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Informação útil Perda gestacional

O Amor para além da Lua estará presente nas I Jornadas sobre a Perda Gestacional: reconhecer, cuidar e ressignificar, que decorrem entre os dias 21 e 22 de maio, no Auditório da Junta de Freguesia de Moreira da Maia.

As inscrições estão abertas.

Experienciada por inúmeros casais, mas falada por poucos, a Perda Gestacional é um tema pouco reconhecido socialmente, desvalorizado e muitas vezes silenciado. É um caminho longo que necessita de ser acolhido, apoiado e partilhado. Existe um longo percurso a fazer no cuidado mais empático e humanizado aos casais.

As Jornadas sobre a Perda Gestacional têm como objetivos refletir sobre as práticas profissionais, aprofundar conhecimentos na área, partilhar experiências e divulgar projetos e apoios existentes relativos à Perda Gestacional.

O objetivo principal é chamar a atenção de profissionais e da comunidade, dando voz a uma temática tão importante, mas tantas vezes desvalorizada.

Ver programa das jornadas

Regulamento para Comunicação Oral/Póster

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

Apareceste-me num sonho e uns meses depois tornaste-te a nossa realidade.

Recebemos a notícia da tua existência como uma bênção e, embora o medo e a ansiedade tomassem conta de mim, agarrei-me a ti com todas as forças.

No dia em que recebemos a notícia de que não tinhas conseguido, o mundo desabou novamente e o teu papá mais uma vez foi o pilar.

Desculpa, meu amor, por não ter a força que todos esperavam. Não consegui ainda contar aos manos.

Já todos te amamos tanto que dói demais deixar-te ir… Queria ter fé, queria ser forte, queria tanto que tu conseguisses, por ti, por nós…

Fica o tempo que precisares, serei sempre a tua casa, e por mais anos que viva, tu viverás em mim.

Hoje ainda não aceito, talvez não aceite nunca… a dor essa vai doer sempre, mesmo que me digam que todos os dias vai doer menos um bocadinho. Eu tenho a certeza que não… a dor vai estar sempre cá, a mamã é que vai aprender a lidar com ela e a camuflar com um sorriso, pelos manos, pelo papá e pela tua memória…

Obrigada por teres feito de mim casa, por me teres escolhido, e embora não te carregue no colo, irei carregar-te sempre no coração.

Dois no colo, 5 no coração!

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

No dia 15 de fevereiro de 2022 descobri que estava grávida. Um bebé planeado e desejado sendo que não podíamos estar mais felizes. No entanto, sou da área da saúde e como sei que muita coisa pode não correr/estar bem mantive sempre alguma ansiedade até à ecografia do 1° trimestre.

Esta ecografia confirmou os meus receios e apesar da ecografia em si estar bem, os valores do rastreio bioquímico estavam muito altos havendo alta possibilidade de alguma síndrome. Fomos aconselhados a realizar a colheita para dna fetal que para nossa grande alegria veio normal e descansou os nossos corações. Até à segunda ecografia. Uma malformação. Fizemos amniocentese e ficamos de repetir novamente a ecografia. Mais uma nova malformação. E finalmente o resultado da amniocentese que confirmou o nosso maior receio.

O coração do meu Tomás parou dia 8 de Julho e o seu parto foi no dia 9 de julho de 2022. Os dois dias mais difíceis da minha vida. Assim como os seguintes em que tudo parecia cinzento e as lágrimas caiam umas atrás das outras de forma incessante.

Escrevo hoje com a minha bebé arco-íris nos braços para recordar o meu Tomás. A dor melhora mas nunca desaparece e o Tomás está no meu coração todos os dias e nunca será esquecido. O meu filho mais velho.

No entanto, deixo uma mensagem de esperança a quem está neste momento a passar por algo semelhante. Melhores dias virão e os vossos corações serão eventualmente apaziguados. Os dias de sol eventualmente serão em maior número que os cinzentos. E nos nossos corações ficarão a memória e a saudade. Para sempre.

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez

Quando percebi a situação com a qual teria de lidar, senti a necessidade de procurar testemunhos para compreender, de algum modo, como me sentia e com o que estava a lidar.

Em março 2023 descobri que estava grávida do meu 4º filho. Foi uma gravidez inicialmente de risco tendo em conta que estava com descolamento do ovo. Repouso possível + progesterona. Na eco às 13 semanas estava tudo bem. Diagnóstico Pré-Natal também normal.

No início de Agosto, ao realizar a ecografia morfológica, percebemos que algo não estava bem com o funcionamento do coração do bebé. Nesse mesmo dia, realizei o ecocardiograma fetal que confirmou uma doença cardíaca congénita rara e de grau muito severo (1/10 000 bebés). Recebemos o gélido diagnóstico “incompatível com a vida”.

Como assim “incompatível com a vida”? O meu bebé de 20 semanas tinha uma vitalidade excelente, desenvolvia-se muito bem mas tinha um coração que só funcionava por estar ligado através da minha placenta… mesmo assim, não baixámos os braços e investigámos tanto… pedimos informação a equipas médicas portuguesas bem como a médicos internacionais peritos na patologia mas, infelizmente, não tínhamos as probabilidades a nosso favor.. repetimos mais 2 ecocardiogramas fetais e a evolução não era positiva, sem estabilidade.

No final de agosto, passámos por todo o processo do parto para nos despedirmos do nosso P. às 22 semanas. Pegámos nele ao colo, estivemos o tempo possível com ele (nunca é suficiente) e viemos para casa de braços vazios.

Depois deste grande desafio, surgiram outros bem difíceis, sendo um deles contar aos irmãos que o bebé tinha morrido por estar doente e que não iria voltar. É um grande desafio sermos bons pais quando temos o nosso coração partido… Ainda hoje falam sobre ele e em como gostariam que ele ainda estivesse na minha barriga. Acreditam que temos um anjinho a olhar por nós.

Lidar com o pós-parto de colo vazio é um dos maiores desafios psicologicamente e fisicamente. É um processo solitário dado que já não existe um bebé “a visitar”. Ver a barriga a regredir e mais tarde lidar com o regresso da menstruação que parece mais um murro no estômago… Contudo, a verdade é que, por mais difíceis e desafiantes estes momentos sejam, é importante lidarmos com eles porque nos ajudam no luto. Sinto que, ter dado espaço às emoções e lidado com tudo o que estava a sentir fisicamente, me ajudou no processo. Mas sim, não deixa de ser horrível.

Outro desafio, com o qual tenho lidado, é de facto a nossa cultura não saber lidar com o sofrimento. Os dias passam, as pessoas continuam as suas vidas e é como que nos seja exigido o mesmo. Como se o luto tivesse uma validade. Como se continuarmos tristes e em sofrimento já não fizesse sentido. Como se tivéssemos de voltar à “normalidade”. Para as outras pessoas sim, é a normalidade. Mas para nós… deixou de ser… e a verdade é que, grande parte das pessoas, não sabem lidar com o nosso sofrimento. Só não nos querem ver assim. Mas faz parte do caminho. E é/será durante o tempo que for necessário. Cada um tem o seu tempo de cura, de encontrar um novo sentido para a nova e difícil realidade. Não voltamos a ser a mesma pessoa. É inevitável. E há uma nova versão nossa que temos de conhecer e adaptar no dia-a dia. Na verdade, é uma fase em que estamos a sobreviver.

A quem esteja a lidar por esta difícil experiência, um grande abraço. Sigam o vosso coração e lidem com o vosso dia-a-dia conforme sentem que deve ser. Procurem ajuda mesmo que sintam que estão a “lidar bem” com o processo.

Um abraço

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Natal Ofertas Ofertas e Recursos Perda gestacional
prendas com amor para além da lua natal

À semelhança do ano passado, criamos novamente uma campanha, com novas parcerias, a pensar em quem passou por uma perda gestacional, família e amigos.

Assim, juntamo-nos a alguns pequenos negócios, bem portugueses, para ajudar a celebrar esta quadra e incluir e lembrar os nossos pequeninos.

Vamos conhecê-los, bem como aos descontos aplicados:

A Lojinha Bebé Arco-íris oferece 10% de desconto nos seus artigos. Basta apresentarem o código amor10. (com código amor10)

Sobre a Lojinha Bebés Arco-íris

Sou a Maria, tenho 46 anos e de signo Capricórnio, portanto teimosinha e persistente. Nunca desisto de nada, mas existe algo da qual quase desisti:

Foram 3 perdas no total e uma delas já muito tarde. Desisti… “não era digna de ser Mãe” – Interiorizei isto e pronto.

Despedi-me do meu trabalho, não era feliz e alguns meses depois, quando me senti Eu novamente, abri atividade e nasceu a minha Lojinha Bebé arco-íris.

Uma homenagem ao meu filho, a mim e a todos vocês que passaram pelo mesmo, a todas as mães!

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A Party Inspirations oferece 10% de desconto nos artigos criados com imagens inspiradas no Amor para além da lua. Basta apresentarem o código amor10.

Sobre Party Inspirations

Muito mais do que uma empresa, é um projeto de duas amigas, que, enquanto mães, sentiram a necessidade de criar um conceito especial de festas. Festas essas em que o principal foco é este doce mundo da pequenada mas não deixando no entanto, as festas dos mais graúdos de fora.
Uma com a paixão pela doçaria e outra com a vontade de criar sempre algo diferente para cada festa pessoal, por sua vez, fez com que quisessem partilhar com o MUNDO todo o carinho que dedicam a cada festa, deixando assim sorrisos e memórias deliciosas em cada pessoa.
Como tal, decidiram que cada festa teria de ter os pormenores e o encanto merecido, pois cada pessoa é diferente de outra, com gostos e opiniões diferentes e que a diferença teria de ser marcada pela personalização, deixando o «cunho» de cada cliente impresso no dia tão especial, tornando-o INESQUECÍVEL e MEMORÁVEL!

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amor de papel

A Renata Pintor vai oferecer 10% de desconto nos seus quadros de lembrança ou celebração dos vossos bebés!

Sobre o Amor de Papel Atelier

É um projeto da designer Renata Pintor, que abraçou após uma perda gestacional. Ao criar a página de apoio Amor com Asas encontrou um reconforto nos pais quando homenageavam os seus bebés que partiram. No seguimento desse projeto lançou ilustrações especiais, de memórias ou nascimento para bebés. No Amor de Papel Atelier podem encontrar ilustrações personalizadas e fotográficas dirigidas às famílias. É sobre transformar dor, em amor. Sobre transmitir amor em forma de papel.

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A Goreti, dos Presentes Arco-irís, faz 10% de desconto nos seus produtos em MDF. Basta apresentar o código amor10.

Sobre os Presentes Arco-irís

Depois de ter sido mãe de dois bebes arco-íris e três estrelinhas, Goreti ficou desempregada e lançou então este projeto cujo principal enfoque são os artigos personalizados.

Contactos

A Patrícia, da loja Laurea, faz 10% de desconto nos seus produtos até ao final de 2023. Basta apresentar o código amor10.

Sobre a Laurea

Depois de perder a sua Laura, e com 120 dias de licença de maternidade pela frente, Patrícia decidiu criar a loja Laurea, uma marca de produtos personalizados para todos desde o bebé até ao mais adulto da casa.

Feitos à mão e com muito amor.

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A Renata Alves Marvão, da editora MyAura, vai descontar 15% na compra do seu livro: “Camila, meu amor”. (com o código amor15 por mensagem privada para @‌renata.alves.marvao ou email para lojamyaura@gmail.com)

Sobre o livro

Camila, Meu Amor conta na primeira pessoa a história de uma perda gestacional e de uma interrupção voluntária da gravidez. Baseado na compilação de textos publicados pela autora no blogue Sobre nós, Mulheres, em 2018 e 2019, enquanto passava pelo processo de escrita terapêutica pós-traumática, Renata decide ir além e fazer uma reflexão ainda mais profunda, tocando em momentos chave da sua infância, adolescência e juventude.

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A Joana, do Rainbow Sparkles, oferece 10% de desconto nos seus produtos.

Sobre Rainbow Sparkles

A Rainbow Sparkles surgiu num momento desafiante da vida de Joana. Com uma gravidez de risco após duas perdas gestacionais, surgiu assim um novo projeto, de artigos em macramé, em redor dos arco-íris.

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A Acium Portugal faz 10% de desconto nas suas joias personalizadas mediante apresentação do código amor10.

Sobre Acium Portugal

ACIUM é a maior rede especializada em joias de aço hipoalergénico e de personalização no mundo. Fundada em 2011, a marca já soma mais de 400 pontos em escala global.

O amplo portfólio é composto por peças masculinas e femininas, como alianças, anéis, pulseiras, colares, brincos, entre outros. O diferencial da marca, a fotogravação, é o processo de impressão (fotos, imagens ou textos) feita por uma agulha de diamante, que faz a microporização da peça.

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A Do It by laser faz 10% de desconto nos seus produtos com o código amor10.

Sobre Do It by laser

Artigos Personalizados, Corte & Gravação Laser, Maternidade, Recordações, HomeDecor, ou peças para Empreendedores.

Contactos


De forma a poderem usufruir destes descontos, precisam de mencionar a nossa página ao contactar estes negócios através dos contactos que indicamos.

Esperamos que seja uma linda prenda no sapatinho de mãe para bebé ou até de mãe para mãe, de amiga para amiga, de avó para mãe…

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

Desde que me conheço que digo: tenho três sonhos na minha vida: casar, ir à Índia e ser mãe. Os dois primeiros já realizados e com a felicidade de poder dizer: realizados com o homem da minha vida.

Eu sou a Joana, tenho 33 anos e venho-vos contar a minha história! Porque todas as histórias aqui lidas me ajudaram e por isso sinto, que posso e devo ajudar outras mulheres e homens.

Em Outubro de 2022, decidimos que íamos ser pais. Um filho não se compra num supermercado, como sabiamente uma grande e querida amiga me disse uma vez. Por isso a decisão de ser pais, começa com a intenção de o ser, e esperar para ver, se a vida tem este capítulo escrito na história das nossas vidas, importa aqui saber, que sempre senti que este seria
o sonho que me traria algumas dificuldades em realizar. Nesta altura descobrimos que teríamos de esperar 6 meses, derivado de um contratempo. Chorei muito, mas acreditei que a espera me queria dizer alguma coisa.

Passados os seis meses, sem pressas e sem ansiedade, começámos as nossas tentativas. Em Junho de 2023, dia 14, descobrimos o nosso positivo! Muitos enjoos, impossibilidade de trabalhar, não conseguia perceber se estava feliz ou extremamente chateada por não conseguir
estar a usufruir da vida a crescer dentro de mim! O nosso filho! Fizemos a primeira ecografia às 7 semanas, ouvimos o coração forte e pela primeira vez uma luz muito grande invadiu todo o meu corpo. Os dias foram passando, contámos a muito poucas pessoas, os nossos pais souberam, pois eu vomitava dia e noite, e para tranquilizá-los contámos a verdade. A quem contámos, sempre dissemos: “calma, é muito cedo e pode não dar certo.” Dizíamos sempre isto, porque, na verdade, tínhamos os pés bem assentes na terra. Temos dentro do nosso círculo de amigos, amigos estes que são a família que escolhemos, que passaram por duas perdas gestacionais até terem o menino que tem sempre uma palavra bonita para nos dizer.

A história deles sempre me comoveu bastante, pela força, resiliência e o amor entre os dois. Quando fizemos as 12 semanas de gestação, senti que um peso me tinha saído de cima, e pensava, não perdi o meu filho, mas logo de seguida começou a ansiedade, será que está tudo bem? Tínhamos a ecografia marcada das 12 semanas, mas, nesse dia, foi greve dos médicos e
ficou remarcada para dois dias depois. Mas quis a vida que, nesse dia de manhã, tivesse um corrimento ligeiramente cor-de-rosa, que me deixou em alerta, e por tal motivo decidimos após o trabalho (enjoos tinham melhorado bastante por volta das 11 semanas), ir à urgência saber se
estava tudo bem.

No hospital, a médica (sempre querida), fez uma primeira análise e disse que não tinha sangue e o colo do útero estava fechadinho, mas que iriamos fazer na mesma uma eco. O meu coração acalmou. Ao deitar na maca e ao colocar o ecógrafo na minha barriga, não se via nada…comecei a tremer e a médica justificou que o ecógrafo da urgência não era o melhor do mundo, pelo que teríamos que fazer eco endovaginal. Quando começou, o ecrã virado para mim, percebi logo que o tamanho não seria de um bebé de 12 semanas e expressei isso mesmo.

Antes de me dizerem a mim alguma coisa, disse eu: “o bebé é muito pequeno para 12 semanas não é?” e a médica respondeu: “oh Joana, não tenho boas notícias, temos um bebé com medição de 9 semanas e 5 dias e não encontro batimentos”… não chorei, não disse nada, veio outra médica confirmar o que já tinha sido dito. Só pedi para o meu marido entrar e assim foi. Aborto retido. Não foi aborto espontâneo, como achei durante 12 semanas que poderia acontecer. Apenas nesse dia, muito já noite fora, é que chorei e comecei a questionar: mas porquê?

Fiz a medicação em casa para a expulsão. Os piores momentos da minha vida até ao dia de hoje. Muito sangue, muitas dores, e o momento que senti que era sem dúvida o saco gestacional, com o meu filho, a ser expulso. Grata ao mundo pelo homem maravilhoso que tenho ao meu lado que nunca me deixou desamparada. Se ele pudesse, eu sei, que sem hesitar
teria trocado comigo.

Passados 4 dias voltei ao hospital, ainda tinha restos ovulares, mas já sem o saco, sem o meu filho… fiz novamente medicação para ajudar a sair o restante e ajudou (mas pouco). Fomos de férias, para tentar ultrapassar o que nos tinha acontecido. Não era esquecer, porque nunca vamos esquecer que um ser me escolheu para ser casa durante 12 semanas, nos quais quase 10 o seu minúsculo coração bateu dentro de mim.

Infelizmente, quis a vida que os meus restos ovulares saíssem apenas quase 3 meses depois da notícia da perda. Foram longos 3 meses, com dores diárias, sangramento diário, e um tentar diário que tudo está bem e vai ficar bem. Nunca escondi a ninguém o que me aconteceu.

Sou a primeira a querer contar, e sei que é preciso coragem para tal. Mas precisamos de normalizar a perda. A gravidez está longe de ser igual às novelas, as histórias todas bonitas e românticas que vemos nos filmes. Uma em cada quatro mulheres que engravidam, passam por isto. Umas mais cedo, outras mais tarde, outras depois das 12 semanas e todas sofrem. Umas mais, outras menos, mas sofrem. Até as que escolhem interromper a gravidez por vontade própria. É um processo doloroso e está longe de ser normal, como nos querem fazer acreditar.

Vou ser eternamente grata, ao meu primeiro filho, por me ter ensinado tanto, mesmo sem nunca o ter sentido nos meus braços, no meu colo.
Agora, é seguir em frente e esperar por algo que sinto e sei: o meu filho vai voltar e eu vou tê-lo nos meus braços, ver crescer e ensinar-lhe todos os dias: com amor, tudo vale a pena!

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Recursos

A pensar no apoio à Perda Gestacional e Neonatal em hospitais e maternidades, criamos esta página de informação e recursos para profissionais de saúde sobre perda gestacional.

Folheto Amor para além da lua

Folheto gratuito, descarregável, com informação para entrega a pais/casais que acabaram de receber um diagnóstico que levará à perda gestacional ou que acabaram de saber que perderam o seu bebé.

Folheto Amor para além da lua

Certificados de vida | Amor para além da lua

Certificados, sem qualquer tipo de validade legal, para registo do nome, data de nascimento e peso do bebé.

Ver e descarregar todos os certificados na página de ofertas e recursos.

Caixas de Memória

Trabalha num hospital e/ou maternidade e gostaria de ter algumas das nossas caixas de memória? Contacte-nos através do e-mail: amorparaalemdalua@gmail.com

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez

Olá!

O meu nome é Zita, perdi o meu bebé a 12 de maio de 2023 e este é o meu testemunho sobre diagnóstico de Trissomia 21.


A minha gravidez começou logo mal, quando, no primeiro ultrassom (5s), a médica me disse que eu tinha um descolamento de cerca de 70%, do saco gestacional, devido a um hematoma de origem desconhecida. Estive um mês e meio de repouso absoluto, a tomar progesterona e a repetir o ultrassom todas as semanas.

O hematoma foi desaparecendo e eu fui ganhando esperanças. Às 12 semanas, o hematoma desapareceu. Fiquei radiante e decidi aproveitar a minha gravidez.
Na semana a seguir, com 13 semanas, fui fazer a primeira eco e lembro-me perfeitamente do silêncio da sala depois da médica ter dito, com ar desolado: “Oh Zita …”

Segundos que pareceram horas até eu perguntar o que se passava. O meu bebé tinha líquido no crânio que ia até ao rabinho, como uma espécie de “bossa”.

Fiz a amniocentese no dia seguinte e depois de duas semanas angustiantes, veio o resultado. Trissomia 21 e problemas cardíacos.

Fiquei sem chão, mas a decisão estava tomada desde o primeiro dia de suspeita. No dia 12 de maio dei entrada na Maternidade, para fazer a interrupção da gravidez.

A decisão mais madura e difícil da minha vida. O dia mais desafiante e doloroso (a todos os níveis) da minha vida. Com 14 semanas, deixei o meu menino ir embora.

Não me fazia sentido colocar no Mundo uma criança assim. Sem sequer saber o grau, o meu pensamento era: quando eu morrer, quem cuida do meu amor? Então preferi sofrer eu.

Escrevo o meu testemunho porque vejo que se escreve muito sobre a perda na gravidez e após, mas a decisão de os deixar ir penso eu que fica um pouco esquecida…Só queria dizer a todas as mães que passam pelo mesmo que não estão sozinhas.

Apesar de tudo, só carrego boas memórias do meu menino. Guardei todas as fotos dos ultrassons que fiz. Tirei fotos da minha barriguinha.

Enquanto a tive (mesmo depois de saber o diagnóstico) mostrei-a orgulhosamente ao Mundo porque era o meu filho que ali estava. E na hora de o deixar ir sofri, chorei muito, dei muitas, muitas festinhas da barriga e disse-lhe Adeus.

Agora estaria com 7 meses. E isso dói.

Mas tudo passa…
Será sempre o meu primeiro filho.

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Testemunhos Testemunhos Interrupção Médica da Gravidez

28/07/2023 Leonor, a nossa menina que brilha no céu

2019 foi o ano em que nasceu a nossa primeira menina… Luana ❤️

Passados 4 anos voltámos a sonhar… e o nosso mundo iria ser novamente cor de rosa.

A Luana ficou radiante, ia ter uma mana… Um dia ao regressar da escola disse que o nome seria Leonor.

Não podíamos estar mais felizes!. Tínhamos desejado tanto esta gravidez, esta menina.

Eu costumava gozar com o meu marido ao dizer-lhe que, na próxima gravidez, iria ser outra menina para o deixar com mais cabelos brancos.
Mal nós sabíamos o que estava para nos acontecer …

Dia da ecografia morfológica , a nossa menina tinha uma obstrução no intestino. Naquele instante ao ouvir o médico, o meu coração ficou apertado, as lágrimas corriam me pela cara.. entrei naquele consultório tão feliz mas saí completamente arrasada, eu senti que era algo grave.

Foi recomendado pelo Dr. Eduardo sermos acompanhados pelo centro diagnóstico pré-natal na Maternidade Bissaya Barreto. Até sermos chamados passou-se mais de 1 semana e meia. Já estava com 24 semanas e uns dias.

Fizemos novamente outra ecografia e para além da obstrução, a nossa menina tinha ascite no abdómen (líquido) , aquela réstia de esperança que levávamos dissipou-se…

Entrámos noutra sala onde nós esperavam 4 médicas de Obstetrícia e genética. sabia que não ia sair dali com boas notícias e assim foi… viemos para casa , já com o papel assinado para o pedido de interrupção de gravidez… a decisão mais difícil e dolorosa que tivemos de tomar, sabendo no entanto que seria o melhor.

Chorámos os dois agarrados no carro, nunca pensámos passar por uma situação destas, os sentimentos eram muitos: revolta, frustração, uma tristeza imensa que nos inundou o coração e agora? Como iriamos dizer á nossa Luana que a mana não iria vestir as roupinhas que lhe tínhamos comprado, nem brincar com ela? A vida não nos prepara para isto…

Começámos por dizer que a mana Leonor tinha um dói dói na barriga e só com esta informação, a nossa Luana deixou de falar na mana, deixou de dar beijinhos na barriga … como se ela também sentisse que estava tudo errado.

Esperámos dois dias pela decisão e tinha sido negada a interrupção, pois os médicos que faziam parte do conselho de ética queriam mais exames. Voltámos passados dois dias para fazer nova ecografia e a ascite tinha desaparecido. Por momentos pensámos que era algo bom, mas depressa percebemos que não… Embora a ascite tenha desaparecido, o rim esquerdo não funcionava e estava cheio de quistos. Tudo indicava ser uma doença genética e, com este novo resultado, a nossa interrupção foi aprovada no mesmo momento.

Sexta-feira, dia 28/07/2023. Dei entrada para ser internada para começarmos o processo. De todas as picadas que levei para retirar sangue, para a amniocentese, a que mais me doeu no coração foi aquela agulha a entrar na minha barriga para parar o coração da minha menina, para que ela não sofresse em todo o processo da expulsão. Não há palavras que descrevam o que senti . Só desejava que passasse tudo rápido, pois tinha acabado de perder a minha filha apesar de ela ainda estar na minha barriga mas já sem vida…A minha Leonor já era uma estrelinha ✨

No dia seguinte, pelas 20h, acabava todo o processo de parto, estava completamente arrasada. Tivemos um parto normal a sabermos que não vamos ouvir o choro do nosso bebé, nem vamos sair da maternidade com ele. Perguntaram-me se queria ver a minha menina mas eu não quis. Não iria suportar ter a minha filha morta nos meus braços, iria ser demasiado para mim. Preferi ficar com a imagem da carinha dela nas ecografias e idealiza-la como eu imaginei .

Têm sido dias muito difíceis para nós, mas continuamos no caminho. Não há palavras que nos possam apaziguar a dor no coração, só o tempo… porque nunca vamos esquecer todo o processo que passámos. Vai ser sempre um filho que nós perdemos.

Mamãs e papás, muita coragem e força, e não se esqueçam que tudo é um ato de Amor .
Falem os dois sobre o assunto, não se fechem, se acharem que é demasiado procurem ajuda psicológica.

A toda a equipa da maternidade Bissaya Barreto, só temos a agradecer pois cruzámo-nos com profissionais com uma gentileza imensa, e que nos ajudaram muito a passar por tudo o que lá vivemos.

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Informação útil Perda gestacional
luto gestacional

Em abril de 2023, foi reconhecido o luto gestacional e o direito a faltar ao trabalho, seja pela mãe ou pelo pai. Aplica-se a casos de perda gestacional não abrangidos no âmbito da interrupção médica da gravidez ou subsídio parental.

Assim, para quem, infelizmente, passa, por exemplo, por uma perda gestacional precoce, faltar ao trabalho até 3 dias consecutivos.

Para o parceiro(a), existe agora um tempo (ainda que possa ser pouco) que antes não existia. Poderá faltar ao trabalho, até 3 dias consecutivos, quando se verifique o gozo da licença por interrupção da gravidez ou a falta por motivo de luto gestacional.

Esta ausência não determina a perda de quaisquer direitos e é considerada como prestação efetiva de trabalho.

Luto gestacional: como beneficiar dos seus direitos

Para beneficiarem deste direito, tanto a trabalhadora e/ou o trabalhador têm que informar os respetivos empregadores. Devem apresentar, logo que possível, prova comprovativa da morte do bebé durante a gestação. São exemplos: declaração de estabelecimento hospitalar, ou centro de saúde, ou ainda atestado médico.

Mais dias e equiparação à perda gestacional/neonatal

Também relativamente ao luto gestacional, o regime de faltas do Código do Trabalho contempla outras importantes alterações.

No artigo 251º do Código de Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, refere que o familiar tem direito a faltar “até vinte dias consecutivos, por falecimento de parente que seja descendente no 1.º grau na linha reta ou por perda gestacional.” Este direito aplica-se a ambos os progenitores.

Pode usar este tempo no processo de luto – que não é linear, de várias formas e como meio de homenagem ao seu bebé. Embora possam parecer poucos dias, já é um pequeno passo para o reconhecimento do luto gestacional, para o reconhecimento de uma perda que, mesmo acontecendo cedo na gravidez, é sempre a perda de um filho.

Na nossa página temos também um artigo com informações úteis sobre subsídios, direitos e licenças no âmbito da perda gestacional e neonatal.

Procure ajuda, se precisar. E, da nossa parte, já sabe, estamos aqui.

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