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Casais separados na perda gestacional

Sofrer e recuperar é, em muitos casos, uma experiência conjunta. No entanto, em casos de separação durante a gravidez ou depois da perda do bebé, esta pode não ser uma opção. Neste artigo, saiba mais sobre o que fazer quando os casais estão separados na perda gestacional.

apoio individual

Sabe-se que a perda gestacional pode colocar à prova alguns relacionamentos. Uma vivência desta profundidade afeta todos e pode transparecer, por exemplo, na intimidade. Desta forma, é compreensível que seja uma experiência solitária e assoberbante em casais entretanto separados.

É importante, ainda assim, tentarem tomar decisões conjuntas e manterem o diálogo. Se tiverem outros filhos, trabalharem em conjunto. Esta cooperação pode ser bastante útil para terem acesso ao apoio e carinho que precisam de forma consistente. Para além disso é importrante para a partilha informação e emoções sobre o que aconteceu.

Sofrer e fazer luto em silêncio e sozinho é extremamente difícil. Pode, por isso, precisar de apoio adicional de familiares e amigos ou de procurar ajuda profissional.

Chorar e conversar são formas saudáveis de extravasar sentimentos. Como tal, pode precisar de contar a sua experiência uma e outra vez.

Por exemplo, pode achar útil escrever e manter um diário. Não ser capaz de partilhar a sua história e sentimentos com o pai/mãe/parente do bebé faz-nos sentir sozinhos, mesmo que haja outras pessoas à sua volta.

Pense na melhor maneira de expressar a sua angústia e que apoio pode precisar.

Lembre-se também que precisar de ajuda, de qualquer tipo, não é motivo de vergonha. Este tipo de perda é associado a uma dor muito peculiar e apoio pode ser necessário.

Caso seja um amigo ou familiar de casais separados na perda gestacional ou neonatal, mantenha-se em contacto. Há muito sofrimento em silêncio e muitos pais que não sabem/podem pedir ajuda.

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Como contar a amigos e familiares

Quando lhe dão a notícia de que o seu bebé faleceu ainda no seu útero, ou irá falecer em breve ou mesmo que terá de interromper a gravidez por razões médicas, uma das questões que pode colocar a seguir é como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Nas primeiras horas, poderá ser complicado. Logo que se sinta preparado, damos algumas dicas do que pode fazer para ser mais fácil:

  • Pedir ajuda quando precisar. Por exemplo: use um familiar em que confie para partilhar a notícia com a restante família ou amigos;
  • Em alternativa, uma mensagem para todos poderá chegar;
  • Se precisar ou quiser, pode também partilhar nas redes sociais para que possa revelar o que aconteceu e pedir que lhe deem espaço ou o(a) contactem para o(a) ajudarem.

Como contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé: mais conselhos

Se o seu bebé tiver morrido perto da data prevista do seu nascimento, é comum que as pessoas a par da sua gravidez estejam à espera, entusiasticamente, por notícias boas. Assim, poderá ser um equilíbrio bastante delicado contar a amigos e familiares sobre a perda do seu bebé. Se ligar a familiares e amigos, pode, por exemplo, começar por: “Tenho notícias tristes”.

Assim, frases como esta poderão ajudar a definir o tom da conversa que se vai seguir. Ajudam ainda a reduzir o número de comentários e interjeições que serão custosas. Seja firme quanto ao tempo da conversa, explicando que será uma conversa breve. Isto pode ser não só pela quantidade de partilha, mas também para proteção pessoal.

Se a perda for neonatal, pessoas que estavam a par do estado de saúde do bebé podem também ter dificuldades em continuar uma conversa consigo.

É possível que os seus amigos e entes queridos não saibam bem o que dizer. As suas notícias são difíceis para eles também e poderão despertar experiências pessoais. Desta feita, poderá sentir-se culpado(a) e na situação de os confortar a eles. No entanto, é importante que se lembre que esta é a sua experiência e que esta é a altura para receber apoio e conforto em vez de se preocupar com os outros.

Peça ajuda, se precisar

Tente não sentir que tem de responder a todas as perguntas de toda a gente. Diga apenas o que achar melhor e conseguir. Mais tarde, haverá tempo e cabeça para partilhar mais detalhes e responder a pessoas.

Se precisar e puder, peça a família e amigos que tomem conta de crianças que possa ter ou ajudar em atividades caseiras, como trazer uma refeição ou até ajudar na lida da casa.

Frequentemente as pessoas vão querer ajudar e agradecem instruções claras. Se deixar outros filhos com avós ou familiares próximos, poderá também pedir-lhes que expliquem o que aconteceu e que os pais estão a resolver as coisas antes de voltarem para casa.

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Como ajudar quando há outras crianças?

Assim como a tragédia da perda em si, há que reconhecer um dos grandes momentos na vida de um pai: contar aos filhos que já tem, que o irmão ou irmã que vinha a caminho, já não vem para casa. Por isso, neste artigo, damos dicas de como ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças.

À primeira vista, pode parecer que bebés e outras crianças mais novas não percebem bem o que se passa quando há acontecimentos trágicos como a morte de um familiar. No entanto, as crianças são muito sensíveis aos sentimentos das pessoas à sua volta.

Consequentemente, o seu comportamento pode mudar, podem tornar-se mais dependentes e os seus hábitos de sono e comida podem mudar.

Compreensivelmente, isto pode ser árduo para os pais que estão exaustos com a sua tristeza e angústia. Desta forma, se puder ajudá-los a tomar conta deles, isto dar-lhes-á algum tempo para descansarem. Tal como esta pode ser uma boa maneira de ajuda, também pode ser melhor para a criança ficar na sua própria casa e passar tempo com os seus pais e consigo.

crianças

É importante que os pais partilhem com a criança o que aconteceu. Logo, o que é dito à criança depende da sua idade e capacidade de compreender, das perguntas que faz e das decisões dos pais. 

Preste atenção à linguagem que os pais usam para melhor ajudar quando há outras crianças.

Outra forma de ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças é falar sobre o que foi dito à criança e saber qual a linguagem que foi utilizada para seguir o mesmo exemplo.

Poderá notar que a forma como os pais lidam com os filhos que estão vivos pode mudar. Por exemplo, podem tornar-se extremamente protetores. Assim como outros poderão relaxar as regras. 

Portanto, é importante perceber que eles estão a tentar fazer o melhor possível numa situação desesperante.

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Apoio: Desenhos para colorirem para lembrarem o irmão/irmã

Oferecemos, nesta página, alguns desenhos que podem descarregar, imprimir e dar às crianças para pintarem como forma de lembrar o irmão/irmã.

Descarregue-os aqui:

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Como apoiar os pais que perderam um bebé?

Oferecer apoio pode ser complicado. Afinal, a perda gestacional ou neonatal pode apanhar-nos desprevenidos e muitas vezes podemos não saber como lidar ou como ajudar. Assim, como podemos apoiar os pais que perderam um bebé? Neste artigo, damos algumas dicas.

Primeiramente, o nível de envolvimento depende do quanto você quiser ou sentir que é certo. É natural ser influenciado pela relação que partilha com os pais e também pela forma como lidou com problemas comuns no passado.

Alguns pais precisam de tempo e privacidade e de passar pelas coisas sozinhos enquanto outros precisam de extravazar os seus sentimentos.

apoiar pais que perderam um bebé

É importante que ouça os pais para que perceba que tipo de apoio necessitam. Todos lidam com isto de maneira diferente. Portanto, oferecer uma forma de ajuda que lhe foi útil no passado, pode não ser aplicável para algumas pessoas.

Se recusarem ajuda ou preferirem estar sozinhos, é normal que se sinta excluído ou magoado. Todavia, nesta altura, eles precisam de fazer o que é certo para eles. Claro que isto não significa que não valorizem esforços no futuro – podem só não estar preparados agora, mas podem precisar em breve.

Mostre que se importa com os pais e com o bebé

É delicado encontrar um equilíbrio entre ser prestável e intrusivo. E, claro, também ser difícil mostrar que se importa sem trazer tristeza aos pais. Assim, isto pode reverter os papéis e eles podem sentir que o têm de confortar a si ou que a sua dor se sobrepõe à deles. Nestas alturas, se quer apoiar os pais que perderam um bebé mostre-lhes que se importa com eles e com o bebé. Ao fazer isso, tente sempre mostrar que eles não têm de o confortar a si.

O luto e a angústia podem tornar mais complicado que o usual ver e aceitar os pontos de vista e modos de fazer coisas diferentes. Lembre-se que as suas opiniões sobre os pais ou a recuperação dos mesmos, ou como deveriam estar a comportar-se podem ser ofensivas. Desta forma, estar presente para ouvir é a melhor forma de apoio.

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Subsídio Parental na morte fetal ou neonatal

Subsídio Parental na morte fetal ou neonatal

O subsídio parental é um valor em dinheiro que é pago ao pai ou mãe que estão de licença (podem faltar ao trabalho) por nascimento de filhos. Assim, destina-se a substituir os rendimentos de trabalho perdidos durante este período. Por conseguinte, o Subsídio Parental tem as seguintes modalidades:

1. Subsídio parental inicial

Conforme a opção dos pais, é um apoio em dinheiro concedido por um período de até 120 ou 150 dias consecutivos.

No entanto, nas situações em que a criança nasce sem vida (nado-morto), apenas há lugar à concessão de 120 dias, sem possibilidade de acréscimo.

Logo, nas situações em que a criança nasce sem vida, a declaração hospitalar comprovativa do parto tem de ter a indicação de ser referente a um nado-morto.

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  • Afinal, o que é o subsídio parental inicial exclusivo da mãe?

O subsídio parental inicial exclusivo da mãe é um apoio em dinheiro concedido à mãe por um período facultativo até 30 dias antes do parto e seis semanas obrigatórias (42 dias) após o parto.

  • Relativamente ao subsídio parental inicial exclusivo do pai?

É um apoio em dinheiro dado ao pai que está de:

  • Licença de vinte dias úteis obrigatórios
  • Licença de cinco dias úteis facultativos

No caso de a criança nascer sem vida (nado-morto), o pai não tem direito ao subsídio referente a cinco dias úteis facultativos nem ao acréscimo de mais dois dias relativamente ao período de vinte dias de gozo obrigatório se se tratar de gémeo que nasça sem vida.

  • O que é o subsídio parental inicial de um progenitor em caso de impossibilidade do outro?

É um subsídio que corresponde ao período de tempo de licença parental inicial da mãe ou do pai que não foi gozado por um deles devido a:

  • Incapacidade física ou mental, medicamente certificada, enquanto esta se mantiver;
  • Morte.

Obs. O subsídio parental inicial de um progenitor em caso de impossibilidade do outro só pode ser concedido nas situações em que a criança nasce com vida (nado-vivo).

2.1 Subsídio por interrupção da gravidez (espontânea ou voluntária)

Subsídio atribuído à trabalhadora, com vista a substituir o rendimento de trabalho perdido, na situação de interrupção da gravidez medicamente certificada.

Período de concessão: É atribuído durante 14 a 30 dias, de acordo com indicação médica.

O montante diário do subsídio é igual a 100% da remuneração de referência da beneficiária.

2.2 Subsídio social por interrupção da gravidez (espontânea ou voluntária)

Primordialmente, destina-se a cidadãs abrangidas por regime de proteção social obrigatório ou pelo regime do seguro social voluntário. Contudo, dirige-se apenas às cidadãs cujo esquema de proteção social integre a eventualidade de maternidade, paternidade e adoção, sem direito ao subsídio por interrupção da gravidez.

Sendo assim, é um subsídio atribuído à trabalhadora, em situação de carência económica, em caso de interrupção da gravidez medicamente certificada.

Desta forma, o subsídio é atribuído por um período variável entre 14 e 30 dias, de acordo com indicação médica.

O valor do subsídio é de 11,70 € por dia – (80% de 1/30 do Indexante dos Apoios Sociais – IAS).

Valor do IAS em 2020= 438,81€

NOTA:

Para aferir se os pais podem gozar do subsídio parental ou do subsídio por interrupção da gravidez, é o médico responsável que terá de atestar se se tratou de um nado-morto ou de interrupção voluntária ou espontânea.

Informação gentilmente compilada e cedida, de acordo com a Lei e Segurança Social em 2021 por

Filipa Sampaio Lopes,

Advogada

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O luto na perda gestacional e neonatal

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O luto é, ainda, uma palavra tabu na sociedade. Infelizmente a perda de um bebé não termina quando recebemos as notícias, ou quando damos à luz ou até num funeral.

O luto é para a vida. Apesar dos pais e mães aparentarem estar “bem” passado um tempo, não há data de validade para isso. Não existe momento de filme, em que o sol nasce por de trás das nuvens e de repente se sorri e se continua, deixando para trás a tristeza.

Quando falamos em luto, há que ter em conta que este não é linear. Principalmente quando falamos de algo tão anti-natura como a perda de um bebé.

Primeiramente, muitos pais vão recolher-se na sua bolha em que a presença de outros pode ou não ser bem-vinda (é sempre preciso ouvir o que os pais dizem e querem). Por norma, fecham-se no seu mundo, a processar o que aconteceu.

Entretanto, o mundo continua e os dias passam. Depois começam “as primeiras vezes”. Estas são as primeiras saídas à rua e contato com pessoas que se conhece. Se, no seu caso, a gravidez tiver terminado numa fase avançada, vai ter, de certeza, de lidar com pessoas que vão perceber que ontem havia uma barriga e hoje não há, nem criança. Essas experiências podem criar grande ansiedade numa mãe, porque podem ou não levar a situações desconfortáveis. Tal como regressar ao trabalho, que é um passo gigante e assustador.

O luto e o regresso ao mundo

Todas estas coisas, tão simples antes da perda, tomam proporções enormes para um pai ou mãe que está a lidar com sentimentos de tristeza, dor, culpa e até vergonha.

Demore o tempo que precisar.

No entanto, as primeiras vezes vão acontecendo e a confiança vai voltando. Um dia, vai notar que nem todos os momentos do seu dia foram passados em tristeza e pode até ter conseguido uns sorrisos.

Porém, nesta altura, normalmente uns meses depois da perda, é também quando as pessoas à nossa volta, esperam que esteja “melhor”. Pensam: “Ela(e) agora já sorri, já vai trabalhar, já conversa e, acima de tudo, já é capaz de não chorar em público.”

Infelizmente, para os pais, não é preto e branco. Assim, estamos bem até não estarmos. A onda da tristeza está no nosso mar sempre, e, quando vem, é avassaladora.

Não importa quanto tempo passou, a lembrança de que a perda realmente aconteceu despoleta sentimentos de angústia que não são comparáveis à tristeza comum. Por isso, não há como controlar por muito tempo.

Se acabou de perder um bebé, por favor saiba que o mundo pode esperar um bocadinho enquanto se recompõe. Não se apresse a estar bem. Sinta o que tem de sentir, aceite o que aconteceu, tire o tempo que precisar para se despedir do seu bebé e perceber que, tristemente, ele não volta.

Além disso, note que está a fazer o luto de um futuro que sonhou e imaginou. Está também a despedir-se do que poderia ter sido e de ser mãe/pai daquele bebé. E isso, leva uma vida se for preciso.

Não deixe que os sentimentos a consumam, mas respeite-os e trabalhe-os. O seu “eu” do futuro vai agradecer.

E lembre-se, o luto é para sempre. Tal como é o amor.

o luto

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O que (não) dizer

Ainda há muito desconforto e inquietação sobre como lidar com amigos cuja gravidez não resultou num bebé saudável em casa. Para além da perda em si, há uma quebra nos sonhos, desejos e conversas que inundavam os pais. Por isso, é importante sobretudo saber o que (não) dizer.

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O que (não) dizer:

“Tu ainda és nova. Vais ver que vais engravidar outra vez num instante e vai tudo correr bem!”

Antes de mais, há certas coisas a entender aqui: quando uma mulher perde um bebé, não há nenhum outro que o possa substituir. Assim, o que esta frase faz é minimizar a vida que se perdeu aos olhos do pai e desta forma desvalorizar a dor que os pais sentem. Lembre-se, especialmente se já tiver sido mãe, que, para estes pais, este bebé é amado, é uma pessoa e uma vida.

Agora, o bebé está num lugar melhor” ou “Agora tens um anjinho a olhar por ti/vocês” ou qualquer variação religiosa.

Entenda-se, todos os pais percebem que a ideia principal de frases como esta é dar conforto. Desta forma, alguns vão apreciar este tipo de linguagem. Mas imagine que os pais não ligam a religião? Ou o peso que estas frases têm para os pais – muitos podem ouvir: não merecias este bebé, é melhor onde está.

 “Foi o melhor. Se não vingou é porque não tinha de ser. Se calhar havia algo de errado com o bebé.”

Muitos pais são alertados cedo da probabilidade (ou confirmação) que o seu bebé vai ter uma deficiência. Mesmo sendo uma notícia difícil, os pais preparam-se para isso (ou tentam). Quando se está grávida, o amor pelo filho é incondicional. NA maioria das vezes, não há dúvida para os pais que o que eles querem é que o filho nasça… Apesar de não ser fácil para muitos pais, isso não dita o amor que sentem pelos filhos.

“Tudo acontece por uma razão”

Embora comum, esta é uma expressão agridoce. Eventualmente todos a dizem a na vida em relação a quase tudo. Sim, é um facto. Tudo acontece porque houve um motivo. Mas nesta altura não é o que os pais querem ouvir.

Primeiro, porque pode-se nunca descobrir o porquê. Segundo, os pais, especialmente a mãe, vai carregar um sentimento de culpa consigo. Por exemplo, vai julgar-se por não conseguir levar uma gravidez a termo. Numa situação destas…esta expressão pode trazer dor, fúria e tristeza.

 “Antes agora ao início do que mais tarde” ou “Estavas tão no início ainda nem era um bebé

Desde o momento que se engravida, o espírito de mãe vem ao de cima. De repente, todas as conversas são sobre o bebé, do bebé e para o bebé. Imediatamente o tempo torna-se relativo. A partir daí, o que importa são os sentimentos e é importante perceber que existe uma perda associada e agir de acordo com isso.

“Ai se fosse eu, não sei se conseguia… Não sei o que faria se fosse comigo”

Pense, sincera e arduamente no que seria para si. Especialmente se já tiver filhos. De seguida, use esse sentimento para criar empatia com os pais. O que gostaria que me dissessem a mim? Para além disto, frases como esta normalmente são seguidas por histórias para os pais, defletindo a atenção deles e da sua dor.

“Devias estar agradecida pelo que tens

E estamos. Incrivelmente gratos. Mas esse não é o caso. Afinal, se um bebé foi desejado e planeado, ele foi querido. Ele esteve cá e partiu. Desta forma, a gratidão é implícita. Um filho não substitui o outro e frases assim adicionam outra camada de culpa nos pais.

 “O tempo cura tudo”

O tempo dá-lhe perspetiva. Dá-lhe espaço entre o que aconteceu e onde você está. O tempo não cura. Esta é uma ferida no coração, não um braço partido. Não se remenda, apenas se aprende a viver com isto. Preste atenção ao seu humor no Natal ou celebrações em família ou até em datas especiais. O tempo traz distância, mas não esquecimento.

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O que pode dizer e fazer:

Não desespere! Embora menos seja mais em muitos dos casos, pode usar os seguintes exemplos:

  • “Lamento muito.”
  • “O que posso fazer por ti? Há algo que te possa ajudar?”
  • “Se precisares, estou aqui”
  • “Se não te apetecer falar, eu posso só sentar-me aqui ao teu lado e fazer-te companhia.”

O que pode fazer para ajudar nestas alturas: 

  • Ajudar na lida da casa;
  • Trazer comida ou cozinhar;
  • Passear os animais, se for o caso;
  • Tomar conta de outros filhos que possam ter para dar uma pausa ao casal.

E lembre-se, mantenha o contacto durante os próximos meses. No início haverá sempre pessoas, mas o apoio vai diminuindo com o tempo. Faça questão de se manter próxima(o).

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Psicólogos e outros profissionais especializados em Luto

Psicólogos

Pode encontrar uma lista de psicólogos que se especializam em luto aqui:

| Consultas presenciais ou online [Parceria Amor para além da lua para consultas] | Contacte para mais informações: gabinetepsicologiaspp@gmail.com| 910 812 805 |Nr. Cédula Profissional 24758

Rita Silva Casalta – Psicóloga | Consultas presenciais | latribuportugal@gmail.com | 9104 98 333 |Nr. Cédula Profissional 6583

Diana Meira | Consultas presenciais no Barreiro e online | 916501453 | dianameirapsi@gmail.com |Nr. Cédula Profissional 22770

Mais contactos/instituições de apoio:

InLuto – Associação Portuguesa de Cuidados Integrados no Luto 

Psicologia.pt

Doctorália – Terapia do Luto

Centro de Psicologia do Trauma e Luto

Mundo Psicólogos

Clínica Dr Rosa Basto

Ajuda recomendada por outras mamãs e profissionais que querem ajudar:

Ana Freitas | Psicóloga perinatal | Pra Vida Toda | anafreitas.pravidatoda@gmail.com | Nr. Cédula Profissional 20460

Paula Moreira | Consultas online | zorbaspluto@gmail.com | Nr. Cédula Profissional 7205

Teresa Mateus: Apoio na gravidez, parentalidade e primeira infância. Psicologia Clínica e Psicoterapia para pais e bebés dos 0-3 | www.doszeroaostres.pt | Contacto: doszeroaostres@gmail.com | 91 34 24 333 | Nr. Cédula Profissional 15341

Catarina Gaspar: Psicóloga da Gravidez e da Parentalidade | Luto e Perda | Consultas: Online| psi.catarinaalvesgaspar@gmail.com| @psicologa.catarinagaspar (Instagram)

Fidjy Rodrigues: Hospital Pediátrico de Coimbra – Serviço de genética médica. Apoio na perda gestacional.| Contacto: 938025376 | e-mail: fidjy20@hotmail.com | Nr. Cédula Profissional : 44 73

Se conhecer ou quiser adicionar mais, ou o seu serviço, por favor contacte-nos.