Em janeiro de 2017 descobri que estava grávida! Sonhos, projetos, contar à família e aos amigos. Como sou uma pessoa super emocional e que sempre viveu intensamente o bom e o mau, estava para lá de feliz!
Passado duas semanas tive a minha primeira perda com apenas 6 semanas – uma gravidez molar. Senti um vazio como nunca poderia imaginar. Ia duas vezes por semana ao hospital para tirar sangue e ia a um médico ginecologista oncológico só para me dizer que o meu BetaHCG estava a descer.
Processo muito doloroso psicologicamente e que demorei muito para reagir, pois rodear-me de grávidas duas vezes por semana não é propriamente o que esperamos depois de passar por uma perda.
Despedi-me do meu trabalho, parei para respirar e passar pelo meu próprio processo à minha maneira, pois acredito que cada um tem o seu tempo e devemos respeitar.
Após um ano, a segunda perda ocorreu às 8 semanas. Pensava que nunca conseguiria parar de chorar, de lamentar e de perder a energia negativa e revolta que tinha com a vida.
Neste processo aprendi que temos de nos amar a nós para darmos o nosso amor aos outros, que há coisas na vida que não podemos controlar e que devemos viver a vida no presente e agradecer o que ela nos dá.
Decidi um dia recorrer ao life coach que me deu ferramentas e um novo olhar para a vida – cuidar e gostar mais de mim, pensar menos no que os outros dizem e olhar para o quão forte fui durante a vida toda e o que consegui. Neste processo, tive de lidar com a depressão do meu marido e não foi fácil, mas nada é impossível…Muita resiliência, muito acreditar e muita força.
Em janeiro de 2021 finalmente teste positivo – decidimos não contar a ninguém e viver numa bolha de amor, meditação e tranquilidade durante uma semana. Novo sangramento, nova perda.
Quando passas três vezes por isto, já vês as coisas de forma diferente, mas sentes sempre o vazio. Neste processo aprendi que temos de nos amar a nós para darmos o nosso amor aos outros, que há coisas na vida que não podemos controlar e que devemos viver a vida no presente e agradecer o que ela nos dá.
Hoje já estamos em estudos genéticos a tentar encontrar respostas para as nossas perdas e continuamos a acreditar que um dia, quando tiver de ser, a vida nos vai trazer este amor fora do coração, como tantas mães descrevem.
Soube que estava grávida em Março, uma gravidez desejada e planeada, análises pré-natal feitas, apoio na nutricionista.
Marquei de imediato consulta obstetrícia e estava tudo bem. Às 8 semanas, lá fui eu para consulta de rotina, mas… Infelizmente o bebé não tinha batimentos cardíacos. Vi logo que algo não estava bem, o silêncio, o semblante da médica. A equipa médica foi muito querida, explicaram tudo, talvez porque a médica já tinha passado pelo mesmo, ou, espero, porque as coisas estão a mudar. Tinha um Aborto retido.
O pai não pôde entrar, ficou no carro e também ele foi apanhado de surpresa. Também ele tinha dúvidas que eu, por ser profissional de saúde, a custo fui explicando. Mas e quem não sabe? Quem não é da área? Senti um vazio tão grande…
(…) ajudaram -me com palavras que pareciam abraços.
Mas voltando ao aborto retido, optámos por esperar uma semana para ver se a expulsão acontecia naturalmente. Foi angustiante. Psicologicamente muito difícil. Difícil expressar por palavras. O corpo não colaborou, tomei os comprimidos.
Disse à médica que sou caso raro pois não tive dores físicas, só hemorragias (físicas e psicológicas). Um processo doloroso psicologicamente. Algo que ninguém está preparado.
Agradeço o apoio do meu marido, pais e, acima de tudo, de amigas que tinham passado pelo mesmo e que me ajudaram com palavras que pareciam abraços. Abraços que nesta fase de pandemia fizeram muita falta.
Sou aromaterapeuta certificada, trabalho maioritariamente com grávidas, recém-mamãs e bebés. E nunca tinha pensado neste lado da maternidade.
Os óleos essenciais ajudaram -me a descansar um pouco melhor a nível emocional foram um grande complemento, juntamente com apoio psicológico. Não sei se foi o destino, mas a partir de agora estou também disposta a ajudar outras mulheres que passem pelo mesmo. Se puder ajudar de alguma forma estou disponível.
Um bem-haja e grata pela página que ajudará muitas famílias e mulheres ❤
Assim como tantas mulheres, o desejo de ser mais, é algo que se tenta alcançar. Mas nem sempre as coisas correm da melhor forma e as marcas ficam para sempre gravadas na memória.
Em 2011 engravidei e às 6 semanas o coração do bebé deixou de bater.
Foi então que comecei um processo difícil de abortamento, segue-se um internamento muito doloroso fisicamente e psicologicamente. Depois deste sofrimento nem queria ouvir falar em engravidar porque as dores físicas e psicológicas estavam, e estiveram, presentes durante muito tempo.
Até que, ano de 2016, decidi que seria altura de voltar a engravidar. Logo engravidei e claro muito feliz mas mais uma vez (com cerca de 5 semanas) voltou aconteceu o mesmo. Desta vez o processo foi menos doloroso, no entanto o psicológico ficava novamente afetado.
Mesmo sendo um “feijăozinho”, a dor da perda é igual independente do tempo de gestação.
Pois bem, no mês a seguir numa consulta pós-abortamento, recebi a notícia que estava novamente grávida (como era possível estar grávida logo depois de ter abortado) e fiquei muito apreensiva, mas logicamente fiquei muito feliz.
Deixei de trabalhar por recomendação médica. Estava tudo a correr na normalidade até que novamente às 9 semanas tudo acontece, ou seja, comecei um novo processo de abortamento.
Fui hospitalizada e, mais uma vez, sofri imenso. As dores físicas e psicológicas foram com uma dimensão que não se consegue explicar. Nunca tive nenhum tipo de acompanhamento médico do foro psicológico e os profissionais desta área reagem e falam para nós como se fosse mais uma a perder um feto. Sim, porque como estamos a falar de abortamentos no primeiro trimestre; é impensável dizer-se que se trata de um bebé.
Até hoje é uma mágoa que guardo e que nunca irei esquecer.
Mesmo sendo um “feijăozinho”, a dor da perda é igual independente do tempo de gestação.
Hoje tenho dois meninos lindos. O primeiro nasceu em 2018 e o segundo nasceu este ano de 2021. Agradeço muito ter dois meninos (lindos e saudáveis) mas nunca irei esquecer o que passei e das marcas psicológicas que estão bem vincadas num passado muito presente.
O tempo acaba por acalmar a dor, aprendemos a viver com essa dor, mas não deixa de existir.
Eu perdi duas gravidezes. A primeira, há 12 anos, foi uma gravidez ectópica. Não me lembro bem quanto tempo durou. Só me recordo da sensação de que algo dentro da minha barriga estava a rebentar. A dor era tal que cheguei a perder os sentidos.
Depois o internamento. Estive lá durante 3 dias em que fazia exames diariamente de manhã e à tarde para se saber como estava a evoluir a gravidez até que as dores pararam e os médicos me disseram que o embrião tinha descido para o útero, mas que a gravidez era inviável e teria que esperar até que o corpo o expulsasse.
Não sei dizer quantas semanas passaram até que me voltaram a internar e provocaram o parto. Todo o processo foi feito na enfermaria, mas completamente sozinha…
Passado um ano voltei a engravidar mas desta vez a ferida ficou mesmo muito, muito funda.
De mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”
Ainda hoje tenho pesadelos com o que passei. Na ecografia das 13 semanas o médico detectou que algo não estava bem com o bebé. As medidas do bebé não estavam correctas e enviou-me para a consulta de diagnóstico precoce.
Aqui eu e o meu marido fomos muito bem recebidos. Explicaram-nos tudo o que estava a acontecer, o que significavam aquelas medidas e o que nos iram fazer. Voltei a repetir a ecografia e passado 2 ou 3 dias fiz a amniocentese. A imagem que ficou gravada na minha cabeça foi de estar deitada numa maca, de mão dada ao meu marido e ouvir uma voz muito doce da médica a dizer “já faleceu”.
Depois segue-se novo internamento, provocarem-me novamente o parto, tudo novamente sozinha e para piorar um pouco mais a situação desta vez vi o feto e fui eu que chamei a enfermeira após a expulsão.
Até hoje guardo aquela imagem horrível. Tinha 18 semanas de gestação. Fiquei a saber que o bebé tinha trissomia total, ou seja, todos os cromossomas eram a triplicar. É uma alteração genética raríssima. No ano anterior não tinha existido nenhum caso em Portugal, naquele ano houve apenas o meu e no ano seguinte houve 2 casos. Eu e o meu marido fizemos estudos genéticos e depois voltámos a tentar engravidar.
Atualmente temos dois rapazes, um de 10 anos e outro de 6. São uns meninos lindos, saudáveis e bons traquinas como todas as crianças devem ser.
Espero que ao partilhar a minha história possa ajudar alguém. Pelo menos e sinto que me ajuda a lidar melhor com o que passei.
Ao fim de alguns meses, depois de 2 perdas, chega o tão desejado positivo. Desde o momento em que descobri que estava grávida, eu passei a amar um ser, um feijãozinho que crescia dentro de mim. Em todas as eco eu ia super ansiosa por boas notícias.
No dia em que ouvi o teu pequeno coraçãozinho a bater, o meu peito encheu-se de alegria foi um sentimento que não dá para descrever. A partir daí o meu e o teu coração batiam em sintonia, como se fosse só um. Nós fazíamos planos, já tínhamos alguns nomes, mas tudo o que mais queríamos era que viesses com muita saúde e perfeitinho. Eu sempre falei no masculino porque dentro de mim era um menino, Duarte seria o teu nome já eras tão amado.
Mas essa alegria não iria durar muito tempo… Algumas semanas depois eu tenho a pior notícia que me podiam ter dado… O meu bebé deixou de crescer e o teu pequeno coração não aguentou…10 semanas…
Os dias que se aproximam não são fáceis, mas eu não vou deixar de lutar pelo meu bebé.
Eu sei que ainda vou ter o meu bebé arco-íris e tal como eu sonho, um menino lindo de cabelo moreno como o pai e de pele clara como a mãe….
Que não me falte, saúde, fé, esperança, coragem e amor para eu ter o meu bebé nos meus braços…
Sei que onde estiveres estás a olhar por nós e serás mais uma estrelinha mais brilhante no céu, e o meu anjo da guarda…..
Independentemente do tempo da gravidez, uma perda, vem sempre com o seu peso físico e emocional. Assim, neste artigo, escrevemos sobre uma complicação de uma das perdas gestacionais precoces mais comuns: o aborto retido.
Geralmente, entre a oitava e a décima segunda semana da gestação é confirmado, em consulta, que o bebé, infelizmente, morreu no útero. Este é, muitas vezes, chamado um aborto incompleto.
Nestes casos, o corpo retém o saco gestacional, embrião e outros tecidos, demorando semanas (por vezes meses) a libertá-los naturalmente.
Por norma, quando se recebe esta terrível notícia, a equipa médica vai recomendar, primeiramente, deixar que o corpo aja de forma natural. Por outro lado, se não for esse o caso, poderão dar-lhe medicação. Esta serve para estimular a expulsão de material e feto do útero.
Na eventualidade deste método não funcionar, há como alternativa um procedimento cirúrgico para limpeza uterina.
Por vezes, algumas mães escolhem o tratamento de esvaziamento uterino imediatamente. Afinal, este é mais rápido e oferece algum controlo sobre a situação. Contudo, não deixa de ser um procedimento invasivo que poderá provocar consequências na mulher. Assim, tire, por favor, tempo para discutir com o seu ginecologista ou obstetra as suas opções. Desta forma, ficará mais confiante de que está a tomar a decisão mais acertada para si.
Aborto Retido: Causas e Sintomas
Tal como num aborto espontâneo, este pode trazer consigo alguns sintomas, ou ser assintomático. Por isso, em alguns casos, passam-se semanas sem que as mães percebam que a gravidez não está a evoluir.
Além do mais, por vezes os sinais de gravidez, como enjoos e desconforto continuam. Assim, torna-se muito difícil a sua descoberta. É, portanto, importante que a sua gravidez seja devidamente acompanhada e que vá a todas as consultas.
Os sinais mais comuns de aborto retido são:
Sangramento vermelho vivo ou acastanhado
Dor pélvica
Desaparecimento de sintomas gestacionais
Ausência de continuação de crescimento da barriga
Semelhante a outras perdas, as causas para um aborto retido passam por:
Apesar de esta ser uma experiência traumática e de grande peso emocional, não há razões para perder a esperança. Há muitas mães que têm posteriormente gravidezes de sucesso e sem complicações.
No entanto, procure ajuda se precisar. Embora seja uma experiência solitária, não tem de sofrer sozinha.
No início de 2021, que toda a gente desejou ser o ano em que começam a acontecer coisas boas, descobri que tinha ficado grávida. Embora não tivesse sido uma gravidez planeada, já não usava contraceptivos há algum tempo, portanto era algo para que estava preparada. A notícia veio com surpresa, mas muita alegria. Achei que era uma premonição, 2021 é o ano em que tudo muda para melhor.
Não tinha ideia de quando tinha ficado grávida, e como estava com spotting muito leve fui fazer uma ecografia e recebi a notícia: 6 semanas, batimento cardíaco normal, lá estava o meu feijãozinho a nadar de um lado para o outro e a piscar.
Nesse dia tudo mudou. Íamos ser pais! Disseram-nos que após ver um batimento cardíaco a probabilidade de perda gestacional desce para os 3% a 4%.
Sou relativamente jovem, saúde exemplar, hemoglobina perfeita, sem diabetes, pressão arterial normal, ácido fólico no máximo, nada que indicasse qualquer risco. Sentimos-nos confiantes para contar à família mais próxima e aos nossos melhores amigos.
O meu corpo estava-se a adaptar muito rápido, nas semanas seguintes o meu peito cresceu imenso, já tinha uma barriguinha super fofa. Todas as noites adormecia a fazer festinhas “ao meu bebé” e a falar com ele baixinho.
O spotting leve eventualmente parou, a enfermeira disse-me que eram óptimas notícias, provavelmente um vaso sanguíneo mais sensível ou restos do sangramento de implantação.
Além de alguns enjoos estava a ter a gravidez perfeita. Ao final de 3 semanas fomos fazer nova ecografia.
Estávamos super entusiasmados para ver o nosso bebé outra vez! Sentámo-nos com a enfermeira, verificamos a pressão sanguínea, tudo óptimo, continua tudo perfeito.
Começa a ecografia, o feijãozinho brilhante não está em lado nenhum.
Após uns segundos em silêncio ela pergunta se pode fazer uma ecografia intravaginal que é mais exacta. Respondo que claro que sim, quero ver o meu bebé!
Mais silêncio… Já a prever o que vem a seguir pergunto se está tudo bem. A cara da enfermeira mudou… Pede desculpa, não encontra o batimento cardíaco. Aqui está o bebé, mas não mexe. Desta vez já consigo ver a cabeça, os bracinhos e as perninhas mas está quietinho, não nada, não pisca. “Não é culpa de ninguém, 90% das vezes são problemas nos cromossomas e é inevitável!” … E nos outros 10%? Silêncio…
Disseram-me para voltar para casa e descansar. É muita informação. Choro durante 2 dias, faço festas no meu bebé e desejo que seja um erro, peço-lhe desculpa, digo-lhe que vai ficar tudo bem.
Tenho três opções: esperar que a natureza faça o seu trabalho (opção ideal), provocar o aborto com medicação (opção intermédia, supõe menos riscos), fazer uma curetagem (pode interferir com gravidezes futuras, menos aconselhável).
Dizem-me: “O pior já passou”, “És jovem e saudável!”, “Tens outro!”, “Não era nada, eram só células!”, “É normal!”
Ao final de mais de duas semanas sem nada acontecer, volto à ginecologista que me aconselha a fazer o aborto com medicação em casa.
Vou para casa, tomo as primeiras doses de comprimidos – náusea, mal estar, vómitos. Ao final de 36 horas devo inserir o misoprostol. Em apenas uma hora começo a ficar com dores horríveis, cólicas que não passam com nada, parece que me estão a arrancar as entranhas. Ao final de duas horas começa o sangramento.
É horrível, intenso, nada me preparou para o que vem a seguir; pedaços do tamanho de ameixas a sair misturados com sangue, sangue na sanita, no chão, em todo o lado, cada vez que me mexo com as dores sai mais sangue. Acabo por me deitar na banheira para tentar acalmar a dor e controlar a sujidade. Acabo por estar 2 horas sentada numa poça de sangue que não para de aumentar.
Finalmente as dores acalmam e penso que o pior já passou. Levanto-me para tentar colocar um penso higiénico e poder ir para um lugar mais confortável, quando cai no chão o meu saco gestacional. Do tamanho de uma pequena laranja.
Fico em pânico. O meu marido ajuda-me a tomar banho, vestir e deitar e vai limpar a casa de banho. Continuo a perder mais de 1 penso higiénico de sangue a cada 10 minutos, não consigo ter roupa vestida sem a sujar. Continua por mais 2 horas, cada vez que vou à casa de banho trocar o penso sinto pedaços a saírem de dentro de mim. Eventualmente reduz para a quantidade de um período normal. Consigo finalmente deitar-me, comer descansar.
Dizem-me: “O pior já passou”, “És jovem e saudável!”, “Tens outro!”, “Não era nada, eram só células!”, “É normal!”
Se o pior já passou porque é que eu sinto que está apenas a começar? Se sou jovem e saudável porque raio estou nos 3%? E se não tiver outro e apenas passar por tudo outra vez?
Se eram só células porque é que tinha um batimento cardíaco, porque é que falei com ele todos os dias até adormecermos juntos? E se é normal… porque é que me sinto num poço sem fundo e não vejo forma de sair daqui?
O meu nome é Carina e sou mãe de um lindo rapaz de 4 anos. Na sua gravidez surgiram alguns contratempos, mas nada de sério, pois, embora pequenino, nasceu saudável por cesariana de urgência.
Passados dois anos e meio, fomos surpreendidos por uma nova gestação. Depois do choque inicial veio uma grande felicidade, no entanto acabou demasiado rápido… resultando num aborto espontâneo.
Como casal decidimos esperar pelos três anos do rapaz para voltarmos a tentar e assim foi. Ao fim de alguns meses fomos presenteados com um novo resultado positivo! Repleto de felicidade, mas também algum receio de uma nova perda gestacional, aliado ao Covid-19. O dia de Páscoa chegou e com ele também a neblina de um novo aborto espontâneo.
Estávamos desgastados e com o coração partido. Porém, após conversar com algumas mães que passaram por situações semelhantes, não desistimos e decidimos continuar.
Poucos meses se passaram e obtivemos um novo positivo… que grande felicidade! “À terceira é de vez” pensámos. Marquei consulta de obstetrícia o mais rápido possível, realizámos ecografia e vimos um saco gestacional, ainda sem embrião por ser muito cedo. Admito, chorei muito nesse dia por tudo o que podia correr mal, mas acalmei e começámos a pensar como uma família de quatro.
Dia 23 de agosto tive novo sangramento, e devido ao Covid-19, dirigi-me novamente sozinha para o Hospital, a pensar que era mais um aborto.
(…) no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.
O médico fez um exame exaustivo e detetou hemorragia interna. Tratava-se de uma gravidez ectópica na trompa esquerda. Tinha ignorado todos os sinais que o meu corpo me deu até este dia…o mau estar e as dores constantes. O médico explicou-me que o saco que a Obstetra vira anteriormente, era uma vesícula falsa, algo bastante comum numa gravidez ectópica. Aliado a isto, o facto de a primeira ecografia ter sido realizada precocemente, também dificultou a deteção da GE.
Dado que estava com hemorragia, encaminharam-me de urgência para o bloco operatório e removeram-me a trompa e o embrião, que já tanto amava. O internamento foi uma tortura, os bebés choravam e com eles chorava eu por ter o meu colo vazio. Senti-me mutilada, com corpo defeituoso, e desanimada com receio de nunca mais conseguir vir a ser mãe. Emocionalmente foi a pior das perdas e, enquanto casal, estávamos destroçados. A Obstetra tranquilizou-me, dizendo que, mesmo apenas com uma trompa, havia grande probabilidade de voltar a engravidar e assim foi… Sem “treinos a sério” veio o novo positivo.
Os olhos do meu marido encheram-se de lágrimas, mas não por felicidade e sim receio de voltarmos a passar por tudo, no entanto eu estava feliz e segura “ia dar tudo certo”.
Estou grávida de 19 semanas da minha menina arco-íris forte e bem mexida. É um dia de cada vez, mas cada pontapé é uma vitória.
Se o vosso desejo é de serem mães e pais, não desistam! Lutem, sigam o vosso coração, sigam as recomendações médicas e, por favor, não ignorem os sinais que o vosso corpo vos dá.
O meu nome é Filipa, tenho 36 anos, desde que me lembro sempre quis ser mãe, e sou mãe de 3 filhos, duas estrelas no universo e um terror dos sete mares em terra, há 17 meses.
Esta minha história começa em 2015, deixei de tomar a pílula e começamos a tentar engravidar!
Setembro de 2015, grávidos…que explosão de felicidade, de medo, não acreditámos! Segue tudo bem, tudo tranquilo, tirando os meus enjoos terríveis, as náuseas constantes, não conseguia comer… mas com o bebé tudo bem!! Ecografias normais, tudo tranquilo… 12 semanas, uns dias antes da ecografia fiz a recolha de sangue para o bioquímico, para no dia da eco já termos os resultados! (mas que resultados são estes pah?? Vai estar tudo ok…e aquilo também é só uma probabilidade…).
Fazemos a eco, há qualquer problema com umas medições…mas nada a temer! No final, cruzamento de dados e uma probabilidade de 1/129 para trissomia 21. Fiquei dormente… a médica apaziguou-nos, que era uma mera probabilidade e que estava tudo bem com o baby, e falou da possibilidade da amniocentese e de uma análise (Harmony), não comparticipada, mas que os resultados eram fiáveis e não era evasiva! Bora lá….não vai ser nada, lá fomos fazer a análise.
Durante as duas semanas de espera, uma eternidade, não se falou cá em casa de nada! Mas a notícia chegou… chegada a casa de trabalhar, estava lá a minha cunhada (enfermeira na obstetrícia, no hospital) com um pai desfeito e eu a perceber tudo sem uma única palavra… ela deixou o relatório, e foi embora e eu não chorei…fiquei ali… dormente!
Primeiro teste neste hospital de um Harmony com 99,9% de probabilidade de um bebé rapazola, com trissomia 21. Nova consulta, nova apresentação de possibilidades, continuar com a gravidez, fazer amniocentese, e caso quiséssemos interromper teria mesmo que avançar para o exame!
INTERROMPER???? Quem?? Toda a minha vida disse que NUNCA ia interromper uma gravidez por saber que o meu filho tinha uma deficiência… mas, e agora? O que é que eu quero fazer? A decisão do meu companheiro estava tomada, interromper, eu… não sabia de nada, nem quem era, nem que crenças tinha, nem que ideais eram os meus… estava completamente perdida num universo escuro!
Avançamos para o exame, sabíamos qual era o resultado, mas eu fiquei de repouso absoluto nos dias indicados, o meu companheiro ficou em casa, não me mexi para nada… a esperança lá escondidinha a fazer das suas!!
Mais duas semanas de espera pelo resultado, nesses dias muito chorei, não dormi, não queria tocar na minha barriga, não queria sentir nada, não queria ser… parecia que estava a assistir a um filme… discutimos este mundo e o outro, berrámos um com o outro… e no fim eu tomei a minha decisão: interromper a gravidez!
Que passo, que abalo naquilo em que eu sempre acreditei, que murro no meu ser… mas esta era a minha decisão, com um medo terrível de um arrependimento futuro e vítima, acho que posso dizer vítima, do julgamento das minhas pessoas, claro que não todas, mas naquele momento ficou a ferida de quem julgou, de quem tentou por tudo que não o fizesse, de me darem estas e aquelas provas de que podia correr bem…
Nova consulta, decisão tomada e verbalizada à médica. Não consigo explicar a leveza que senti, aquele peso de uma decisão tão difícil saiu-me de cima, este peso tinha-se sobreposto à tristeza da perda iminente do meu filho! Estava ali mesmo o Natal, e a passagem de ano… passei o Natal a saber que ia perder o meu filho, só pedia para ele não se mexer, para eu não o sentir, dia 30 de dezembro dei entrada no hospital para a interrupção, foi fisicamente muito doloroso, um parto… o meu filho nasceu, já sem vida às 22h15m. Dia 31 tive alta (graças à médica que me estava a acompanhar no internamento)… Eu continuava dormente…parecia que não me tinha acontecido a mim… dormente!!
Claro que chorei muito, estava devastada, mas…não há explicação, estava bem… até que em meados de março a minha cunhada engravida do meu sobrinho que amo com todo o meu coração, e o meu mundo desabou na minha cabeça, chorei dias seguidos, a fio sem conseguir parar, não entendia o porquê…era uma revolta tão grande dentro de mim! E aí… acompanhamento psicológico (e o que custou dar o passo) e tão bom, tão bem que me fez… e tão grata que estou a quem me acompanhou, e acompanha, e a quem me deu a dica de “se calhar devias falar com alguém…”, nunca vou esquecer.
Engravidar outra vez, aos poucos fomos pensando nisso com medos gigantes, uma ansiedade todos os meses… outro setembro, de 2017 – grávida! Que medo… não dissemos a ninguém quase, no meu trabalho ninguém sabia (e agora penso…porquê? depois tive que contar a toda a gente à mesma…).
Tive uma perda de sangue perto das 8 semanas, hospital a correr, a chorar baba e ranho… a notícia “este embrião não parece nada ter 8 semanas, só dá umas 6 semanas, vá para casa e vamos aguardar, daqui a umas semanas vemos a evolução”, passados uns dias voltei às urgências “parece-me uma gravidez não evolutiva, o embrião não está a evoluir, vá para casa e se tiver uma perda muito significativa de sangue volte cá”… aterrorizada, mas com aquela esperança… um dia a chegar ao meu trabalho tenho uma perda gigante, urgências: “Quer ficar cá e fazemos a indução medicamentosa para a expulsão ou quer aguardar em casa? A minha ex-mulher também teve 4 abortos e agora temos 2 filhos…”.
Eu quis ficar, desta vez fiquei sozinha, uma noite, não expulsei tudo no hospital, só em casa o maior, o meu filho, também era rapaz, soubemos depois dos testes genéticos que fizeram! Fiquei em casa o mês todo de baixa, a recompor-me, ou vá… a tentar…
Fizemos testes genéticos… Nada…”foi mesmo má sorte, nunca vimos o euro milhões calhar duas vezes à mesma pessoa pois não?”… O quê??como? Isto foi o euro milhões?? Tá bom…
Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida
E o tempo foi passando e sem fazermos contas à vida, sem pensarmos no timing de engravidar outra vez…em setembro de 2019 nasceu o nosso JL!!
Sei que estava bem psicologicamente e fisicamente para avançarmos com esta gravidez, com os medos normais de uma gravidez, mas sem medos extrapolados ou irreais… fomos andando, com sustos, mas foi tudo correndo normalmente! Claro que pensava que poderia correr algo mal, mas quem não pensa? Estava bem… e estou bem! Tenho os meus 3 filhos comigo, sempre, e tenho-os para toda a vida, e aprendi tanto, e cresci ainda mais para os amar “até ao infinito e mais além”…
Nunca me arrependi da minha decisão, estou em paz com tudo o que passou e aprendi a acolher em mim a minha dor, como acolho a minha felicidade…
Beijinhos do tamanho do mundo, cheios de esperança e amor!!