, o pior vazio que senti, e, ao mesmo tempo, no meio de tudo, tinha que estar capaz, com forças pelo meu menino que podia por causa do procedimento querer nascer, naquela altura ou nos dias seguintes.

Mas foi nesse dia que me foi enviada uma enfermeira que me acompanhou no antes, durante e pôs procedimento, um anjo de bata branca, deu-me uma força extraordinária; deu-me a mão antes do procedimento e disse-me ao ouvido “diga à sua filha o quanto a ama, o quanto foi importante o tempo que esteve dentro de si, diga-lhe tudo agora” e eu disse!! Foi tão bom!! Fez toda a diferença, hoje eu sei isso.

O meu sentimento de culpa desapareceu ali, o que eu fiz foi amor, foi por amor, e todo o amor que lhe dei durante 32 semanas ela retribui-me com mais amor.

1 ano depois nasceu a irmã, De forma natural engravidei e não tive medo na gravidez. Eu sabia que tinha uma estrelinha a proteger-nos a todos, e protege.

O irmão nasceu às 36 semanas, quis nascer exatamente no dia em que fazia 1 mês do procedimento, e a minha filha também nasceu.

Foi um misto de emoções o dia em que nasceram, a felicidade de finalmente conhecer e ter nos braços o meu filho, e o dia em que conheci e tive nos braços para lhe dizer mais uma vez o quanto a amava a minha filha. Sim eu quis ver e despedir-me do rosto da minha filha, a mesma enfermeira aconselhou-me a fazê-lo que era importante para o luto e foi sim, mais uma vez aquele anjo de bata branca me ajudou.

Ultrapassei com o passar dos dias; todos os dias tenho um momento em que me lembro como se fosse hoje. Para mim o dia em que perdi a minha filha foi em Novembro e o dia em que nasceu foi em Dezembro.

Foi uma corajosa aguentou com todas as forças até às 32 semanas pelo irmão, é o meu anjinho que quando perco um pouco as forças me lembra o que é a força e a coragem e me faz erguer.

A minha filha que 1 ano depois nasceu em Dezembro de 2020 foi o amor que a minha estrelinha me enviou.

Espero de alguma forma ajudar com o meu testemunho outras mulheres que estão a passar ou passaram pelo mesmo que eu, desconhecia mas são muitas, no dia em que fiz o procedimento lá estavam mais 2 casais a prepararem-se para o mesmo que eu, e eu fui o caminho a pensar porquê a mim e eles provavelmente a pensar o mesmo.

❤

️ Com amor.

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Olá, tenho 41 anos e em 2015 fiquei grávida do meu segundo filho… um bebé muito desejado e planeado tal como o meu primeiro filhote, na altura com 5 anos, que queria tanto um irmão.

Tudo corria bem até à ecografia das 20 semanas em que se descobriu que o meu bebé tinha uma malformação nos rins.

Parou de crescer! A médica que me seguia entrou em contacto comigo para a notícia mais triste da minha vida…teria de interromper a gravidez porque a gravidez não era viável e muito provavelmente nem chegaria ao fim. Tive uma médica que, apesar do sofrimento do momento, fez tudo para que fosse um processo rápido: entre a consulta, autorização, o parto e a alta hospitalar, foram 5 dias.

Foi um momento muito difícil, muito sofrimento e um psicológico muito afetado…não vi o meu menino por opção e só soube que era um menino quando “nasceu”. Tive alta hospitalar no dia em que o meu filhote mais velho completava 5 anos! O mais difícil foi explicar a uma criança de 5 anos que já não havia mais um irmão: agora era a nossa estrelinha! Ao final de 2 dias voltei novamente ao hospital…os meus peitos inchados, cheios de leite para dar e não ter a quem…é uma tristeza e um vazio enorme. Nunca tive apoio psicológico.

Apesar de me faltar um pedaço de mim… o meu menino, eu consigo ser feliz.

Ao final de 1 mês recebi o relatório médico onde se confirmava a malformação nos rins… não foi nada genético, apenas obra da natureza. Mas não desisti e, passado 5 meses, voltei a engravidar, uma gravidez normal mas com alguma ansiedade…aí veio a minha bebé arco-íris.

Uma menina linda e saudável que tem agora 4 anos. Apesar de me faltar um pedaço de mim…o meu menino, eu consigo ser feliz.

Nunca vou esquecer, ainda hoje por vezes choro a minha perda…era parte de mim!

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Há feridas que doem para sempre.

O tempo acaba por acalmar a dor, aprendemos a viver com essa dor, mas não deixa de existir.

Eu perdi duas gravidezes. A primeira, há 12 anos, foi uma gravidez ectópica. Não me lembro bem quanto tempo durou. Só me recordo da sensação de que algo dentro da minha barriga estava a rebentar. A dor era tal que cheguei a perder os sentidos.

Depois o internamento. Estive lá durante 3 dias em que fazia exames diariamente de manhã e à tarde para se saber como estava a evoluir a gravidez até que as dores pararam e os médicos me disseram que o embrião tinha descido para o útero, mas que a gravidez era inviável e teria que esperar até que o corpo o expulsasse.

Não sei dizer quantas semanas passaram até que me voltaram a internar e provocaram o parto. Todo o processo foi feito na enfermaria, mas completamente sozinha…

Passado um ano voltei a engravidar mas desta vez a ferida ficou mesmo muito, muito funda.

De mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”

Ainda hoje tenho pesadelos com o que passei. Na ecografia das 13 semanas o médico detectou que algo não estava bem com o bebé. As medidas do bebé não estavam correctas e enviou-me para a consulta de diagnóstico precoce.

Aqui eu e o meu marido fomos muito bem recebidos. Explicaram-nos tudo o que estava a acontecer, o que significavam aquelas medidas e o que nos iram fazer. Voltei a repetir a ecografia e passado 2 ou 3 dias fiz a amniocentese. A imagem que ficou gravada na minha cabeça foi de estar deitada numa maca, de mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”.

Depois segue-se novo internamento, provocarem-me novamente o parto, tudo novamente sozinha e para piorar um pouco mais a situação desta vez vi o feto e fui eu que chamei a enfermeira após a expulsão.

Até hoje guardo aquela imagem horrível. Tinha 18 semanas de gestação. Fiquei a saber que o bebé tinha trissomia total, ou seja, todos os cromossomas eram a triplicar. É uma alteração genética raríssima. No ano anterior não tinha existido nenhum caso em Portugal, naquele ano houve apenas o meu e no ano seguinte houve 2 casos. Eu e o meu marido fizemos estudos genéticos e depois voltámos a tentar engravidar.

Atualmente temos dois rapazes, um de 10 anos e outro de 6. São uns meninos lindos, saudáveis e bons traquinas como todas as crianças devem ser.

Espero que ao partilhar a minha história possa ajudar alguém. Pelo menos e sinto que me ajuda a lidar melhor com o que passei.

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Perda precoce Testemunhos

Olá

O meu nome é Carina e sou mãe de um lindo rapaz de 4 anos. Na sua gravidez surgiram alguns contratempos, mas nada de sério, pois, embora pequenino, nasceu saudável por cesariana de urgência. 

Passados dois anos e meio, fomos surpreendidos por uma nova gestação. Depois do choque inicial veio uma grande felicidade, no entanto acabou demasiado rápido… resultando num aborto espontâneo.

Como casal decidimos esperar pelos três anos do rapaz para voltarmos a tentar e assim foi. Ao fim de alguns meses fomos presenteados com um novo resultado positivo! Repleto de felicidade, mas também algum receio de uma nova perda gestacional, aliado ao Covid-19. O dia de Páscoa chegou e com ele também a neblina de um novo aborto espontâneo.

Estávamos desgastados e com o coração partido. Porém, após conversar com algumas mães que passaram por situações semelhantes, não desistimos e decidimos continuar. 

Poucos meses se passaram e obtivemos um novo positivo… que grande felicidade! “À terceira é de vez” pensámos. Marquei consulta de obstetrícia o mais rápido possível, realizámos ecografia e vimos um saco gestacional, ainda sem embrião por ser muito cedo. Admito, chorei muito nesse dia por tudo o que podia correr mal, mas acalmei e começámos a pensar como uma família de quatro. 

Dia 23 de Agosto tive novo sangramento, e devido ao Covid-19, dirigi-me novamente sozinha para o Hospital, a pensar que era mais um aborto. 

(…) no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.

O médico fez um exame exaustivo e detetou hemorragia interna. Tratava-se de uma gravidez ectópica na trompa esquerda. Tinha ignorado todos os sinais que o meu corpo me deu até este dia… o mau estar e as dores constantes. O médico explicou-me que o saco que a Obstetra vira anteriormente, era uma vesícula falsa, algo bastante comum numa gravidez ectópica. Aliado a isto, o facto de a primeira ecografia ter sido realizada precocemente, também dificultou a deteção da GE. 

Dado que estava com hemorragia, encaminharam-me de urgência para o bloco operatório e removeram-me a trompa e o embrião, que já tanto amava. O internamento foi uma tortura, os bebés choravam e com eles chorava eu por ter o meu colo vazio. Senti-me mutilada, com corpo defeituoso, e desanimada com receio de nunca mais conseguir vir a ser mãe. Emocionalmente foi a pior das perdas e, enquanto casal, estávamos destroçados. A Obstetra tranquilizou-me, dizendo que, mesmo apenas com uma trompa, havia grande probabilidade de voltar a engravidar e assim foi… Sem “treinos a sério” veio o novo positivo. 

Os olhos do meu marido encheram-se de lágrimas, mas não por felicidade e sim receio de voltarmos a passar por tudo, no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.

Estou grávida de 19 semanas da minha menina arco-íris forte e bem mexida. É um dia de cada vez, mas cada pontapé é uma vitória. 

Se o vosso desejo é de serem mães e pais, não desistam! Lutem, sigam o vosso coração, sigam as recomendações médicas e, por favor, não ignorem os sinais que o vosso corpo vos dá.

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Perda precoce Testemunhos

O meu nome é Filipa, tenho 36 anos, desde que me lembro sempre quis ser mãe, e sou mãe de 3 filhos, duas estrelas no universo e um terror dos sete mares em terra, há 17 meses.

Esta minha história começa em 2015, deixei de tomar a pílula e começamos a tentar engravidar!

Setembro de 2015, grávidos…que explosão de felicidade, de medo, não acreditámos! Segue tudo bem, tudo tranquilo, tirando os meus enjoos terríveis, as náuseas constantes, não conseguia comer… mas com o bebé tudo bem!! Ecografias normais, tudo tranquilo… 12 semanas, uns dias antes da ecografia fiz a recolha de sangue para o bioquímico, para no dia da eco já termos os resultados! (mas que resultados são estes pah?? Vai estar tudo ok…e aquilo também é só uma probabilidade…).

Fazemos a eco, há qualquer problema com umas medições…mas nada a temer! No final, cruzamento de dados e uma probabilidade de 1/129 para trissomia 21. Fiquei dormente… a médica apaziguou-nos, que era uma mera probabilidade e que estava tudo bem com o baby, e falou da possibilidade da amniocentese e de uma análise (Harmony), não comparticipada, mas que os resultados eram fiáveis e não era evasiva! Bora lá….não vai ser nada, lá fomos fazer a análise.

Durante as duas semanas de espera, uma eternidade, não se falou cá em casa de nada! Mas a notícia chegou… chegada a casa de trabalhar, estava lá a minha cunhada (enfermeira na obstetrícia, no hospital) com um pai desfeito e eu a perceber tudo sem uma única palavra… ela deixou o relatório, e foi embora e eu não chorei…fiquei ali… dormente!

Primeiro teste neste hospital de um Harmony com 99,9% de probabilidade de um bebé rapazola, com trissomia 21. Nova consulta, nova apresentação de possibilidades, continuar com a gravidez, fazer amniocentese, e caso quiséssemos interromper teria mesmo que avançar para o exame!

INTERROMPER???? Quem?? Toda a minha vida disse que NUNCA ia interromper uma gravidez por saber que o meu filho tinha uma deficiência… mas, e agora? O que é que eu quero fazer? A decisão do meu companheiro estava tomada, interromper, eu… não sabia de nada, nem quem era, nem que crenças tinha, nem que ideais eram os meus… estava completamente perdida num universo escuro!

Avançamos para o exame, sabíamos qual era o resultado, mas eu fiquei de repouso absoluto nos dias indicados, o meu companheiro ficou em casa, não me mexi para nada… a esperança lá escondidinha a fazer das suas!!

Mais duas semanas de espera pelo resultado, nesses dias muito chorei, não dormi, não queria tocar na minha barriga, não queria sentir nada, não queria ser… parecia que estava a assistir a um filme… discutimos este mundo e o outro, berrámos um com o outro… e no fim eu tomei a minha decisão: interromper a gravidez!

Que passo, que abalo naquilo em que eu sempre acreditei, que murro no meu ser… mas esta era a minha decisão, com um medo terrível de um arrependimento futuro e vítima, acho que posso dizer vítima, do julgamento das minhas pessoas, claro que não todas, mas naquele momento ficou a ferida de quem julgou, de quem tentou por tudo que não o fizesse, de me darem estas e aquelas provas de que podia correr bem…

Nova consulta, decisão tomada e verbalizada à médica. Não consigo explicar a leveza que senti, aquele peso de uma decisão tão difícil saiu-me de cima, este peso tinha-se sobreposto à tristeza da perda iminente do meu filho! Estava ali mesmo o Natal, e a passagem de ano… passei o Natal a saber que ia perder o meu filho, só pedia para ele não se mexer, para eu não o sentir, dia 30 de Dezembro dei entrada no hospital para a interrupção, foi fisicamente muito doloroso, um parto… o meu filho nasceu, já sem vida às 22h15m. Dia 31 tive alta (graças à médica que me estava a acompanhar no internamento)… Eu continuava dormente…parecia que não me tinha acontecido a mim… dormente!!

Claro que chorei muito, estava devastada, mas…não há explicação, estava bem… até que em meados de Março a minha cunhada engravida do meu sobrinho que amo com todo o meu coração, e o meu mundo desabou na minha cabeça, chorei dias seguidos, a fio sem conseguir parar, não entendia o porquê…era uma revolta tão grande dentro de mim! E aí… acompanhamento psicológico (e o que custou dar o passo) e tão bom, tão bem que me fez… e tão grata que estou a quem me acompanhou, e acompanha, e a quem me deu a dica de “se calhar devias falar com alguém…”, nunca vou esquecer.

Engravidar outra vez, aos poucos fomos pensando nisso com medos gigantes, uma ansiedade todos os meses… outro Setembro, de 2017 – grávida! Que medo… não dissemos a ninguém quase, no meu trabalho ninguém sabia (e agora penso…porquê? depois tive que contar a toda a gente à mesma…).

Tive uma perda de sangue perto das 8 semanas, hospital a correr, a chorar baba e ranho… a notícia “este embrião não parece nada ter 8 semanas, só dá umas 6 semanas, vá para casa e vamos aguardar, daqui a umas semanas vemos a evolução”, passados uns dias voltei às urgências “parece-me uma gravidez não evolutiva, o embrião não está a evoluir, vá para casa e se tiver uma perda muito significativa de sangue volte cá”… aterrorizada, mas com aquela esperança… um dia a chegar ao meu trabalho tenho uma perda gigante, urgências: “Quer ficar cá e fazemos a indução medicamentosa para a expulsão ou quer aguardar em casa? A minha ex-mulher também teve 4 abortos e agora temos 2 filhos…”.

Eu quis ficar,  desta vez fiquei sozinha, uma noite, não expulsei tudo no hospital, só em casa o maior, o meu filho, também era rapaz, soubemos depois dos testes genéticos que fizeram! Fiquei em casa o mês todo de baixa, a recompor-me, ou vá… a tentar…

Fizemos testes genéticos… Nada…”foi mesmo má sorte, nunca vimos o euro milhões calhar duas vezes à mesma pessoa pois não?”… O quê??como? Isto foi o euro milhões?? Tá bom…

Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida

E o tempo foi passando e sem fazermos contas à vida, sem pensarmos no timing de engravidar outra vez…em Setembro de 2019 nasceu o nosso JL!!

Sei que estava bem psicologicamente e fisicamente para avançarmos com esta gravidez, com os medos normais de uma gravidez, mas sem medos extrapolados ou irreais… fomos andando, com sustos, mas foi tudo correndo normalmente! Claro que pensava que poderia correr algo mal, mas quem não pensa? Estava bem… e estou bem! Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida, e aprendi tanto, e cresci ainda mais para os amar “até ao infinito e mais além”…

Nunca me arrependi da minha decisão, estou em paz com tudo o que passou e aprendi a acolher em mim a minha dor, como acolho a minha felicidade…

Beijinhos do tamanho do mundo, cheios de esperança e amor!!

Filipa