Com um único corrimento transparente com alguns raios de sangue, dirigi- me ao hospital apenas por descargo de consciência…
Cheguei feliz com uma barriguinha espevitada nesse dia para 12 semanas e 3 dias. Quando chamada para observação, a médica, ainda interna, comentou que não sabia mexer numa das máquinas e, quando fizemos a primeira eco, decidiram passar para outra máquina.
Foi tudo tão rápido que fiquei sem acreditar que o meu tão sonhado bebé estava morto dentro de mim há quase 3 semanas. Os enjoos continuavam e o dr Google dizia que eram boas notícias. Era a gravidez a evoluir.
Apesar de um início de gravidez muito turbulento, em que me separei do pai do meu bebé por me ter pedido que abortasse, de muito ter chorado, de dois picos de tensão alta, nada fazia prever este desfecho.
Era na sexta que ia fazer a ecografia do primeiro trimestre… Dada a notícia chorei compulsivamente e optei por ficar internada …
Era isso ou ir para casa e preocupar ainda mais a minha mãe que também já sonhava com este feijãozinho. Não voltei a sangrar nesse dia e só queria estar sozinha!
Sinto-me vazia, como se o meu futuro idealizado tivesse agora sido cortado em mil pedaços e tivesse manchado.
Estava sozinha e com medo. Nessa noite não dormi, pedi muito a todos os contactos que pude que me fizessem mais uma ecografia, queria muito uma segunda opinião, a máquina podia ter algum problema, pensei… ou talvez o feto tivesse realmente menos semanas porque eu não era regular…
Fiz então a ecografia antes de iniciar o restante tratamento… uma médica amorosa e paciente, mostrou-me tudo e explicou-me tudo. Fez toda a diferença. Ainda muito chorona, mas já mentalizada !
Só à noite é que as duras cólicas vieram e o corpo pedia-me que fizesse força…
Duas vezes a fazer uma força lá do fundo das costas e dois enormes coágulos saíram; era o meu bebé com toda a certeza!
Tranquiliza-me a fé de que o bebé cumpriu a sua missão e, apesar de tudo, continua a ser ele que me tornou mãe! O meu bebé só aprendeu a voar.
Voltei a observação e, apesar do bebé já não estar lá, ainda tinha muita coisa para sair, mais um ciclo de tratamento para ver se conseguimos evitar uma ida ao bloco!
Tive alta, confiaram que o meu corpo se encarregaria do resto e não tive de passar pelo medo que a anestesia já me estava a causar.
Ontem foi o único dia que não chorei, sentia-me tão culpada por isso … simplesmente estava vazia!
Com a alta, despedi-me daquela cama com um colo vazio, o sonho de sair com o amor da minha vida no ovinho deu lugar a uma dor nas entranhas, a um desgosto de alma e um coração em milhares de pedaços. Estou em casa, voltei à realidade e nada assusta tanto…
Tive dores fortes, mas a dor de não ter aqui o meu bebé é mais forte do que tudo….apesar de ter ficado pelas 9 semanas e eu só ter descoberto quase 3 semanas depois, o meu ratinho de 4 cm tornou-me Mamã.
Estamos a tentar engravidar há 7 anos. Um ano depois de tentarmos naturalmente, sem sucesso, começamos a ser acompanhados em PMA no CMIN, e assim foi durante 5 anos.
O diagnóstico era apenas que eu não ovulava. Começamos por coito programado, passámos para Inseminação e duas FIV sem sucesso. Os médicos apenas encolhiam os ombros, diziam que não percebiam o que se passava e à minha pergunta sobre se existia um exame para explicar as falhas de implantação, foi-me dito que não, que a explicação era que os meus óvulos não tinham qualidade.
Entretanto emigramos, mas o desejo de ter filhos não esmoreceu e, no meio de tudo, tive a sorte de encontrar uma equipa médica fantástica que fez todos os exames possíveis para detetar o motivo. E assim foi, após uma esteroscopia, foi-me detetada uma endometrite crónica que, segundo o que investiguei, poderia explicar as falhas de implantação.
Após tratamento e resolução, fiz mais uma FIV e o primeiro positivo chegou no dia 16 de Novembro de 2022. Infelizmente na primeira ecografia começaram os pesadelos pois não conseguiam ver os batimentos cardíacos. No entanto, como o feto era pequeno, poderia ser normal. Disseram para regressar ao fim de uma semana e nessa segunda eco as desconfianças confirmaram-se e o nosso mundo despenhou-se. Fui do céu ao inferno no espaço de um mês. Como foi aborto retido tive que tomar medicação para o sangramento ocorrer.
Foi um Natal muito triste pois já me tinha imaginado a contar a minha avó e à minha enteada, que tanto quer um irmãozinho. Teria sido triste em qualquer altura do ano, mas nesta altura tem um peso ainda maior.
Neste momento, a minha cabeça está recuperada, mas quando estou sozinha só me apetece chorar, parece que o meu coração vai rebentar.
Por um lado, fiquei feliz por ter tido uma explicação para a minha infertilidade, mas este acontecimento cravou uma faca no meu coração.
Não vou parar de tentar mas o medo só aumentou e às vezes chego a pensar se será saudável para mim.
O que me dá alento é ter um marido que me apoia, assim como os meus pais e uma enteada que me deu, inconscientemente, força para suportar todos estes anos e que é uma filha que tenho no coração.
Hospital muito confuso, em contentores. Tiro senha para ginecologia e obstetrícia e fui para uma grande sala de espera. Chamam-me e vou para lá com pressa, por não saber onde era e com medo de chegar atrasada.
Ainda tive de aguardar algum tempo para entrar, mas entretanto sou chamada à enfermagem e faço todos os procedimentos, e informam-me dos riscos por não ser imune à toxoplasmose. Volto para a pequena sala de espera e poucos minutos depois sou chamada para o gabinete da médica.
Tirei a parte inferior da roupa e começamos a ecografia, ainda não era a de 1° trimestre, mas sim para ver se estava tudo bem.
Mal vi o bebé, o primeiro pensamento foi logo de orgulho “o meu bebé cresceu tanto!”. A última vez que o tinha visto tinha sido às 8 semanas e no dia 19 de Outubro, faria as 10 semanas.
No entanto, reparei que a médica ficou muito calada e, mal me apercebi disso, ouço das piores coisas que já ouvi na vida “lamento, mas tenho más notícias para si… O bebé está morto, não tem batimentos cardíacos”. O tempo parou durante uns segundos e fui sentindo um aperto cada vez maior, como se todo o meu mundo estivesse a desabar..
A médica chamou uma colega para confirmar o diagnóstico e não teve dúvidas. Enquanto a médica me explica as partes do corpo do bebé e onde o coração deveria estar a bater, sinto as lágrimas a chegar aos meus olhos, mas ao mesmo tempo tento segura-las. Tinha de ser forte ali, quando fosse embora choraria tudo o que teria de chorar.
Mas, infelizmente, ainda faltava um bom bocado para ir embora… Depois da ecografia, sentei-me com a médica, e explicou-me quais seriam os procedimentos seguintes, que teria de ser internada para que o aborto fosse completo (fiz um aborto retido).
lamento, mas tenho más notícias para si…
Depois de tudo explicado, começou logo o primeiro problema, a médica não conseguia passar a baixa médica, por não ter todos os dados actualizados no centro de saúde, obrigando-me a ter de ir lá para ter uma consulta e atualizar o necessário, para poder fazer o meu luto e ter o meu descanso durante 28 dias. Para além disso, para ser admitida na Obstetrícia no dia seguinte teria ainda de fazer um teste COVID.
Por último, tinha ainda de tomar um comprimido já, para preparar para o dia seguinte, mas como já não comia nada no espaço de 2h, mandaram-me ir comer qualquer coisa e regressar para tomar o comprimido. Assim o fiz. Fui comer umas bolachas de máquina vending mais próxima e voltei para a sala de espera da obstetrícia, rodeada de grávidas e eu a pensar no meu pequenino, que não conseguiu sobreviver, enquanto as mulheres ao meu lado estariam perto de ter um filho/a nos braços. Inveja e tristeza, foi o que senti nesses minutos.
Pouco tempo depois (que a mim me pareceu muito), uma auxiliar vem com o tal comprimido e depois de o ter tomado diz que tenho de fazer o teste COVID, num outro edifício (e eu sem conhecer o espaço visto ser a minha primeira vez lá). Não sei se foi a minha profunda tristeza ou a minha cara de ignorante enquanto ela me explicava o caminho, mas aí uma outra auxiliar disse “eu levo-a lá”. Como estava sozinha, perguntou-me várias vezes se tinha alguém para me levar embora, se precisava de alguma coisa e tentou animar-me durante o caminho todo, mas sem sucesso. Eu só lhe dizia “eu só quero ir embora”.
Quando chegamos ao local, ela fez questão em aguardar por mim, caso eu precisasse dela.
O médico que me fez o teste foi pouco afável, mas profissional. Depois de terminado, lá estava a auxiliar à minha espera e perguntou-me se precisava de alguma coisa enquanto voltávamos para o local inicial. Disse -lhe que a médica não conseguia passar a baixa a partir do próprio dia por não ter os dados, mas que em princípio não precisava de uma justificação de falta ao trabalho porque no dia seguinte ma passaria no internamento. A auxiliar disse-me que poderia precisar e pediu me para aguardar no exterior e que iria pedir uma justificação num instante para que eu pudesse ir embora. Foi extremamente rápida e em pouco tempo já estava a caminho do meu carro, para poder ligar ao meu namorado e a minha mãe e dar-lhes a notícia. Não sei o nome dela, mas ela foi a melhor profissional que me atendeu no hospital da cidade, sítio que nunca irei querer voltar para o resto da minha vida.
Finalmente saí das instalações e liguei primeiro a minha mãe, onde só conseguia dizer “o bebé está morto! Morreu!” no meio de tanto choro e soluço. Pouco mais consegui dizer e liguei depois ao meu namorado. Pouco mais lhe consegui dizer também, mas ele apenas me disse, muito prontamente: “onde estás? Fica aí, vou ter contigo”.
Enquanto aguardava por ele no carro, só pensei em me conter durante uns minutos, só para poder informar no trabalho que já não iria trabalhar no próximo mês, a partir do dia em questão e o motivo. Liguei a uma das minhas supervisoras, disse lhe que iria ser extremamente breve por não saber se conseguia aguentar mais tempo ao telefone e expliquei lhe tudo muito resumido, mas com tudo o que precisava de saber. Garanti-lhe que não precisava que alguém fosse ter comigo, o meu namorado já estava a caminho.
De casa até ao parque de estacionamento onde estava, ainda são uns 10/15 minutos, mas acho que ele fez isso em metade do tempo, porque pouco depois de ter acabado a chamada ele apareceu. Só me lembro de chorar abraçada a ele para libertar algum do peso que tinha em cima.
Ele, sendo a melhor pessoa do mundo para mim, só me dizia, “vamos conseguir. Nós somos fortes. Vamos ter lindos filhos. Vamos ultrapassar isto.” Nunca duvidei disso.
Em 2009 nasceu a minha primeira filha. Depois disso tive três perdas. Uma história como tantas outras. Porém única, é a minha.
Quando era adolescente dizia que a pior notícia que eu poderia receber na vida era saber que não poderia ter filhos. Felizmente, quando senti o chamamento da maternidade pela primeira vez, tudo correu bem; com alguns percalços durante a gravidez, mas nada que abalasse verdadeiramente o meu estado de graça.
A 16 de Fevereiro de 2009 nasceu a Sofia! Que momento tão feliz! Ainda no bloco de partos, logo depois da Sofia nascer, já estávamos a combinar o nosso segundo filho! Prevíamos dar um/a irmão/ã à Sofia quando ela tivesse dois anos. Tudo tão perfeito.
Passados esses dois anos, a crise de 2011 assombrou verdadeiramente os nossos sonhos. Estávamos os dois desempregados e ter outro/a filho/a nesse momento não era de todo sustentável. Sonho adiado.
Em 2013 consegui finalmente trabalho depois de um longo período de desemprego, num colégio privado. Precisava muito de trabalhar, tanto pela necessidade financeira, como pela valorização enquanto pessoa útil e profissionalmente ativa. Sou uma pessoa que precisa de ter um emprego fora de casa e ser professora faz-me tão feliz! O trabalho a contrato e a necessidade de manter o emprego adiaram novamente o sonho de voltar a ser mãe – não podia correr o risco de não me renovarem o contrato.
Sem dar conta, já estava com 39 anos. O tempo voa! Tudo o resto passou para segundo plano… o desejo de ter outro/a filho/a era superior a tudo. Era um sonho nosso, inicialmente a dois, a três logo que a Sofia começou a pedir um/a irmão/ã por volta dos 3 anos de idade. Era este o momento. Decidimos tentar.
Demorou cerca de oito meses. Desconfiava que poderia estar grávida, mas isso era tão importante para mim que decidi deixar o teste para um dia especial, o dia do meu aniversário: 40 anos. Deu positivo! Felicidade transbordante. Queríamos muito contar à Sofia, mas decidi esperar, exatamente pelo conhecimento de situações de perda gestacional das quais tinha conhecimento, longe de pensar que seria essa a minha situação.
25 de Julho de 2016, uma ligeira perda de sangue. Nos dias seguintes a hemorragia aumentou e, depois de observada no hospital, a pior das notícias, o bebé não tinha batimentos. O meu mundo ruiu… Tive que tirar o meu bebé de dentro de mim, não havia qualquer milagre que lhe devolvesse a vida.
Provocaram-me o parto e passei por um longo processo de expulsão do meu bebé, doloroso fisicamente, destruidor emocionalmente. Expeli o meu bebé inteiro. Vi-o naquela aparadeira… Tão difícil passar por isto. Tão horrível. E mais difícil ainda porque todo este processo acontece na maternidade, ao lado de parturientes que acabaram de ter os seus bebés, a ouvir choros dia e noite. Temos que lidar com a nossa tristeza ao lado da alegria dos outros. É tão bom ver pessoas felizes! Mas nesta situação aumenta exponencialmente a nossa dor. Chorei. Chorei muito. Durante muitos dias. Senti-me culpada. Procurei justificação nos meus atos para o sucedido. Seria a medicação para a enxaqueca, seria o saltinho que dei no passadiço, seria pegar na bacia cheia de roupa para estender? Um sentimento desesperante.
Temos que lidar com a nossa tristeza ao lado da alegria dos outros.
Passado algum tempo, recebi o resultado das análises. O meu bebé estava com malformações e foi essa a causa do abortamento. Não tinha sido culpa minha. E as frases repetiram-se “Foi melhor assim.”, “A natureza sabe o que faz.”, “Isto acontece muitas vezes, é mais frequente do que imagina.”. Uma tristeza imensa e um vazio escondido tomavam conta de mim. Mas estava tudo bem fisicamente e podia tentar novamente. Decidimos tentar acreditando que desta vez ia correr tudo bem.
Em Novembro de 2016 voltei a engravidar. Uma felicidade contida e um medo incontrolável de ver sangue cada vez que ia à casa de banho. Tentei ser o mais positiva possível, acreditar, eu queria tanto o meu bebé! Até que, em Dezembro, na semana antes do Natal, acontece o que eu tanto temia: perda de sangue.
Na ecografia não dava para ter a certeza se estava em processo de abortamento, o embrião ainda era muito pequenino, e nesta fase nem sempre se consegue detetar os batimentos cardíacos. Teria que esperar e ver o que acontecia com o meu corpo. Dias terríveis se seguiram. A hemorragia aumentou e fui percebendo o que estava a acontecer. No dia em que abortei espontaneamente em casa, a Sofia falava constantemente que queria um/a irmão/ã, perguntava-me porque é que eu não tinha um bebé, dizia-me que eu não tinha um bebé porque não queria. Mais um dia terrível, insuportável. Duas dores simultâneas: perder o meu bebé e ser pressionada pela Sofia, que não sabia o que se estava a passar.
Tantos momentos de tristeza profunda, choro, noites sem dormir. E o silêncio. Um silêncio que me dilacerava, mas evitava falar deste assunto. Não por vergonha, que nunca a senti, não sou menos mulher, menos mãe, nem menos ser humano por isto que me aconteceu. Silêncio para proteger a Sofia, queria preservá-la deste sofrimento atroz, silêncio para não impressionar os outros negativamente, o facto de me ter acontecido não devia influenciar o seu estado, silêncio por sentir falta de abertura para me expressar e poder desabafar. Tive algumas pessoas comigo nestes momentos, mas eu sentia que não tinha o direito de incomodá-las com o que eu sentia.
O tempo passou. Decidimos tentar novamente. Queremos tanto um bebé!
Desta vez demorou mais tempo a engravidar, quase um ano. Neste período de tempo vivi sufocada pelo desejo de ser novamente mãe, passei a conhecer o meu corpo e todos e quaisquer sintomas, sabia o meu período fértil, contava os dias do meu ciclo menstrual, estava obcecada por algo que deveria ser natural, mas o meu relógio biológico exercia uma pressão incontrolável sobre mim.
Em Dezembro de 2017 percebi que estava grávida, fiz o teste e deu positivo. Felicidade contida e uma grande esperança de que à terceira é de vez, vai correr tudo bem. Mas não correu. Em Janeiro, numa consulta, soubemos que o bebé tinha parado de desenvolver às 8 semanas, não havia qualquer hipótese de esta gravidez progredir. Mais uma semana de espera. Tão difícil viver com um bebé morto dentro de mim…Mais uma vez tive que ir tirá-lo ao hospital. Desta vez a maternidade estava cheia. Colocaram-me neste processo de abortamento num quarto dentro do bloco de partos, resguardada. Sozinha… tão sozinha… e a ouvir e a ver recém-nascidos… A dor foi tão grande.
As noites e as viagens de carro eram a chorar. Cheguei a ter de encostar o carro para chorar. A pressão da Sofia para ter um/a irmão/ã aumentava, culpava-me de não querer ter um bebé, de não acreditar que conseguia ter um… Não suportava mais este sofrimento escondido. Tive que lhe contar o que se passou. Queria resguardá-la desta dor mas era insuportável. Chorámos as duas. Sofreu e percebeu que afinal eu não tinha culpa. Como eu queria ter evitado isto…
Tenho muitos irmãos e sei como é maravilhoso ter irmãos. Uma das maiores tristezas que carrego é não ter conseguido dar um/a irmão/ã à Sofia. Sonhei que crescessem juntos e construíssem uma relação forte e cúmplice. Não consegui dar-lhe o maior presente que uma criança pode ter…
Em Março de 2020 com o início da pandemia pensei “Não é uma boa altura para ter bebés, se calhar é melhor voltar a tomar a pílula” mas logo de seguida pensei “mais de um ano sem pílula e não engravidei, não vai ser agora que vai acontecer.” Não pensei mais no assunto. Em Abril de 2020, com 43 anos, percebi que estava grávida. Tive muito medo de uma nova perda e da pandemia que estava no início e era por si só assustadora.
Felizmente correu tudo muito bem. A minha bebé arco-íris nasceu em Janeiro de 2021, tinha eu 44, é saudável e super bem desenvolvida. Está quase a completar 2 anos de traquinices e muito amor.
No dia 11 de Novembro de 2021 descobri que a minha vida ia mudar por completo, chegou o tão sonhado positivo. Pais de primeira viagem fomos à médica de família que nos marcou as consultas no público, como pensei que estava tudo bem fiz a minha vida normal até à consulta no público (a minha irmã já tinha sido seguida dessa forma e tudo correu bem).
No dia 20 de Dezembro 2021 ansiosos pela ecografia para ver o nosso bebé e a médica quando faz a ecografia muito fria diz “não existe bebé, nunca fez nenhuma ecografia? ” e eu respondo que não e ela diz “não sabe que tem que ir ao privado antes desta consulta”. Eu sem chão e ela manda-me embora para as urgências para ir tomar comprimidos para expulsar o saco gestacional sem explicações. Fui para os urgências sem saber o que se passava, só chorava e aí foi-me explicado que era uma gravidez anembrionária. Nunca tinha ouvido falar em tal coisa.
Fiz a expulsão em casa e foi terrível. Estava cheia de dores físicas e psicológicas (fazia anos dia 21 de Dezembro onde tinha planeado contar a todos da gravidez). Os médicos disseram que a probabilidade de ter repetição de anembrionária era muito baixa e que a probabilidade de aborto era a normal. Contudo, diziam eles muito raro acontecer duas vezes seguidas.
Decidimos voltar a tentar e, no dia 22 de Maio, descubro que estou novamente grávida. O medo era imenso, marquei logo com uma ginecologista no privado, fazia ecografia de 15 em 15 dias. Não contámos a ninguém porque o medo de correr mal era imenso. A barriga começava a aparecer e eu sempre a dizer que estava a ficar gordinha. A médica sempre a dizer que estava tudo bem. Fiz a última ecografia o bebé tinha 11s4d a médica fez as medições todas e disse que estava tudo bem. Pela consulta no público o bebé estaria com 13s2d. Lá fomos nós dia 25 de Julho todos contentes porque eu tinha visto o bebé e convenci o meu marido que estava tudo bem.
Entramos, a médica coloca o ecógrafo e eu não ouvi o coração do bebé e ela diz “papás infelizmente o bebé parou”. Eu gritei que não podia estar a acontecer de novo, eu tinha visto o bebé uns dias antes. E ela diz “parou com 12s, tem um aborto retido e precisa ir para as urgências para retirar”. Fico sem chão novamente e aí entro nas urgências a chorar compulsivamente. Dão-me um comprimido e mandam-me voltar 2 dias depois para ser internada. Foram os dias mais longos da minha vida, saber que o meu bebé estava morto e eu sem poder fazer nada.
Fui internada colocaram os comprimidos vaginais para a expulsão e fiquei sozinha entre 4 paredes cheia de dores e sempre a ouvir corações dos outros bebés que estavam ali para nascer. Senti a bolsa a rebentar passadas umas 7h. Chamei a enfermeira e passado alguns minutos sinto o bebé a sair e eu sem um enfermeiro ou médico para me ajudar.
Tão pequenino, mas era o meu bebé.
Chamei novamente e lá o levaram para fazer os testes necessários, nunca me vou esquecer dele: o meu menino mais lindo. Vai estar para sempre no meu coração.
Decidimos parar de tomar a pílula. Estávamos preparados para dar início à aventura da nossa vida.
Fiz um teste de gravidez. Minto. Fiz dois.
Um tradicional que me indicou dois traços bem fortes e um digital que me indicou que estaria grávida há mais de três semanas. Fiquei nervosa, mas feliz.
Há algum tempo que sentia algumas cólicas. Completamente suportáveis e do que já tinha lido, um sintoma comum de uma gravidez inicial.
Para descargo de consciência, vamos marcar consulta o mais rapidamente possível para saber se está tudo bem e podermos respirar de alívio e sermos felizes por inteiro. Consegui consulta dois dias depois. “Não vejo nada no útero. Desconfio que esteja noutra cavidade..” Já tinha lido sobre gravidez ectópica. Naquele momento caiu-me o mundo. Não podia ser. Não me podia estar a acontecer a mim.
Uma mulher saudável, de 29 anos, primeira gravidez. E agora? Fui para a urgência do hospital.
Tinha de ser novamente examinada para perceber a situação e a “solução”. Gravidez tubária. O embrião, o feto, o nosso bebé, a nossa sementinha de 5 semanas e 7 dias tinha-se alojado na minha trompa esquerda. Cresceu e fez com que houvesse uma ruptura. “Coágulos, coágulos. Ela tem a barriga cheia de sangue” Comecei a entrar em pânico. Entrei na urgência por volta das 17:00, às 19:00 estava a vestir uma bata, a assinar um termo de responsabilidade e a saber que ia para cirurgia (pela primeira vez na minha vida), sem saber qual seria o desfecho. Sozinha (Covid).
Deixei de ver e comecei a desfalecer. Que medo avassalador. O meu bebé foi sacrificado por não ser uma gravidez viável sendo ectópica e a minha trompa retirada.
Os meses vão passando, a vida lá fora segue, as pessoas deixam de perguntar como estás e ali estás tu, perdida na tua própria dor a tentar encontrar um porquê que não existe.
Em recuperação, já em casa, abria as redes sociais e era o raro o dia que não dava de caras com o anúncio de uma gravidez. O meu coração ficava do tamanho de uma ervilha. Desde sempre que imaginavamos cenários na nossa cabeça de como iríamos contar à família e amigos. Meses depois uma amiga foi mãe. Chorei, chorei, chorei. Sentia uma angústia… Estava feliz por ela mas também tinha inveja.
Chorava porque não queria estar a sentir aquilo mas não conseguia controlar.
Os meses vão passando, a vida lá fora segue, as pessoas deixam de perguntar como estás e ali estás tu, perdida na tua própria dor a tentar encontrar um porquê que não existe. Dava por mim a pensar que apesar de no sítio errado, o meu filho estava a crescer, saudável e que não era justo. Via mulheres que perdiam os filhos a meio, ou mesmo no fim de uma gestação e perguntava-me se era justo sentir-me assim, com uma gravidez de cinco semanas. Sentia que não me podia comparar. Que a dor seria muito maior e que a minha comparando não era nada.
Mas, agora consigo, com plena lucidez mental, perceber que não se comparam dores. Não há dores maiores ou mais pequenas. Esta dor foi e é a minha. É o meu luto.
Cinco meses depois, após uma salpingectomia unilateral, estou com fé que o universo me vai permitir ser mãe e não me fará passar por tamanha dor novamente. Tenho medo. Mas o sonho de ser mãe é maior.
Tenho 43 anos e uma filha com 21 anos e disse sempre que não queria mais filhos; pelo o parto ter sido complicado e por vários motivos pessoais.
Com os anos, fui sentido de novo essa vontade. Por várias razões, foi-se adiando, até que este verão, a 26 de Agosto, estava de férias, após um grande atraso menstrual – pensando eu que seria mais um atraso ou talvez uma pré-menopausa-, fiz um teste rápido que deu positivo.
Passado estes anos todos, fiquei super feliz! Apressei-me em marcar consulta para fazer avaliação, uma vez que segundo as minhas contas, estaria de 7 semanas.
No dia 06/09 fui à primeira consulta um pouco apreensiva mas feliz, a minha obstetra segue-me desde os 18 anos, é uma excelente profissional em quem confio plenamente. Ao iniciar a eco transvaginal começou por explicar o que via e, de repente, um silêncio. Rapidamente entendi que algo não estaria bem… Disse que tinha dúvidas e não conseguia confirmar se estava tudo bem, teríamos de repetir a eco uma semana depois porque ou não estava de tantas semanas ou a gravidez não estava a evoluir. Fiquei sem chão, pensando e mentalizando-me para o pior. Passei uma semana super angustiada.
No dia 13/09, como combinado, la estávamos nós para repetir a eco. Mantiveram-se as dúvidas mas disse-nos para não ter esperanças porque achava que não estava a evoluir. Agendamos para dia 15/09 eco com colega para segunda opinião e nova avaliação. Mais uma vez fiquei com o coração nas mãos e mentalizei-me para o pior… No dia 15/09 lá estávamos nós, à hora combinada, e confirma-se o que ninguém quer ouvir: não há batimento cardíaco, segue-se o diagnóstico de aborto retido às 6 semanas e 2 dias.
após tantos anos perdi o meu 2° filho. Sentimento de revolta, raiva e a questão mas porquê?
Parecia que estava em piloto automático, dirigimos-nos à receção para efetuar o pagamento e agendar a consulta de avaliação. Ao sair da clínica desabei, estava confirmado, após tantos anos perdi o meu 2° filho. Sentimento de revolta, raiva e a questão porquê ao fim de tantos anos?
Conforme indicações, iríamos aguardar uma semana para ver se o corpo fazia a rejeição. Já estava com algumas cólicas, mas o processo desencadeaou-se na noite de 17/09/2022 para 18/09/2022 com cólicas e perdas de sangue. O pior aconteceu às 7h00 da manhã de dia 19/09/2022, senti cólicas fortes e perdas, fui rapidamente à casa de banho mas não cheguei a tempo… caiu o saco gestacional com o embrião para o meu penso. Fiquei sem chão: estava ali o meu bebé e fiquei sem ele…
Sei que para as pessoas à nossa volta também não é fácil ajudar, uma vez que nós é que passamos físicamente e psicologicamente por este processo todo, mas senti-me desesperada, sem chão. Seguiram-se quase duas semanas completas com perdas de sangue e dores devido às contrações do útero. Sentia-me um caco, sem vontade de fazer nada, e em alguns períodos do dia muito triste e chorosa. No dia 27/09/2022 fui à consulta de avaliação, após eco transvaginal, estava quase tudo “limpo” só faltavam alguns coágulos, o processo tinha decorrido naturalmente, sem medicação e sem curetragem. Sentia-me muito cansada, foi me prescrito ferro e ácido folico para 20 dias com recomendação para descansar e recuperar ao meu ritmo.
Jà decorreram quase 3 semanas após o aborto, começo a sentir-me melhor fisicamente mas psicologicamente tenho alturas de tristeza e muio choro… Encontro-me ainda de baixa, irei retomar a minha atividade dia 17/10 espero estar com forças para regressar à minha vida.
Queria partilhar o meu testemunho porque acho que pode ajudar outras pessoas a passarem pela mesma situação. Acabei por me sentir sozinha nesta bolha de felicidade porque no meu caso, o meu marido e a minha filha, não reagiram muito bem à notícia da gravidez, ficaram os 2 em estado de choque não estavam à espera ao fim de tantos anos,e por opção, não divulgamos que estava grávida até confirmar que estaria tudo bem.
Após o diagnóstico, têm sido incansáveis até porque acho que se sentem impotentes face a este sofrimento, e os homens na minha opinião não demonstram tanto as suas emoções.
Quero dizer que o facto de nos dizerem “ainda bem que foi cedo se fosse mais tarde era pior” ou “não foi é porque não tinha de ser” não ajuda, sei que a intenção é boa, mas para quem está em sofrimento só nos deixa mais um sentimento de tristeza . Por vezes é suficiente uma mão dada, um abraço, “estou aqui se precisares de alguma coisa” ou simplesmente “como estás?”. Cada pessoa tem de viver a dor à sua maneira, e a partir do momento em que há um teste positivo, estamos a gerar o nosso filho, é uma perda e há que fazer o luto.
Perdi o meu segundo filho e vai permanecer em mim para sempre…
Desejo força para todas as pessoas que como eu passem por uma perda. E espero em breve conseguir seguir o meu caminho e voltar à minha vida embora sempre com o coração apertado porque é uma situação muito difícil.
Resta-me agradecer o apoio de todos os nossos próximos que têm sido incansáveis e me têm dado forças para seguir, sem eles seria impossível.
O nascimento seria no mês de abril de 2023, impossível não pensar em datas.
Um beijinho e força a todas.
À minha estrelinha: estarás para sempre no meu coração.
Tinha acabado de me mudar com o meu namorado quando descobri a gravidez em 2020. Foram passando as semanas e descobrimos ser uma menina, a nossa princesa, que na altura não foi buscada mas logo que nós soubemos da existência dela foi muito amada.
Poucas semanas depois, vieram as dores e fiquei internada no hospital. Passado uma semana recebo a notícia de que a minha bebé morreu; não tinha batimentos dentro de mim aos 4 meses. O meu estado de saúde agravou-se e levaram-me para o bloco para realizar uma curetagem… 2 dias de UCI sem dizerem nada ao meu namorado.
Lá consegui conversar com ele e passamos por momentos de muito sofrimento após a perda da nossa menina.
6 meses depois lá estava eu, grávida outra vez mas, infelizmente, às 5 semanas descobrimos uma gravidez anembrionária.
5 meses depois voltamos a tentar e, pela 3ª vez ,dizíamos adeus ao nosso anjinho. Mas como Deus tem um propósito nas nossas vidas e ele não faz as coisas por acaso, passadas 5 semanas engravidei novamente…
Só descobri essa gravidez às 22 semanas e tive todo o cuidado do mundo. Hoje tenho o meu bebé arco-íris nos meus braços, já com os seus 3 meses. As enfermeiras e auxiliares, que acompanharam a minha primeira perda, foram as que estiveram ao meu lado, no parto do meu bebé, aquelas foram realmente anjos que Deus colocou na minha vida e sei que a minha história é uma história de superação e que nunca podemos desistir dos nossos sonhos.
No dia 2 ia fazer a tão desejada ecografia das 12 semanas. O nervoso miudinho acompanhou-me o dia todo, só queria saber como estava o meu bebé. Por fim, chegaram as 19h e lá entramos nós para a tão aguardada consulta. Começou a ecografia; com as máscaras só vemos a expressão dos olhos e a expressão que o médico fazia era cada vez menos acolhedora.
Comecei, sozinha, a entrar no meu próprio buraco, sem perceber o que se estava a passar. Até que o médico disse, em tom frio, “o vosso bebé tem uma malformação e pode vir a ter algum tipo de trissomia”.
As lágrimas começaram a cair pelo rosto inevitavelmente. O médico, que era pouco conversador, apenas disse que na quinta-feira a seguir, dia 4 de Agosto, queria repetir a ecografia.
Saímos o consultório, estive 1h sem conseguir falar, só chorei, chorei. Não sei como consegui trazer o carro sozinha até casa…foi uma viagem longa. Na quarta-feira ia em trabalho para o Alentejo. Não sei como me aguentei durante esse dia. A cabeça não parava de pensar no pior e com a réstia de esperança de que no dia seguinte o médico fosse dizer “foi um erro, está tudo bem”.
Finalmente chegou a quinta-feira, a repetição da ecografia, e a minha esperança foi por água abaixo: o diagnóstico confirmou-se.
O bebé tinha problemas, a translucência nucal era maior que o normal, ausência da cavidade nasal, o coração não batia normalmente.
Desde a consulta, as conversas giravam em torno do mesmo, e “se o bebé tem realmente um problema?”; ” o que fazemos?”; ” aguentamos ter um bebé especial na nossa vida?”
O pesadelo mantinha-se, fomos encaminhados para uma consulta em Santarém onde nos iriam explicar e fazer a amniocentese.
Foram dias tão, mas tão longos. Dias a pensar em tudo e em nada, dias a chorar, dias a pensar ” porquê a mim?” e ” porquê a nós?”. Chegou o dia da consulta em Santarém, ainda há médicas simpáticas capaz de explicar, acalmar e responder às nossas perguntas de forma tranquila. A amniocentense ficou marcada para dia 25 de Agosto (dia dos meus anos, havia lá pontaria melhor).
Desde a consulta, as conversas giravam em torno do mesmo: e “se o bebé tem realmente um problema?”; ” o que fazemos?”; ” aguentamos ter um bebé especial na nossa vida?”. Todos os cenários estiveram em cima da mesa.
Contamos à nossa família e amigos mais próximos, pois todo o apoio era bem-vindo e nós precisávamos disso mais que nunca. Todos os dias começaram a ser demasiado angustiantes: o medo de ir à casa de banho, o medo de tudo e um amor a crescer dentro de mim e a ficar cada vez mais forte.
No dia 21 de Agosto, às 8h da manhã quando fui à casa de banho, o medo intensificou-se quando, no papel, encontrei sangue. Voamos para o hospital.
Com 14 semanas e 7 dias fomos de imediato encaminhados para o piso da obstetrícia. A partir daí, fui sozinha, porque o pai não pode acompanhar a mãe nestas situações (ridículo, porque é quando precisamos de mais apoio). Na triagem a enfermeira fez perguntas, mediu a tensão e pediu para esperar pela médica. A médica chamou-me e lá vou eu de novo, sozinha, fazer uma ecografia.
Quando a médica disse, a agarrar-me a mão, “o seu bebé parou”, senti-me a cair ainda mais fundo e a bater no chão. A partir deste momento era seguir as normas, para estes casos, mais uma vez sozinha, sem o apoio incondicional do pai e do homem mais incrível que podia ter a meu lado.
Saí do consultório, lavada em lágrimas, e na sala de espera tive de dar a pior notícia, ao homem que também ia ser pai. A enfermeira veio ao pé de nós e explicou o que ia acontecer, mas que ele, que também perdera um filho , naquele momento não podia acompanhar. Segui para dentro depois de um abraço bem forte e apertado.
Deitada naquela maca da sala de parto número 5, com enfermeiras e auxiliares incríveis, que explicaram tudo as vezes necessárias, começamos então o processo: 3 comprimidos vaginais para induzir o parto, soro e sem me levantar durante 1h30. Essa hora foi tão dura, ali deitada, sozinha, com uma fralda quase maior que eu, caramba.
Começou o desconforto dentro de mim, chamei a enfermeira para me dar a medicação para acalmar aquele desconforto.
Nesse momento e depois de comer uma gelatina, perguntei se já podia ir à casa de banho. Com isto tudo já era 13h30 e parecia que a cada minuto estava com cada vez mais cólicas. Eu, novata nesta situação, não percebi que poderiam ser contrações. Fui à casa de banho, na sanita tinha de meter uma arrastadeira, foi neste momento que tudo aconteceu…demasiado sangue no xixi e um feto a querer sair. Foi duro ver aquilo, chamei de imediato a enfermeira que me levou de volta ao quarto e, juntamente com mais duas enfermeiras, enquanto uma me dava a mão as outras retiravam, aquele que iria ser o meu amor maior.
Desde as 10h30 até às 14h todo um processo doloroso, fisicamente, psicologicamente e emocionalmente. Depois de tudo, fui repetir a ecografia, foi rápido, segundo a médica e estava tudo limpinho. Quando regressei ao quarto, estava o meu maridão à minha espera (antes de tudo começar a enfermeira disse que o podia chamar), e ali esteve ele comigo, toda a tarde até me darem alta, mesmo sem ser permitido, mas eu precisava dele e ele de mim. Tive alta nessa mesma tarde, as 19h, só queria vir para casa.
Neste momento já passaram quase 15 dias, estou de baixa, durante 30 dias. Posso dizer que estes dias têm sido um misto de emoções, dias em que apetece rir e sair, dias em que apetece estar sossegada e a chorar. Já pensei em voltar ao trabalho para ocupar a cabeça, mas não sei se tenho força para tal. Vou ficar, por enquanto, aqui a fazer o meu luto, deste que ia ser o meu amor para a vida toda.
Nestas alturas, vemos quem são os verdadeiros amigos, os amigos que são família e que mesmo quando estamos no chão, eles sentam-se connosco e fazem a festa.
Um Agosto triste, que nunca vou esquecer. Quis o meu anjinho que no dia dos meus anos não passasse pela amniocentese, por isso acelerou o processo e não obrigou os pais a tomar aquela que iria ser a pior decisão.
Me chamo Valdiana sou mãe de 6 filhos, sendo 3 anjos.
No ano de 2021 fiquei grávida de gémeos. Porém, em agosto de 2021, com 16 semanas, o coração deles parou de bater e o meu quase se foi com eles pois eu já amava muito o Ben e a Celina.
Sofri muito e, ainda enlutada deles, fiquei grávida novamente. A esperança se reacendeu, meus olhos voltaram a brilhar e vi sentido na vida outra vez.
Quando estava com 19 semanas a bolsa rompeu e começou uma batalha pela vida do meu Nathanael. Com muito esforço meu e da equipa médica ele conseguiu chegar aos 8 meses.
No dia 17/7/22 nasceu, foi pra UTI e 11 horas depois o meu amor faleceu, levando com ele toda minha vontade de ficar, de continuar.
Hoje, com o meu coração ainda dilacerado, estou tentando prosseguir pelos meus 3 filhos que estão aqui e que precisam de mim.