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Olá, tenho 41 anos e em 2015 fiquei grávida do meu segundo filho… um bebé muito desejado e planeado tal como o meu primeiro filhote, na altura com 5 anos, que queria tanto um irmão.

Tudo corria bem até à ecografia das 20 semanas em que se descobriu que o meu bebé tinha uma malformação nos rins.

Parou de crescer! A médica que me seguia entrou em contacto comigo para a notícia mais triste da minha vida…teria de interromper a gravidez porque a gravidez não era viável e muito provavelmente nem chegaria ao fim. Tive uma médica que, apesar do sofrimento do momento, fez tudo para que fosse um processo rápido: entre a consulta, autorização, o parto e a alta hospitalar, foram 5 dias.

Foi um momento muito difícil, muito sofrimento e um psicológico muito afetado…não vi o meu menino por opção e só soube que era um menino quando “nasceu”. Tive alta hospitalar no dia em que o meu filhote mais velho completava 5 anos! O mais difícil foi explicar a uma criança de 5 anos que já não havia mais um irmão: agora era a nossa estrelinha! Ao final de 2 dias voltei novamente ao hospital…os meus peitos inchados, cheios de leite para dar e não ter a quem…é uma tristeza e um vazio enorme. Nunca tive apoio psicológico.

Apesar de me faltar um pedaço de mim… o meu menino, eu consigo ser feliz.

Ao final de 1 mês recebi o relatório médico onde se confirmava a malformação nos rins… não foi nada genético, apenas obra da natureza. Mas não desisti e, passado 5 meses, voltei a engravidar, uma gravidez normal mas com alguma ansiedade…aí veio a minha bebé arco-íris.

Uma menina linda e saudável que tem agora 4 anos. Apesar de me faltar um pedaço de mim…o meu menino, eu consigo ser feliz.

Nunca vou esquecer, ainda hoje por vezes choro a minha perda…era parte de mim!

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Há feridas que doem para sempre.

O tempo acaba por acalmar a dor, aprendemos a viver com essa dor, mas não deixa de existir.

Eu perdi duas gravidezes. A primeira, há 12 anos, foi uma gravidez ectópica. Não me lembro bem quanto tempo durou. Só me recordo da sensação de que algo dentro da minha barriga estava a rebentar. A dor era tal que cheguei a perder os sentidos.

Depois o internamento. Estive lá durante 3 dias em que fazia exames diariamente de manhã e à tarde para se saber como estava a evoluir a gravidez até que as dores pararam e os médicos me disseram que o embrião tinha descido para o útero, mas que a gravidez era inviável e teria que esperar até que o corpo o expulsasse.

Não sei dizer quantas semanas passaram até que me voltaram a internar e provocaram o parto. Todo o processo foi feito na enfermaria, mas completamente sozinha…

Passado um ano voltei a engravidar mas desta vez a ferida ficou mesmo muito, muito funda.

De mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”

Ainda hoje tenho pesadelos com o que passei. Na ecografia das 13 semanas o médico detectou que algo não estava bem com o bebé. As medidas do bebé não estavam correctas e enviou-me para a consulta de diagnóstico precoce.

Aqui eu e o meu marido fomos muito bem recebidos. Explicaram-nos tudo o que estava a acontecer, o que significavam aquelas medidas e o que nos iram fazer. Voltei a repetir a ecografia e passado 2 ou 3 dias fiz a amniocentese. A imagem que ficou gravada na minha cabeça foi de estar deitada numa maca, de mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”.

Depois segue-se novo internamento, provocarem-me novamente o parto, tudo novamente sozinha e para piorar um pouco mais a situação desta vez vi o feto e fui eu que chamei a enfermeira após a expulsão.

Até hoje guardo aquela imagem horrível. Tinha 18 semanas de gestação. Fiquei a saber que o bebé tinha trissomia total, ou seja, todos os cromossomas eram a triplicar. É uma alteração genética raríssima. No ano anterior não tinha existido nenhum caso em Portugal, naquele ano houve apenas o meu e no ano seguinte houve 2 casos. Eu e o meu marido fizemos estudos genéticos e depois voltámos a tentar engravidar.

Atualmente temos dois rapazes, um de 10 anos e outro de 6. São uns meninos lindos, saudáveis e bons traquinas como todas as crianças devem ser.

Espero que ao partilhar a minha história possa ajudar alguém. Pelo menos e sinto que me ajuda a lidar melhor com o que passei.

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Pilar – A nossa história

Rita, mãe do Dinis, da Laurinha e da Pilar

A nossa família começou em 14.02.2014, quando inesperadamente eu e o pai descobrimos que o Dinis vinha a caminho. Depois do choque inicial, instalou-se aquele sentimento bom de que se ia realizar um sonho, há muito esperado.

Sempre fui uma grávida muito consciente, soube sempre que coisas más acontecem e sobretudo na primeira gravidez, tive sempre algum receio. A 03.11.2014 nasceu o Dinis e eu tornei-me mãe. Soube desde o primeiro momento que o meu coração era dele e que tinha nascido para isto. Aliás disse logo ao pai que sabia que não ficaríamos por ali. Na realidade, o nosso desejo sempre foram os três filhos, mas ouvimos sempre relatos de quem acaba por desistir, porque isto não é fácil.

O primeiro ano de vida do nosso Dinis foi muito desgastante e difícil, e nada cor-de-rosa, como toda a gente fazia parecer. No entanto, perseveramos e em 2017 engravidei novamente. Foi uma gravidez tranquila q.b., com alguns sobressaltos já no fim, mas senti-me muito mais descontraída. E foi então que em 03.01.2018 nasceu a Laurinha. A menina que eu não sabia que queria ter, porque sempre me imaginei mãe de três rapazes.

Foram anos complicados com duas crianças pequeninas, mas justamente quando começava tudo a acalmar, decidimos avançar com o nosso sonho e completar a nossa família. Foi assim que planeamos ter o nosso terceiro bebé. E claro que se tudo correu bem até agora, porque seria diferente?

Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.

Tivemos os mesmos cuidados que das outras gravidezes, fomos acompanhados pela mesma obstetra e fizemos inclusivamente um seguro para ter a bebé no privado. Como da última vez o parto foi um pouco atribulado, decidimos procurar uma alternativa. Certo é que o sítio de onde “fugi”, foi onde fui encontrar todas as respostas. Ironias da vida…

Tudo corria lindamente e tinha uma barriga muito grande que exibia com orgulho. Soubemos que era uma menina e ficamos felicíssimos. A Pilar vinha a caminho.

Por voltas das 28 semanas, a nossa obstetra reparou que existia uma coisa mínima no coração e quis descartar qualquer situação, só mesmo por prevenção. Assim sendo, encaminhou-nos para um ecocardiograma fetal. Lá confirmaram que efetivamente existia algum “bloqueio”, mas que poderia estar associado a algum alimento que estivesse a consumir em demasia. Eu sempre soube que não era de nenhum alimento e nesse mesmo dia “deixei de respirar”. Eu sabia que algo se passava. Ficou acordado repetir o exame passadas duas semanas. A minha Obstetra decidiu antecipar a ecografia do 3º trimestre para eu ficar mais descansada. Lembro-me que saí de casa feliz da vida, afinal ia ver a minha querida menina. Esse dia mudou a minha vida para sempre.

Quando iniciei a ecografia, comecei logo a achar que algo não estava bem. A minha obstetra estava muito calada e media e revia tudo, vezes sem conta. Às tantas diz me que algo não se estava a desenvolver como era esperado no cérebro da bebé! Eu fiquei em choque, como assim no cérebro? Não era no coração? A Obstetra foi rever os resultados da 2ª ecografia para ver se se tinha enganado em alguma coisa. Tentou ver a menina em 4D para ver se existia alguma anomalia visível, mas não, era linda a nossa Pilar. De repente eu desatei a chorar e a minha Obstetra de mão dada a mim, não conseguia esconder o seu desespero. Depois disso, já só me lembro de chamarem o Pai para me ir buscar e seguir para o Hospital. Só tive tempo de ir a casa, preparar as coisas e despedir-me dos meninos. Nunca até à data os tinha deixado e custou me mesmo muito. Ficaram com a minha mãe que cuidou deles com todo o amor, sem nunca demonstrar o sofrimento horrível que passava ao ver a sua “menina”, única filha, a sofrer desta maneira.

Seguimos para o hospital e em poucos minutos chegou o diagnóstico: aneurisma da veia de Galeno e insuficiência cardíaca severa. É uma condição extremamente rara e com um prognóstico extremamente reservado. Aprendi mais tarde, com horas e horas de estudo, que muitas vezes só é detetado no nascimento. Seguiram-se momentos em que nos traçaram os piores cenários possíveis, mas eu segui forte.

Jamais iria interromper a gravidez. Ficamos internadas e o nosso caso foi a referenciação nacional. Foram contactados hospitais no estrangeiro e eu, nós, estávamos dispostos a tudo para salvar a nossa filha. A partir do momento em que entrei naquele hospital, posso dizer que entrei em modo de sobrevivência. Eu não pensava em mais nada que não fosse fazer o possível e o impossível pela nossa filha. Dia após dia a ouvir os piores cenários e sempre firme e forte. Toda a nossa esperança se depositava em alguém se predispusesse a operar a nossa menina. Ela mantinha-se estável e ativa. A nossa menina lutou com uma guerreira, ela queria viver. Dias depois chegou o veredicto: “a única opção que nos deram foi tentar mantê-la viva até aos 6 meses e depois operar”.

Como assim tentar mantê-la viva? Este ser gerado do amor, o nosso bebé, ia deixar o quentinho da minha barriga para a tentar manter viva? Sem existir qualquer perspetiva de que se conseguisse recuperar? Sem saber se poderia brincar com os irmãos? Vir ao mundo para ficar no hospital ligada às máquinas por 6 meses, no melhor cenário possível, sem sabermos sequer se conseguiria suportar a cirurgia e se correria bem? Mas que raio de solução é essa? Eu sou licenciada em Direito e dos primeiros conceitos que aprendemos quando entramos na Universidade é o conceito da “dignidade da pessoa humana”. Quando ouvi estas palavras, os meus instintos começaram a gritar e luzes vermelhas acenderam-se, isto não é DIGNO para um ser tão amado e desejado.

A minha vontade era fazer tudo o que pudesse para a ter ao pé de mim, mesmo que o desfecho fosse o pior possível, como me diziam. Mas que tipo de mãe seria eu? Seria um ato extremamente egoísta da minha parte. E assim depois de dois dias completamente isolada no quarto do hospital, só com visitas esporádicas do pai, porque se plantava à porta do hospital e lá o deixavam entrar, devido ao caso que era, decidi que iríamos interromper a gravidez. No dia em que tomamos essa decisão senti-me destroçada por dentro e sabia que essa decisão me iria destruir para o resto da vida, mas a outra opção também não seria capaz de suportar. Tomei a minha decisão e comuniquei como queria que tudo se processasse, caso contrário pedia alta e ia procurar um local que me desse dignidade, a mim e a minha filha.

Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas.

Felizmente cumpriram com tudo e assim no dia 02.06.2020 a Pilar partiu dentro do quentinho da minha barriga, a ouvir somente o bater do meu coração destroçado por a perder. No dia 03.06.2020, mais uma vez o dia 03 como os irmãos, a Pilar “nasceu”, e eu completamente “dopada” tive a secreta esperança de a ouvir chorar. Mas nada, só silêncio. Naquele dia a Pilar deixou a minha barriga e eu abandonei o lado da maternidade em mim. Fiz uma laqueação. Não podia conceber voltar a passar por uma experiência daquelas.

Momentos depois, aconteceu o nosso primeiro encontro, única altura durante toda este processo em que tive alguma paz, a Pilar conheceu o calor do nosso colo e o nosso amor por ela. Peguei na nossa menina e só pude pedir desculpa, por não a ter conseguido salvar. Nesse momento a “Rita” que existia, desapareceu e nunca mais vai voltar. Parte de mim partiu com ela. Mas o AMOR, esse continua aqui no meu peito e nunca, jamais irá desaparecer. Amo-a com todas as minhas forças e é nela e nos irmãos que vou buscar força para me levantar todos os dias e seguir.

Quero muito que eles se orgulhem de mim. Como podem ver lá por ser a terceira viagem ninguém está livre de um desfecho destes. Ouvi constantemente no hospital a pergunta: “É o primeiro?” e tive de responder sempre: “é a terceira!”. Como se isso diminuísse o meu sofrimento. Depois de sair do internamento, passei, e ainda passo, momentos muito duros. Há muitos dias em que o “escuro” volta e me quer engolir, mas tento valorizar os dias bons.

Muitas vezes me pergunto como vou viver com esta dor no meu peito, com este vazio que nunca nada vai preencher, com esta saudade que nunca cessa. Não sei, só sei que vou falar sempre em ti meu amor. Que me sinto eternamente grata por me teres escolhido para tua mãe e que um dia voltaremos a estar juntas. Vou falar sempre em ti, todos os dias da minha vida, e em mim viverás para sempre. Esta é a nossa história minha princesa e é sobre AMOR, RESILIÊNCIA, RESPEITO e DIGNIDADE.

Amo-te muito minha doce menina!

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Ao fim de alguns meses, depois de 2 perdas, chega o tão desejado positivo. Desde o momento em que descobri que estava grávida, eu passei a amar um ser, um feijãozinho que crescia dentro de mim. Em todas as eco eu ia super ansiosa por boas notícias.

No dia em que ouvi o teu pequeno coraçãozinho a bater, o meu peito encheu-se de alegria foi um sentimento que não dá para descrever. A partir daí o meu e o teu coração batiam em sintonia, como se fosse só um. Nós fazíamos planos, já tínhamos alguns nomes, mas tudo o que mais queríamos era que viesses com muita saúde e perfeitinho. Eu sempre falei no masculino porque dentro de mim era um menino, Duarte seria o teu nome já eras tão amado.

Mas essa alegria não iria durar muito tempo… Algumas semanas depois eu tenho a pior notícia que me podiam ter dado… O meu bebé deixou de crescer e o teu pequeno coração não aguentou…10 semanas…

Os dias que se aproximam não são fáceis, mas eu não vou deixar de lutar pelo meu bebé.

Eu sei que ainda vou ter o meu bebé arco-íris e tal como eu sonho, um menino lindo de cabelo moreno como o pai e de pele clara como a mãe….

Que não me falte, saúde, fé, esperança, coragem e amor para eu ter o meu bebé nos meus braços…

Sei que onde estiveres estás a olhar por nós e serás mais uma estrelinha mais brilhante no céu, e o meu anjo da guarda…..


Até um dia meu amor….

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Somos Gémeos! Tomás e Tomé.

Estaríamos quase, quase a nascer, se tudo tivesse corrido bem, mas em vez disso nascemos antes… dezembro de 2020. A nossa mamã e papá foram muito corajosos, preferiram sofrer sozinhos do que nos ver sofrer. A mamã conta tudo.

O meu nome é Telma, tenho 36 anos e carrego comigo a maior dor que uma mãe pode suportar, a perda de um filho, sim porque para mim é e sempre serão filhos. Os meus filhos!

Foram precisos 6 anos para conseguirmos engravidar, entre consultas e tratamentos lá conseguimos o nosso tão desejado positivo a 23 de Julho de 2020, fruto de uma FIV e consequentemente TEC, onde transferimos dois embriões. Foi uma alegria quando soubemos que estava grávida e ainda para mais de Gémeos.

Fizemos todos os exames e mais alguns, desde análises, ecografias de trissomias até o NEOBONA nós fizemos, afinal não podíamos correr o risco de alguma coisa correr mal, tanto tempo à espera dos meus meninos.

Tudo correu bem, até à Morfológica, onde foi detetada, em ambos os meus meninos, uma cardiopatia muito grave, não era viver mas sim sobreviver.

Ficámos sem chão, não podíamos acreditar, fomos a vários médicos e todos nos disseram o mesmo. Muitas consultas, medicação, operações e nunca nos garantiram que sobreviveriam sequer à primeira intervenção cirúrgica.

Nenhuma mãe ou pai acredita às primeiras no que os médicos lhes dizem, não é o que esperamos e muito menos o que desejamos para os nossos filhos, foi preciso tentar não pensar com o coração e sim pensar com a cabeça o que era melhor para eles, e infelizmente o melhor para os meus meninos não o era para nós.

Tomámos, assim, a difícil decisão de interromper a gravidez. Os nossos filhos deixaram-nos a 16 de dezembro e a expulsão foi a 17. Apesar de tudo termos feito por eles, sinto uma dor cortante.

Tenho um colo vazio. São dias difíceis, muito difíceis.

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Olá a todas.

Gostava também de contar a minha história. Sou a Ana Sofia Silva tenho 35 anos. Durante seis anos andei na luta com a infertilidade.

Passei por alguns tratamentos de fertilidade. Mudei para uma clínica em Lisboa onde consegui o meu positivo em junho de 2020. Passei uma gravidez tranquila. Vim para casa às 16 semanas.

Trabalho no atendimento ao público. Vim para casa por causa da covid. Estava tão feliz.

Passei o meu tempo em casa a decorar o quartinho a tratar de tudo para o meu menino.

No dia 15 de janeiro de 2021 fui ao hospital privado consulta das 36 semanas está tudo bem, mas estava com algumas contrações. Não tinha dor. A médica mandou-me fazer repouso e tomar um medicamento para as contrações diminuírem. Tomei a medicação e vim para casa.

No dia seguinte, o bebé mexia muito, mas como ele se mexia muito normalmente achei normal. Na tarde de sábado achei que se estava a mexer menos, mas a médica disse que era normal. A medicação ia baixar-me as tensões e eu pensei que fosse disso.

Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

Quando fui à consulta das 37 semanas fui fazer as cintas e a enfermeira não estava a encontrar batimentos. Entretanto chegou a médica eu já estava em pânico e confirmou que o bebé não tinha batimentos cardíacos.

Como é possível perguntei eu. Estava tudo tão bem. Estava tudo pronto para ele nascer por volta das 38 semanas.

O meu mundo desabou. Fiz uma cesariana.

Quando acordei ainda tinha a esperança que ele estivesse ao meu lado vivo, que tudo fosse um mero engano. Não consegui ver o meu bebé. Na altura pensei que seria o mais apropriado uma vez que ia ter que me levantar depois desta perda. E não sabia se o conseguia fazer se o visse.

Hoje não sei se o deveria ter visto. Passaram 7 semanas. O meu coração está despedaçado. Nunca pensei que estas coisas aconteciam. A médica disse que foi o cordão à volta da barriga. Mandamos fazer autópsia. Ainda não sabemos o resultado. Olho para as outras pessoas com os seus bebés e digo muitas vezes: como é que é possível isto ter acontecido?

Os bebés não morrem.

Tenho tudo no quartinho do Tiago, na esperança de voltar a ser mãe. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de colo vazio.

Beijinhos obrigada 

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Olá

O meu nome é Carina e sou mãe de um lindo rapaz de 4 anos. Na sua gravidez surgiram alguns contratempos, mas nada de sério, pois, embora pequenino, nasceu saudável por cesariana de urgência. 

Passados dois anos e meio, fomos surpreendidos por uma nova gestação. Depois do choque inicial veio uma grande felicidade, no entanto acabou demasiado rápido… resultando num aborto espontâneo.

Como casal decidimos esperar pelos três anos do rapaz para voltarmos a tentar e assim foi. Ao fim de alguns meses fomos presenteados com um novo resultado positivo! Repleto de felicidade, mas também algum receio de uma nova perda gestacional, aliado ao Covid-19. O dia de Páscoa chegou e com ele também a neblina de um novo aborto espontâneo.

Estávamos desgastados e com o coração partido. Porém, após conversar com algumas mães que passaram por situações semelhantes, não desistimos e decidimos continuar. 

Poucos meses se passaram e obtivemos um novo positivo… que grande felicidade! “À terceira é de vez” pensámos. Marquei consulta de obstetrícia o mais rápido possível, realizámos ecografia e vimos um saco gestacional, ainda sem embrião por ser muito cedo. Admito, chorei muito nesse dia por tudo o que podia correr mal, mas acalmei e começámos a pensar como uma família de quatro. 

Dia 23 de agosto tive novo sangramento, e devido ao Covid-19, dirigi-me novamente sozinha para o Hospital, a pensar que era mais um aborto. 

(…) no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.

O médico fez um exame exaustivo e detetou hemorragia interna. Tratava-se de uma gravidez ectópica na trompa esquerda. Tinha ignorado todos os sinais que o meu corpo me deu até este dia…o mau estar e as dores constantes. O médico explicou-me que o saco que a Obstetra vira anteriormente, era uma vesícula falsa, algo bastante comum numa gravidez ectópica. Aliado a isto, o facto de a primeira ecografia ter sido realizada precocemente, também dificultou a deteção da GE. 

Dado que estava com hemorragia, encaminharam-me de urgência para o bloco operatório e removeram-me a trompa e o embrião, que já tanto amava. O internamento foi uma tortura, os bebés choravam e com eles chorava eu por ter o meu colo vazio. Senti-me mutilada, com corpo defeituoso, e desanimada com receio de nunca mais conseguir vir a ser mãe. Emocionalmente foi a pior das perdas e, enquanto casal, estávamos destroçados. A Obstetra tranquilizou-me, dizendo que, mesmo apenas com uma trompa, havia grande probabilidade de voltar a engravidar e assim foi… Sem “treinos a sério” veio o novo positivo. 

Os olhos do meu marido encheram-se de lágrimas, mas não por felicidade e sim receio de voltarmos a passar por tudo, no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.

Estou grávida de 19 semanas da minha menina arco-íris forte e bem mexida. É um dia de cada vez, mas cada pontapé é uma vitória. 

Se o vosso desejo é de serem mães e pais, não desistam! Lutem, sigam o vosso coração, sigam as recomendações médicas e, por favor, não ignorem os sinais que o vosso corpo vos dá.

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O meu nome é Filipa, tenho 36 anos, desde que me lembro sempre quis ser mãe, e sou mãe de 3 filhos, duas estrelas no universo e um terror dos sete mares em terra, há 17 meses.

Esta minha história começa em 2015, deixei de tomar a pílula e começamos a tentar engravidar!

Setembro de 2015, grávidos…que explosão de felicidade, de medo, não acreditámos! Segue tudo bem, tudo tranquilo, tirando os meus enjoos terríveis, as náuseas constantes, não conseguia comer… mas com o bebé tudo bem!! Ecografias normais, tudo tranquilo… 12 semanas, uns dias antes da ecografia fiz a recolha de sangue para o bioquímico, para no dia da eco já termos os resultados! (mas que resultados são estes pah?? Vai estar tudo ok…e aquilo também é só uma probabilidade…).

Fazemos a eco, há qualquer problema com umas medições…mas nada a temer! No final, cruzamento de dados e uma probabilidade de 1/129 para trissomia 21. Fiquei dormente… a médica apaziguou-nos, que era uma mera probabilidade e que estava tudo bem com o baby, e falou da possibilidade da amniocentese e de uma análise (Harmony), não comparticipada, mas que os resultados eram fiáveis e não era evasiva! Bora lá….não vai ser nada, lá fomos fazer a análise.

Durante as duas semanas de espera, uma eternidade, não se falou cá em casa de nada! Mas a notícia chegou… chegada a casa de trabalhar, estava lá a minha cunhada (enfermeira na obstetrícia, no hospital) com um pai desfeito e eu a perceber tudo sem uma única palavra… ela deixou o relatório, e foi embora e eu não chorei…fiquei ali… dormente!

Primeiro teste neste hospital de um Harmony com 99,9% de probabilidade de um bebé rapazola, com trissomia 21. Nova consulta, nova apresentação de possibilidades, continuar com a gravidez, fazer amniocentese, e caso quiséssemos interromper teria mesmo que avançar para o exame!

INTERROMPER???? Quem?? Toda a minha vida disse que NUNCA ia interromper uma gravidez por saber que o meu filho tinha uma deficiência… mas, e agora? O que é que eu quero fazer? A decisão do meu companheiro estava tomada, interromper, eu… não sabia de nada, nem quem era, nem que crenças tinha, nem que ideais eram os meus… estava completamente perdida num universo escuro!

Avançamos para o exame, sabíamos qual era o resultado, mas eu fiquei de repouso absoluto nos dias indicados, o meu companheiro ficou em casa, não me mexi para nada… a esperança lá escondidinha a fazer das suas!!

Mais duas semanas de espera pelo resultado, nesses dias muito chorei, não dormi, não queria tocar na minha barriga, não queria sentir nada, não queria ser… parecia que estava a assistir a um filme… discutimos este mundo e o outro, berrámos um com o outro… e no fim eu tomei a minha decisão: interromper a gravidez!

Que passo, que abalo naquilo em que eu sempre acreditei, que murro no meu ser… mas esta era a minha decisão, com um medo terrível de um arrependimento futuro e vítima, acho que posso dizer vítima, do julgamento das minhas pessoas, claro que não todas, mas naquele momento ficou a ferida de quem julgou, de quem tentou por tudo que não o fizesse, de me darem estas e aquelas provas de que podia correr bem…

Nova consulta, decisão tomada e verbalizada à médica. Não consigo explicar a leveza que senti, aquele peso de uma decisão tão difícil saiu-me de cima, este peso tinha-se sobreposto à tristeza da perda iminente do meu filho! Estava ali mesmo o Natal, e a passagem de ano… passei o Natal a saber que ia perder o meu filho, só pedia para ele não se mexer, para eu não o sentir, dia 30 de dezembro dei entrada no hospital para a interrupção, foi fisicamente muito doloroso, um parto… o meu filho nasceu, já sem vida às 22h15m. Dia 31 tive alta (graças à médica que me estava a acompanhar no internamento)… Eu continuava dormente…parecia que não me tinha acontecido a mim… dormente!!

Claro que chorei muito, estava devastada, mas…não há explicação, estava bem… até que em meados de março a minha cunhada engravida do meu sobrinho que amo com todo o meu coração, e o meu mundo desabou na minha cabeça, chorei dias seguidos, a fio sem conseguir parar, não entendia o porquê…era uma revolta tão grande dentro de mim! E aí… acompanhamento psicológico (e o que custou dar o passo) e tão bom, tão bem que me fez… e tão grata que estou a quem me acompanhou, e acompanha, e a quem me deu a dica de “se calhar devias falar com alguém…”, nunca vou esquecer.

Engravidar outra vez, aos poucos fomos pensando nisso com medos gigantes, uma ansiedade todos os meses… outro setembro, de 2017 – grávida! Que medo… não dissemos a ninguém quase, no meu trabalho ninguém sabia (e agora penso…porquê? depois tive que contar a toda a gente à mesma…).

Tive uma perda de sangue perto das 8 semanas, hospital a correr, a chorar baba e ranho… a notícia “este embrião não parece nada ter 8 semanas, só dá umas 6 semanas, vá para casa e vamos aguardar, daqui a umas semanas vemos a evolução”, passados uns dias voltei às urgências “parece-me uma gravidez não evolutiva, o embrião não está a evoluir, vá para casa e se tiver uma perda muito significativa de sangue volte cá”… aterrorizada, mas com aquela esperança… um dia a chegar ao meu trabalho tenho uma perda gigante, urgências: “Quer ficar cá e fazemos a indução medicamentosa para a expulsão ou quer aguardar em casa? A minha ex-mulher também teve 4 abortos e agora temos 2 filhos…”.

Eu quis ficar,  desta vez fiquei sozinha, uma noite, não expulsei tudo no hospital, só em casa o maior, o meu filho, também era rapaz, soubemos depois dos testes genéticos que fizeram! Fiquei em casa o mês todo de baixa, a recompor-me, ou vá… a tentar…

Fizemos testes genéticos… Nada…”foi mesmo má sorte, nunca vimos o euro milhões calhar duas vezes à mesma pessoa pois não?”… O quê??como? Isto foi o euro milhões?? Tá bom…

Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida

E o tempo foi passando e sem fazermos contas à vida, sem pensarmos no timing de engravidar outra vez…em setembro de 2019 nasceu o nosso JL!!

Sei que estava bem psicologicamente e fisicamente para avançarmos com esta gravidez, com os medos normais de uma gravidez, mas sem medos extrapolados ou irreais… fomos andando, com sustos, mas foi tudo correndo normalmente! Claro que pensava que poderia correr algo mal, mas quem não pensa? Estava bem… e estou bem! Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida, e aprendi tanto, e cresci ainda mais para os amar “até ao infinito e mais além”…

Nunca me arrependi da minha decisão, estou em paz com tudo o que passou e aprendi a acolher em mim a minha dor, como acolho a minha felicidade…

Beijinhos do tamanho do mundo, cheios de esperança e amor!!

Filipa

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Eu e o meu marido planeamos ser papás e, por isso, ter um filho é um grande desejo dos 2 e um grande sonho que temos.  

Um projeto de vida para a vida, talvez o maior das nossas vidas. 10 dias antes de fazer 30 anos, tive o meu positivo. 13 de outubro de 2020 foi quando descobri que estava grávida (3+). Aahhh que felicidade tão grande, que sentimentos me invadiram tão bons.

❤

Admito que também fiquei com aquele nervoso miudinho e ansiosa para ir a uma consulta para perceber se estava tudo bem. Consegui consulta logo no dia a seguir ao meu aniversário, 24 de outubro. Fiquei a perceber que estava tudo bem, mas que tinha menos uma semana do que eu achava que teria. Explicação do médico: talvez por uma ovulação tardia. Um médico de poucas palavras e que apenas me mandou esperar e fazer caminhadas, também referindo: “das duas uma, ou ovulação tardia ou o feto não evoluiu”. 

E sabem quando nós mulheres ficamos desconfiadas e com um mau feeling?? O Dr. Google foi o meu aliado e eu li e reli montes de informação sobre estas questões. 

Voltei a ter outra consulta 10 dias depois e nessa consulta eu já consegui ver mais claramente o coraçãozinho a bater, porém não ouvi e não se via linha cardíaca. Fiquei um pouco apreensiva e fiz novamente muitas perguntas ao médico, sobre se isso seria normal, o qual me respondeu que sim para não ficar ansiosa e mais uma vez que tínhamos que esperar.

Claro que guardar este segredo só para nós é impossível, e decidimos contar apenas aos nossos pais e irmãos e também a um grupo de amigos muito restrito e mesmo muito próximo. Estava tão feliz, apesar dos enjoos, das dores nas mamas, e da barriga inchada que já não cabia nas calças. Impossível não criar expectativas e não sonhar e planear a nossa vida a partir daquele momento. É aquela sensação de que o maior milagre desta vida aconteceu e a partir do momento que temos o positivo estabelecem-se de imediato laços muito fortes.

Até que passado uns 10 dias, a um domingo à noite num momento em que vou à casa de banho, tive uma perda de sangue. Como tenho uma amiga que já tinha passado por uma perda gestacional, liguei-lhe de imediato a pedir opinião do que havia de fazer. Decidimos ir ao hospital e ela aconselhou-me a isso mesmo.

Passou-me muita coisa pela cabeça, mas nunca pensei ouvir o que ouvi: “lamento, mas não há batimentos cardíacos”…. o meu mundo desabou!!

Estava ali sozinha com a médica e enfermeira, o meu marido não pôde entrar. Fiquei apavorada, atordoada, deixei de ouvir por uns segundos, deixei de ver… Apenas consegui dizer: “mas não há nada a fazer!?!” e desatei a chorar sem conseguir parar.

Vai ser sempre a minha primeira gravidez, o meu primeiro bebé, independentemente das semanas que tinha.

Revivendo agora esse momento, sei que foi uma pergunta sem nexo, mas foi o que me saiu porque eu não queria acreditar no que estava a ouvir.
Quando me consegui acalmar, com o apoio da médica e da enfermeira, percebi que tinha sofrido um aborto espontâneo retido.

Esperei uma semana para ver se o meu corpo expulsava naturalmente, mas não aconteceu. Tive de fazer em casa o protocolo com medicação, e aí sim, foi o pior dia da minha vida em 30 anos!!!

Que sofrimento terrível, que dores, que agonia. Sentia-me vazia… Impotente.

Tive o meu marido sempre do meu lado, e graças a ele também tenho tido forças para superar esta perda. Apesar dele viver esta dor de outra forma, eu sei que ele também a tem sofrido, porque esta perda é a dois.

13 de novembro de 2020 vai ficar gravado para sempre na minha memória e no meu coração. O meu feijãozinho, como a minha sogra dizia, a minha sementinha, como a minha mãe lhe chamava, e todas as dicas que a minha mana me dava, e o meu bebé como eu já imaginava…

Não sei se era rapaz se era rapariga, mas isso para nós também não era o principal, porque para nós tanto fazia, apenas queríamos que viesse com saúde e perfeitinho. 

Numa caixinha guardo as recordações que me levam e levarão sempre a esta gravidez.

Vai ser sempre a minha primeira gravidez, o meu primeiro bebé, independentemente das semanas que tinha.

Digam o que disserem, pois ouvi muitas coisas como “ah isso ainda não era nada”…

Era era, era tudo ❤

Aos poucos a dor vai ficando menor, não se apaga nunca, mas vai-se transformando em força, fé e esperança para o próximo que há-de vir.

É preciso muita coragem, porque o medo, esse é impossível de apagar, mas o nosso amor é mais forte e acreditamos que vai vencer todos os receios.
Apesar de saber que estas situações acontecem e de ter amigas muito próximas que passaram pelo mesmo, quando estava grávida eu só queria acreditar que ia correr tudo bem, tentei andar o mais calma possível, desfrutar ao máximo das coisas boas que temos diariamente, aproveitar os momentos em família e todas as pessoas que sabiam davam-me muita força e diziam que não podia pensar negativo.

São sem dúvida a minha força para conseguir ultrapassar esta dor: os meus pais, sogros, mana, amigos e amigas (que sabem bem quem são) e o meu marido que me faz pensar positivo e me dá muita coragem diariamente.

Também algumas pessoas que partilharam comigo as suas histórias e me deram muita inspiração e coragem para seguir em frente e não me deixar avassalar pela dor. O que mais me custou nos dias mais tristes e mais duros, foi querer ler informação sobre perda gestacional e não encontrar nada de especial, queria um livro, algo fidedigno e não encontrei. Depois em pesquisas no instagram e facebook lá fui encontrando alguns grupos privados e algumas páginas onde falavam destas situações.

“A esperança começa onde acaba a certeza”

No meu caso, eu tinha necessidade de falar sobre o que me aconteceu, de partilhar a minha história com outras pessoas e perceber se havia alguém que já tivesse passado pelo mesmo. Passei uma semana em casa, fiz imensas pesquisas sobre o assunto, falei com as minhas amigas e família sobre tudo o que estava a sentir, mas depois tive de começar a distrair-me com outras coisas e o que me foi ajudando foi fazer caminhadas, ouvir música, fazer exercício, estar sozinha na natureza e interiorizar o que me tinha acontecido, foi muitas vezes chorar sozinha durante as caminhadas, às vezes até falar sozinha internamente.

Nesta fase encontrava-me em teletrabalho, mas depois quando regressei ao trabalho presencial, lembro-me de quando voltava a casa chorava a conduzir e a ouvir alguma música que passasse no rádio, porque era nesses momentos que eu me ia mais abaixo.

O que me dá forças é saber que fiquei bem de saúde, que estou bem de saúde, que tenho trabalho, que tenho uma casa, que tenho uma família unida e feliz, que tenho projetos e sonhos a concretizar e é nisso que eu me agarro todos os dias. São as coisas mais simples que me dão alegria.

O nosso ano 2020 acabou com a frase: “a esperança começa onde acaba a certeza”. De facto há coisas nesta vida que nós não controlamos, há acontecimentos que não percebemos o porquê de acontecerem. Mas eu acredito que mais cedo ou mais tarde havemos de ter a nossa recompensa. ❤


Desejo muita força, fé, união a todas as mulheres que tenham passado pelo mesmo ou que estejam a passar! Passo a passo vamos conseguir! “tu és a estrela que guia o meu coração”.

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A minha Maria

Dei à luz no dia 16/6 as 8h58, com 1,640 e 47 cm, uma menina verdadeiramente lindíssima!! 🥰

A nossa menina nasceu muito antes do tempo, prematura (31 semanas), mas quis o Destino que a sua vida fosse curta mas cheia de amor e carinho nosso.

Nasceu a precisar de ajuda para respirar e derivado a uma evolução de estado muito grave, surgiram muitas complicações a nível cerebral tendo futuramente, se sobrevivesse, ficado com muitas sequelas.

Como estava somente ligada à Vida pelo suporte básico de vida, em conjunto equipa médica e nós pais, decidirmos o que viria a ser uma das maiores decisões da vida de um Pai e de uma Mãe…

Com todo o carinho, todo o amor, a nossa menina foi respirando sem a ajuda e deu o último suspiro, no colinho da mãe dia 19, pelas 18h07…

Durante todo este dia fizemos tudo o que podíamos fazer com um filho, cuidámos, tratámos da sua higiene, demos muitos carinhos, beijinhos, cantámos, embalamo-la,contamos histórias e ela sempre em paz…

Será lembrada com muito carinho e sobretudo muita luz. O último suspiro vai ser lembrado como sendo nos meus braços, mas porque foi, com a maior intimidade, conforto e amor que uma mãe pode dar.
A nossa história sempre foi e será de Amor e sempre será de um Amor Infinito visto por um Olhar de Esperança, que não vivido na sua Plenitude, foi vivido com muita Fé, Carinho e Amor mútuos.

Nunca percam a Esperança e a Fé. Sabemos que os dias vão ficar menos luminosos, a dor é grande e os sentimentos de um luto, mas como sempre, um dia de cada vez.

Os nossos Bebés-Anjo não se medem aos palmos, mas na Grandiosidade do coração e do Amor que nos envolve. São feitos de uma Imensa Luz, quanta o tamanho do Céu, e essa é a Luz que continuará a brilhar nos corações dos Papás-Anjo.

As Mamãs e os Papás-Anjo não estão sozinhos, “Estamos juntos” ❤

Filipa

@filipa_silva_lopes