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A gravidez do nosso primeiro bebé foi planeada, mas nada calendarizada. Não segui com muita atenção o período de ovulação; aconteceu de forma muito natural e espontânea. Umas 3 ou 4 semanas passaram-se e lembrei-me “algo falhou este mês”; comentei com o Tomás e disse-lhe com a maior das confianças: estou grávida. Mais uma semana passou e não consegui aguentar a espera da análise beta-hCG para confirmar; comprei então um teste de gravidez: confirmado e com mais de 3 semanas. Enviei uma foto ao Tomás pelo Whatsapp; combinamos em fazer a surpresa aos meus pais, afinal de contas, seriam avós pela primeira vez e queríamos dar a notícia de uma forma memorável. Logo de seguida ele partilhou com os pais dele e irmãos, não conseguindo conter a alegria.

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Os meses desenrolaram-se, de forma geral, pacificamente. Haviam sempre cuidados extra, alguns receios à mistura, muita leitura para colmatar esses receios…o que todas as mães de primeira viagem podem autenticar! Os desconfortos assumidos como “normais” apareciam com o crescimento do bebé e o estiramento dos músculos da barriga, uma ou outra noite mal
dormida, um mioma intramural que apenas me deu que fazer (e à equipa no serviço de urgência da maternidade) durante uns dias, mas que se “silenciou” até ao fim da gravidez (contrariando as expectativas dos médicos).


Decidimos não saber o sexo, mas como gostava de falar com o bebé na minha barriga tinha de encontrar um nome neutro além de “criaturinha”; depois de pensar em alguns ficou “pandinha” – tinha que ser, claro, o bebé adora dar pontapés e às vezes parecia que estava numa aula de kung-fu lá dentro (lembrando-me a personagem Panda do Kung-Fu). Criamos um
grupo de Whatsapp com amigos e família para lançarem apostas sobre o sexo do bebé, e mais tarde com ideias de nomes. Eram quase 80 pessoas a mandar “bitaites”; podem imaginar o tipo de nomes que eram sugeridos! Foi muito divertido. A maioria apostava que seria menino, mas mantivemos firmes em não sabermos o sexo e fazermos a surpresa a todos.

O terceiro trimestre foi o mais vigiado; tinha surgido uma alteração a nível do intestino do bebé – uma dilatação que nunca desenvolveu mais do que o que tinha sido diagnosticado na ecografia das 31 semanas, que me tinha sido também explicado que poderia ser passageiro ou alvo de uma pequena cirurgia no período neonatal…nada demais a preocupar por agora pois a
bebé desenvolvia bem, não havia sinais de stress fetal nem outros que pudessem comprometer a gravidez. Depois de uma ou outra noite mal dormida (congeminando preocupações e soluções), vesti o meu fato de otimista e segui com as marcações planeadas na maternidade e com a vida de grávida dentro da normalidade – agora mais pesada, mas ainda com bastante energia.


Às 36 semanas um aumento de líquido amniótico, mas não se tratava de uma alteração muito significativa, e assim se prosseguiu com as vigilâncias programadas (desta vez, semanais) – CTGs e ecografias realizadas sem intercorrências a acrescentar de acordo com a equipa.

Vivi todo este período como se tivesse divido em duas pessoas – a “Ana que queria ser mãe” fugiu para bem longe e a “Ana que quer sobreviver” ficou…

As últimas 4 semanas foram vividas com normalidade; o único desejo honesto que tínhamos era ter um parto natural, sem necessidade da indução marcada para dia 20 de dezembro (no limite das 41 semanas). Então seguimos as sugestões do obstetra para alcançar esse desejo, mas sempre muito conscientes da possibilidade de nunca ocorrer e necessitar da mesma. 

Madrugada de 20 de dezembro de 2021. Acordei subitamente de um sonho. O sonho passava-se no sótão em casa dos meus pais (precisamente o local onde lhes demos a notícia da gravidez) e deixou-me com uma sensação muito desconfortável; senti que algo não estava bem de imediato, mas tentei racionalizar aquele momento e fiz o que sabia serem as melhores tentativas a estimular o bebé a mexer…mas nada; pouco tempo depois, já nas urgências da maternidade veio-se a confirmar o que sentia mas não queria acreditar – “acho que a Ana já sabe o que tenho para lhe dizer…” disse-me a médica que concluiu o diagnóstico da morte fetal; “eu lamento imenso”. O meu corpo mexeu, mas a minha mente paralisou naquele momento. Segui instruções para ligar ao Tomás que me esperava fora das urgências, para me dirigir à sala de partos, mudar de roupa e dar início ao parto…aquele parto que já estava agendado, mas não para este resultado. Vivi todo este período dividida em duas pessoas – a “Ana que queria ser mãe” fugiu para bem longe e a “Ana que quer sobreviver” ficou… 

“Era uma menina”, uma das enfermeiras confirmou após o parto. Eu e o Tomás decidimos estar um bocadinho a sós com a nossa bebé. Enchemo-nos de orgulho e lágrimas ao saber que a surpresa ainda seria maior, contrariando a aposta da maioria. Chamamos-lhe Maria – o nome que eu tinha sugerido se fosse menina, mas que ainda não tínhamos chegado a um acordo. Tê-la no colo e vê-la partir foi a sensação mais devastadora que podemos assumir…

Os dias seguintes – até semanas – foram de muita tristeza e solidão, mesmo com imensa gente a cuidar de nós com muita atenção. A sensação de “vazio” no meio do peito lá ficou, lembrando da ausência. Atrás vieram os sentimentos de culpa, “o que é que eu fiz?”, “o que é que eu poderia ter feito?”. A ansiedade ganhava terreno, os dias em que saia à rua com as lágrimas prontas a cair e o nó na garganta acumulavam-se, a falta de forças para enfrentar o dia e para resistir à sensibilidade sublime ao ver um bebé ou uma mulher grávida ia sendo cada vez mais óbvia. Tinha de reagir. Sabia que a procura de respostas tirava muito tempo e energia dos meus dias – não estava a procurar no sítio certo e não era por encontrar uma resposta ao “porquê da morte da Maria” que conseguiria minimizar a minha dor. Comecei a olhar mais para dentro; perceber o que sentia em relação à Maria, perceber o que outras mães testemunhavam após uma experiência semelhante, acolher novas interpretações da perda (quer a nível espiritual como a nível de crescimento pessoal) e, no fundo, encontrar e estabelecer-me nesta nova identidade – uma mãe de colo vazio, que ainda vai enfrentar muitos desafios e medos na busca da felicidade maternal, mas que tem agora uma arma muito poderosa que a ampara nesse caminho, que é o amor incondicional.

Alguns meses passaram até agora – quase 6 no momento em que escrevo este testemunho – e sei que não houve um dia em que não pensei na Maria. Tanto fiz nestes meses por forma a celebrar a sua breve, e relevante, passagem neste mundo…tanto que ainda quero fazer! Tantas vezes peguei na sua fotografia, ora com muito orgulho, um sorriso e uma mão no peito, ora com lágrimas a correr pelo rosto e as mãos a tremer. Tantas vezes falamos, entre casal, família e amigos, no nome Maria. Tantas vezes…

Agora, os dias de orgulho – em que o as nuvens se abrem -são cada vez mais, mas sei que por aí virão dias em que a saudade terá aquele gosto mais amargo. E acredita que há dias que te vão surpreender, lembrando que ainda há algo aí dentro por preencher; acolhe esses dias, é a minha sugestão, pois há sempre uma lição a aprender.

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Naquele dia o meu mundo parou e a minha luz deixou de brilhar… 

6 de dezembro de 2021. Não existem palavras que descrevam o tamanho da minha felicidade. Tantos meses de luta e finalmente a minha vida ganhou cor, tudo era belo, o dia, a noite, o sol, a chuva, a trovoada, nada me entristecia mais, havia uma vida dentro de mim, uma vida tão desejada e já tão amada. Finalmente iria dar à Alícia o irmão que ela tanto queria e pedia.

Aproximava-se o dia de Natal e juntamente com o Marco decidimos dar a melhor prenda à família, e existe prenda melhor? A família ia aumentar. Decidi aguardar então uns dias para que esse dia fosse memorável. Só me apetecia gritar ao mundo o quão feliz estávamos, íamos ser pais novamente! A felicidade transbordava no meu olhar. Tudo corria bem nesta gravidez, ao contrário da minha primeira onde as dores constantes tinham sido incomodativas e até medonhas. Desta vez estava tudo a correr lindamente, não haviam dores, sentia-me nas nuvens… a barriga começou logo a notar-se às 6 semanas o que também tinha acontecido na gravidez da Alícia, que muito cedo foi descoberta. Agora não estava a ser diferente. E tão bom, mas tão bom olhar o espelho e ver a transformação do nosso corpo.

Os dias passaram e o dia de Natal chegou. A minha irmã era a única na família, à exceção do Marco que sabiam. Ao anunciar o tão desejado bebé que carregava no ventre, fui presenteada com a primeira roupinha. Um fato cinza e uns sapatinhos amarelinhos. Foi um momento mágico, a minha Alicia descobriu naquele momento que tinha sido promovida a mana mais velha. A minha filha com 6 anos chorou de felicidade e eu e o pai chorámos por ver uma criança tão pequena a ser tão sincera no amor que já tinha por aquele ser tão pequenino: “o meu filho” era o irmão dela. A minha filha desde então passou a beijar todos os dias a minha barriga, dizer “olá mano” e “gosto tanto de ti”. Segundo momento, contar aos meus sogros, e qual não é a minha felicidade que, ao anunciar a minha gravidez, descubro que a minha cunhada, esposa do irmão do Marco, estava igualmente de bebé e com diferença de 2 semanas apenas. Mas que alegria, que raio de sol entrou naquela casa. Foram dias absolutamente deliciosos. Não havia amor que coubesse no meu peito… até aquele dia. 

Dia 13 de janeiro de 2022, desloquei-me à maternidade Bissaya Barreto para uma consulta de rotina que nada estava relacionada com a gravidez. Era um lindo dia de sol. Estava de 9 semanas. Chegou o momento em que a médica me questionou “Já viu o seu bebé? Quer vê-lo?Ouvi-lo?”. Era tudo aquilo que queria ouvir e saiu um SIM a transbordar de amor. E o meu mundo parou ali, a minha alma escureceu, a minha vida desmoronou e toda a luz que até então me iluminava se tornou na pior das escuridões: “não tenho boas notícias, o desenvolvimento do seu bebé parou há uma semana, não há sinais vitais, Lamento!”  

Não sei como tive forças para conduzir até casa SOZINHA, não me recordo sequer do caminho que fiz. O meu corpo ficou sem vida, entrei completamente em piloto automático e tudo deixou de fazer sentido. O meu bebé estava morto no meu ventre e eu iria de ter de o expulsar SOZINHA! Eu não estava a acreditar, eu não queria ouvir mais nada, aquela máquina estava errada e eu ia para a maternidade Daniel de Matos onde ia ser realmente seguida, e tudo não ia passar de um erro! Em casa, chorei, chorei perdidamente até à chegada da Alicia. Quando lhe olhei nos olhos é que tive a noção do que me esperava, ela tinha que saber. Se foi duro perder o meu filho, imaginem o quão duro foi desfazer o sonho dela. Olhar-lhe nos olhos e dizer que não teria mais um irmão e tudo tinha terminado ali naquele momento! Cada lágrima dela foram facas espetadas no meu corpo que jamais cicatrizarão. Chorámos ali, as duas agarradas uma à outra, mas eu, eu sempre com a esperança… 

Evitei sofrer, chorar e até me privei de pensar que não estava bem. Não queria preocupar o Marco e por momentos fiz o mesmo, não falei com o objetivo de passar a mensagem de superação!

No dia seguinte, desfeita em cacos, fui à maternidade Daniel de Matos, desta vez com o Marco. A noite tinha sido longa e dolorosa… Aquela senhora jamais sairá da minha cabeça, amável, dócil como nunca mais me cruzei com ninguém, que ao ver-me naquele estado não me voltou a deixar sair, não quis que visse mais a realidade que me rodeava e fez questão que me atendessem LOGO, SEM ESPERAR. O meu corpo tremia, a minha voz não saía…Não haviam realmente mais batimentos cardíacos. Eu já estava realmente SOZINHA naquele momento. Já não existia mais vida dentro de mim. E que dor, que dor dilacerante. Na ignorância, fui para casa seguir todas as indicações e esperar que o corpo fizesse o resto. E pronto! Mais nada! Jamais imaginei o que vinha a seguir. Dia 15 de janeiro… DURO, muito duro, jamais se está preparado para um processo tão doloroso e desumano. Senti cada dor do meu corpo, senti e vi a morte e vi o meu filho nas minhas mãos. Sim, eu peguei e vi! Tinha de o fazer.

Os dias que seguiram foram péssimos, passei dias sozinha a chorar mas hoje, sinto que não foram suficientes, que devia ter-me permitido chorar ainda mais, gritar, deitar tudo cá para fora. O regresso ao trabalho ditou isso mesmo, as perguntas, os comentários fizeram-me engolir em seco “deixa tu és nova”, “tu até já tens uma filha”, “era uma coisita tão pequenina mais vale agora”, “isso vai passar, voltas a tentar”… A TORTURA. Eu não queria ouvir aquilo, eu não devia sequer ouvir aquilo, tinha acabado de perder um filho: o meu filho! Engoli muito em seco e privei-me de chorar para não ouvir “mas ainda estás assim por causa do aborto?”. Devia ter feito o meu luto, deixar-me chorar, receber um ombro, um abraço, mas não…só existiram comentários como “vai procurar um psicólogo”. Eu só precisava de colo. Evitei sofrer, chorar e até me privei de pensar que não estava bem. Não queria preocupar o Marco e por momentos fiz o mesmo, não falei com o objetivo de passar a mensagem de superação!

Duas semanas depois a tortura voltou ao saber que uma colega de trabalho estava grávida! Mas afinal onde estava o deus que eu agradeci quando descobri a 6 de dezembro que a minha maior felicidade estava a chegar? Onde estás? E agora? Como me vou reerguer? A escuridão invadiu-me e nada me conseguiu impedir de chorar, e eu só queria largar tudo e desistir, mas ele estava lá… o meu suporte, o meu ombro amigo, o meu companheiro e confidente, o meu marido esteve lá e só ele me conseguiu acalmar. Pensei muito na minha filha. Eles foram a minha força.

Os dias passaram com muitos altos e baixos, mas eu achei que tinha de voltar a erguer-me e tentar novamente, não desistir do sonho e assim aconteceu, por milagre a 21 de março o teste deu novamente positivo e eu chorei muito, chorei de alegria, agradecimento e medo. Sim, muito medo! Uma nova vida dentro de mim, um novo sonho, uma nova luz para me levar no caminho certo. Contei ao marido. SÓ. Só me pediu para me acalmar e viver os dias com serenidade. E assim tentei fazer, mas as dores nesta terceira gravidez estavam a ser imensas o que me fez recorrer a uma profissional para me acompanhar, SIM eu precisava ter a certeza que estava tudo a correr bem. Afinal, EU ESTAVA NOVAMENTE GRÁVIDA, mas não sentia entusiasmo, não consigo explicar, estava muito apreensiva, receosa, não me sentia sequer grávida, não tinha qualquer sintoma de tal. Sentia dores horríveis e tinha uma sensação inexplicável no meu corpo.

Realizei a primeira ecografia precocemente o que me deixou desanimada. Não se via nada com 4 semanas apesar de me ser transmitido que era normal, mas para uma mãe a sofrer de ansiedade como eu estava, era tudo menos normal. Passados três dias recorri à maternidade, apesar de me sentir muito bem com a profissional que escolhi para me acompanhar, as consultas eram muito caras e não tinha qualquer seguro ativo. Até hoje arrependo-me profundamente de o ter feito. A falta de sensibilidade daquela médica que me atendeu ainda hoje me provoca irritabilidade e tristeza. Eu só queria saber se estava tudo normal e a resposta, arrogantemente, “o que é que você entende por anormal? Isso ainda nem sequer é gravidez o que é que a senhora quer ver? Vá para casa e volte daqui a dias!”. Eu não queria acreditar no que eu estava a ouvir. Como é possível existir no mundo profissionais tão mal formados a este ponto? Como é possível não haver compaixão nem sensibilidade com mulheres que carregam vidas nos seus ventres? Chorei muito, era fim-de-semana e teria de aguardar. Segunda-feira chegou e eu só precisava ouvir palavras de consolo, de esperança. Pessoas com luz é o que precisamos neste momento, e a médica que escolhi toda ela transbordava calma, tranquilidade e generosidade. E pela primeira vez vi o meu saquinho, lá estava ele com 5 semanas e lá estava o meu feijãozinho, o meu potinho de amor.

Naquele dia foram lágrimas de alívio e tudo desapareceu, deixaram de existir dores, o meu corpo sossegou finalmente e sentia-me mais tranquila do que em qualquer dos dias anteriores. Só conseguia pensar que estava a conseguir acalmar-me e que finalmente estava a ter a paz que precisava e merecia. Assim se passaram duas semanas! 7 semanas de gestação, tudo tranquilo até que comecei a perder sangue. O meu rosto vestiu-se de preto e a caminho da consulta de urgência, tive a sensação que estava tudo a acontecer DE NOVO! A ecografia não revelou nada, estava tudo bem, ou melhor, não podia estar melhor, pela primeira vez ouvi o coração do meu feijãozinho. Lá estava ele tão pequenino a bater com tanta intensidade. Assim, mais uma vez o meu coração descansou. Mas as perdas não pararam e tive de voltar à maternidade (era sábado). O discurso foi o mesmo, “o bebé está ótimo, o coração está a bater”. As respostas às minhas questões ficaram em branco “de onde vêm esse sangue?” Tudo era normal, só para mim é que não. E eu sabia-o, sentia-o! Domingo… as dores apoderaram-se do meu corpo, só queria estar deitada e que ninguém falasse comigo. AGUENTEI. Segunda-feira, dia 18 de abril, comecei a perder muito sangue e os coágulos apareceram. Estava num almoço de família e com sorriso no rosto saí, e mais uma vez fui urgência. Eu já sabia, cada lágrima que caia me fazia ter perfeita noção que tinha perdido o meu filho, mas, na minha cabeça o coraçãozinho dele não parava de bater. Mas não, naquele dia perdi o meu terceiro filho. Segunda vez, num espaço de 3 meses. Eu só queria respostas, eu só queria saber que mal eu tinha feito para merecer isto. Eu só queria desparecer. Não queria sequer viver.  

Foi tudo natural, não foi necessária medicação… afinal o meu corpo já estava há 5 dias a fazer o trabalho dele. Não queria ver ninguém, estar com ninguém… gritei em silêncio, sufoquei e até hoje ninguém sabe desta perda, muito menos a minha filha que ainda hoje chora ao lembrar-se do seu feijãozinho.  

Um dia alguém disse “a dor não se mede pelo tempo de gestação” e não podia ser tão verdade. Perdi o meu filho com 9 e 7 semanas mas para mim não existia amor maior que aquele que carregava no meu ventre.  

Hoje ver a minha colega de trabalho grávida é um misto de sentimentos. Muito feliz por ela que me ouviu nas horas difíceis, mas muito infeliz por mim. O meu olhar não consegue desviar e ver a barriga crescer a cada dia que passa. Imagino-me com 28 semanas ou 13 semanas. É muito doloroso. Os dias não têm sido fáceis, tentei resistir e nunca procurei ajuda mas hoje, passados 131 dias do primeiro aborto e 36 do segundo, sinto-me um caco, um farrapo e não consigo superar a perda dos meus dois bebés. Não há dia nenhum que não acorde a pensar neles e no quão desejados eles foram. Hoje sinto-me com vontade de tentar novamente, mas cheia de medos e incertezas.

É muito triste saber que no nosso país a mulher precisa passar por três momentos de perda consecutivos para ter o acompanhamento devido e merecido. A mulher que perde um filho não é valorizada, após a minha segunda perda obrigaram-me a estar uma manhã inteira a ver e ouvir mulheres grávidas a entrar e sair da maternidade e eu, com uma pulseira branca, pulseira essa que fez com que todas me passassem à frente. Hoje sinto-me uma mulher infeliz por tudo o que passei e me proporcionaram. A minha força vou busca-la a grupos de apoio que sigo diariamente. Transcrevo algo que li numa dessas páginas que apoiam mulheres que SOFREM por perdas gestacionais e que não pode ser descrito de forma alguma de outra forma. É isto que eu sinto palavra por palavra: 

“Hoje falamos sobre o que não dizer. Pedimos, por favor, que esqueçam estas frases feitas. Sabemos que a intenção é boa. Querem acalmar a dor do vosso(a) amigo(a). A verdade é que estas frases são muito dolorosas de ouvir e desvalorizam o que estamos a sentir. Numa fase inicial, quem perdeu um bebé está tão, mas tão confuso, desorientado e angustiado que pode mesmo sentir-se tentado a minimizar a sua própria dor e luto e isso não deveria acontecer. Varrer para debaixo do tapete, pensar que podia ter sido muito pior, não se deixar sentir, é o pior que podemos fazer. Por isso, por favor, caso pensem em usar o “pelo menos…”, pensem duas vezes. Não sabem o que dizer? Não faz mal. UM ABRAÇO VALE MAIS QUE MUITAS, MAS MUITAS, PALAVRAS! “Pelo menos foi cedo… Pelo menos não veio com problemas… Pelo menos já tens filhos… Pelo menos és nova, podes tentar de novo… Pelo menos está num sítio melhor… O FACTO É QUE NÓS QUERÍAMOS E AMAMOS AQUELE ESPECÍFICO BEBÉ!” 

Um dia alguém disse “a dor não se mede pelo tempo de gestação” e não podia ser tão verdade. Perdi o meu filho com 9 e 7 semanas, mas para mim não existia amor maior que aquele que carregava no meu ventre.  

A dor ficou e ficará para sempre, faça o que fizer, o amor de um filho não substitui o outro. Obrigada por me terem deixado ser vossa mãe mesmo por pouco tempo. Meus raios de luz, meus potinhos de amor <3 <3 

Um dia vou ter coragem para partilhar a minha dor e talvez nesse dia “os outros” conseguirão perceber alguma coisa. 

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30 de novembro de 2021, o dia em que o meu teste de gravidez deu positivo. Que alegria tão grande! Fiz sem o meu marido para o poder surpreender, imaginei a sua reação, ia ficar radiante de certeza! Porém, no dia anterior, tinha tido umas cólicas fortes, principalmente do lado direito e achei por bem ir a uma urgência obstétrica e assim até teria uma ecografia para juntar à surpresa! No caminho para lá passei por uma loja e comprei um body de recém nascido e um embrulho para o surpreender. Enquanto esperava na urgência, baixei uma app de gravidez, estaria de 6 semanas e a data prevista do parto 23 de julho. Estava tão feliz!

Quando fui examinada pela médica, ao fazer a ecografia, não detectou nenhum saco gestacional, algo que já se deveria ver tendo em conta a data da minha última menstruação. Fiz o HCG e mais tarde confirma-se a gravidez ectopica, na minha trompa direita. Como assim? Que mal tinha feito eu?

Fui para casa meia perdida, quando cheguei a casa deitei fora os testes de gravidez que tinha feito de manhã, como num acto de revolta. Algo que me arrependo.

Falei com o meu marido, sempre muito preocupado comigo e tentando que eu visse o lado positivo, que se tinha descoberto cedo e que ia correr tudo bem. Mas, até hoje, é impossível alguém me consolar.

Estive 2 dias internada, segundo os médicos o meu próprio corpo percebeu que a gravidez estava no sítio errado e não deixou avançar. Não precisei de medicamentos nem de cirurgia. Vim para casa e nesse próprio dia comecei com perdas de sangue e algumas dores, até que um dia tive a perda de sangue maior com coágulos. As dores foram passando, mas o meu coração está cada vez mais partido.

Cada grávida que vejo penso ‘podia ser eu’.

Podia estar a pensar em nomes pro meu bebé e a comprar as suas primeiras roupinhas, em vez disso ando em consultas pra ver o que poderá ter causado esta minha gravidez ectopica.

Poderei ter ficado com algum problema na trompa ou até ter problemas nas duas, ainda falta alguns exames para poder ter conclusões mais definitivas. O que também me deixa muito ansiosa. Será que vou realizar o meu maior sonho, ser mãe ?

O meu bebé não teve nome, nunca ouvi o seu coração, mas para mim é e sempre será real. Sempre será o meu primeiro bebé. Passados mais de 2 meses o body que comprei para surpreender o meu marido continua na mala do meu carro e eu sem coragem pra lhe mexer.

Sinto-me uma pessoa diferente, perdi a inocência e grande parte da leveza com que levava a vida.

Muita força para todas que passaram ou que estão a passar por isto. Que consigamos viver com este vazio que ninguém nos tira.

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Claudia @amorparalemdalua

16 de setembro de 2021.

O dia que viria a mudar a minha vida para sempre. Fiz aquele teste de gravidez com zero expectativas, já tinha tido alguns descontrolos hormonais que se repuseram no mês seguinte, achei que seria mais do mesmo. Quando vi aquele positivo… quem já passou por isso sabe que é impossível descrever. Um misto de medo, ansiedade, felicidade, nervosismo… Não era suposto acontecer, mas como li uma vez “por vezes o melhor da vida é-nos entregue de mão beijada”. Entrei em pânico, afinal o que fazer quando se vê duas linhas no teste? Fui ao hospital.

Fizeram-me eco vaginal, não conseguiram ver nada. Mas a médica falou-me logo de gravidez não evolutiva, gravidez ectópica, gravidez química… Fiquei logo com o coração nas mãos. Fizemos HCG para confirmar o positivo, e restava aguardar, pois poderia ser apenas muito cedo para se ver alguma coisa. Os dias que se seguiram foram dolorosos. Queria estar bem, queria estar feliz. Passava a mão na barriga e queria sentir que estava a acontecer o melhor da vida por ali. Mas havia algo que me retraía. Às poucas pessoas a quem contei disse sempre “é muito cedo, não sei o que isto vai dar, não me quero sentir feliz”. Cada ida à casa de banho implicava inserir o papel higiénico bem fundo para ver se saía sangue. E eis que, no dia 23 de setembro, precisamente uma semana depois, tal aconteceu.

Quando vi o papel sujo pensei “acabou aqui o sonho”. Fui novamente ao hospital. Foram dois minutos até me perguntarem se tinha sido planeado ou não, para depois apenas me dizerem “tem uma gravidez ectópica na trompa direita, vista-se para conversarmos”. Tudo o que se seguiu foi do mais avassalador que já vivi até hoje. Tive que optar entre cirurgia ou metrotexato, com um médico nada afável a explicar-me em que consistia cada uma das opções.

Em desespero saí daquela sala, cheguei cá fora e abracei a amiga que estava comigo quase como que a pedir-lhe colo, chorei como nunca, sem saber o que fazer. Como assim eu é que tinha que decidir? Como é que eu sabia o que era melhor para mim? O melhor era tudo ter corrido bem e o meu maior sonho ter-se tornado realidade e não num pesadelo. Um médico estagiário veio cá fora, acalmou o meu desespero, pediu-me que entrasse acompanhada do meu namorado para falarmos com uma médica que, segundo o próprio, seria mais sensível e mais humana. E foi. Optamos assim pelo metrotexato e preservamos a trompa.

Seguiu-se o internamento, iria fazer a medicação nesse mesmo dia. Mas ao final da tarde a médica veio conversar comigo e explicou-me que o meu corpo já estaria em processo de aborto, estava a rejeitar a gravidez. Aconselhou-me a esperar até ao dia seguinte de manhã para repetirmos a eco e percebermos se haveria necessidade de fazer medicação, ou se o corpo resolveria sozinho. Assim foi. Sexta feira de manhã repetimos a eco, o HCG estava a diminuir a olhos vistos, mas consideraram ser melhor administrar a medicação na mesma, pois o saco estava a ser vascularizado (sabe lá Deus o que isso quer dizer, eu só queria vir embora daquele hospital). Sexta fizemos a medicação, sufoquei no meu próprio choro ao sentir aquele líquido entrar no meu corpo. Imaginei tudo o que aquilo iria fazer comigo e foi destruidor. Sábado voltei a casa, seguiu-se todo o processo de acompanhamento, análises, exames, por aí.


Toda a gente me diz que sou muito nova, que isto não quer dizer que nunca vá ter filhos, que tenho de acreditar e ter coragem para tentar no futuro. Acredito muito que isso vá acontecer, pois continua a ser o meu maior desejo e sonho. Mas deixei de ver a gravidez tão cor de rosa como crescemos a imaginar. Percebi que, por vezes, é muito doloroso e ingrato. Que podemos viver o melhor e o pior do mundo naquele que é considerado um estado de graça. Tenho imagens em looping na minha cabeça, como o momento em que fui à casa de banho e me saíram literalmente postas de sangue. São momentos muito marcantes e que acredito jamais esquecer.

O meu maior sonho tornou-se no meu maior pesadelo. Mas depois descobri que somos tantas, que não é uma luta tão solitária quanto aquilo que parece quando nos bate à porta. Ler testemunhos, saber de finais felizes depois de finais tão infelizes, dá-me alento e coragem. A minha vida agora está focada noutro tipo de objetivos, tenho 26 anos e tão cedo não me imagino a querer tentar a sorte grande. Mas quero que saibam que, no dia em que sentir que chegou a altura, muita da coragem que irei ter veio deste cantinho de partilha, de emoções, de amor. Encontrei aqui a paz que precisava.

Tive apoio incondicional do meu namorado, da minha família, dos meus amigos. Senti-me uma criança pequenina a andar de colo em colo, senti mesmo muito amor e carinho. Mas, por vezes, quando sentia que estava perdida, vinha a este lugar, para mim calmo e pacífico, procurar companhia e esperança junto daquelas que viveram a história na primeira pessoa como eu. E se um dia tiver o meu bebé arco-íris nos braços, garanto que venho aqui relatar o final feliz da minha história.

Não estamos e nunca estaremos sós. A perda gestacional existe: é real. Não deixem nunca que tentem diminuir a vossa dor. Depois disto me acontecer ouvi muitas histórias de pessoas próximas que passaram por situações semelhantes. Por isso acreditem quando dizem que somos muitas. O meu “quando tiver filhos” transformou-se num “se eu tiver filhos”. Percebi a necessidade de se alertar as mulheres para a existência deste estado que por vezes não tem graça absolutamente nenhuma. A maioria escolhe sofrer no seu canto em silêncio, não somos todas iguais. Não importa a forma como escolhemos sofrer, lidar com o sofrimento. Importa que se entenda que é algo que bate a muitas portas, que é bem real e que temos de viver isto conforme acharmos melhor para nós mesmas.

Se estás a ler isto porque passaste por algo idêntico e procuras conforto, recebe o meu abraço apertado e a certeza de que não estás sozinha. O tempo não cura, as memórias não desvanecem. Mas estamos juntas nesta luta. Muita força e coragem. O amanhã será certamente melhor! 🌈💛

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É a primeira vez que te escrevo desde o dia em que soubemos.

Desculpa a ausência. Podia-te mentir e dizer que estive muito ocupada, mas a verdade é que nem estive assim tão ocupada.

Mas estive a reaprender a viver e a saborear as pequenas coisas, como ver um filme (que nem precisa de ser bom) no sofá, enrolada numa manta com o teu pai, ouvir música, cantar (desafinada) e passear, e a reaprender (ou talvez aprender, pela primeira vez) a trabalhar com calma, serenidade e consciência. Não foi algo forçado, mas se a tua chegada já foi transformadora, a tua partida foi ainda mais.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas estes últimos dias têm sido difíceis. Tenho saudades tuas e uma tristeza profunda por saber que nunca te vou conhecer. Sinto-me quase vazia, como o pequeno saco que se formou no meu útero. Uma pequena casa que nunca foi habitada.

Quero enrolar-me no meu corpo e ficar. Só hoje. Amanhã já sou forte outra vez

Eu estava bem, a sério que estava. Mas agora preciso de respostas. Preciso de voltar a confiar no meu corpo. De voltar a acreditar que sou capaz de gerar uma vida e dar colo. Eu, que sempre me considerei cética, preciso de acreditar em algo mais forte do que números e ciência.

“Estas coisas acontecem, 1 em 4 gravidezes conhecidas.” Ok, mas e então? Porque é eu o teu pai fomos o 1 em 4? Porque é que não fomos o 3 em 4? Bem sei, nos escombros do meu ceticismo, que foi completamente aleatório, que nós não fomos escolhidos por uma entidade divina para alcançarmos um bem maior, acabar com a fome ou alcançar a paz no Mundo. Mas isso não torna menos duro.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas já passaram dois meses e sinto-te cada vez menos. Dois meses de tristeza, medo e dor, mas também de alegria, tranquilidade e amor. Afinal, tudo vai correr bem. Será que vai?

Estou cansada de ser forte. Quero enrolar-me no meu corpo e ficar. Só hoje. Amanhã já sou forte outra vez – ou pelo menos funcional. Pode ser? Amanhã já volto a pensar nos problemas do dia-a-dia, nas contas para pagar, na cadela que precisa de ser escovada, nos planos para a Passagem de Ano e no que vou fazer para jantar. Mas hoje quero desligar, enrolar-me no meu corpo e ficar.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas é Natal e tudo doi mais porque tu não estás aqui.

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

Em maio de 2019 soube que estava grávida após 1 ano de tentativas.

Fizemos a eco às 6 semanas e ouvi o som mais maravilhoso do mundo: o batimento cardíaco, som que ainda hoje ouço na minha mente.

Infelizmente às 8 semanas, quando me preparava para repetir a experiência, ouvi aquilo que ninguém quer ouvir: não há batimento, infelizmente a gravidez não evoluiu.

Passei por um processo doloroso física e psicologicamente. Nos dias seguintes tratei de me erguer e seguir em frente conforme deu, com o apoio brutal do meu marido (que também sofria imenso e nunca me e deixou cair).

Infelizmente, depois de muitos exames e consultas depois, a história repetiu-se mais 2 vezes. Sempre às 8 semanas.

Destas vezes não contamos a ninguém. Sofremos os dois em silêncio. Desisti. Desistimos. Resignamo-nos à infelicidade de não conseguir gerar vida.

Cada vez que alguém me dizia estar grávida, o sangue gelava. Ficava inconsolável semanas.

Quando chegou a quarta gravidez, a primeira espontânea (sem indutores de ovulação e afins), o medo reinstalou-se. O passar das semanas, cada vez era mais doloroso.

Cada consulta era de pânico. Fazia ecos todas as semanas.

Até que passei as 8, as 9, as 10 até às 41 semanas de gravidez. O medo era tanto que nos custou anunciar a gravidez mesmo às pessoas próximas (depois das 15 semanas). Nem me permitia ficar feliz, com medo da desilusão e da dor.

Passei a gravidez a mentalizar-me que era real. Que ia correr bem. Que desta vez era a sério.

Hoje tenho o meu bebé nos braços, e todos os dias dou graças. No meu caso agarrei-me à Fé. E esta é a mensagem que quero passar: Fé e resiliência. Independentemente da religião ou dos credos, para mim a Fé foi a minha âncora.

Todos os dias penso naqueles que também são meus filhos, mas que não chegaram. É devastador. Mas acreditem que um dia vai correr bem! 

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A minha aventura no mundo da maternidade começou há 11 anos, quando nasceu o meu príncipe Martim, um filho muito desejado por mim e pelo meu marido. Uma alegria e aprendizagem diária. Ao fim de quase 7 anos, decidimos voltar a ter outro filho, ou seja, em 2017 comecei na preparação para engravidar.

Os anos foram passando e nós sempre na luta, sempre a tentar realizar este sonho de família. Sim, porque o nosso filho Martim sempre desejou ter um mano, ou mana; para o Martim e para nós, pais, era exatamente igual.

Após quase 4 anos a tentar engravidar e já quase a perder a esperança- nunca quis nada pelos meios artificiais, tudo de forma natural – eis que em meados de fevereiro de 2021 comecei a andar muito mal disposta, enjoada, cansada, sem vontade para fazer nada, mas não suspeitei no imediato. Até que houve um dia que fui tomar um meu duche e senti dor ao tocar no meu peito e aí deu-me um clique e pensei: “Ui, eu já senti esta dor! Aí que eu estou grávida!”

Não comentei com ninguém, para não criar falsas esperanças. No dia a seguir, no dia 23 de fevereiro dirigi-me a um laboratório e fiz uma análise à urina, e aguardei ansiosamente pelo resultado, que chegou no final do dia por email. Claro, quando abri, fiquei a olhar uns minutos sem perceber muito bem o que estava escrito, mas estava clara a informação: Estava grávida!

Fiquei tão feliz, que partilhei logo com o marido e filho em conjunto na sala, foi uma alegria, gargalhadas. Estávamos em plena felicidade.

Comecei com as consultas de rotina, análises, ecografias e tudo corria bem.

Estávamos ansiosos para saber o sexo do bebé, mas nunca foi o mais importante para nós. O que desejávamos era que viesse com saúde e perfeitinho. No dia 10 de maio fiz uma eco simples com a minha obstetra e soubemos que era uma menina!! Seria a nossa Gabriela. 

Gabi, como já era carinhosamente tratada por nós cá de casa.

A barriga crescia a bom ritmo, e estava bem grandinha já. A Gabriela acompanhava o crescimento pois ela mexia-se bastante, não parava quieta.

Tudo corria bem, ou pelo menos eu achava que sim…

De repente, eu tive a sensação que não estava ali, que era um pesadelo.

No dia 14 de junho de 2021, fui realizar a 2ª Ecografia (Morfológica), estava eu com 22/23 semanas (6 meses) e fui acompanhada pelo meu filho Martim que disse que queria muito ver a mana.

Estivemos mais ou menos 1h30m lá dentro até que a minha obstetra pediu ao meu filho para sair e aguardar na sala de espera. Só por aí eu achei estranho, mas não percebi o que se estava a passar. Até que a médica me ajudou a levantar e agarrou nas minhas mãos e me disse que não tinha boas notícias para mim, só aí comecei logo a tremer e perguntei o que estava a passar, ao que a Drª me respondeu que a minha bebé tinha uma doença letal e rara e que tínhamos que decidir avançar ou interromper a gravidez.

Como assim interromper? Eu nem estava a acreditar naquilo que estava a ouvir!

De repente, eu tive a sensação que não estava ali, que era um pesadelo. Mas depois questionei a Drª, sobre o que estava a passar e o que é que eu podia fazer? Ao que ela me voltou a dizer o que já havia dito, que a minha bebé tinha uma Displasia Tanatofórica, ou seja, é uma doença letal, rara e que afeta a parte muscular toda. Mesmo que seguisse com a gravidez até ao final, após o nascimento, a minha bebé não ia sobreviver muito tempo e sem qualidade de vida. Ia sofrer e fazer sofrer!

Claro está, que naquele momento eu fiquei sem reação e chorei, chorei e chorei. Perante este cenário que eu estava a viver naquele consultório, a minha Gabi continuava a mexer-se dentro de mim como se estivesse tudo bem, mas não estava, mas ela não sabia, minha rica filha! Minha menina… 

A médica disse que eu e o meu marido tínhamos que tomar uma decisão e informá-la no dia seguinte. Pois, se fosse para interromper eu tinha que ir primeiro ao Centro de Diagnóstico Pré-Natal e a uma consulta de Genética para preparar o processo de interrupção.

Perante estas indicações da médica, eu já só queria sair daquele consultório. E saí! Cheguei à sala de espera onde o meu filho Martim esperava por mim ansiosamente e sem perceber nada do que estava a passar. Mas, como o meu filho me conhece muito bem e se preocupa comigo, assim que eu saio para fora e o chamei para irmos embora, o Martim percebeu logo que algo não estava bem, até viu no meu olhar que tinha estado a chorar. Claro, tanto insistiu que tive que lhe contar por alto, mas não entrei em pormenores.

Esta decisão (…) foi um ato de Amor. 

Quando chegamos a casa, já o meu marido tinha regressado do trabalho e olhou para mim e sentiu que eu não estava bem e perguntou-me logo como tinha corrido a ecografia, e eu comecei logo a chorar. Expliquei tudo direitinho e depois de ponderarmos bem, tomamos a decisão mais difícil das nossas vidas: Interromper a gravidez. 

Uma bebé tão desejada, após anos a tentar e quando finalmente conseguimos, o sonho vai assim… chorei muito, senti-me a pior pessoa do Mundo. Ainda demorei a aceitar esta decisão! Mas tinha que ser: esta decisão foi um ato de Amor. 

No dia 16 de junho de 2021, dirigi-me então à Maternidade Bissaya Barreto, acompanhada pelos meus pais, o meu marido não foi, por opção nossa, eu precisava que ele estivesse minimamente bem para à noite quando chegasse, ele me desse o apoio que ia precisar.

Claro está, quando chegamos à entrada da MBB pelas 9:00H eu entrei e os meus pais ficaram cá fora a aguardar. Foi uma espera infinita… Mal eu imaginava o que me esperava, ou seja, como se ia desenrolar todo aquele processo. Aguardei umas 2H até ir repetir a mesma Ecografia. Aquela que fiz na clínica e que deu o diagnóstico que não queria ter ouvido nunca.

Aconselhada pela minha obstetra, tinha que a repetir e ouvir uma 2ª opinião de outro médico, ou seja, médicos! Eram sempre bastantes à minha volta, assim como enfermeiras!

Pois bem, fui repetir a ecografia, estava deitada e à minha frente estava um grande ecrã, onde era possível eu ver a minha bebé: a minha Gabriela a mexer. Até que o médico, que estava a realizar o exame, se apercebeu que eu não estava bem, estava a tremer, e perguntou-me se queria que o ecrã fosse desligado. Eu disse que sim, sem hesitar! Sim, eu estava a ser “massacrada” por aquelas imagens da minha filha a mexer-se e eu a saber que “aquilo” ia ter um fim! Um fim que eu ainda não estava preparada! Mas há preparação possível?? Não há! Nunca!

No final da ecografia, fui a uma consulta de Genética, onde tinham já o relatório da ecografia a confirmar tudo o que havia sido dito na clínica. Estava confirmada uma Displasia Letal 1º grau e a característica principal era a cabeça em forma de trevo e toda a parte esquelética afetada, bem como alguns órgãos que iriam comprometer a boa saúde da minha filha, mesmo que seguisse com a gravidez até ao fim.

Nesta consulta, ainda questionaram se eu queria fazer o funeral, eu disse imediatamente que não. Não ia sujeitar a mim e à minha família a mais sofrimento, já bem bastava o sofrimento que estávamos a passar. Após a minha resposta, os médicos perguntaram se eu autorizava que eles fizessem a autópsia, ao que eu respondi que sim. Até porque eu queria respostas do porquê daquela doença, visto que o meu filho é perfeito, Graças a Deus.

Pedi esclarecimento sobre o processo de sepultar os bebés e explicaram que têm mecanismos próprios com toda a dignidade possível.

Em seguida, fui para outra sala, para retirarem líquido amniótico para ser analisado. No instante a seguir, voltaram a inserir a agulha e neste momento eu chorei bastante, mesmo. Porque esta agulha ia injetar um sedativo para parar o coração da minha menina, foi horrível o que senti naqueles minutos. Eu senti que era eu estava a dar permissão para que fizessem aquilo através da minha barriga, foi muito duro. Aos poucos fui deixando de sentir a minha filha a mexer. É muito triste, de verdade… Apesar de todo o meu sofrimento, eu estive sempre rodeada de médicos e enfermeiros a dar-me a mão e apoio, pois eu não podia ter ninguém da minha família comigo.

Com estes procedimentos todos, a manhã passou-se e a hora de almoço também e eram 15:30H quando saí para fora para ir almoçar. Quando saio, a minha mãe está lá fora à minha espera e eu agarrei-me logo a ela e desabei a chorar. Vinha com uma pressão enorme no meu peito por tudo o que me tinham feito lá dentro. Chorei bastante, estava a ser um dia difícil, mas era a preparação para o dia a seguinte, o internamento para o parto.

A seguir ao almoço, voltei à MBB para me serem feitas análises ao sangue e ainda teste ao Covid.

Vim para casa com os meus pais, vim a viagem toda em silêncio, com a minha barriga bem grandinha, mas sem vida. O facto de vir para casa com a minha bebé sem vida dentro de mim mexeu bastante com o meu psicológico!! 

No dia a seguir, 17 de junho 2021, lá fui eu novamente com os meus pais e o meu filho, desta vez quis ir acompanhar a mãe. Foi a viagem toda agarrado a mim. Quando chegamos à MBB, saí com a minha mala das roupas, o meu filho saiu, assim como os meus pais e agarraram-se a mim a chorar. O meu Martim só dizia que não queria que acontecesse nada de mal à mãe. Pela mana já não podíamos fazer nada, mas pela mãe sim. E eu entrei para a maternidade com a cara lavada em lágrimas.

Instalaram-me no quarto e começaram logo a introduzir comprimidos para induzir o parto. Fui para um quarto sozinha e lá estive até à hora do parto. O que mais me custou foi ouvir e ver mães na sala de partos a terem os seus bebés e a saírem com eles. Tive que pedir para fecharem a porta do quarto, pois já não aguentava ver, pois eu ia sair sem nada….

Após a segunda dose de comprimidos no útero, passado pouco tempo comecei a ter contrações no quarto e nem tive epidural nem nada para me aliviar as dores, foi aguentar e ponto.

Há pessoas que não entendem o porquê de eu não ter visto, mas só quem passa por lá é que entende e cada caso é um caso.

Houve um momento que pedi a arrastadeira pois estava muito aflita para fazer chichi e a Enfermeira trouxe e depois saiu do quarto, assim que, eu relaxei para começar a urinar, a minha bebé começou a sair e eu dei um grito, pois estava sozinha no quarto, e vieram logo médicos e enfermeiros e tive que fazer mais força, para a minha filha sair por completo. Deram-me qualquer coisa para eu dormir, pois eu de manhã tinha dito que não queria ver a bebé, eu queria guardar na minha cabeça a imagem de como eu imaginava a minha filha e não a imagem que as ecografias revelaram. Há pessoas que não entendem o porquê de eu não ter visto, mas só quem passa por lá é que entende e cada caso é um caso.

Neste dia, ao final da noite ainda tive alta, e o meu marido foi me buscar à MBB e, quando eu desci no elevador, com a mala que tinha levado com roupas, sem barriga e sem bebé, foi uma sensação avassaladora, terrível, um vazio…

As semanas seguintes foram complicadas, pois não conseguia sair à vontade de casa, com o medo das perguntas que as pessoas que iam fazer, mas lá tive que começar a sair e enfrentar os meus medos.

Os meus grandes apoios nesta fase foram os meus pais, marido e o meu filho Martim. Agarrei-me com todas as minhas forças à vida e pelo meu filho que precisa que a mãe esteja bem. Se eu estiver bem comigo, vou estar bem para qualquer pessoa.

Ninguém nos ensina a ser Mãe, assim como ninguém nos prepara para estas situações!

Já passaram 5 meses e às vezes paro e parece que tudo foi um pesadelo…

Acredito que a minha filha viveu 6 meses dentro de mim feliz e veio cá com um propósito que eu um dia irei perceber.

Por agora, resta-me olhar para o Céu comtemplar o meu Anjo da Guarda, Gabriela!

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

Como é possível sentir tanta dor por um “ser” que conhecemos há semanas ou dias? Como é possível sentir que nos tiraram o chão com um simples silêncio numa ecografia ou com um papel a mostrar resultados não satisfatórios.

Como é possível, que depois desta dor, da constatação que já não vai crescer, ainda temos de lidar com a dor física? As alterações hormonais, que acumularam durante semanas ou mesmo dias…

Em 2019 descobri as 9s que o meu “bebé” já não tinha batimentos, agora, há dias, descobri por análises, que a minha gravidez não vai à frente e estou aqui a espera que o processo se desenrole sozinho, a “rezar” para não ter de tomar medicação, cheia de medo por não saber que tipo de gravidez é… Se ectópica, se não viável…tantas perguntas, tantas dúvidas..

É uma dor psicológica /física que ninguém quer, claro que há coisas piores, perdas piores, pais a passarem por isso sem nem sequer terem um filho, já tenho duas, posso agarrar-me a elas com todas as minhas forças, mas mesmo assim, ninguém nos tira essa dor.

Não há nada que se possa dizer, fazer, apenas aguardar que o tempo “cure”… Sinto, sinceramente, que da outra vez foi pior. Desta vez nem sequer ouvi o coração antes de levar com este desfecho, mas mesmo assim, quando se vê um positivo, por mais que saibamos que pode haver algo menos bom, temos esperança, ficamos felizes por mais uma pessoinha nossa, pela esperança de ser o tão desejado rapaz… Enfim, que dor!

Agora tenho medo da dor física, medo que não corra “bem” como da outra vez, medo de sofrer mais, medo de não me conseguir erguer, medo de desistir de mais uma gravidez…

Gostaria tanto que estas coisas deixassem de existir nas nossas vidas, que não houvesse abortos indesejados.

Que todos os pais que o querem ser, que possam ter o seu bebé, sem stress e sofrimentos, que nenhuma mãe e pai perca o seu filho (seja em que “idade” for)…

O meu desejo, é que todos esses pais encontrem paz, de alguma forma.

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

Estávamos de férias quando notei que tinha um atraso de 5 dias e pensei que já devia ter vindo o período, tendo em conta que sou regular. Numa dessas noites, passo na farmácia e faço o teste pela manhã; o qual dá positivo, duas linhas já bem demarcadas.

No dia seguinte pensei, “ok, se calhar é melhor avisar o nosso obstetra”. Enviei uma mensagem de whatsap com a imagem do teste, ao qual o nosso obstetra responde a felicitar-me e a dizer-me que deveria iniciar iodo e ácido fólico, coisa que não estava a fazer, pois não tinha sido planeado ao contrário da B. e da M., em que foi tudo planeado ao milímetro e correu tudo ok.

Depois combinamos que, 3 semanas mais tarde, faria a consulta de vigilância e confirmação da idade gestacional.

Sentia-me com energia, sem grande fome e sono, apenas tinha o peito dorido. Numa dessas noites nas férias, senti moinhas fortes e arrepios de frio mas não liguei. Pensei “isto faz parte”.

Chegado o dia da consulta estava ansiosa, pois pressentia que algo não estava bem (sentia que estava a ser diferente das outras vezes, sentia me menos grávida, com menos sono, sendo um dos meus sintomas), o obstetra mediu a tensão estava bem , o peso estava ok e depois dirigi me para a máquina de ecografias.

Quando o obstetra me coloca a sonda vaginal olho para o ecrã e tenho dificuldade em ver o saco gestacional. O obstetra, muito sério, chega o aparelho para mais perto de si e diz-me que lhe parece uma gravidez inicial. Eu não fiquei nada convencida, pois pelas minhas contas estaria de 8 semanas e já daria para ver um embrião e ouvir um coração a bater, mas vi apenas um saco pequenino e uma vesícula vitelina.

Eu sabia que algo estava errado, pelas contas estaria de mais tempo e a intuição não me falhou.


No entanto, o obstetra mandou-me ir ter com ele na semana seguinte ao hospital para confirmarmos a evolução desta gravidez.

No dia combinado, fui ao hospital e as minhas desconfianças confirmavam-se: tinha uma gravidez anembrionária.

Eu sabia que algo estava errado, pelas contas estaria de mais tempo e a intuição não me falhou aqueles arrepios já podiam ser o início de um aborto.

Nesse momento tive de decidir, ou esperar que tudo se desse espontaneamente ou induzir com misoprostol.
Eu decidi pelo misoprostol e compareci em jejum no dia previsto.

Depois da medicação, e muitas horas de espera fui com obstertra até ao ecógrafo para vermos como estavam as coisas. Disseram me que estava limpa e podia ir para casa e que teria de fazer eco 3 semanas depois para avaliação. Chega o dia da ecografia, o ecografista diz me que o útero está muito heterogéneo que ainda tinha restos ovulares

Em conversa com o meu obstetra decidimos que eu iria para um privado fazer a histeroscopia, onde ele em tempos me fez os partos.

Ando há 3 meses em processo de aborto, que só terminará com uma nova eco de avaliação onde terei a luz verde do obstretra.

Não basta o sofrimento que um aborto provoca, senão todo o processo. Esperamos o nosso bebé arco-íris.

Fé.

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O nosso Lourenço.

Foi no dia 12.08.2021 que, numa consulta, soube que muito silenciosamente vivias dentro de mim. O teu coração batia e, agora consigo dizê-lo, foi naquele momento que te comecei a amar incondicionalmente.

Todas as ecografias, análises, consultas corriam bem, as semanas iam passando e tu cada vez davas mais sinais de ti, reagias aos estímulos dos doces sabores e acordavas-me por vezes bem cedinho com as tuas brincadeiras.

Cada dia que terminava era mais um, até que chegava à sexta-feira e era mais uma semana de vida cá dentro que o papá colocava no calendário.

A barriga cada vez maior e linda. Até que chegou o dia em que tudo parecia desabar…31.10.2021, 23 semanas e 2 dias, rompimento prematuro da membrana com perda do líquido amniótico. “O caso é muito sério”, dizia a médica na urgência gelada daquela Maternidade.

O meu mundo, o meu sonho, a minha vida parecia desabar. Internamento, doses e mais doses de medicação, análises e mais análises e tudo ruía a cada minuto, os valores da infeção aumentavam, o bebé não tinha líquido amniótico suficiente para continuar a desenvolver-se e eu estava em risco.

Era inevitável, tínhamos que interromper o que de melhor tínhamos conseguido, o meu mundo desabou, que dor, por mais que queira expressar por palavras, todas são insuficientes.

Como é que te ia arrancar desta tua casa, deste teu porto seguro, quando te sentia tão vivo, tão bem, o meu maior amor, o meu Lourenço.

04.11.2021, 16:30h, 590 gramas.

Senti tudo, a dor física de um parto normal, sem tempo para epidural, a dor no coração de uma mãe que, depois de tudo, saía daquela sala de parto sem nada. Onde te arrancaram de mim tão cedo e me deixaram um buraco vazio, uma dor insuportável e interminável, tal como as lágrimas que me escorrem desde então.

No dia da alta, descemos aquelas escadas sem nada, nós e a maior dor da nossa vida… Completamente sem norte, sem rumo…

A esperança no futuro é a única coisa que nos pode salvar, mas o medo de não conseguirmos uma nova luz por vezes passa e quebra-me.

Eu sentia-te tanto, conversávamos tanto, ouvíamos música, contava-te histórias, dava-te mimos. Juntos já tínhamos preparado algumas das tuas roupinhas, tínhamos tudo tão arrumadinho…

Um sonho interrompido e roubado e uma ligação para sempre…

Somos pais do Lourenço e ele viveu feliz e brincou dentro de mim e só conheceu Amor durante 23 semanas e 5 dias ❤️

Lourenço, o nosso anjinho da guarda 💫🤍