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Claudia, testemunho, sonho

Durante a gravidez, sempre brinquei que a minha bebé ia sair à mãe e comer de tudo. Ao contrário de duas outras grávidas que estavam mais ou menos com o mesmo tempo que eu, não sofri, nunca, de enjoos ou desejos.

Numa consulta de rotina, depois de conversas, medidas, peso e um chá – bem à moda britânica – a parteira não conseguiu encontrar um batimento cardíaco. “Isto não é nada, estamos aqui com o dopler e a tua placenta é anterior, vais ao hospital, fazem-te a ecografia e vês logo o bebé a rir-se para ti”. Com medo, mas esperançosa, fui receber as notícias que ninguém quer ouvir “Lamento, mas não há batimento, o médico vai vê-la daqui a nada”.

Não chorei; não era possível.

Nos meus ouvidos eu ouvia o meu próprio coração – tum-tum tum-tum tum-tum- como é que o meu podia bater tão forte se o dela tinha parado? Confirmaram que ela tinha morrido e discutiram em breve as minhas hipóteses. Entretanto, tinha de ligar ao pai, ir para casa e voltar no dia seguinte para começar o processo de indução. Ao telemóvel, não sei sequer se disse alguma coisa. Acho que o som que saiu de mim foi o meu coração a partir-se e choro. Nada mais.

No dia seguinte, incrédulos e em choque, fomos para a maternidade para ser induzida. À meia noite e vinte e dois, do dia 22 de Fevereiro, a Charlie veio ao mundo, em silêncio, pequenina e perfeita.

Tal como qualquer mãe que dá à luz naturalmente, fiquei no hospital 2 dias.

Tudo o que se seguiu foi inacreditável. Registar a morte. Planear o funeral. Não ter ninguém presente (por causa do Covid não se podia viajar) na cerimónia e durante a recuperação. Não ter a bebé comigo.

A solidão, a dor, o luto, a perda. Tudo ondas no meu mar.

Hoje, continuo a aprender a viver esta nova realidade em que a Charlie está presente mas no meu pensamento e na esperança que na partilha da sua vida e morte com outros, possa continuar e mostrar todo o amor que tenho e que a vida depois da perda é possível.

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Renata, testemunho

O meu feijãozinho, como lhe chamava no início da gravidez, nasceu sem vida no dia 12 de fevereiro de 2020. Foi no dia 31 de janeiro que me puxaram o tapete e a minha vida levou uma reviravolta. Senti que levei uma valente chapada na cara. Primeiro estava a fazer a ecografia do 2º trimestre e feliz da vida a ver o meu bebé a mexer-se energicamente com o médico a contar cada um dos seus dedos dos pés e das mãos. E pouco tempo depois tinha o médico a perguntar-me se eu tinha a certeza em relação ao sexo do meu bebé e de quantas semanas estava. Tudo mudou e senti que algo estava errado. O médico explicou que o bebé era pequeno para o tempo que tinha e que o melhor era ser vista num outro hospital. As lágrimas escorriam-me pela cara e senti o meu mundo desabar. O princípio do fim. Eu não o sabia e tinha alguma esperança, não muita, mas alguma. Liguei ao meu médico que o primeiro que fez, quando eu já me sentia culpada, foi culpar-me. Depois viu o quanto era grave e já falou comigo de outra forma. Fui pedir uma segunda opinião com os resultados da ecografia. Encaminharam-me para um outro hospital para fazer uma nova ecografia. Ouvi o confirmar de tudo. O meu filho tinha restrição de crescimento precoce com ambiguidade sexual. O médico foi muito cuidadoso e explicou-me o que era e as opções que tinha. Aconselhou a interromper a gravidez porque a minha gravidez não tinha futuro… Recolheram informação, tiraram-me sangue enquanto ainda estava em choque, fizeram amniocentese para tentar perceber o que aconteceu. Deram-nos a entender que iam fazer tudo por tudo para tentar perceber o que provocou a restrição de crescimento. Assim o foi. Ainda o estão a fazer. Já fizeram imensos exames, todos inconclusivos. “Podemos nunca perceber o que aconteceu”, avisaram-nos.

Esta é a história do meu feijãozinho e a minha história. Perdi a inocência e a ingenuidade. Quando tudo aconteceu, pouca orientação tinha, pouca informação, sabia 0 sobre gravidez e o que fui percebendo sobre todo o processo tive de perguntar porque se não ninguém me explicava. Sofri as mudanças no meu corpo, senti um vazio enorme e uma dor emocional que parecia que não tinha fim e que se sobrepunha a toda e qualquer dor física que alguma vez tenha sentido. Pensei “alguma vez isto vai passar?”. Agora, vejo a luz ao fundo do túnel, com apoio psicológico, que foi fundamental, e com o apoio da Claudia, e também da Rita, que entretanto conheci, estou a (sobre)viver um dia de cada vez, a aprender a ter esperança, a conviver com o meu luto.

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Ajuda prática Família e Amigos Ofertas Ofertas e Recursos

Assim como a tragédia da perda em si, há que reconhecer um dos grandes momentos na vida de um pai: contar aos filhos que já tem, que o irmão ou irmã que vinha a caminho, já não vem para casa. Por isso, neste artigo, damos dicas de como ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças.

À primeira vista, pode parecer que bebés e outras crianças mais novas não percebem bem o que se passa quando há acontecimentos trágicos como a morte de um familiar. No entanto, as crianças são muito sensíveis aos sentimentos das pessoas à sua volta.

Consequentemente, o seu comportamento pode mudar, podem tornar-se mais dependentes e os seus hábitos de sono e comida podem mudar.

Compreensivelmente, isto pode ser árduo para os pais que estão exaustos com a sua tristeza e angústia. Desta forma, se puder ajudá-los a tomar conta deles, isto dar-lhes-á algum tempo para descansarem. Tal como esta pode ser uma boa maneira de ajuda, também pode ser melhor para a criança ficar na sua própria casa e passar tempo com os seus pais e consigo.

crianças

É importante que os pais partilhem com a criança o que aconteceu. Logo, o que é dito à criança depende da sua idade e capacidade de compreender, das perguntas que faz e das decisões dos pais. 

Preste atenção à linguagem que os pais usam para melhor ajudar quando há outras crianças.

Outra forma de ajudar após a perda de um bebé quando há outras crianças é falar sobre o que foi dito à criança e saber qual a linguagem que foi utilizada para seguir o mesmo exemplo.

Poderá notar que a forma como os pais lidam com os filhos que estão vivos pode mudar. Por exemplo, podem tornar-se extremamente protetores. Assim como outros poderão relaxar as regras. 

Portanto, é importante perceber que eles estão a tentar fazer o melhor possível numa situação desesperante.

como ajudar quando ha outras crianças

Apoio: Desenhos para colorirem para lembrarem o irmão/irmã

Oferecemos, nesta página, alguns desenhos que podem descarregar, imprimir e dar às crianças para pintarem como forma de lembrar o irmão/irmã.

Descarregue-os aqui:

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Ajuda prática Família e Amigos

Oferecer apoio pode ser complicado. Afinal, a perda gestacional ou neonatal pode apanhar-nos desprevenidos e muitas vezes podemos não saber como lidar ou como ajudar. Assim, como podemos apoiar os pais que perderam um bebé? Neste artigo, damos algumas dicas.

Primeiramente, o nível de envolvimento depende do quanto você quiser ou sentir que é certo. É natural ser influenciado pela relação que partilha com os pais e também pela forma como lidou com problemas comuns no passado.

Alguns pais precisam de tempo e privacidade e de passar pelas coisas sozinhos enquanto outros precisam de extravazar os seus sentimentos.

apoiar pais que perderam um bebé

É importante que ouça os pais para que perceba que tipo de apoio necessitam. Todos lidam com isto de maneira diferente. Portanto, oferecer uma forma de ajuda que lhe foi útil no passado, pode não ser aplicável para algumas pessoas.

Se recusarem ajuda ou preferirem estar sozinhos, é normal que se sinta excluído ou magoado. Todavia, nesta altura, eles precisam de fazer o que é certo para eles. Claro que isto não significa que não valorizem esforços no futuro – podem só não estar preparados agora, mas podem precisar em breve.

Mostre que se importa com os pais e com o bebé

É delicado encontrar um equilíbrio entre ser prestável e intrusivo. E, claro, também ser difícil mostrar que se importa sem trazer tristeza aos pais. Assim, isto pode reverter os papéis e eles podem sentir que o têm de confortar a si ou que a sua dor se sobrepõe à deles. Nestas alturas, se quer apoiar os pais que perderam um bebé mostre-lhes que se importa com eles e com o bebé. Ao fazer isso, tente sempre mostrar que eles não têm de o confortar a si.

O luto e a angústia podem tornar mais complicado que o usual ver e aceitar os pontos de vista e modos de fazer coisas diferentes. Lembre-se que as suas opiniões sobre os pais ou a recuperação dos mesmos, ou como deveriam estar a comportar-se podem ser ofensivas. Desta forma, estar presente para ouvir é a melhor forma de apoio.

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Ajuda prática Artigos de Autor | Especialistas Informação útil
Subsídio Parental na morte fetal ou neonatal

O subsídio parental é um valor em dinheiro que é pago ao pai ou mãe que estão de licença (podem faltar ao trabalho) por nascimento de filhos. Assim, destina-se a substituir os rendimentos de trabalho perdidos durante este período. Por conseguinte, o Subsídio Parental tem as seguintes modalidades:

1. Subsídio parental inicial

Conforme a opção dos pais, é um apoio em dinheiro concedido por um período de até 120 ou 150 dias consecutivos.

No entanto, nas situações em que a criança nasce sem vida (nado-morto), apenas há lugar à concessão de 120 dias, sem possibilidade de acréscimo.

Logo, nas situações em que a criança nasce sem vida, a declaração hospitalar comprovativa do parto tem de ter a indicação de ser referente a um nado-morto.

Flor, Subsídio Parental na morte fetal ou neonatal
  • Afinal, o que é o subsídio parental inicial exclusivo da mãe?

O subsídio parental inicial exclusivo da mãe é um apoio em dinheiro concedido à mãe por um período facultativo até 30 dias antes do parto e seis semanas obrigatórias (42 dias) após o parto.

  • Relativamente ao subsídio parental inicial exclusivo do pai?

É um apoio em dinheiro dado ao pai que está de:

  • Licença de vinte dias úteis obrigatórios
  • Licença de cinco dias úteis facultativos

No caso de a criança nascer sem vida (nado-morto), o pai não tem direito ao subsídio referente a cinco dias úteis facultativos nem ao acréscimo de mais dois dias relativamente ao período de vinte dias de gozo obrigatório se se tratar de gémeo que nasça sem vida.

  • O que é o subsídio parental inicial de um progenitor em caso de impossibilidade do outro?

É um subsídio que corresponde ao período de tempo de licença parental inicial da mãe ou do pai que não foi gozado por um deles devido a:

  • Incapacidade física ou mental, medicamente certificada, enquanto esta se mantiver;
  • Morte.

Obs. O subsídio parental inicial de um progenitor em caso de impossibilidade do outro só pode ser concedido nas situações em que a criança nasce com vida (nado-vivo).

2.1 Subsídio por interrupção da gravidez (espontânea ou voluntária)

Subsídio atribuído à trabalhadora, com vista a substituir o rendimento de trabalho perdido, na situação de interrupção da gravidez medicamente certificada.

Período de concessão: É atribuído durante 14 a 30 dias, de acordo com indicação médica.

O montante diário do subsídio é igual a 100% da remuneração de referência da beneficiária.

2.2 Subsídio social por interrupção da gravidez (espontânea ou voluntária)

Primordialmente, destina-se a cidadãs abrangidas por regime de proteção social obrigatório ou pelo regime do seguro social voluntário. Contudo, dirige-se apenas às cidadãs cujo esquema de proteção social integre a eventualidade de maternidade, paternidade e adoção, sem direito ao subsídio por interrupção da gravidez.

Sendo assim, é um subsídio atribuído à trabalhadora, em situação de carência económica, em caso de interrupção da gravidez medicamente certificada.

Desta forma, o subsídio é atribuído por um período variável entre 14 e 30 dias, de acordo com indicação médica.

O valor do subsídio é de 11,70 € por dia – (80% de 1/30 do Indexante dos Apoios Sociais – IAS).

Valor do IAS em 2020= 438,81€

NOTA:

Para aferir se os pais podem gozar do subsídio parental ou do subsídio por interrupção da gravidez, é o médico responsável que terá de atestar se se tratou de um nado-morto ou de interrupção voluntária ou espontânea.

Informação gentilmente compilada e cedida, de acordo com a Lei e Segurança Social em 2021 por

Filipa Sampaio Lopes,

Advogada

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Perda tardia - Depois Pós-Perda
sonhos

É importante apurar as causas da perda gestacional. Imediatamente, uma das primeiras perguntas que nos surge quando isso acontece é: “Porque é que isto aconteceu? Porque é que o meu bebé morreu?”

Embora seja incrivelmente difícil pensar numa autópsia ao seu bebé saiba que é muito importante e pode ajudar a descobrir o que se passou.

Apesar de soar bastante intrusivo, mas não é o caso. Aliás, esta é feita com imenso cuidado por parte dos profissionais responsáveis.

Sobretudo se pretender voltar a engravidar, os médicos poderão fazer investigação clínica. Assim, esta investigação pode ajudar a entender o que poderá ter contribuído para o falecimento do bebé.

Por norma, o seu médico falará consigo em relação a esta análise. Após o seu consentimento, o seu bebé será examinado por um especialista que tentará determinar a causa ou se há algum fator que possa afetar gravidezes futuras.

O que pode revelar esta análise?

Examinar o seu bebé e a sua placenta pode ajudar a perceber as causas da perda gestacional. Nem sempre esta análise oferece as respostas e, muitas vezes, os resultados são inconclusivos. Mediante o caso, este processo, pode demorar algum tempo.

No entanto, esta análise pode:

  • confirmar ou mudar um diagnóstico prévio;
  • identificar condições que não foram diagnosticadas anteriormente;
  • excluir causas comuns de morte, como problemas com o desenvolvimento, crescimento e infeções;
  • ajudar a prever a possibilidade de voltar a acontecer numa futura gravidez;
  • fornecer informação sobre condições genéticas;
  • caso não saiba, pode revelar o sexo do bebé.

Quando a gravidez termina por razões médicas

Causas da perda gestacional, trsiteza

Se terminou a gravidez por razões médicas, este tipo de análises pode ser ainda mais relevante. Esta é uma análise importante, pois vai além do que se encontra em ecografias detalhadas e diagnósticos. Contudo, a possibilidade de uma análise mais detalhada nestas situações dependerá da longevidade da gestação. É sempre aconselhável discutir as possibilidades com a equipa que a acompanha.

Para além dos exames ao bebé, os exames à sua placenta poderão também resultar em informação muito valiosa. Durante estes exames, a equipa médica recolhe amostras para depois as estudar em laboratório.

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Ajuda prática Apoio psicológico Pós-Perda
o luto, o luto não é linear

O luto é, ainda, uma palavra tabu na sociedade. Infelizmente a perda de um bebé não termina quando recebemos as notícias, ou quando damos à luz ou até num funeral.

O luto é para a vida. Apesar dos pais e mães aparentarem estar “bem” passado um tempo, não há data de validade para isso. Não existe momento de filme, em que o sol nasce por de trás das nuvens e de repente se sorri e se continua, deixando para trás a tristeza.

Quando falamos em luto, há que ter em conta que este não é linear. Principalmente quando falamos de algo tão anti-natura como a perda de um bebé.

Primeiramente, muitos pais vão recolher-se na sua bolha em que a presença de outros pode ou não ser bem-vinda (é sempre preciso ouvir o que os pais dizem e querem). Por norma, fecham-se no seu mundo, a processar o que aconteceu.

Entretanto, o mundo continua e os dias passam. Depois começam “as primeiras vezes”. Estas são as primeiras saídas à rua e contato com pessoas que se conhece. Se, no seu caso, a gravidez tiver terminado numa fase avançada, vai ter, de certeza, de lidar com pessoas que vão perceber que ontem havia uma barriga e hoje não há, nem criança. Essas experiências podem criar grande ansiedade numa mãe, porque podem ou não levar a situações desconfortáveis. Tal como regressar ao trabalho, que é um passo gigante e assustador.

O luto e o regresso ao mundo

Todas estas coisas, tão simples antes da perda, tomam proporções enormes para um pai ou mãe que está a lidar com sentimentos de tristeza, dor, culpa e até vergonha.

Demore o tempo que precisar.

No entanto, as primeiras vezes vão acontecendo e a confiança vai voltando. Um dia, vai notar que nem todos os momentos do seu dia foram passados em tristeza e pode até ter conseguido uns sorrisos.

Porém, nesta altura, normalmente uns meses depois da perda, é também quando as pessoas à nossa volta, esperam que esteja “melhor”. Pensam: “Ela(e) agora já sorri, já vai trabalhar, já conversa e, acima de tudo, já é capaz de não chorar em público.”

Infelizmente, para os pais, não é preto e branco. Assim, estamos bem até não estarmos. A onda da tristeza está no nosso mar sempre, e, quando vem, é avassaladora.

Não importa quanto tempo passou, a lembrança de que a perda realmente aconteceu despoleta sentimentos de angústia que não são comparáveis à tristeza comum. Por isso, não há como controlar por muito tempo.

Se acabou de perder um bebé, por favor saiba que o mundo pode esperar um bocadinho enquanto se recompõe. Não se apresse a estar bem. Sinta o que tem de sentir, aceite o que aconteceu, tire o tempo que precisar para se despedir do seu bebé e perceber que, tristemente, ele não volta.

Além disso, note que está a fazer o luto de um futuro que sonhou e imaginou. Está também a despedir-se do que poderia ter sido e de ser mãe/pai daquele bebé. E isso, leva uma vida se for preciso.

Não deixe que os sentimentos a consumam, mas respeite-os e trabalhe-os. O seu “eu” do futuro vai agradecer.

E lembre-se, o luto é para sempre. Tal como é o amor.

o luto

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Perda precoce
sonho, Aborto espontâneo: Causas Comuns, perda precoce

Ainda que nem empre se possa identificar a causa, existem várias causas comuns do aborto espontâneo.

Se um aborto espontâneo ocorrer durante os primeiros três meses, a causa mais comum são problemas com o bebé (feto).

Caso acontecer no segundo trimestre, pode estar relacionado com alguma condição da mãe que não tenha sido diagnosticada. Para além disso, estas perdas tardias podem também ser causadas por infeções que podem resultar nas águas rebentarem prematuramente, dores ou hemorragias.

Causas comuns para um aborto espontâneo

sonho, Aborto espontâneo: Causas Comuns, perda precoce

Defeitos cromossómicos

  • Estão frequentemente relacionados com abortos às 4-8 semanas de gestação.
  • Este defeito pode ocorrer durante a conceção e ainda que a sua razão não seja clara, resulta, maioritariamente em aborto.

Complicações relacionadas com a placenta

  • durante o desenvolvimento desta, se houver problemas, pode também levar à perda da gestação;

Causas comuns do aborto espontâneo: causas genéticas

Por norma as interrupções são mais comuns durante o primeiro trimestre, mas podem ocorrer durante toda a gestação. As causas mais frequentes são as trissomias;

Outras causas frequentes:

  • Infeções e problemas imunológicos
  • Estrutura do útero
  • Cervical enfraquecido
  • Certas alterações anatómicas, como as malformações uterinas ou miomas estão relacionados com abortos no segundo trimestre. 

Outros fatores que a colocam numa posição de risco:

  • Medicação sem indicação médica
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Idade
  • Consumo de drogas
  • Consumo de álcool
  • Tabagismo
  • Pressão arterial
  • Lupus
  • Problemas de tiroide

Saiba mais sobre as causas do aborto espontâneo, aqui.

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Perda precoce
identificar um aborto espontaneo, perda precoce, flor, tristeza

Apesar de ser um dos tipos de perda precoce mais comuns, continua a ser pouco falada em termos práticos. Então, aqui, vamos ajudar a identificar um aborto espontâneo.

Geralmente, o sintoma mais comum de um aborto espontâneo, é a hemorragia vaginal e/ou dor pélvica.

Desde já, note que no início de uma gravidez, é comum que a mulher sangre um pouco. Normalmente, isto deve-se à implantação do óvulo e esta hemorragia pode ser considerada normal.

No entanto, é fundamental que discuta qualquer preocupação com o seu médico de família ou obstetra. Depois de conversar com o seu médico, este pode indicar-lhe que cuidados deve tomar.

identificar um aborto espontaneo, perda precoce, flor, tristeza

No evento de uma ameaça de aborto, pode ser recomendado repouso e serem necessários tratamentos específicos. Contudo, se for considerado um aborto em evolução, pode não ser preciso tomar mais medidas ou pode necessitar de internamento e medicação.

Sintomas comuns a tomar atenção para identificar um aborto espontâneo

Outros sintomas de uma perda precoce incluem:

  • dores pélvicas (entre a barriga e o útero)
  • fluídos vaginais
  • descarga de tecido vaginal
  • não sentir sintomas de gravidez como náusea, peitos sensíveis, etc., (note que estes sintomas podem sempre diminuir).

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Ajuda prática Família e Amigos

Ainda há muito desconforto e inquietação sobre como lidar com amigos cuja gravidez não resultou num bebé saudável em casa. Para além da perda em si, há uma quebra nos sonhos, desejos e conversas que inundavam os pais. Por isso, é importante sobretudo saber o que (não) dizer.

O que (não) dizer, ajuda pratica, planta

O que (não) dizer:

“Tu ainda és nova. Vais ver que vais engravidar outra vez num instante e vai tudo correr bem!”

Antes de mais, há certas coisas a entender aqui: quando uma mulher perde um bebé, não há nenhum outro que o possa substituir. Assim, o que esta frase faz é minimizar a vida que se perdeu aos olhos do pai e desta forma desvalorizar a dor que os pais sentem. Lembre-se, especialmente se já tiver sido mãe, que, para estes pais, este bebé é amado, é uma pessoa e uma vida.

Agora, o bebé está num lugar melhor” ou “Agora tens um anjinho a olhar por ti/vocês” ou qualquer variação religiosa.

Entenda-se, todos os pais percebem que a ideia principal de frases como esta é dar conforto. Desta forma, alguns vão apreciar este tipo de linguagem. Mas imagine que os pais não ligam a religião? Ou o peso que estas frases têm para os pais – muitos podem ouvir: não merecias este bebé, é melhor onde está.

 “Foi o melhor. Se não vingou é porque não tinha de ser. Se calhar havia algo de errado com o bebé.”

Muitos pais são alertados cedo da probabilidade (ou confirmação) que o seu bebé vai ter uma deficiência. Mesmo sendo uma notícia difícil, os pais preparam-se para isso (ou tentam). Quando se está grávida, o amor pelo filho é incondicional. NA maioria das vezes, não há dúvida para os pais que o que eles querem é que o filho nasça… Apesar de não ser fácil para muitos pais, isso não dita o amor que sentem pelos filhos.

“Tudo acontece por uma razão”

Embora comum, esta é uma expressão agridoce. Eventualmente todos a dizem a na vida em relação a quase tudo. Sim, é um facto. Tudo acontece porque houve um motivo. Mas nesta altura não é o que os pais querem ouvir.

Primeiro, porque pode-se nunca descobrir o porquê. Segundo, os pais, especialmente a mãe, vai carregar um sentimento de culpa consigo. Por exemplo, vai julgar-se por não conseguir levar uma gravidez a termo. Numa situação destas…esta expressão pode trazer dor, fúria e tristeza.

 “Antes agora ao início do que mais tarde” ou “Estavas tão no início ainda nem era um bebé

Desde o momento que se engravida, o espírito de mãe vem ao de cima. De repente, todas as conversas são sobre o bebé, do bebé e para o bebé. Imediatamente o tempo torna-se relativo. A partir daí, o que importa são os sentimentos e é importante perceber que existe uma perda associada e agir de acordo com isso.

“Ai se fosse eu, não sei se conseguia… Não sei o que faria se fosse comigo”

Pense, sincera e arduamente no que seria para si. Especialmente se já tiver filhos. De seguida, use esse sentimento para criar empatia com os pais. O que gostaria que me dissessem a mim? Para além disto, frases como esta normalmente são seguidas por histórias para os pais, defletindo a atenção deles e da sua dor.

“Devias estar agradecida pelo que tens

E estamos. Incrivelmente gratos. Mas esse não é o caso. Afinal, se um bebé foi desejado e planeado, ele foi querido. Ele esteve cá e partiu. Desta forma, a gratidão é implícita. Um filho não substitui o outro e frases assim adicionam outra camada de culpa nos pais.

 “O tempo cura tudo”

O tempo dá-lhe perspetiva. Dá-lhe espaço entre o que aconteceu e onde você está. O tempo não cura. Esta é uma ferida no coração, não um braço partido. Não se remenda, apenas se aprende a viver com isto. Preste atenção ao seu humor no Natal ou celebrações em família ou até em datas especiais. O tempo traz distância, mas não esquecimento.

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O que pode dizer e fazer:

Não desespere! Embora menos seja mais em muitos dos casos, pode usar os seguintes exemplos:

  • “Lamento muito.”
  • “O que posso fazer por ti? Há algo que te possa ajudar?”
  • “Se precisares, estou aqui”
  • “Se não te apetecer falar, eu posso só sentar-me aqui ao teu lado e fazer-te companhia.”

O que pode fazer para ajudar nestas alturas: 

  • Ajudar na lida da casa;
  • Trazer comida ou cozinhar;
  • Passear os animais, se for o caso;
  • Tomar conta de outros filhos que possam ter para dar uma pausa ao casal.

E lembre-se, mantenha o contacto durante os próximos meses. No início haverá sempre pessoas, mas o apoio vai diminuindo com o tempo. Faça questão de se manter próxima(o).

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