Assim como tantas mulheres, o desejo de ser mais, é algo que se tenta alcançar. Mas nem sempre as coisas correm da melhor forma e as marcas ficam para sempre gravadas na memória.
Em 2011 engravidei e às 6 semanas o coração do bebé deixou de bater.
Foi então que comecei um processo difícil de abortamento, segue-se um internamento muito doloroso fisicamente e psicologicamente. Depois deste sofrimento nem queria ouvir falar em engravidar porque as dores físicas e psicológicas estavam, e estiveram, presentes durante muito tempo.
Até que, ano de 2016, decidi que seria altura de voltar a engravidar. Logo engravidei e claro muito feliz mas mais uma vez (com cerca de 5 semanas) voltou aconteceu o mesmo. Desta vez o processo foi menos doloroso, no entanto o psicológico ficava novamente afetado.
Mesmo sendo um “feijăozinho”, a dor da perda é igual independente do tempo de gestação.
Pois bem, no mês a seguir numa consulta pós-abortamento, recebi a notícia que estava novamente grávida (como era possível estar grávida logo depois de ter abortado) e fiquei muito apreensiva, mas logicamente fiquei muito feliz.
Deixei de trabalhar por recomendação médica. Estava tudo a correr na normalidade até que novamente às 9 semanas tudo acontece, ou seja, comecei um novo processo de abortamento.
Fui hospitalizada e, mais uma vez, sofri imenso. As dores físicas e psicológicas foram com uma dimensão que não se consegue explicar. Nunca tive nenhum tipo de acompanhamento médico do foro psicológico e os profissionais desta área reagem e falam para nós como se fosse mais uma a perder um feto. Sim, porque como estamos a falar de abortamentos no primeiro trimestre; é impensável dizer-se que se trata de um bebé.
Até hoje é uma mágoa que guardo e que nunca irei esquecer.
Mesmo sendo um “feijăozinho”, a dor da perda é igual independente do tempo de gestação.
Hoje tenho dois meninos lindos. O primeiro nasceu em 2018 e o segundo nasceu este ano de 2021. Agradeço muito ter dois meninos (lindos e saudáveis) mas nunca irei esquecer o que passei e das marcas psicológicas que estão bem vincadas num passado muito presente.
Chamo-me Ivone. Acabo de fazer 45 anos. Nasci no Porto e vivi perto de Famalicão até ao fim da minha adolescência. Fui para a faculdade no Porto. Dali, migrei para a Itália como assistente Língua e aqui conheci o meu marido. Pensávamos que eu não podia ter filhos.
Estávamos a tentar há três anos e meio, e nada. Depois; o atraso, a ameaça de aborto, o colo do útero mais curto do que o devido.
Às 32 semanas, nasceu o Samuel.
Vi o meu menino depois de quatro longos dias e trouxe-o para casa depois de vinte. Fiquei com um grande trauma pela prematuridade do meu filho.
Tentei ajudar outras mães como eu. Criei um grupo, e percebi que a prematuridade pode ser vista como uma forma de luto. Agora, o Samuel tem 13 anos. Está bem, é saudável, mas ainda tenho essa cicatriz.
Quando o Samuel tinha seis anos, tive uma gravidez completa. O Gabriele Pio nasceu às 41 semanas, depois de um trabalho de parto de sonho. Romperam-me as membranas e disseram-me para me deitar. Os batimentos cardíacos subiram para 200 e caíram imediatamente para 45. Fizeram-me imediatamente a cesariana e o meu menino ganhou um lugar no céu.
Sempre o incluí como membro da nossa família. Nunca evitei falar dele, de o contar entre os meus filhos, e muitas pessoas reagem mal a isso. Tenho cinco fotografias dele que, para mim, são preciosas. Estão na minha carteira, na minha secretária em casa, no meu telefone, num medalhão, e não escondo nenhuma dessas coisas. Para mim não seria natural escondê-las.
O Gabriele faz parte de mim e estará sempre comigo.
Depois de três anos, nasceu-me a Íris. Nasceu há nove meses quase certinhos e felizmente consegui amamentar. Teve um bocadinho de icterícia mas essa a nós faz-nos cócegas depois de tudo o que passámos.
A Íris tem quatro anos e conhece muito bem o irmão Gabriele. Fala dele sem medo e isso para nós é muito importante. A gravidez dela foi muito difícil. Fiz cesariana programada, porque estava aterrorizada. Normalmente digo que ela é a minha fadinha, porque trouxe outra vez a magia para a minha vida.
Agora tenho 45 anos. Está para fazer 8 anos que o céu tem um pedaço imenso do meu coração. E ainda dói.
O Samuel mostrou-me o que é a prematuridade e quanto pode ser precioso SABER que há outras pessoas que passaram ou passam pelo mesmo. O Gabriele mostrou-me como se ama com um céu de distância. A Íris ajudou-me a sentir-me outra vez viva. A magia existe, e para mim chama-se Irís.
Venho partilhar com vocês a nossa história, uma história de 6 e de muito Amor! Eu, o meu marido, o meu filho do anterior casamento, os gémeos e a minha filha.
Tudo começou em novembro de 2018, quando eu e o meu marido percebemos que algo estaria de errado, mais de 1 ano tinha passado e nada de conseguir-mos engravidar. Foi aí que decidimos conversar com a minha Ginecologista, sobre a possibilidade de algo estar errado. A médica pôs em cima da mesa a possibilidade, e decidiu então avançar para os procedimentos normais de avaliação.
Dia 27 de dezembro tivemos a confirmação de que havia sim um problema de infertilidade e expôs todas as hipóteses para nos ajudar a ser pais. Avançámos então para todos os procedimentos seguintes, necessários, para o tratamento. Sempre estivemos muito positivos e a levar o tratamento com imensa calma e… após todos os procedimentos, dia 14 de Abril temos a confirmação: estava grávida de Gémeos, transbordámos de felicidade, pois tínhamos conseguido engravidar e à primeira.
Tive gravidez de alto risco a partir das 9 semanas, porque tive um descolamento e foi a total felicidade até às 18 semanas.
Às 18 semanas tivemos a melhor e a pior notícia que podiamos ter, a melhor notícia foi que era um menino e uma menina um tão desejado casal, a pior notícia foi que, felizmente, estava tudo bem com o menino mas, infelizmente, a menina tinha um problema grave e a gravidez não era viável.
“diga à sua filha o quanto a ama, o quanto foi importante o tempo que esteve dentro de si, diga-lhe tudo agora”
Tive a reação mais fria e pragmática da minha vida, congelei, aquelas palavras eram como se não tivessem chegado ao coração. Quando saí do gabinete fui marcar normalmente a próxima Ecografia e, quando saí, o meu Mundo caiu; foi como se apenas naquela altura o cérebro tivesse passado a mensagem ao meu coração. Chorei, chorei muito agarrada ao meu marido, questionei a Deus o porquê.
Apenas depois nos apercebemos que não sabíamos então o que fazer, nem o que ia acontecer. Passados uns dias fomos à consulta, e aí foi-nos explicado os prodecimentos possíveis, na minha cabeça eu ia perder os dois, mas porquê se o meu filho estava bem.
Foi então que conheci um mundo que desconhecia e que depois apercebi-me que imensas mulheres passavam por ele e aí ainda me senti pior. Foi-me dada a possibilidade de fazer um Feticídio seletivo, ou seja, parar o coração da minha filha para a gravidez dela não avançar e a do meu filho continuar. Isto era possível porque estavam em bolsas separadas e porque a minha filha tinha um problema realmente grave e se não perdesse a vida durante a gravidez, iria ter imenso sofrimento até acontecer após o nascimento. Enquanto me explicavam tudo isto e de como era feito o prodecimento, na minha cabeça eu só tinha, que para ter um filho eu ia ter que parar o coração do outro e a minha cabeça bloqueou ali.
A lei em Portugal nestas situações de gémeos em bolsas separadas cujo segundo bebé está bem, só permite o feticídio seletivo às 32 semanas, ou seja, até lá tudo podia acontecer: eu podia inclusive perder os dois se a minha filha não sobrevivesse até às 32 semanas, podia até entrar em trabalho de parto antes das 32 semanas e eles iriam nascer. A minha filha iria nascer viva, ou não, e iria sofrer até acontecer o inevitável. Eu ia ter a minha filha dentro de mim a mexer, a interagir com o meu toque e a interagir com o irmão até lá, e eu sabia o que iria acontecer.
Foi uma gravidez de muito stress, medo, culpa, e tantas coisas mais à volta na minha cabeça, desde o primeiro dia que o hospital disponibilizou uma psicóloga para os dois. Nós iamos às consultas com ela, ajudou muito, a preparar-me para o dia em que eu ia parar o coração da minha filha.
O que eu fiz foi amor, foi por amor
O pior dia da minha vida tinha chegado, o dia em que fazia as 32 semanas. O dia que eu não queria. O dia em que eu perdi para sempre um pedaço de mim, o pior vazio que senti, e, ao mesmo tempo, no meio de tudo, tinha que estar capaz, com forças pelo meu menino que podia por causa do procedimento querer nascer, naquela altura ou nos dias seguintes.
Mas foi nesse dia que me foi enviada uma enfermeira que me acompanhou no antes, durante e pôs procedimento, um anjo de bata branca, deu-me uma força extraordinária; deu-me a mão antes do procedimento e disse-me ao ouvido “diga à sua filha o quanto a ama, o quanto foi importante o tempo que esteve dentro de si, diga-lhe tudo agora” e eu disse!! Foi tão bom!! Fez toda a diferença, hoje eu sei isso.
O meu sentimento de culpa desapareceu ali, o que eu fiz foi amor, foi por amor, e todo o amor que lhe dei durante 32 semanas ela retribui-me com mais amor.
1 ano depois nasceu a irmã. De forma natural engravidei e não tive medo na gravidez. Eu sabia que tinha uma estrelinha a proteger-nos a todos, e protege.
O irmão nasceu às 36 semanas, quis nascer exatamente no dia em que fazia 1 mês do procedimento, e a minha filha também nasceu.
Foi um misto de emoções o dia em que nasceram, a felicidade de finalmente conhecer e ter nos braços o meu filho, e o dia em que conheci e tive nos braços para lhe dizer mais uma vez o quanto a amava, a minha filha. Sim eu quis ver e despedir-me do rosto da minha filha, a mesma enfermeira aconselhou-me a fazê-lo que era importante para o luto e foi sim, mais uma vez aquele anjo de bata branca me ajudou.
Ultrapassei com o passar dos dias; todos os dias tenho um momento em que me lembro como se fosse hoje. Para mim o dia em que perdi a minha filha foi em novembro e o dia em que nasceu foi em dezembro.
Foi uma corajosa, aguentou com todas as forças até às 32 semanas pelo irmão, é o meu anjinho que quando perco um pouco as forças me lembra o que é a força e a coragem e me faz erguer.
A minha filha que 1 ano depois nasceu em dezembro de 2020 foi o amor que a minha estrelinha me enviou.
Espero de alguma forma ajudar com o meu testemunho outras mulheres que estão a passar ou passaram pelo mesmo que eu, desconhecia mas são muitas, no dia em que fiz o procedimento lá estavam mais 2 casais a prepararem-se para o mesmo que eu, e eu fui o caminho a pensar porquê a mim e eles provavelmente a pensar o mesmo.
A perda de um bebé pode ter um impacto profundo em toda a família. Terá impacto nas crianças que estavam à espera de um irmão(ã), sobrinha(o) ou primo(a). Igualmente na criança que sobreviveu de um par de gémeos ou até filhos que nascem depois do bebé ter morrido. Neste artigo, damos algumas dicas para explicar às crianças a perda de um bebé.
Apesar de estar dirigido aos pais, este artigo pode aplicar-se a outros familiares, professores e outras pessoas que possam apoiar a criança.
Explicar às crianças a perda de um bebé: dicas
Contar a alguém que um bebé morreu já pode ser bastante difícil. Contar a crianças pode ser especialmente complicado.
É desafiante escolher quando e qual informação dar e explicar o que aconteceu de forma a que a criança entenda. É também complexo passar a mensagem de que este fim não pode ser alterado.
Se não se achar capaz de contar aos seus filhos o que aconteceu, pode pedir a um familiar, como os avós, para o/a ajudar.
Esta pessoa poderá explicar o que aconteceu e o porquê de você estar triste e que, enquanto se estão a resolver as coisas, a criança terá de ficar com ela.
Se o seu bebé faleceu numa unidade neonatal, pode recorrer a um psicólogo ou terapeuta que o possa ajudar com isto.
Quando decidir partilhar a notícia com os seus filhos, é natural sentir-se ansiosa(o) e protetor(a). É importante que considere as idades e a sua capacidade de perceção.
As crianças podem reagir de forma diferente ao esperada – podem não lhe dar a atenção que acha que deveriam ou podem mostrar-se incrivelmente afectados. Ambas e tudo no entremeio é normal
É também fundamental que as crianças percebam que não há problema em chorar e que a(o) podem ver a chorar também.
Quando falar com eles, pode usar frases como “estamos tristes porque o nosso bebé morreu. Quando alguém morre, isso significa que nunca mais os vamos poder ver”. Pode também ser levado pelas questões das próprias crianças.
Pode querer incluir alguns detalhes como o sexo do bebé ou o nome. Assegure-os que podem perguntar mais quando quiserem.
Muitas vezes as crianças aceitam estas simples explicações sem grandes dúvidas e continuarem com as atividades em que se encontravam antes ou mudam imediatamente de assunto. Esta é uma reação normal.
Quando a perda é neonatal
E como explicar às crianças a perda de um bebé nos casos de perda neonatal?
Crianças pequenas que tenham visitado o bebé nas unidades neonatais poderiam estar sob a impressão que o bebé iria melhorar e vir para casa. Podem, portanto, ficar confusos e aflitos sem perceber porque é que este não foi o caso.
É possível que as suas rotinas tenham sido alteradas pelos longos períodos no hospital e desenvolvido uma relação com o bebé. É importante encorajá-los a falar sobre o que sentem e explicar-lhes o que aconteceu.
Algumas crianças gostam de saber sobre o funeral ou para onde vamos quando morremos. Crenças religiosas podem influenciar as suas respostas. Se não for o caso ou quiser manter o assunto mais neutro pode começar as suas respostas com “algumas pessoas acreditam…” ou simplesmente “não sabemos…” Para crianças mais novas, tente dar-lhes uma ideia do que vai acontecer no funeral. Relembre-os que o bebé não sente nada e não está em sofrimento – já que um funeral pode ser assustador.
Uma forma de ajudar crianças mais novas a entender a morte é ler livros que abordam o tema de modo apropriado para a idade.
Ser honesto com as crianças
Mesmo pequenas, as crianças sentem quando algo está errado.
Se não lhes for dito o que está a contecer, isso pode assustá-los e fazê-los imaginar que eles são a razão da sua tristeza.
Por duro que pareça, uma linguagem simples e honesta é melhor do que frases que possam ter significados múltiplos.
Por exemplo, dizer que o bebé está a dormir podem soar confusas e pode preocupa-los sobre irem para a cama e não voltarem a acordar. Expressões como “perdemos o bebé” ou “ não está cá” podem levá-los a pensar que o bebé está só perdido ou vai voltar. Isso leva a uma esperança falsa sobre o estado do bebé e a possibilidade de ele poder acordar ou ser encontrado. Estas expressões podem também preocupar a criança sobre se o mesmo lhe poderá acontecer ou a si.
De igual forma, dizer que o bebé estava doente pode assustá-lo quando eles ficarem doentes.
Tal como os adultos, as crianças têm um vasto leque de emoções; estes podem aparecer em ordem aleatória. E, tal como os adultos, estes sentimentos podem ser conflituosos e complicados.
Sentimentos de revolta e culpa
As crianças têm sentimentos mistos sobre o novo irmão ou irmã. Uma criança que tenha sentido inveja durante a gravidez pode sentir-se culpada sobre a morte do bebé. Pode ser benéfico lembrá-lo que nada é culpa deles e nada que eles tenham feito ou pensado poderia mudar o que aconteceu.
Outras crianças podem sentir revolta contra o bebé ou até os pais. Poderão também temer que que outros chegados a si possam morrer também. Podem demonstrar também mais irritação do que o habitual a pais que estejam separados, especialmente se a mãe se encontrar criticamente doente ou tem de ficar no hospital.
Fatores de alerta no comportamento
Assim como os adultos, crianças, especialmente as mais novas, podem ter dificuldades em expressar os seus sentimentos. Procure mudanças no seu comportamento. Por exemplo, uma criança que já estava treinada para ir à casa de banho, podem querer voltar a fraldas ou recomeçar a molhar a cama. Poderão também tornar-se mais dependentes. Mudanças em rotinas de alimentação ou sono também devem ser notadas. Tente manter a rotina o mais normal possível e crie oportunidades para os seus filhos fazerem perguntas.
É comum para crianças expressarem os seus sentimentos através de brincadeira, pintura ou desenho. Isto poderá indicar os sentimentos e humor deles e ser uma forma de expressar o que sentem. Considere que apoio externo a criança pode precisar, quer seja através de familiares, amigos ou terapia.
Profissionais como professores, tutores ou médicos devem ser mantidos informados para que possam ser apoiados devidamente.
Crianças, por norma, navegam o entendimento como vai ver mais à frente. Se a criança já tiver experienciado uma morte na família ou tiver dificuldade de aprendizagem ou mental, isto pode afetar a sua capacidade de compreensão ou de resposta.
Olá, tenho 41 anos e em 2015 fiquei grávida do meu segundo filho… um bebé muito desejado e planeado tal como o meu primeiro filhote, na altura com 5 anos, que queria tanto um irmão.
Tudo corria bem até à ecografia das 20 semanas em que se descobriu que o meu bebé tinha uma malformação nos rins.
Parou de crescer! A médica que me seguia entrou em contacto comigo para a notícia mais triste da minha vida…teria de interromper a gravidez porque a gravidez não era viável e muito provavelmente nem chegaria ao fim. Tive uma médica que, apesar do sofrimento do momento, fez tudo para que fosse um processo rápido: entre a consulta, autorização, o parto e a alta hospitalar, foram 5 dias.
Foi um momento muito difícil, muito sofrimento e um psicológico muito afetado…não vi o meu menino por opção e só soube que era um menino quando “nasceu”. Tive alta hospitalar no dia em que o meu filhote mais velho completava 5 anos! O mais difícil foi explicar a uma criança de 5 anos que já não havia mais um irmão: agora era a nossa estrelinha! Ao final de 2 dias voltei novamente ao hospital…os meus peitos inchados, cheios de leite para dar e não ter a quem…é uma tristeza e um vazio enorme. Nunca tive apoio psicológico.
Apesar de me faltar um pedaço de mim… o meu menino, eu consigo ser feliz.
Ao final de 1 mês recebi o relatório médico onde se confirmava a malformação nos rins… não foi nada genético, apenas obra da natureza. Mas não desisti e, passado 5 meses, voltei a engravidar, uma gravidez normal mas com alguma ansiedade…aí veio a minha bebé arco-íris.
Uma menina linda e saudável que tem agora 4 anos. Apesar de me faltar um pedaço de mim…o meu menino, eu consigo ser feliz.
Nunca vou esquecer, ainda hoje por vezes choro a minha perda…era parte de mim!
O tempo acaba por acalmar a dor, aprendemos a viver com essa dor, mas não deixa de existir.
Eu perdi duas gravidezes. A primeira, há 12 anos, foi uma gravidez ectópica. Não me lembro bem quanto tempo durou. Só me recordo da sensação de que algo dentro da minha barriga estava a rebentar. A dor era tal que cheguei a perder os sentidos.
Depois o internamento. Estive lá durante 3 dias em que fazia exames diariamente de manhã e à tarde para se saber como estava a evoluir a gravidez até que as dores pararam e os médicos me disseram que o embrião tinha descido para o útero, mas que a gravidez era inviável e teria que esperar até que o corpo o expulsasse.
Não sei dizer quantas semanas passaram até que me voltaram a internar e provocaram o parto. Todo o processo foi feito na enfermaria, mas completamente sozinha…
Passado um ano voltei a engravidar mas desta vez a ferida ficou mesmo muito, muito funda.
De mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”
Ainda hoje tenho pesadelos com o que passei. Na ecografia das 13 semanas o médico detectou que algo não estava bem com o bebé. As medidas do bebé não estavam correctas e enviou-me para a consulta de diagnóstico precoce.
Aqui eu e o meu marido fomos muito bem recebidos. Explicaram-nos tudo o que estava a acontecer, o que significavam aquelas medidas e o que nos iram fazer. Voltei a repetir a ecografia e passado 2 ou 3 dias fiz a amniocentese. A imagem que ficou gravada na minha cabeça foi de estar deitada numa maca, de mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”.
Depois segue-se novo internamento, provocarem-me novamente o parto, tudo novamente sozinha e para piorar um pouco mais a situação desta vez vi o feto e fui eu que chamei a enfermeira após a expulsão.
Até hoje guardo aquela imagem horrível. Tinha 18 semanas de gestação. Fiquei a saber que o bebé tinha trissomia total, ou seja, todos os cromossomas eram a triplicar. É uma alteração genética raríssima. No ano anterior não tinha existido nenhum caso em Portugal, naquele ano houve apenas o meu e no ano seguinte houve 2 casos. Eu e o meu marido fizemos estudos genéticos e depois voltámos a tentar engravidar.
Atualmente temos dois rapazes, um de 10 anos e outro de 6. São uns meninos lindos, saudáveis e bons traquinas como todas as crianças devem ser.
Espero que ao partilhar a minha história possa ajudar alguém. Pelo menos e sinto que me ajuda a lidar melhor com o que passei.
Quando um casal resolve procurar ajuda para a Infertilidade, o primeiro passo é contatar o seu médico de família. No entanto, as listas de espera do Sistema Nacional de Saúde levam, por vezes, à procura por ajuda em hospitais e clínicas privadas.
Embora sendo uma opção de custos avultados, compilámos uma lista de centros de procriação medicamente assistida:
Por favor, note que estas clínicas e hospitais são apenas indicações e recomendações. Para mais informação procure detalhes junto do seu médico de família.
Existem várias possibilidades que afetam a (In)fertilidade de uma pessoa ou casal. Estas podem, ou não, estar associadas a anomalias quer no sistema reprodutor feminino ou masculino. Para além disso, considera-se que em cerca de 30% dos casos, ambas as partes contribuem para a dificuldade em engravidar. Assim, a investigação deverá ser feita ao casal. Por isso, neste artigo, falaremos das possíveis causas e percursos na batalha com a infertilidade.
Os médicos de família são, frequentemente, o primeiro ponto de contacto das pessoas e/ou casais com dificuldade em conseguir uma gravidez autónoma.
Entre outros, os fatores que afetam a infertilidade são:
Fatores femininos (cerca de 30% a 40%)
Disfunção ovulatória,
Lesão ou obstrução das trompas
Endometriose
Patologias e/ou anomalias no útero
Menopausa precoce
Fatores masculinos (cerca de 30% a 40%):
Alterações na qualidade do esperma
Disfunções na ereção e ejaculação
Patologias do testículo, dutos, epidídimo e próstata
Fatores Mistos (cerca de 20%):
Neste caso, os dois elementos do casal são responsáveis.
Tal como a gravidez, a infertilidade pode ser influenciada por fatores pessoais como:
A idade da mulher (de forma significativa depois dos 35 anos)
Consumo de tabaco, álcool e drogas
Medicação que a mãe esteja a tomar
Hábitos alimentares e estilos de vida
Etc.
Em aproximadamente 10% dos casos, não se conseguem apurar as causas.
Enquanto que a infertilidade se traduz na dificuldade em engravidar ou de conseguir que uma gestação chegue ao seu termo, já a esterilidade é a incapacidade de um indivíduo ou de um casal obter uma gravidez. Estes não são sinónimos.
A nossa família começou em 14.02.2014, quando inesperadamente eu e o pai descobrimos que o Dinis vinha a caminho. Depois do choque inicial, instalou-se aquele sentimento bom de que se ia realizar um sonho, há muito esperado.
Sempre fui uma grávida muito consciente, soube sempre que coisas más acontecem e sobretudo na primeira gravidez, tive sempre algum receio. A 03.11.2014 nasceu o Dinis e eu tornei-me mãe. Soube desde o primeiro momento que o meu coração era dele e que tinha nascido para isto. Aliás disse logo ao pai que sabia que não ficaríamos por ali. Na realidade, o nosso desejo sempre foram os três filhos, mas ouvimos sempre relatos de quem acaba por desistir, porque isto não é fácil.
O primeiro ano de vida do nosso Dinis foi muito desgastante e difícil, e nada cor-de-rosa, como toda a gente fazia parecer. No entanto, perseveramos e em 2017 engravidei novamente. Foi uma gravidez tranquila q.b., com alguns sobressaltos já no fim, mas senti-me muito mais descontraída. E foi então que em 03.01.2018 nasceu a Laurinha. A menina que eu não sabia que queria ter, porque sempre me imaginei mãe de três rapazes.
Foram anos complicados com duas crianças pequeninas, mas justamente quando começava tudo a acalmar, decidimos avançar com o nosso sonho e completar a nossa família. Foi assim que planeamos ter o nosso terceiro bebé. E claro que se tudo correu bem até agora, porque seria diferente?
Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.
Tivemos os mesmos cuidados que das outras gravidezes, fomos acompanhados pela mesma obstetra e fizemos inclusivamente um seguro para ter a bebé no privado. Como da última vez o parto foi um pouco atribulado, decidimos procurar uma alternativa. Certo é que o sítio de onde “fugi”, foi onde fui encontrar todas as respostas. Ironias da vida…
Tudo corria lindamente e tinha uma barriga muito grande que exibia com orgulho. Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.
Por voltas das 28 semanas, a nossa obstetra reparou que existia uma coisa mínima no coração e quis descartar qualquer situação, só mesmo por prevenção. Assim sendo, encaminhou-nos para um ecocardiograma fetal. Lá confirmaram que efetivamente existia algum “bloqueio”, mas que poderia estar associado a algum alimento que estivesse a consumir em demasia. Eu sempre soube que não era de nenhum alimento e nesse mesmo dia “deixei de respirar”. Eu sabia que algo se passava. Ficou acordado repetir o exame passadas duas semanas. A minha Obstetra decidiu antecipar a ecografia do 3º trimestre para eu ficar mais descansada. Lembro-me que saí de casa feliz da vida, afinal ia ver a minha querida menina. Esse dia mudou a minha vida para sempre.
Quando iniciei a ecografia, comecei logo a achar que algo não estava bem. A minha obstetra estava muito calada e media e revia tudo, vezes sem conta. Às tantas diz me que algo não se estava a desenvolver como era esperado no cérebro da bebé! Eu fiquei em choque, como assim no cérebro? Não era no coração? A Obstetra foi rever os resultados da 2ª ecografia para ver se se tinha enganado em alguma coisa. Tentou ver a menina em 4D para ver se existia alguma anomalia visível, mas não, era linda a nossa Pilar. De repente eu desatei a chorar e a minha Obstetra de mão dada a mim, não conseguia esconder o seu desespero. Depois disso, já só me lembro de chamarem o Pai para me ir buscar e seguir para o Hospital. Só tive tempo de ir a casa, preparar as coisas e despedir-me dos meninos. Nunca até à data os tinha deixado e custou me mesmo muito. Ficaram com a minha mãe que cuidou deles com todo o amor, sem nunca demonstrar o sofrimento horrível que passava ao ver a sua “menina”, única filha, a sofrer desta maneira.
Seguimos para o hospital e em poucos minutos chegou o diagnóstico: aneurisma da veia de Galeno e insuficiência cardíaca severa. É uma condição extremamente rara e com um prognóstico extremamente reservado. Aprendi mais tarde, com horas e horas de estudo, que muitas vezes só é detetado no nascimento. Seguiram-se momentos em que nos traçaram os piores cenários possíveis, mas eu segui forte.
Jamais iria interromper a gravidez. Ficamos internadas e o nosso caso foi a referenciação nacional. Foram contactados hospitais no estrangeiro e eu, nós, estávamos dispostos a tudo para salvar a nossa filha. A partir do momento em que entrei naquele hospital, posso dizer que entrei em modo de sobrevivência. Eu não pensava em mais nada que não fosse fazer o possível e o impossível pela nossa filha. Dia após dia a ouvir os piores cenários e sempre firme e forte. Toda a nossa esperança se depositava em alguém se predispusesse a operar a nossa menina. Ela mantinha-se estável e ativa. A nossa menina lutou com uma guerreira, ela queria viver. Dias depois chegou o veredicto: “a única opção que nos deram foi tentar mantê-la viva até aos 6 meses e depois operar”.
Como assim tentar mantê-la viva? Este ser gerado do amor, o nosso bebé, ia deixar o quentinho da minha barriga para a tentar manter viva? Sem existir qualquer perspetiva de que se conseguisse recuperar? Sem saber se poderia brincar com os irmãos? Vir ao mundo para ficar no hospital ligada às máquinas por 6 meses, no melhor cenário possível, sem sabermos sequer se conseguiria suportar a cirurgia e se correria bem? Mas que raio de solução é essa? Eu sou licenciada em Direito e dos primeiros conceitos que aprendemos quando entramos na Universidade é o conceito da “dignidade da pessoa humana”. Quando ouvi estas palavras, os meus instintos começaram a gritar e luzes vermelhas acenderam-se, isto não é DIGNO para um ser tão amado e desejado.
A minha vontade era fazer tudo o que pudesse para a ter ao pé de mim, mesmo que o desfecho fosse o pior possível, como me diziam. Mas que tipo de mãe seria eu? Seria um ato extremamente egoísta da minha parte. E assim depois de dois dias completamente isolada no quarto do hospital, só com visitas esporádicas do pai, porque se plantava à porta do hospital e lá o deixavam entrar, devido ao caso que era, decidi que iríamos interromper a gravidez. No dia em que tomamos essa decisão senti-me destroçada por dentro e sabia que essa decisão me iria destruir para o resto da vida, mas a outra opção também não seria capaz de suportar. Tomei a minha decisão e comuniquei como queria que tudo se processasse, caso contrário pedia alta e ia procurar um local que me desse dignidade, a mim e a minha filha.
Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas.
Felizmente cumpriram com tudo e assim no dia 02.06.2020 a Pilar partiu dentro do quentinho da minha barriga, a ouvir somente o bater do meu coração destroçado por a perder. No dia 03.06.2020, mais uma vez o dia 03 como os irmãos, a Pilar “nasceu”, e eu completamente “dopada” tive a secreta esperança de a ouvir chorar. Mas nada, só silêncio. Naquele dia a Pilar deixou a minha barriga e eu abandonei o lado da maternidade em mim. Fiz uma laqueação. Não podia conceber voltar a passar por uma experiência daquelas.
Momentos depois, aconteceu o nosso primeiro encontro, única altura durante toda este processo em que tive alguma paz, a Pilar conheceu o calor do nosso colo e o nosso amor por ela. Peguei na nossa menina e só pude pedir desculpa, por não a ter conseguido salvar. Nesse momento a “Rita” que existia, desapareceu e nunca mais vai voltar. Parte de mim partiu com ela. Mas o AMOR, esse continua aqui no meu peito e nunca, jamais irá desaparecer. Amo-a com todas as minhas forças e é nela e nos irmãos que vou buscar força para me levantar todos os dias e seguir.
Quero muito que eles se orgulhem de mim. Como podem ver lá por ser a terceira viagem ninguém está livre de um desfecho destes. Ouvi constantemente no hospital a pergunta: “É o primeiro?” e tive de responder sempre: “é a terceira!”. Como se isso diminuísse o meu sofrimento. Depois de sair do internamento, passei, e ainda passo, momentos muito duros. Há muitos dias em que o “escuro” volta e me quer engolir, mas tento valorizar os dias bons.
Muitas vezes me pergunto como vou viver com esta dor no meu peito, com este vazio que nunca nada vai preencher, com esta saudade que nunca cessa. Não sei, só sei que vou falar sempre em ti meu amor. Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas. Vou falar sempre em ti, todos os dias da minha vida, e em mim viverás para sempre. Esta é a nossa história minha princesa e é sobre AMOR, RESILIÊNCIA, RESPEITO e DIGNIDADE.