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Inês C.

Para aumentar a dor de já ter perdido o meu filho Rodrigo, com 4 anos de idade em Maio de 2015, depois de lutar durante 2 anos contra um cancro cerebral em fase terminal (AT/RT), descobrimos que estava grávida – era o nosso bebé arco-íris -, que se tornou, novamente, no nosso maior pesadelo em outubro de 2020.

Estava grávida de 26 semanas de gémeos, quando me disseram que um tinha sido absorvido pelo meu próprio corpo, e pelo irmão. O Lucas, a 18 de abril de 2020, fez o nosso mundo cair, mas estávamos felizes porque o Benjamim estava a crescer bem. Estava bem nas ecografias e via-se, nas ecografias, o nosso tão desejado menino a rir.

O parto estava planeado para outubro de 2020, mas como eu tenho endometriose, era uma gravidez de risco e tinha que ser mais vigiada. A obstetra dizia estar sempre tudo bem e nunca valorizou as minhas queixas com dores e perdas de sangue. A partir de setembro, quando ia quase todas as semanas ao hospital, apenas ligava o CTG e fazia ecografia e estava sempre tudo bem; mesmo quando eu deixei de sentir o meu Ben em inícios de outubro, estava sempre tudo bem.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe.

No dia 15 de outubro de 2020, às 3 da manhã, senti uma dor enorme e estava a perder sangue. Eu sabia que não estava tudo bem e fui de emergência para o hospital. Cheguei lá de 39 semanas e disseram-me que já não havia batimentos cardíacos e que tinha fluido na minha barriga. Tinha de dar à luz de imediato, pois corria risco de vida e já não havia nada a fazer, pois o Benjamim já tinha partido.

Altura de Covid-19, pico alto da pandemia e aí sonhos destruídos. No dia seguinte voltámos a casa de coração cheio e colo vazio.

Pude conhecer o meu filho, dar mimo e dar-lhe um beijinho de mãe. O meu filho estava sereno, no sono eterno.

Não há maior dor que dar à luz um filho e não o ouvir chorar…Já lá vão 7 meses e a dor é a mesma.

Os meus anjinhos no céu.

A autópsia, obviamente, deu inconclusiva, mas sim, se a obstetra tivesse provocado o parto no dia 5 de outubro de 2020, quando eu lhe disse que não me sentia bem, o meu filho teria 7 meses.

A mamã e o papá amam-te daqui até ao céu.

Coração cheio, colo vazio.

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