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Vitória

Foram 6 meses e meio a gerar a Flor que faltava no meu jardim e a coisa mais linda que pude ter.

Desde o início, eu sabia que não ia ser fácil; desde a primeira consulta da pré-natal, até a aceitação do lupus, adquirir a hipertensão gestacional e os risco que íamos enfrentar. Mas quando vieram todos os risco, eu pude entender mais ainda a nossa situação. Fi um longo período para dizer À minha cabeça que “ela não iria aguentar!”…

Mas o nosso instinto de mãe fala mais alto. O nosso egoísmo em dizer: “eu quero você comigo”. O decorrer de todos os dias, entre fazer USG, medicação de anticoagulantes, controlo da pressãoi e pré-eclâmpsia foi bem complicado, até chegar o momento que precisei de ficar internada.

Foi aí que, no dia 05/07 começaríamos mais uma luta. O internamento foram os 15 dias mais longos das nossas vidas. Depois a desospitalização, achava que tudo iria se normalizar, afinal, estava a reagir bem.

Dia 27/07 (até o momento doloroso) – 2ª internamento e o dia que iríamos construir nossa maior história: primeiro pico da pré-eclampsia (dia 01/08), dilatação da barriga, pressão 20×11 e inchaços anormais. No dia seguinte (02/08), o aviso que meu corpo já não aguentava mais. A médica disse: “vai para a UTI”, ali eu já sabia, lá era onde só seria nós duas e a proteção divina, seria aa indução do parto. Dizer o adeus, ou melhor, o até breve…

E no dia 03/08, com apenas 481g, seu (re)nascimento- tão linda e a perfeição de um bebé. Você não tinha resistido e eu sei que ali seria o nosso adeus, mas não um adeus de despedida, apenas precisou ser amada e ensinar a mamãe o que era um amor incondicional.

Meus longos dias na UTI, dopada e sedada, me fizeram entender que fui uma mãe leoa. Ter lutado por você foi tão gratificante e ver que aquela mãe só não queria tver-te sofrer (mas não sofreu, era tão linda, mesmo tão pequena).

Filha, só quero te dizer que: Foi uma honra te gerar… por termos conseguido juntas “Não foi fácil!”.

Obrigada por confiar na mamãe, minha filha!

Por você e por nós.

Mamãe te ama!

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez

Sofia G.

Há nove meses nasceu uma criança sem vida.

Será este o princípio? Hoje faz nove meses que nasceu uma criança em silêncio. Hoje faz nove meses que dei à luz uma criança que tinha perdido a vitalidade dois dias antes.

Durante a minha gravidez, eu vivi uma experiência de muita alegria e também de muita angústia, porque foi a minha primeira criança, a minha primeira filha e a gravidez foi a coisa mais bela que me passou pelo corpo. Eu vivi uma experiência de uma sincera felicidade. As hormonas ajudavam a essa expansão: tudo era vida quando o corpo tem vida… vida dentro da vida. É um momento absolutamente mágico.

A certa altura eu comecei a deparar-me com as minhas próprias histórias interiores, com as minhas próprias angústias, e dei conta que eu não seria perfeita enquanto mãe. Quando somos pais e quando percebemos nitidamente que não vamos conseguir ser irrepreensíveis, começamos a perceber as limitações do nosso ser emocional, enquanto mãe ou pai, vamos percebendo cada vez melhor aquilo que é possível fazer. Não é possível fazer mais do que aquilo que foi feito, porque partimos do pressuposto que a pessoa fez da forma que achava certa naquela altura específica, naquele enquadramento, naquele cenário, naquele padrão emocional.

E foi um longo caminho, o crescimento desta criança, de compressão da minha própria infância. Eu cresci muito durante os seis meses da minha gestação e nestes nove meses seguintes ao parto.  

As condições, por ter sido descoberta uma síndrome rara na criança, e os caminhos de uma não interrupção, seriam catastróficos e fizeram com que esta criança nascesse sem vida.

Então ao terceiro dia, depois de interrompermos a vida, ela nasceu.

Todos os elementos da família fazem história na família. Todos aqueles que vieram à vida sem vida, são parte desta história e perante o que eu vivi e o que estudei e que eu sinto, é que uma das coisas mais interessantes a fazer para nosso preenchimento e para o equilíbrio da família, é nós inserirmos com um nome estes seres. Sabermos que posição é que eles ocuparam na nossa família. Inserir esta criança, percebendo a posição de cada filho na família. Porque se temos dois filhos e perdemos um ou outro, o segundo pode ser na verdade o terceiro, e isso muda tudo no potencial desse filho, ou o primeiro que se achava o primeiro é na verdade o segundo.

Então, já que se abriu esse vazio, que se preencha esse espaço de amor,

O mais importante em última análise, é poder celebrar cada ser, que veio à luz em certo momento. É dar-lhe um nome, é introduzi-lo na família de forma invisível, evidentemente, mas é ter um contacto com esta vida, percebendo qual foi o propósito, aceitar aquela história, celebrando da melhor forma possível aquilo que nos foi dado por esta criança que nos fez crescer, que nos fez ampliar a percepção, e que, pela dor, nos fez expandir a consciência. Porque como diria a Simone Weil, e Simone é o nome da minha filha, é preciso um espaço vazio, para entrar a força do invisível.

Então, já que se abriu esse vazio, que se preencha esse espaço de amor, pelo que é invisível, pelo visível, e que o nosso coração possa beber das nossas historias por inteiro. Sem serem apenas perdas vazias de significado mas serem processos transitórios de muito amor, vitalidade, de total compreensão.

Para terminar, existiram coisas que eu fui fazendo, depois do parto além de descansar, aceitar o arrombo hormonal que precisa de ser respeitado, o arrombo emocional que precisa de ser ouvido, choro que precisa de correr, grito que precisa de sair. Eu escrevia, escrevia muito, para ela, para a Simone, fiz uma espécie de caderninho secreto de diálogos de uma para uma e meditava. E falei muito pouco com as pessoas à minha volta porque eu sentia que as pessoas não tinham condições psíquicas para falarem sobre a morte e sobre a beleza daquela minha experiência. Talvez devesse ter falado mais e partilhado mais o que é uma experiência absolutamente milagrosa de dar a luz, mesmo que tenha sido em silêncio. E talvez por isso faça este pequeno texto, para que fique para a eternidade e para mim própria, enquanto ainda tenho 33 anos, que foi um ano de ressurreição. Então escrevam uma carta para esse filho, deem-lhe um nome, e introduzam-no na vossa Grade Familiar de forma silenciosa, apenas para inscreverem essa criança no vosso ser. E não deixemos que essas histórias sejam segredos ou tabus.

Então trabalhemos para a verdade, para o amor e para a luz e continuemos esta longa caminhada.

Nove meses foi o tempo que eu demorei a perceber exatamente que era nesta história que eu tinha que agarrar, para conseguir comunicar com estas pessoas feridas do passado. Eu queria, no fundo, abraçar todas as mães e pais, que perderam estes bebés tão maravilhosos, queria dizer que amo muito estas criancinhas que não puderam vir à vida, mas que acima de tudo, quem nasce somos nós. Porque somos nós que nascemos quando damos à luz um filho. É o filho que nos vem mostrar quais as feridas que ainda estão por sarar.

Um beijo a todas estas mães, a estes pais, a estes avós, a estes irmãos, a estes tios e estes primos e aos amigos, que estão sempre lá para nos acolher. A estas crianças eu entrego-lhes o meu sorriso cúmplice e o meu brilho.

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Cátia G.

Por volta dos 29 chegou o desejo de ser mãe. Fiz consulta na ginecologista e check up e como estava tudo bem avancei. Passados dois anos não estava a conseguir (devido ao síndrome SOP). A ginecologista decidiu avançar com um indutor de ovulação, sem estar muito esperançosa que engravidasse logo no 1º ciclo.

O que é certo é que comecei a ter os sintomas típicos de gravidez: sensibilidade mamária e atraso menstrual. Resolvi fazer um teste: e tive o meu positivo!

Naquele momento tremia e chorei de felicidade. Marquei consulta na ginecologista e ouço: está grávida e bem grávida. São gémeos.

Foi um misto de emoções uma vez que o meu companheiro estava em isolamento devido à covid, e não pôde ir comigo à consulta. Ambos sabíamos que havia essa probabilidade e até tínhamos brincado com isso. E estávamos muito felizes.

A gravidez decorreu normalmente até às 21 semanas, dia em que comecei a ter cólicas, que se vieram a intensificar e comecei também a perder sangue. Fui direta para o hospital, mas com a esperança que não ia ser nada grave. A médica começa a fazer a ecografia e diz que eles vão nascer, uma vez que entrei em trabalho de parto prematuro e um já estava fora do útero e que o prognóstico era reservado.

Fica a eterna saudade e grata por me terem escolhido para vossa mãe.

O meu sonho começou a acabar ali naquele momento e virou pesadelo. Fui internada e diagnosticaram uma infecção (e que provocou o parto prematuro). Começaram logo a dar me antibióticos e diziam que tudo tinha de processar naturalmente e sempre com o discurso de prognóstico reservado. Tinha muitas dores, de chegar ao ponto de enfermeira me propor anestesia epidural para ajudar. Sempre que iam lá as médicas diziam que estava cada vez pior (basicamente diziam que não havia nada a fazer, para evitar que nascessem). Estive assim dois dias, com contrações dolorosas e com uma tristeza de quem já sabia o desfecho. Chorava, chorava muito.

Já só dizia ao meu companheiro que íamos perder os nossos meninos. Ele também estava triste, mas manteve-se firme para me apoiar. Dizia que eu não tinha culpa…

Entretanto nasceram o meu Duarte e Tomás e tornaram-se os meus anjinhos…Doeu tanto perder-vos. Ainda dói e ficou um vazio muito grande. Tinha começado a sentir-vos na minha barriga há pouco tempo e Deus quis levar-vos de mim.  Fica a eterna saudade e grata por me terem escolhido para vossa mãe.

A todas as mães de anjo, muita força.

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Soraia

Hoje, um ano depois do dia mais triste das nossas vidas, abro pela primeira vez, o meu coração para partilhar a minha história, a nossa história. 

Hoje, com o coração mais calmo, e depois de aceitar que deixar partir é um ato de amor, venho contar-vos que a perda de um filho é dos momentos mais traumáticos na vida de qualquer família.

Era Agosto e nós íamos fazer a ecografia morfológica, decidi levar a nossa filha para que pudesse ver pela primeira vez o mano/a. 

Sempre ouvi dizer que as mães têm um sexto sentido, e caramba… nesse dia fiquei a saber da pior forma possível, que afinal ele existe mesmo.

Pouco tempo antes de entrar no consultório, lembro-me perfeitamente de dizer esta frase “tenho tanto medo que não esteja tudo bem”. E não, não estava. Mal eu sabia que partir daquele dia, iria carregar uma das maiores dores em toda a minha vida. 

Entrámos no consultório, entusiasmados. Afinal íamos ser pais de 2, que bênção!

O médico coloca a sonda, e pergunta-nos se já sabemos o sexo do nosso bebé, e nós respondemos que não. Minutos depois, recebemos a notícia que íamos ter mais uma menina, para fazer companhia a este nosso leque familiar de mulheres. 

Pouco tempo depois, um silêncio invade a sala. A dada altura, decidimos perguntar se estava tudo bem, ao qual prontamente o médico me diz que não, não está tudo bem. O seu bebé tem um quisto no cérebro, tem de ir imediatamente à maternidade fazer exames mais específicos. 

Saímos desalmadamente daquele consultório, lavados em lágrimas, em desespero e completamente sem reação. 

Rapidamente as nossas famílias nos prestaram auxílio e vieram ao nosso encontro. Nessa tarde, corremos todos os hospitais possíveis. Estava a ser seguida no hospital particular, e dirigi-me as urgências ao qual rapidamente fui descartada, pois poderia não ser uma gravidez evolutiva. A resposta que me foi dada, era de que se tratava de uma situação muito burocrática. Corri mais 2 hospitais, acabei na Maternidade Alfredo Da Costa, onde com a maior empatia do mundo, me marcaram uma consulta no Diagnóstico Pré-Natal. Um sítio onde tudo começa, e onde acaba para muitos dos bebés. 

Era sábado, tinha um fim-de-semana inteiro pela frente…foi horrível. Não estávamos a conseguir aceitar o que se estava a passar, e estávamos aterrorizados a espera que a segunda feira chegasse. 

O dia chegou, dirigi-me à Maternidade Alfredo da Costa para a minha primeira consulta, no local onde ninguém quer estar, o diagnóstico pré-natal. Lá eu poderia imaginar que aos 30 anos de idade, iria ter de passar por um processo tão difícil como este.

No dia 15 de Outubro , no dia em que se celebra o dia da consciencialização da perda gestacional, a Benedita veio ao mundo, num parto respeitado e humanizado.

Depois de várias horas em espera lá entrei, e o médico teve perto de 1h a fazer uma ecografia. Realmente viu que existia um problema, mas ainda com muitas dúvidas. Aconselharam-me a fazer a amniocentese, para avaliar e despistar outro tipo de doenças gravas. Nesse mesmo dia fiz o procedimento. 

Lembro-me perfeitamente de nesse mesmo dia, me darem um termo de responsabilidade para assinar, caso fosse necessária intervenção médica, ou melhor dizendo uma Interrupção médica da gravidez, tendo em conta o estado avançado em que já me encontrava da gravidez. 

Colocarem nas nossas mãos, o destino da vida dos nossos filhos é um peso muito grande. É o peso de uma vida. A vida da minha filha. 

Informaram-me que deveria fazer uma ressonância magnética, pois só partir daí se conseguia ver melhor o bebé e problemas internos. 

Fui para casa de repouso, e 2 dias depois estava a fazer a ressonância. Disseram-me que teria de aguardar o resultado, e que a maternidade me ligaria para ir novamente a consulta. 

3 semanas depois, volto a fazer ecografia e a dúvida do médico persiste apesar da ressonância confirmar que existia um problema. 

Informaram-me que teria de aguardar, e fazer um acompanhamento da minha bebé para ver se o problema podia ter um retrocesso. Segundo os médicos era um problema que poderia ir ao lugar com o crescimento fetal. 

Na altura fiquei muito revoltada, não aceitava porque tanto tempo, porque me fazerem sofrer tanto. A espera era horrível, e eu sabia que quanto mais tempo passasse, mais doloroso seria para a nossa família. 

Durante longos 2 meses entre esperas e exames, lá chegamos ao diagnóstico final. 

Nesse dia, deram-nos a pior noticia que se pode dar a qualquer mãe ou pai. 

A nossa filha aos 8 meses de gestação, foi diagnosticada com uma má formação do sistema nervoso central, tinha uma síndrome muito rara e que seria totalmente incompatível com a vida humana. Foi devastador.

Disseram-me que uma neura pediatra iria entrar em contacto connosco, para nos explicar o que se estava a passar com a nossa bebé, e assim foi. 

Estávamos devastados, íamos a sair da maternidade quando recebemos uma chamada de uma enfermeira, a enfermeira Leonor Gonçalves, que para mim continua a ser um anjo da guarda. A Leonor queria saber como nós estamos, e falar connosco. Assim foi, voltamos para trás, fomos levados para uma sala e lembro-me como se fosse hoje. A Leonor, tocou no meu braço e disse pode chorar, fique a vontade. Foi um dos gestos mais bonitos que podiam ter tido connosco naquele momento doloroso. A ajuda veio ter connosco, sem pedirmos ajuda. Foi bonito e muito importante para nós. Até aos dias de hoje, a Leonor está sempre presente nas nossas vidas. 

Realmente são as pessoas que fazem os sítios, e o trabalho daqueles profissionais é tão importante para nós pais que vamos perder os nossos filhos. 

Dia 11 de Outubro, vamos }a maternidade iniciar o processo. Nesse dia somos deparados com uma série de questões, e mais uma vez a Leonor estava lá para nos apoiar, ajudar e agilizar todo este processo. 

A Leonor ajudou-nos com as questões mais burocráticas, e falou-nos sobre a oportunidade de conhecer a nossa filha, de ficar com as impressões dos pés e das mãos da nossa filha. Nem sequer pensei que isso fosse possível para um bebé que nasce sem vida.

 Dois dias depois, seguia-se o meu internamento para iniciar a indução de trabalho de parto. 

Nesses 2 longos dias, tivemos que tratar daquilo que mais custa a qualquer pai, enterrar um filho. Tratar do funeral da nossa filha que ainda não tinha nascido, e quem nem o mundo ia conhecer. 

Foi completamente devastador, não fui capaz de entrar na agência funerária, assinei os papéis no carro. Mas saímos dali com tudo tratado. 

Seguia-se outra fase complicada, comprar uma roupa para a nossa filha. Entrei 3 vezes na mesma loja e não consegui comprar nada. Acabei por ter de pedir ajuda a família para comprar a roupa para a nossa filha. 

É muito duro preparar o funeral de alguém ainda em vida. 

Dia 13 de Outubro com 31 semanas, fui internada. Cheguei a maternidade, a Enfermeira Leonor já estava a nossa espera. Fomos para uma sala, onde revimos todos os pormenores do que iria acontecer partir dali. 

A Leonor generosamente, sentou-me num cadeirão ao lado da janela e disse-me para eu me despedir da minha filha, para lhe poder dizer que me perdoasse, porque o que eu estava a fazer era um ato de amor.  A Leonor deu-me tempo, deu-me a mão, fez-me sentir mais calma. 

Ensinou-me a exercícios para me sentir mais calma, para saber controlar as dores no trabalho de parto. 

Fomos então para a sala de ecografias, onde a médica estava a minha espera, acho que foi o momento mais duro do processo no hospital. Iriam ter de provocar a paragem cardíaca a nossa Filha. Deitei-me, demos a mão os dois e encostamos as nossas cabeças e a médica pediu-nos que não olhássemos para o monitor. Minutos depois, senti-me a perder os sentidos, estava completamente em outra dimensão e só me lembro da Leonor me tirar a máscara e dizer “fique comigo, concentre-se na minha voz”. O procedimento terminou, e estava meio adormecida.

Desci para o internamento, onde fui para uma sala isolada, para não ter qualquer tipo de contacto com as outras grávidas e ouvir os bebés chorar. Acho que isso é de uma enorme empatia que se pode ter com alguém. 

Fiz a primeira medicação para indução de parto, e nesse dia nada aconteceu, ao final da noite tentaram outro método de indução, que teria de se dar uma janela de 24h para tentar novo método. No dia seguinte, comecei a ter muitas dores, mas não tinha dilatação ainda, e na noite de 14, as dores começaram a agravar. A todas as enfermeiras da maternidade só posso agradecer todo o carinho que me deram, traziam me medicação, sentaram-se na minha cama e deram-me a mão, limparam as minhas lágrimas imensas vezes. 

Na manhã seguinte fui para o banho para atenuar as dores, estavam insuportáveis. Já estava em trabalho de parto desde essa noite. A médica veio avaliar, e já estava pronta para ir para o bloco de partos. Desci, levei epidural e começa o início de tudo, o medo, o fazer nascer. 

A enfermeira parteira Cleisa, que até hoje não me esqueço do nome dela disse-me “vamos ao seu ritmo, nasce quando você quiser” e assim foi. 

No dia 15 de Outubro , no dia em que se celebra o dia da consciencialização da perda gestacional, a Benedita veio ao mundo, num parto respeitado e humanizado. Não, a Benedita não chorou, mas tudo em mim se desfez por completo. 

Levaram a Benedita e aconchegaram-na na mantinha que tinha sido da irmã, a enfermeira regressa com uma caixa de memórias, com a hora do nascimento, o dia, e a impressão dos pezinhos e das mãozinhas. 

Chorei muito, foi devastador. 

No dia seguinte tive alta logo de manhã e fui para casa descansar, a nossa filha estava ao cuidado da nossa família, mas tínhamos que nos preparar para lhe dar a notícia. 

Na manhã seguinte fui buscá-la, sentei-me com ela e expliquei o que aconteceu à mana. Ela reagiu bem, ficou calma apenas nos perguntou se ia continuar a ser só ela na nossa vida e nós respondemos que sim e demos um abraço. 

Estivemos 1 semana a espera que liberassem o corpo da Benedita, e o dia do funeral chegou. Decidimos cremar a nossa filha, e lembro-me que ao chegar ao crematório havia uma placa que dizia “Filho de Soraia Carvalho”, foi aí que tudo se tornou ainda mais real. 

Demos a mão e entrámos, quando eu vi aquele caixão pequenino, não consegui conter-me e chorei compulsivamente. Foi um ambiente muito pesado, foi muito complicado, mas as nossas famílias estiveram sempre lá para nós. 

Aos poucos fui aprendendo a lidar com a nossa dor, a gerir os meus sentimentos. Descobri da pior forma, que o luto é um caminho longo e solitário. 

Hoje com o coração mais calmo, fiz as pazes com a vida, porque tal e qual como comecei a nossa história, deixar ir é um ato de amor. E assim foi.

Enquanto mãe, vivi o dia mais feliz da minha vida, e o mais triste também. Mas Hoje, Inicio um novo ciclo, e tu querida Benedita vais sempre fazer parte da história da minha há vida. 

Querida Benedita, espero que estejas em paz. Lembro-me de ti todos os dias. 

Com amor, Mãe.

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Inês

Tinha acabado de me mudar com o meu namorado quando descobri a gravidez em 2020. Foram passando as semanas e descobrimos ser uma menina, a nossa princesa, que na altura não foi buscada mas logo que nós soubemos da existência dela foi muito amada.

Poucas semanas depois, vieram as dores e fiquei internada no hospital. Passado uma semana recebo a notícia de que a minha bebé morreu; não tinha batimentos dentro de mim aos 4 meses. O meu estado de saúde agravou-se e levaram-me para o bloco para realizar uma curetagem… 2 dias de UCI sem dizerem nada ao meu namorado.

Lá consegui conversar com ele e passamos por momentos de muito sofrimento após a perda da nossa menina.

6 meses depois lá estava eu, grávida outra vez mas, infelizmente, às 5 semanas descobrimos uma gravidez anembrionária.

5 meses depois voltamos a tentar e, pela 3ª vez ,dizíamos adeus ao nosso anjinho. Mas como Deus tem um propósito nas nossas vidas e ele não faz as coisas por acaso, passadas 5 semanas engravidei novamente…

Só descobri essa gravidez às 22 semanas e tive todo o cuidado do mundo. Hoje tenho o meu bebé arco-íris nos meus braços, já com os seus 3 meses. As enfermeiras e auxiliares, que acompanharam a minha primeira perda, foram as que estiveram ao meu lado, no parto do meu bebé, aquelas foram realmente anjos que Deus colocou na minha vida e sei que a minha história é uma história de superação e que nunca podemos desistir dos nossos sonhos.

O meu era ser mãe e consegui.

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Ana Catarina

Partilho a minha história com esperança de confortar algum coração que tenha passado pela mesma situação…
Fizemos a ecografia morfológica onde detetamos que a nossa bebé tinha mal formações e, por isso, tivemos que fazer uma interrupção da gravidez.

Na altura não estava bem a perceber tudo o que estava a acontecer mas hoje sei que foi a decisão certa, uma vez que o problema detetado era incompatível com a vida à nascença. Ia ser só o arrastar de uma coisa que sabíamos que ia acontecer…ficar sem ela..

Fiz o meu luto, procurei saber as razões pela qual aconteceu tudo e quais as possibilidades de voltar a acontecer..
É uma ferida que carrego comigo, vai estar comigo para sempre, mas que aprendi a viver com ela.

Hoje estou grávida novamente , numa fase muito inicial e a viver tudo de uma forma completamente diferente…

Valorizo tanto cada dia que passa!
Tenho o maior desejo que corra tudo bem mas sei que está tudo nas mãos de Deus… Tenho o coração tranquilo e o que tiver de ser, será.

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Rita A.

Faz-me todo o sentido enviar esta mensagem hoje, 18 de Setembro, dia que faz precisamente 2 meses que fiz a intervenção cirúrgica mais difícil da minha vida: a da interrupção seletiva de um dos meus gémeos.


No nosso caso, após a transferência de um embrião, ele dividiu, fomos surpreendidos com o facto do Universo nos dar em dobro o nosso maior desejo, mas, rapidamente, percebemos que esse segundo feto não estava bem: tinha vários problemas. O mundo caiu, foram semanas de ansiedade, porque não era totalmente garantido que o gémeo saudável conseguisse ultrapassar essa intervenção.

Não duvidamos por um momento que era o que tinha que ser feito: foi um ato de amor por ele que não tinha condições fora do útero, mas ainda não compreendemos o porquê de nos ter acontecido.

O nosso bebé surpresa tinha um nome, é o Gonçalo. Não há um dia que não me lembre dele e irei vê-lo para sempre no irmão.

Espero que ele saiba que o que fizemos foi por bem, foi por amor e que nunca o iremos esquecer.

Quero acreditar que um dia ele voltará para nós.

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Lara

No dia 7 de Dezembro fui ao hospital fazer um exame regular do papanicolau e a enfermeira perguntou-me, antes de fazer o exame, se eu poderia estar grávida. Nós tínhamos tentado umas vezes e o meu período não tinha vindo no mês passado, mas eu tinha feito um teste em casa e era negativo. Ela pediu-me para fazer outro teste antes do exame “just in case”. Eu aceitei sabendo que o resultado seria negativo. 15 minutos depois o resultado mostrou ser positivo e eu fiquei em choque.

Era um bebé planeado e desejado mas, sendo a primeira gravidez, há sempre aquele misto de felicidade, medo, expectativa, euforia.

Eu estava grávida de 6 semanas e, até às 21 semanas, nunca houve nada de errado com exames. Apenas queríamos que o bebé fosse saudável e não queríamos saber o sexo do bebé até ao parto. O meu exame dos cromossomas das 12 semanas revelou que eu tinha apenas 1 chance em 9000 em o bebé ter trissomia 21 ou Síndrome de Edwards. No exame de morfologia, em Março, confirmou-se que o nosso bebé era esse caso em 9000.

A 9 de Março de 2021, tive a consulta de morfologia com um scan que revelou que o bebé tinha um  “buraco” no coração e lábio leporino. Levaram-nos para um quarto pequeno, onde só havia um sofá, uma mesinha com lenços de papel, ao que o meu parceiro disse logo “este é o quarto das más notícias” e até ouvir da boca da enfermeira eu não queria acreditar. Pediram-nos para voltar outra vez na sexta 12 de Março para um teste com uma especialista de problemas cardiovasculares de bebés dentro da barriga. Nesse exame, ligaram o som do coração pela primeira vez e, porque o foco da consulta era perceber o que se passava com o coração, não me avisaram que iam ligar o som que eu nunca tinha ouvido. Foi a primeira e última vez que o ouvi. Depois da consulta e outra vez numa sala de más notícias, a médica explicou-nos que o problema com o coração por si só não era raro, mas associado ao lábio leporino, céu da boca rasgado e algo anormal no cérebro, o diagnóstico não era animador.  

Foram-me dadas 3 escolhas:

  • 1) espero mais umas semanas e faço o exame da amniocentese para saber mais sobre este diagnóstico;
  • 2) Levo a gravidez até ao fim e o bebé pode ou não sobreviver ao parto mas se sobreviver, certamente vai ter uma qualidade e esperança de vida muito limitada;
  • 3) termino a gravidez imediatamente com ajuda médica.

Foi a decisão mais rápida e mais difícil que tomei na minha vida. Os dias que se seguiram foram uma espécie de pesadelo. Naquela sexta feira tomei o primeiro comprimido para parar as hormonas da gravidez e no domingo dei entrada no hospital às 4 da tarde. Às 7 da tarde tomei o primeiro comprimido de 5 para provocar o parto e, durante horas, estive numa luta com o meu corpo porque este teimava em dizer à ciência que não era a hora.

A Rita Leonor nasceu as 12h30pm no dia 15 de Março e não sobreviveu ao parto, como era de esperar. Ficamos a saber que tínhamos uma filha e como não tínhamos preparado nada, nem nome, decidimos na hora dar-lhe o nome das nossas avós que já tinham falecido. Felizmente, há gente maravilhosa neste mundo, e as parteiras foram anjos e trouxeram cobertores e roupas que outros anjos tinham tricotado para famílias nesta situação impensável. Eu não queria ver a bebé inicialmente mas ainda bem que tive um momento de clareza e tivemos o nosso tempo para segurar a bebé e estarmos com ela sozinhos. Mostramos-lhe a nossa música favorita, tiramos fotos e dissemos adeus.

De volta a casa de braços vazios, foi tempo de recuperar e esperar pela notícia que o corpo estava preparado para o funeral depois de todos os exames feitos. O funeral foi dia 1 de Abril com apenas o meu parceiro e os pais dele. Seguiram-se meses de espera para o resultado dos exames e a confirmação de que a Rita Leonor tinha a síndrome de Edwards e que não sobreviveria ao parto. Seguiram-se meses de incerteza na relação, um luto tão diferente para mim e o meu parceiro, um abismo que se abriu entre os dois e que só o diálogo e a paciência cimentou a ponte entre os dois e reduziu a distância.

Hoje, ano e meio depois, estou grávida de novo, mas sem a expectativa da primeira vez. Há uma cautela enorme, um quase não querer sequer falar sobre para não “agoirar” ou não me apegar a este sonho de novo.

Esperamos ansiosamente pela ecografia das 20 semanas para podermos respirar sabendo que nada, nunca nada é garantido. 

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Flávia C.

O meu nome é Flávia e realizei uma interrupção médica da gravidez a 17 de Novembro de 2017 por uma má formação. 

Foi diagnosticada uma deficiência congénita em ambos os membros superiores, designada por mão torta radial nível 4, ou seja, o grau pior pois os ossos não formaram: os ossos que iriam sustentar os polegares de ambas as mãos simplesmente não existiam.

Às 18 semanas de gravidez, na ecografia que descobri que era um rapaz, também descobri que teria uma deficiência para o resto da vida. Ir ao céu e ao inferno em poucos segundos é bem possível e foi o que vivenciei naquela sala.

Consultamos um dos melhores ortopedista pediátricos que foi muito claro: se nascer, irá passar a vida em cirurgias e nunca poderá ser autónomo.

Naquela altura eu só não queria ser responsável por colocar um filho num mundo tão mal preparado para aceitar pessoas com deficiências e, muito menos, ver sofrimento nos olhos de um filho um dia mais tarde.

Ao pesquisar sobre interrupção médica da gravidez, a única coisa que aparece é procedimentos legais e muito poucas mulheres a falarem realmente o que acontece ou o que sentiram. 

Na altura foi muito doloroso e o hábito de olhar para a barriga parou. O hábito de estar sempre a tocar e tentar perceber onde estava dentro da barriga passou a não se fazer. Os espelhos, de um momento para o outro, tornaram-se objectos dolorosos, tomar banho virou um sofrimento e o trocar de roupa fazia-se sem olhar para baixo. Doeu perceber que os gestos que me traziam felicidade passaram a ser sofrimento. E quando tinha que sair à rua e, aleatóriamente, deparava-me com grávidas e bebés, fazia com que as lágrimas começassem a escorrer do nada, de forma automática. O isolamento era cada vez maior, dentro da minha própria casa. 

Tomar a decisão e assinar aquele papel a dizer que queria interromper a gravidez naquela altura era como se tivesse a assinar um papel para matar o meu filho. E o período de reflexão que é obrigatório foi terrível. Até hoje a pergunta mantém-se: será que foi o certo?! 

Os olhares de pena dos médicos e dos auxiliares, em conjunto com as palavras “muita força” ou “vocês ainda são novos”, eram ouvidos com um misto de compreensão e raiva ao mesmo tempo, se é que isso é possível, mas com um sentimento de gratidão por cada uma das pessoas envolvidas no processo, claro. Os três comprimidos para parar o processo hormonal da gravidez foram tomados e cada um que tomava, naquele consultório, sentia um pontada no coração e uma parte de mim morria ali. Era o início do luto de alguém que estava dentro de mim. 

Até hoje a pergunta mantém-se: será que foi o certo?

O procedimento era ter um parto normal, de forma a possibilitar ter filhos futuramente e, fazendo juz a um parto normal, o meu durou 25 horas com a diferença que o meu filho já nasceu sem vida. Não há nada que doa mais do que ver um filho nascer sem vida e ainda em fase de desenvolvimento. Doeu ver, doeu sentir.

Passar pela dor física e psicológica de provocar um parto a uma mulher que não vai ter o seu filho vivo é das sensações mais dolorosas que se pode passar. Deveria haver um método mais rápido e que não doesse tanto. Chorei, chorei muito, apenas não queria que fosse assim ou não era suposto ser assim.

Na manhã seguinte a ser internada, tive a visita de um médico que deu ordem para me darem um antibiótico para acelerar o processo pois já chegava de sofrer….e acelerou! 

E, sem epidurais nem qualquer outra anestesia, pois só tivemos tempo de chamar a enfermeira, o meu filho nasceu, morto, às 12h45 do dia 17 de Novembro de 2017, no quarto 412 do hospital do SAMS e o pior de tudo foi vê-lo.

Doeu todo o processo, desde a descoberta até sair do hospital sem o meu filho nos braços e dói, até hoje, e acho que irá doer sempre! É um buraco no coração e na alma que nunca mais ficará sarado. Uma mãe nunca deveria perder um filho pois esse acontecimento modifica-te para sempre.

Hoje, passados 5 anos, quando fecho os olhos, é como se tivesse sido ontem e acho que irá perdurar até ao resto da minha vida. Felizmente já tive o meu bebé arco-íris saudável, mas foi uma gravidez vivida com muito medo de ouvir uma notícia terrível. Graças a Deus nasceu um bebé forte e saudável, que já conta com 19 meses e, neste momento, estou à espera de outro menino que ainda está a fermentar na barriga, que já conta com 33 semanas. O incrível, ou talvez não, é que irá nascer exactamente no mês que eu perdi o meu primeiro filho; Novembro. 

E sim, digo a todas as pessoas que sou mãe de três filhos, um deles é um anjo que está no céu a olhar pelos irmãos 

Partilho o meu testemunho porque acho muito importante falar, e aconselho a todas as mulheres que perdem os seus bebés que falem e procurem ajuda – eu não o fiz na altura,por achar que iria conseguir lidar com a situação, e existem feridas que se mantêm abertas até hoje por causa disso. 

Obrigada pela oportunidade de dar o meu testemunho.

Um grande beijo,

Flávia

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Marlene

Hoje foi o dia em que decidi escrever para ti, sobre ti, sobre este amor imenso que deixaste na minha vida e no meu coração.

Fizeste-me feliz, fizeste-me sentir linda, como já não me sentia há muito tempo. Obrigado, meu Amor. Obrigado por estes meses tão intensos, carregados de esperança, de magia e de união!

Faz hoje 5 dias que nos separaram. Pensam eles que foi para sempre mas, para sempre, vai ser a tua presença na minha vida e no meu coração.

A dor de te deixar ir, de ter que escolher deixar-te ir, está a ser o golpe mais duro e a batalha mais cruel que alguma vez enfrentei…

No dia em que soubemos que os resultados eram os que mais temíamos, ficámos sem chão…Contínuo sem chão e com um colo à tua espera, meu Amor!!!

Nunca pensei que a minha alma doesse tanto como no dia em que tive que assinar aquele maldito papel, em que abria mão de ti, de te sentir a crescer dentro do meu ventre cada vez mais…

Sair de uma sala de partos sem alguém nos braços e de coração ainda mais vazio, é a maior dor que alguma vez senti. 

Perdoa-me, se te amo demais e por isso escolhi deixar-te partir, perdoa-me por agora sentir a dor de apenas ouvir e saber que só bate um coração em mim: o meu e não o NOSSO!

Que vazio, que revolta, que raiva, que injustiça, que crueldade imensa, que dor, Meu Filho!

Perdoa-me, porque ainda não consigo fazer as pazes com a vida.

Neste momento, só peço ao universo que me dê forças para seguir em frente e que me ajude a abrir novos caminhos, para que possa seguir um rumo e uma razão de ser.

Agradeço, a cada minuto, a oportunidade que me deram de te poder conhecer, sentir, tocar, pegar na tua mão e ver com os olhos, aquilo que vi com o coração desde o dia em que soube que te carregava dentro do meu ser.

Agradeço-te a Ti, por me teres escolhido como casa, por me teres feito sentir tão feliz e por me teres escolhido, Tua Mãe!

Obrigado meu anjo, obrigado por seres o primeiro a perceber, mesmo antes de mim, que a nossa escolha foi por um amor imenso a Ti.

As poucas pessoas que souberam da tua existência (não porque não queria que soubessem, mas apenas para te proteger) e que agora sabem o que aconteceu, dizem que agora tenho um anjinho no céu… acho que esta afirmação nunca fez tanto sentido. Tenho um anjinho sim, mas não no céu e sim no meu coração, para sempre!

Obrigado meu amor. Obrigado por estes meses tão intensos, carregados de esperança, de magia e de união!

Só eu sei o quanto ansiei por poder gritar e mostrar ao mundo que existias dentro de mim, que na minha barriga crescia mais um amor da minha vida… só eu sei o que senti por não o conseguir fazer, porque a vida, mais uma vez, nos trocou as voltas e pediu que fizéssemos a escolha mais cruel de todas.

Vivi e partilhei neste tempo, cada momento contigo…

Tomara que sintas o orgulho que tenho em ser tua mãe para sempre. O orgulho por ser tua casa e o teu aconchego, tomara que sintas a mesma vaidade que senti cada vez que alguém reparava que a minha barriga estava maior e a importância que sentia por me darem um simples lugar no autocarro. Sabia que nesse momento, todos sabiam que estavas ali, dentro de mim e isso enchia-me o coração de orgulho.

Que feliz que fui em ter sido a tua casa, meu amor, obrigada!

Agora que posso, que nada me impede, agora que te posso proteger para sempre, apetece-me partilhar este nosso momento; breve mas interminável. Este amor só nosso ao mundo para que todos saibam que fui e serei para sempre a tua mãe!

A ti, nosso amor, brilha e não me esqueças nunca!!!

O que resta, fica só para nós…

Amo-te,

Mãe