A ti, que lutas todos os dias, que passaste o inverno entre internamentos, mas que não perdes a inocência e a simplicidade de um sorriso.
Aquele sorriso, fácil de encantar, que faz qualquer pessoa dar uma gargalhada, que apesar das limitações, consegue aprender e que bem que aprendes!
Curioso, que gosta de histórias, de pintar e de Metallica! És tão fácil de cativar… e os nossos abraços? Esses são só nossos!
A ti, que vives no Céu, eu sei que não temos aventuras como com o mano, nem brincadeiras, porque a maior aventura vivemo-la todos os dias: aprender a viver longe de ti, foi o maior desafio de todos. Maior do que qualquer internamento, paralisia cerebral ou falar pouco.
Passaram 4 anos e eu contínuo a pensar em ti, todos os dias, onde quer que vá! E não adianta que me digam “que foi melhor assim…”. Não foi, nunca será. Melhor para quem? Para ti, que nunca conheceste o poder de um abraço? Para mim e para o pai, que pensamos como seria ter-te aqui a fazer macacadas de criança? Ou para o mano, que queria ter com quem brincar?
Somos uma família de 4, separados por um Céu de saudade. Hoje nem que as estrelas brilhem, cá dentro, tenho uma trovoada de sentimentos. O tempo passa, mas o Amor que tenho por vocês, esse é infinito e nunca deixarei que me digam que foi melhor… não são os outros que carregam um filho num colo de 2… e enquanto assim for, serão sempre meus…
Com um único corrimento transparente com alguns raios de sangue, dirigi- me ao hospital apenas por descargo de consciência…
Cheguei feliz com uma barriguinha espevitada nesse dia para 12 semanas e 3 dias. Quando chamada para observação, a médica, ainda interna, comentou que não sabia mexer numa das máquinas e, quando fizemos a primeira eco, decidiram passar para outra máquina.
Foi tudo tão rápido que fiquei sem acreditar que o meu tão sonhado bebé estava morto dentro de mim há quase 3 semanas. Os enjoos continuavam e o dr Google dizia que eram boas notícias. Era a gravidez a evoluir.
Apesar de um início de gravidez muito turbulento, em que me separei do pai do meu bebé por me ter pedido que abortasse, de muito ter chorado, de dois picos de tensão alta, nada fazia prever este desfecho.
Era na sexta que ia fazer a ecografia do primeiro trimestre… Dada a notícia chorei compulsivamente e optei por ficar internada …
Era isso ou ir para casa e preocupar ainda mais a minha mãe que também já sonhava com este feijãozinho. Não voltei a sangrar nesse dia e só queria estar sozinha!
Sinto-me vazia, como se o meu futuro idealizado tivesse agora sido cortado em mil pedaços e tivesse manchado.
Estava sozinha e com medo. Nessa noite não dormi, pedi muito a todos os contactos que pude que me fizessem mais uma ecografia, queria muito uma segunda opinião, a máquina podia ter algum problema, pensei… ou talvez o feto tivesse realmente menos semanas porque eu não era regular…
Fiz então a ecografia antes de iniciar o restante tratamento… uma médica amorosa e paciente, mostrou-me tudo e explicou-me tudo. Fez toda a diferença. Ainda muito chorona, mas já mentalizada !
Só à noite é que as duras cólicas vieram e o corpo pedia-me que fizesse força…
Duas vezes a fazer uma força lá do fundo das costas e dois enormes coágulos saíram; era o meu bebé com toda a certeza!
Tranquiliza-me a fé de que o bebé cumpriu a sua missão e, apesar de tudo, continua a ser ele que me tornou mãe! O meu bebé só aprendeu a voar.
Voltei a observação e, apesar do bebé já não estar lá, ainda tinha muita coisa para sair, mais um ciclo de tratamento para ver se conseguimos evitar uma ida ao bloco!
Tive alta, confiaram que o meu corpo se encarregaria do resto e não tive de passar pelo medo que a anestesia já me estava a causar.
Ontem foi o único dia que não chorei, sentia-me tão culpada por isso … simplesmente estava vazia!
Com a alta, despedi-me daquela cama com um colo vazio, o sonho de sair com o amor da minha vida no ovinho deu lugar a uma dor nas entranhas, a um desgosto de alma e um coração em milhares de pedaços. Estou em casa, voltei à realidade e nada assusta tanto…
Tive dores fortes, mas a dor de não ter aqui o meu bebé é mais forte do que tudo….apesar de ter ficado pelas 9 semanas e eu só ter descoberto quase 3 semanas depois, o meu ratinho de 4 cm tornou-me Mamã.
Perdi o meu primeiro bebé em Janeiro de 2021, às 7 semanas.
Soube, desde o primeiro momento, que a minha dor só iria diminuir quando conseguisse cumprir o meu desejo de ser mãe, pensamento um pouco egoísta, talvez, porque o meu arco-íris não substitui o meu primeiro bebé.
Dois meses após a perda, começámos a tentar, mas a minha própria pressão era tanta que não me deixava conseguir engravidar. Passaram 7 meses e o meu positivo não chegava.
Ao oitavo mês, decidi desistir e deixar nas mãos de quem me dá sentido à vida decidir se eu ia, ou não, ser mãe. Nesse mês, engravidei.
Outubro de 2022.
O meu namorado soube primeiro que eu, insistia que eu estava grávida mas eu nem queria fazer o teste. Tive um atraso, testei e o positivo estava lá. Não quis acreditar.
A primeira coisa que disse ao meu namorado foi: “Não me quero mexer. Não quero fazer nada que me possa fazer perder o bebé”. Foram 9 meses muito intensos, com indícios de pré-eclâmpsia, com paralisia facial, com um aumento excessivo de peso e com muita, mas muita ansiedade.
No final correu tudo bem. A minha bebé está aqui, linda e a mostrar-me que o amor existe. Trouxe um bónus, uma manchinha no pulso, onde eu também tenho uma, em forma de coração. Cada vez que olho para ela, tenho a certeza que o irmão ou irmã, a enviou e enviou com ela a mensagem mais bonita de amor que existe.
Esse bebé não está cá, mas é meu filho e amo-o como amo a minha arco-íris e ele retribuiu-me esse amor.
Não deixem de acreditar. O que é nosso volta sempre e, se não voltar, fica o amor no coração.
Senti que tinha que deixar isto escrito antes do meu filho nascer!
E prometo um dia escrever-vos a história do nosso caminho até aqui…
Estou talvez a dias ou horas de conhecer aquele que foi o meu/nosso sonho durante muitos anos, desejar tanto um filho e não conseguir… Um sonho tão grande, que não passava disso, um sonho tão bom que ao mesmo tempo era tão duro…
Muitos anos a viver um sonho tão grande de mãos dadas com a In(Fertilidade). Um caminho tão longo, tratamentos falhados, perdas, muitas, muitas lágrimas, mas com o sentimento seguro de que um dia haveria de ser dia!
E não é que o arco-íris acabou mesmo por brilhar? O que é para ser nosso, acaba por chegar. Lutem, não desistam, acreditem muito. Se foi fácil? Não! Mas quem percorre este caminho sabe que, quando a vitória chega, não há nada que pague este AMOR ❤️ E O AMOR VENCE TUDO!
Só quando tiver o meu filho nos braços vou ter a certeza de que isto é mesmo real…
Termino estas palavras com uma Gratidão gigante por poder estar a viver esta fase da nossa vida. Nunca me esqueço de todos aqueles que continuam a percorrer este caminho: um abraço de coragem e ACREDITEM, ACREDITEM MUITOOOO.
Depois de casarmos, planeámos ter um bebé. Fizemos as consultas e exames de preconceção, bem como a toma das vitaminas pré-natais, tudo muito certinho.
Descobri no dia 24 de janeiro de 2022. Uma felicidade enorme com aquela inocência à mistura. Fiz uma surpresa ao meu marido, com uma brincadeira numa caixinha. Estávamos tão felizes… O nosso sonho estava ali.
Pelas 7 semanas comecei com perdas de sangue, dirigi-me às urgências no qual foi descoberta uma gravidez gemelar. Avisaram-me imediatamente que normalmente um dos bebés não evolui. E assim foi. Na semana seguinte voltaram a avaliar e um dos bebés não tinha evoluído.
Sinceramente não lidei como uma perda, porque o saco já estava vazio e acabámos por nos concentrar no bebé que estava a evoluir bem. Continuei com algumas perdas, mas sempre me foi dito que seria devido à perda do primeiro bebé.
Até às 12 semanas confesso que nunca achei que a gravidez fosse para a frente. Mas chegámos ao marco que achava eu o mais importante: a ecografia do 1ºtrimestre. Tudo normal e dentro dos parâmetros nessa ecografia.
Pelas 16 semanas descobrimos que seria menina, a nossa Ema. O nosso sonho tornado realidade. Cada vez sentia-a mexer mais e lembro-me de comentar isso com a obstetra do qual me respondeu “é sinal de vitalidade” (nunca me esquecerei desta frase).
Tínhamos férias marcadas para o dia seguinte à eco do 2º trimestre, pensando nós que tudo continuaria a correr bem. Estava a ser acompanhada como gravidez de risco, mas, como me foi dito que estava sempre tudo bem, confiei.
Nessa ecografia, a médica guardou para o fim para nos dizer vagamente e sem chamar as coisas pelos nomes que as coisas não estavam bem. Saiu do consultório, voltou e não explicou nem disse absolutamente nada. Pedi-lhe o relatório e recusou. Foi-me dito que seria enviado à minha obstetra e que ela depois falaria comigo. Vi logo que seria grave, pois esconderam-me informações das quais tinha direito. No dia seguinte, tivemos a consulta com a obstetra que nos explicou melhor, e disse realmente que parecia ser muito grave. Partimos imediatamente para uma amniocentese.
Doeu-me a alma. Doeu-me cada veia do meu corpo. Nunca na minha vida experimentei dor tão forte como aquela.
Uma semana depois veio o primeiro resultado e tudo normal (enchemos-nos de esperanças). Só 4 semanas depois do exame é que recebemos o resultado completo. Aí o mundo caiu-nos. A nossa bebé não iria sobreviver. Foi uma grande luta entre profissionais de saúde que tiveram zero de empatia e que me trataram como a “batata podre do hospital”, e entre os que me acolheram com uma humanidade sem igual e me deram tudo o que precisava. Tínhamos de interromper a gravidez e isso incluía um parto normal, que é tudo o que menos queremos viver quando vivemos um pesadelo destes…
No dia 12 julho, às 26s+6d, foi feito o feticídio. O momento mais difícil que alguma vez vivi. Terem de parar o coração da minha filha, ainda dentro de mim. Sentia-a mexer até ao fim. Doeu-me a alma. Doeu-me cada veia do meu corpo. Nunca na minha vida experimentei dor tão forte como aquela. Nem sabia que a dor física se podia juntar à dor emocional e tornar-se aquele monstro. Parte de mim morreu naquele dia, sabem? Não ficamos as mesmas pessoas. Como é que uma vida acaba onde tudo começa? Nada fazia sentido. Saí despedaçada, vazia, mal via o chão de tanto chorar.
Após 2-3 dias de uma dolorosa e difícil indução de parto, nasceu a minha Ema, às 00h25 do dia 15 de julho.
Foi um parto tão silencioso que se torna assustador. De facto, há choro, mas não é o choro do bebé, só os nossos, e há um bebé, mas um bebé sem vida, que não levamos para casa. A minha pequenina, minha Ema, o meu maior amor nos meus braços.
Qual é o propósito de um nascimento sem vida? O meu desejo de ser mãe estava nos meus braços e era agora um sonho destruído… Ficámos ali, meia hora a namorar a nossa filha, o primeiro e último colo que lhe íamos dar. Qual o propósito de um nascimento sem vida? Numa sala onde a vida começa, onde o choro deveria ser de alegria e de um bebé com vida…
Os dias seguintes foram um turbilhão de sentimentos. Chorávamos dia e noite. Não dormíamos. Assistimos ao meu corpo pós-parto, confusos com tudo. Ainda hoje, não há uma única vez que não me olhe ao espelho e não me imagine grávida da minha borboleta. Fica-nos marcado no corpo.
A minha filha será sempre o meu grande amor, a minha borboleta. Vou guardá-la e lembrá-la sempre.
Após uns dias procurei ajuda aqui no “Amor para além da Lua” onde me acolheram e me ajudaram, como eu tanto precisava (e que eu agradeço tanto). Com o passar do tempo, com toda a dor, revolta e também amor nasceu também a minha grande vontade de ajudar. E assim, no dia 5 de agosto, criei o “Amor com Asas”, uma página também de apoio à Perda Gestacional e Neonatal. Um projeto ao qual me dediquei de corpo e alma, que me ajudou e ainda ajuda muito, na evolução da minha recuperação. Tornou-se a minha terapia também. Em outubro juntou-se a minha querida Telma, uma grande amiga que chegou à minha vida com a luz que eu precisava, unidas pela dor da perda. Como designer, também criei o meu atelier “Amor de papel” onde transformei também a minha dor em amor, com ilustrações de nascimentos e perdas de bebés. Espero do fundo do coração que aqui, no “Amor para além da Lua” ,encontrem o conforto que precisam. Não se sintam sozinhos, é um caminho difícil, mas partilhamos a mesma dor.
Um abracinho a todos,
Renata
Pode visitar as páginas nas redes sociais da Renata em:
Estamos a tentar engravidar há 7 anos. Um ano depois de tentarmos naturalmente, sem sucesso, começamos a ser acompanhados em PMA no CMIN, e assim foi durante 5 anos.
O diagnóstico era apenas que eu não ovulava. Começamos por coito programado, passámos para Inseminação e duas FIV sem sucesso. Os médicos apenas encolhiam os ombros, diziam que não percebiam o que se passava e à minha pergunta sobre se existia um exame para explicar as falhas de implantação, foi-me dito que não, que a explicação era que os meus óvulos não tinham qualidade.
Entretanto emigramos, mas o desejo de ter filhos não esmoreceu e, no meio de tudo, tive a sorte de encontrar uma equipa médica fantástica que fez todos os exames possíveis para detetar o motivo. E assim foi, após uma esteroscopia, foi-me detetada uma endometrite crónica que, segundo o que investiguei, poderia explicar as falhas de implantação.
Após tratamento e resolução, fiz mais uma FIV e o primeiro positivo chegou no dia 16 de Novembro de 2022. Infelizmente na primeira ecografia começaram os pesadelos pois não conseguiam ver os batimentos cardíacos. No entanto, como o feto era pequeno, poderia ser normal. Disseram para regressar ao fim de uma semana e nessa segunda eco as desconfianças confirmaram-se e o nosso mundo despenhou-se. Fui do céu ao inferno no espaço de um mês. Como foi aborto retido tive que tomar medicação para o sangramento ocorrer.
Foi um Natal muito triste pois já me tinha imaginado a contar a minha avó e à minha enteada, que tanto quer um irmãozinho. Teria sido triste em qualquer altura do ano, mas nesta altura tem um peso ainda maior.
Neste momento, a minha cabeça está recuperada, mas quando estou sozinha só me apetece chorar, parece que o meu coração vai rebentar.
Por um lado, fiquei feliz por ter tido uma explicação para a minha infertilidade, mas este acontecimento cravou uma faca no meu coração.
Não vou parar de tentar mas o medo só aumentou e às vezes chego a pensar se será saudável para mim.
O que me dá alento é ter um marido que me apoia, assim como os meus pais e uma enteada que me deu, inconscientemente, força para suportar todos estes anos e que é uma filha que tenho no coração.
Hospital muito confuso, em contentores. Tiro senha para ginecologia e obstetrícia e fui para uma grande sala de espera. Chamam-me e vou para lá com pressa, por não saber onde era e com medo de chegar atrasada.
Ainda tive de aguardar algum tempo para entrar, mas entretanto sou chamada à enfermagem e faço todos os procedimentos, e informam-me dos riscos por não ser imune à toxoplasmose. Volto para a pequena sala de espera e poucos minutos depois sou chamada para o gabinete da médica.
Tirei a parte inferior da roupa e começamos a ecografia, ainda não era a de 1° trimestre, mas sim para ver se estava tudo bem.
Mal vi o bebé, o primeiro pensamento foi logo de orgulho “o meu bebé cresceu tanto!”. A última vez que o tinha visto tinha sido às 8 semanas e no dia 19 de Outubro, faria as 10 semanas.
No entanto, reparei que a médica ficou muito calada e, mal me apercebi disso, ouço das piores coisas que já ouvi na vida “lamento, mas tenho más notícias para si… O bebé está morto, não tem batimentos cardíacos”. O tempo parou durante uns segundos e fui sentindo um aperto cada vez maior, como se todo o meu mundo estivesse a desabar..
A médica chamou uma colega para confirmar o diagnóstico e não teve dúvidas. Enquanto a médica me explica as partes do corpo do bebé e onde o coração deveria estar a bater, sinto as lágrimas a chegar aos meus olhos, mas ao mesmo tempo tento segura-las. Tinha de ser forte ali, quando fosse embora choraria tudo o que teria de chorar.
Mas, infelizmente, ainda faltava um bom bocado para ir embora… Depois da ecografia, sentei-me com a médica, e explicou-me quais seriam os procedimentos seguintes, que teria de ser internada para que o aborto fosse completo (fiz um aborto retido).
lamento, mas tenho más notícias para si…
Depois de tudo explicado, começou logo o primeiro problema, a médica não conseguia passar a baixa médica, por não ter todos os dados actualizados no centro de saúde, obrigando-me a ter de ir lá para ter uma consulta e atualizar o necessário, para poder fazer o meu luto e ter o meu descanso durante 28 dias. Para além disso, para ser admitida na Obstetrícia no dia seguinte teria ainda de fazer um teste COVID.
Por último, tinha ainda de tomar um comprimido já, para preparar para o dia seguinte, mas como já não comia nada no espaço de 2h, mandaram-me ir comer qualquer coisa e regressar para tomar o comprimido. Assim o fiz. Fui comer umas bolachas de máquina vending mais próxima e voltei para a sala de espera da obstetrícia, rodeada de grávidas e eu a pensar no meu pequenino, que não conseguiu sobreviver, enquanto as mulheres ao meu lado estariam perto de ter um filho/a nos braços. Inveja e tristeza, foi o que senti nesses minutos.
Pouco tempo depois (que a mim me pareceu muito), uma auxiliar vem com o tal comprimido e depois de o ter tomado diz que tenho de fazer o teste COVID, num outro edifício (e eu sem conhecer o espaço visto ser a minha primeira vez lá). Não sei se foi a minha profunda tristeza ou a minha cara de ignorante enquanto ela me explicava o caminho, mas aí uma outra auxiliar disse “eu levo-a lá”. Como estava sozinha, perguntou-me várias vezes se tinha alguém para me levar embora, se precisava de alguma coisa e tentou animar-me durante o caminho todo, mas sem sucesso. Eu só lhe dizia “eu só quero ir embora”.
Quando chegamos ao local, ela fez questão em aguardar por mim, caso eu precisasse dela.
O médico que me fez o teste foi pouco afável, mas profissional. Depois de terminado, lá estava a auxiliar à minha espera e perguntou-me se precisava de alguma coisa enquanto voltávamos para o local inicial. Disse -lhe que a médica não conseguia passar a baixa a partir do próprio dia por não ter os dados, mas que em princípio não precisava de uma justificação de falta ao trabalho porque no dia seguinte ma passaria no internamento. A auxiliar disse-me que poderia precisar e pediu me para aguardar no exterior e que iria pedir uma justificação num instante para que eu pudesse ir embora. Foi extremamente rápida e em pouco tempo já estava a caminho do meu carro, para poder ligar ao meu namorado e a minha mãe e dar-lhes a notícia. Não sei o nome dela, mas ela foi a melhor profissional que me atendeu no hospital da cidade, sítio que nunca irei querer voltar para o resto da minha vida.
Finalmente saí das instalações e liguei primeiro a minha mãe, onde só conseguia dizer “o bebé está morto! Morreu!” no meio de tanto choro e soluço. Pouco mais consegui dizer e liguei depois ao meu namorado. Pouco mais lhe consegui dizer também, mas ele apenas me disse, muito prontamente: “onde estás? Fica aí, vou ter contigo”.
Enquanto aguardava por ele no carro, só pensei em me conter durante uns minutos, só para poder informar no trabalho que já não iria trabalhar no próximo mês, a partir do dia em questão e o motivo. Liguei a uma das minhas supervisoras, disse lhe que iria ser extremamente breve por não saber se conseguia aguentar mais tempo ao telefone e expliquei lhe tudo muito resumido, mas com tudo o que precisava de saber. Garanti-lhe que não precisava que alguém fosse ter comigo, o meu namorado já estava a caminho.
De casa até ao parque de estacionamento onde estava, ainda são uns 10/15 minutos, mas acho que ele fez isso em metade do tempo, porque pouco depois de ter acabado a chamada ele apareceu. Só me lembro de chorar abraçada a ele para libertar algum do peso que tinha em cima.
Ele, sendo a melhor pessoa do mundo para mim, só me dizia, “vamos conseguir. Nós somos fortes. Vamos ter lindos filhos. Vamos ultrapassar isto.” Nunca duvidei disso.
Meu presente de Natal: no dia 24/12 aproveitámos ao máximo o barrigão. Eu estava com 39+2, às 15h comecei a sentir cólicas e, como eu tinha uma enfermeira me acompanhando, comecei a falar com ela e a monitorizar. Quando foram 20h ,comecei sentir as contrações.
Eu estava bem indecisa entre cesariana e parto normal, mas eu queria ter essa experiência, e deixar o meu filho escolher o seu dia! Então resolvi esperar e foi como Deus permitiu para ser, ele escolheu o dia dele!
Das 20h do dia 24/12 aguentei até 00h para sair de casa do dia 25/12, como qualquer mãe em trabalho de parto, você aguenta o máximo em casa e vai monitorizando para chegar ganhando na maternidade.
Eu cheguei na maternidade Brigida com 7cm de dilatação, às 00:50 mais ou menos. Chegando lá, foram super rápidos no atendimento, a médica na triagem não conseguiu ouvir a coração do Mateus com muita força, por isso eu fui encaminhada com urgência para uma cesariana de emergência. Colocaram-me numa cadeira de rodas e, sem eu poder dizer nada ao meu esposo, só balancei a cabeça, e com vontade de chorar me mantive firme.
Depois de alguns minutos, eu já estava na sala de cirurgia a aplicar a anestesia e o Rodrigo chegou minutos depois.
Em coisa de segundos tiraram o Mateus. Eu não pude vê-lo e nem se quer ouvir seu choro. Só me falaram que ele nasceu muito verde e correram com ele.
E todos me perguntam o que aconteceu com ele? Eu não vi postando nada do nascimento dele? Ele já nasceu?
Para todos que perguntam: foi tudo muito rápido, foram 3 dias do meu filho lutando pela vida, 3 dias clamando pela misericórdia de Deus sobre a vida dele, para que deixasse ele permanecer aqui nessa terra comigo.
E o que foi que aconteceu?
Mateus, quando foi nascer, dias ou horas antes (o médico não sabe dizer desde quando) ele acabou por fazer cocó dentro da barriga e lá dentro acabou broncoaspirando o cocó, que se chama mecônio, e assim que saiu de mim os médicos correram aspirar ele e fazer todos os cuidados.
E porque aconteceu? Não tem explicação, é a natureza do bebé, não tem como impedir de algo assim acontecer, não tem explicação.
Desde então, eu não vi os olhos do meu filho, nem o choro dele, apenas vi ele na UTI todo entubado, com muitas drogas e dormindo, e à base de oxigénio 100%.
Esse líquido foi para o pulmão e como ele não consegue sem o pulmão mandar oxigénio ao restante dos outros órgãos, tudo foi enfraquecendo, o rim, o coração…
Mateus dos Santos – Mateus significa “presente de Deus”. Meu milagre, nasceu 25/12/ 2022 às 1:43 pesando 3.285kg 51cm.
Vocês sabem o que é um milagre?
No primeiro dia na UTI, a médica deu-lhe 24h de vida, disse que só um milagre para ele ficar. Eu, operada com 7 camadas de pele cortada, chorava muito, chorava e como chorava! Pediamos a Deus um milagre naquela UTI, eu e o Rodrigo.
Voltamos no outro dia na UTI e a médica disse “se vocês acreditam em milagre dessa noite ele foi um milagre”.
No dia seguinte ele precisou de uma máquina de diálise, pois o rim estava a parar, precisou de transfusão de sangue. Todo esse cuidado ele teve na maternidade, graças a Deus, Ele colocou anjos no nosso caminho que nos ajudaram nesses 3 dias.
Ele foi um milagre nesses 3 dias lutando! Eu orei tanto, clamei tanto, mas tanto… E eu me perguntava “por que Jesus, porquê com a Carla e com o Rodrigo?”
E não sabemos o porquê disso tudo, talvez a gente nem saiba, mas isso tudo dói tanto…Eu não desejo para ninguém isso que estamos passando, mas me pergunto ainda o porquê.
Me preparei tanto nesses 9 meses, fiz tudo o que deveria ser feito, foi maravilhoso gestar ele, sentir ele.
Nesses 3 dias eu achei que sabia o que era o amor, mas não… Eu não sabia o que era o amor, como é grande o amor de uma mãe e um pai por um filho, nosso filho nos mostrou a fé pois clamamos tanto a Deus, com todas as nossas forças, eu já não sabia como orar.. eu só pedia por fôlego de vida!
Ele nos mostrou a união, tanto a minha família e amigos, quantas pessoas que eu nem conheço, oraram e levantaram um clamor a ele.
Mas dia 28/12, ele descansou!
A médica pediu para eu e o amor e a família se despedir dele. Eu em nenhum momento orei para Deus levar ele, a minha oração era fôlego de vida senhor, assim como ressuscitou Lázaro no 3° dia ,faz com o meu filho também.
E no meio da tarde as enfermeiras já estavam a reanimá-lo manualmente e estava tudo caindo aos poucos… batimentos, saturação, tudo, tudo baixando.
Então resolvi entrar na UTI e orar para que Deus fizesse a vontade dele e não a minha. Eu não queria meu pequeno sofrendo, eu disse a Deus que eu não entendo os planos dele e nem sei se vou entender. E às 18:50 ele descansou.
Como dói, como dói, meu coração está despedaçado! Eu acredito em propósitos, mas eu não entendo hoje!
Mas meu filho é um milagre, Mateus veio para mudar e mostrar o que é o AMOR. Ele escolheu nascer com Jesus, seu nome significa presente de Deus e depois de 3 dias se foi.
Ele escolheu o melhor ventre para morar, escolheu a melhor família para ter com ele e escolheu os melhores pais, eu e o amor vamos para sempre amar esse menino e para sempre levar ele em nossos corações e memórias e lembranças. Não poderia ter escolhido pais melhores a ele, foi rápido mas tão intenso com tanto amor.
O nosso milagre nos deixou! Agora só ficou a dor e a saudade, e como dói! Nada está no nosso controle!
Quando vamos conseguir parar de chorar eu não sei, quando vai parar de doer eu também não sei (acho que nunca vai parar de doer). Pois nós tínhamos tantos planos com você, seu quarto está lindo! A mamãe está cheia de leite que era para te alimentar.
Durmo e acordo chorando, acordo pensando que estou em um sonho e vou poder te buscar na maternidade, acordo com uma dor absurda e vontade de te ter em meus braços. Vontade de ir até a você e ficar com você, vontade de te pedir de volta! Mas não tem o que eu faça, pois não vou te ter de novo aqui.
E o seu pai? A mamãe já amava o seu pai, mas agora eu o amo muito, mas muito mais, a vontade é de me invadir para dentro dele e ficar ali escondida e quietinha, eu quero seu pai comigo o tempo todo, não quero ficar longe dele.
O seu pai é um homem incrível, ele tem sido tão forte tem cuidado tão bem da mamãe. E assim como dói na mamãe dói nele, as vezes que eu tive medo de entrar na UTI ele com muita dor e aperto no coração entrava para te visitar, pois você só tinha a nós! Meu amor eu te amo tanto.
Dia 29/12 foi o dia mais triste de toda a minha vida em ver o seu pai carregando o seu caixão, e ter que enterrarmos o nosso filho, meu Deus como dói!
Meu filho era lindo, os olhos puxadinhos e pequenos igual o da mamãe, boca da mamãe, beiçodinho igual e nariz do papai, tudo perfeito, Deus fez perfeito do jeito que eu pedi a Ele.
Agradecemos a todos que oraram junto com a gente, e a todos que estão com a gente! Não sabíamos o quanto as pessoas nos amam e o quanto amam o Mateus!
Era o mês de Outubro de 2021 e os sinais que uma alma estava próxima a chegar foram aparecendo!
Eu sabia que Novembro e Dezembro iam ser meses a evitar para engravidar, para as datas não se cruzarem com as datas que pertenciam à Maya!
O tempo foi passando e os sinais eram cada vez mais intensos. Um dia, em pleno inverno, passeava o cão e vi 3 cegonhas! Pensei: cegonhas no inverno não parece muito normal, acredito que a cegonha vai chegar em breve, mas na minha mente pensava que começava a tentar após Janeiro de 2022.
A verdade é que neste dia eu devo ter engravidado. Testes de ovulação todos negativos, alguns problemas urinários… gravidez não era de todo uma possibilidade! A verdade é que no dia 25 de Dezembro acordei com um sentimento muito forte de que estava grávida. Parecia até contraditório, porque não queria ter engravidado naquele período, mas dentro de mim algo me dizia que estava grávida. Nessa manhã fiz um teste que se mostrou negativo e eu desabei a chorar e no fundo nem sabia bem porquê! O tempo foi passando e a menstruação estava atrasada, nada normal em mim. Dia 30/12/2021 resolvi fazer um teste e, qual o meu espanto, quando vejo o positivo. Em todas as outras 3 gravidezes o teste deu positivo mesmo antes do atraso da menstruação. Não foi o caso desta.
Fiquei em negação durante quase um mês, primeiro porque percebi que as datas iam ficar muito próximas e também com medo que os abortos se repetissem! Só quando fiz a primeira ecografia é que caí em mim!
Foi uma sensação única, os medos eram arrebatadores, mas a esperança de que desta vez tudo correria bem era mais forte. Em Fevereiro, com 10 semanas, fomos passar férias em Portugal e o nosso mundo desabou: uma perda de sangue monstruosa aconteceu (verdadeiramente pior do que os dois abortos que eu já tinha tido). Dei entrada na maternidade e a médica ao ver tanto sangue e ao saber o histórico, tentava encontrar as palavras para, se calhar, me dar mais uma má notícia. Pedi que fosse rápida (com o tempo ficamos calejados com as más notícias), até que a Dra disse que ia fazer uma ecografia vaginal e, qual o espanto dela, quando o meu bebé mexia no seu ninho, feliz da vida!
Então, com esperança o tempo foi passando e este arco-íris foi ganhando espaço na minha barriga. Ela foi aumentando, ele começou a dar sinais e uma conexão começou a criar-se!
Nunca soubemos bem o que aconteceu, mas a verdade é que este ser continuou agarrado à vida, agarrado a nós… fiquei de repouso para garantir que podia voltar para casa. Voltamos a casa e duas semanas depois fizemos a primeira ecografia, que mostrou que tudo estava bem com o nosso bebé. Então, com esperança o tempo foi passando e este arco-íris foi ganhando espaço na minha barriga. Ela foi aumentando, ele começou a dar sinais e uma conexão começou a criar-se!
Nem todos os dias foram fáceis, mas aceitei sempre as minhas emoções, permitir-me senti-las e extravasá-las sempre que necessário! O tempo foi passando, e com medo não queria preparar o quarto, mas a minha enfermeira e a psiquiatra foram-me recomendando começar a avançar aos poucos. Que depois no pós-parto ia ser mais difícil! Lá ganhei coragem e comecei.
Segui as recomendações: as roupas fui lavando e mudei o cheiro dos produtos para a intenção passar a ser outra (o cheiro da Maya será para sempre o cheiro da Maya) e este seria o cheiro para este bebé! Lavei roupas, organizamos o quarto, tudo foi fluindo, mas também houve momentos de emoções elevadas e de muito choro. O medo de voltar a entrar em casa de braços vazios invadia-me. Permitimo-nos avançar nesta montanha russa, de incertezas, medos, angústias e amor!
Tudo foi avançando e as semanas foram passando. O meu bebé que, tamanha era a conexão, que reagia até ao pensamento, diga-se de passagem, que o bebé arco-íris sente tudo muito mais. Preparámos um plano de parto, ao qual eu ainda pensava na tentativa de um parto normal após a cesariana da Maya (às 37 semanas fiz uma ecografia para analisar a minha cicatriz e tudo indicava que se o bebé assim entendesse podia ser normal). Mas o nascimento de um bebé não é só nosso e o pai tem um papel importante também…no nosso caso, o pai não se sentia confiante com o parto normal. Afinal havia todo um passado…
Acabei por ceder e marcamos uma cesariana… mesmo assim entre a espera ainda tive uma consulta e tentaram-me fazer o descolamento das membranas sem sucesso. Tudo apontava que o mais seguro para este bebé chegar era mesmo por cesariana!
Assim foi, no dia 29 o nosso bebé surpresa chegou. Com ele descobrimos que o nosso mundo teria muita cor…descobrimos também que passaríamos a ser pais de um menino…e após este dia eu aprendi a viver com um bebé nos braços e outros no coração.
O Adam sabe e saberá que para nós ele é o nosso 4º filho, mas o primeiro que trouxemos para casa, o primeiro que se comprometeu a fazer esta caminhada terrena connosco!
É uma benção ter este arco-íris connosco após todas as tempestades! Nada é por acaso e no momento certo tudo chega em tempo divino… com carinho, abraço cada um de vocês pais e mães de colo vazio, mas que em breve acreditem, terão o vosso arco-íris.
Ana, mãe do arco íris Adam Abelhinha Maya e Anjinhos Jonas e Ayam
A Clara chegou ao mundo a 4 de Janeiro depois de um parto de mais de 40 horas.
Tal como toda a gravidez, foram as horas mais lentas e mais rápidas da minha vida. Não vou mentir, não foi uma gravidez fácil. Aliás, começou com uma visita ao hospital, por causa de um sangramento e com más notícias: “Claudia, prepara o coração que esse bebé também não vai ficar. Os teus níveis estão muito baixos. Para a semana, quando fizeres o teste de novo, já confirmamos a não evolução com um negativo”.
Eu já estava preparada, afinal, o meu arco-íris não tinha ficado e uma pessoa quase que se habitua a receber más notícias – enfim, perda era tudo o que conhecia!
O teste veio positivo, em segundos. Mas tinham-me avisado que podia acontecer e, se fosse esse o caso, para esperar 3 dias, refazer e se ainda fosse positivo, voltar ao hospital.
Os positivos continuaram a aparecer e eu, com a ânsia, até fiz daqueles electrónicos e as semanas subiram.
Na consulta confirmou-se: má datação inicial, bebé de 7 semanas, coraçãozinho a bater. Eu fiz aquele caminho até casa 2 vezes sozinha. Em ambas tive de dar as más notícias ao meu parceiro. Esta foi a primeira vez que as lágrimas eram de felicidade.
Por ter perdido a Charlie tarde na gravidez, fui seguida muito de perto com ecos regulares e várias consultas. O resto da gravidez, felizmente, foi tranquilo. O meu estado emocional, por outro lado, foi uma montanha russa. Um dia de cada vez. Como forma de proteção, não partilhei a gravidez com quase ninguém e, quando o fiz, foi em fase bem avançada.
Quando o coração de um bebé deixa de bater dentro de nós sem motivo, aprendemos que não há rede de segurança em nenhuma fase da gestação e nada que garanta que vá correr bem. É aceitar o medo, a falta de controlo e seguir, esperando o melhor e preparando-nos para o pior. Mas eu também sabia que ela merecia ser celebrada. Quando passei as 25 semanas, mentalizei-me que ia ter de a conhecer, quer corresse bem ou mal, e por isso, já contava que o coração ia sofrer se ela não ficasse; não havia nada que me salvasse disso.
Houve muitas coisas que fiz diferentes, aliás, eu queria e precisava que fosse diferente, porque semelhanças, na minha cabeça, indicavam uma repetição do desfecho. É importante ter mecanismos de cooperação. Não que eles impeçam os medos ou os dias de saudade e choro, mas precisamos de aproveitar os bons e acreditar, nesses dias, que vai tudo correr bem. Por isso, se se encontrar a fazer qualquer coisa que possa parecer estranha mas que esteja, de alguma maneira, ligada à gravidez, é normal. É um dia de cada vez. É respirar e pôr um pé em frente do outro. Muitas vezes, é esperar que aquele dia acabe.
Mas, nos dias bons, se conseguir, aproveite. Nós culpamo-nos de não fazermos memórias suficientes com os bebés que perdemos e, por medo, acabamos por fazer o mesmo – mas mesmo sem recordação física, o bebé existiu e somos a mãe dele.
Tudo o que vos desejo, é que sintam o alívio, o amor, o quentinho, o cheirinho e a felicidade que eu senti quando a Clara chegou.
É estranho como ela nos pertence, mesmo quando penso que, se calhar, se a Charlie tivesse ficado, ela não teria chegado. E isso parece-me tão errado como a perda dos meus 2 bebés.
A todos nesta viagem, cuidem de vocês, procurem apoio e aproveitem como conseguirem, prometo que vale a pena!