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anunciar a gravidez a alguém que perdeu um bebé

Uma das conversas mais desafiantes que se pode ter com uma família que perdeu um bebé é anunciar uma gravidez a esses pais. De repente, pensamos no que vamos dizer, como o vamos fazer e quando iremos partilhar. Não é fácil anunciar uma gravidez a alguém que perdeu um bebé e, a pensar nisso, decidimos escrever este artigo.

Saiba que são sentimentos semelhantes. Quer sejamos pais que tenhamos perdido filhos, quer sejam amigos ou familiares que nunca passaram por uma perda, há um receio em contar, um medo de magoar os pais, anunciando algo que, infelizmente, para eles não correu bem, um lembrar do que aconteceu que poderá trazer tristeza.

Deste modo, a pensar nas famílias cujos bebés morreram ou que batalham a infertilidade, esperamos que estes conselhos ajudem a dar esta notícia, que poderá sentir ser agridoce, da forma mais sensível possível.

Assim, a primeira coisa que gostaríamos de dizer é: conte-nos… sempre. Não tenha medo, se há alguém que vai estar ansiosa à espera que corra tudo bem e a enviar energias positivas somos nós, pais que sabem o que é vir para casa de braços vazios É que, apesar de ser algo solitário, que sabemos que acontece e estarmos preparadas para acolher, ninguém vai fazer de cheerleader melhor que nós. Nós queremos esse bebé aqui, vivo e saudável, tanto como os pais e não nos contar, com medo que nos magoe, só vai agravar o sentimento de isolamento que sentimos.

No entanto, temos plena consciência que é um tema difícil e esperamos que os próximos conselhos ajudem.

Como anunciar a gravidez a alguém que perdeu o bebé

Se puder, avise-nos antes de publicar nas redes sociais

Claro que isto depende do nível de intimidade e amizade que tem com a pessoa – esta lista é a pensar em pessoas próximas, envolvidas na nossa vida. Por isso, antes de anunciar ao mundo, avise-nos. Não é por mal, mas, dependendo de onde estamos no nosso luto, ver publicações destas podem tornar o nosso estômago num nó. É involuntário, mas depararmo-nos com estas publicações, desta forma abrupta, faz-nos pensar no que perdemos, podendo deixar-nos fragilizadas. Assim, saber de antemão vai oferecer a oportunidade para nos prepararmos ou evitarmos ver essa publicação.

Se puder, evite fazê-lo cara a cara

Pode soar estranho e é de louvar a honestidade de uma conversa assim. Mas considere que nos vai pôr no foco – quando ouvimos uma notícia destas podemos, mesmo sem querer, ser assaltados por emoções desconfortáveis. Então, temos de processar e reagir rapidamente e esta digestão acelerada e podemos dizer ou fazer algo que o vai magoar por não mostrarmos o entusiasmo adequado (e sim…esta é uma preocupação válida!).

Envie uma mensagem

Nós sabemos: parece uma forma impessoal de dar notícias tão grandes. Mas permite-nos processar a informação, pôr em ordem sentimentos difíceis e compor uma resposta apropriada (ou até preparamo-nos para uma chamada celebratória).

Dê-nos tempo

Não leve a mal se demorarmos a responder. Afinal, precisamos de tempo para processar. Saibam que estamos felizes por vocês mas, ao mesmo tempo, incrivelmente tristes por nós, seja porque a perda foi recente, ainda deveríamos estar grávidas ou estejamos a tentar novamente sem sucesso.

Não leve a mal os nossos novos limites

Podemos não conseguir acompanhar a vossa jornada na maternidade. Chás de bebé, festas de revelação de género ou até compras para bebé podem ser experiências dolorosas para pais que perderam um filho. Não se ofenda: apenas estamos a proteger-nos e a não tornar esta vossa fase feliz mais sombria por nossa causa.

Prometemos que estamos felizes por vocês, mas também estamos incrivelmente tristes por nós

Apesar de tudo o que os pais de colo vazio possam estar a sentir, lembre-se que esta é uma fase lindíssima e feliz para si. Poderá notar que estes pais se retraem mais em eventos sociais, mas uma vez que processem o que está a acontecer, vão querer estar envolvidos na sua vida. Não deixe de os convidar mesmo que eles digam que não. O importante é manter o espaço aberto para acolher, apoiar e abraçar quando for a altura.

E obrigada por terem os nossos sentimentos em consideração!

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Apoio médico Perda gestacional Perda precoce
gravidez ectópica

Uma gravidez ectópica é uma das causas de perda gestacional no 1º trimestre de gravidez. Se passou ou está a passar por uma gravidez ectópica, lamentamos imenso. Procuraremos, neste artigo, apresentar o máximo de informação sobre sintomas, causas, tratamento, e cuidados. 

A gravidez ectópica é caracterizada pela implantação e desenvolvimento do embrião fora do útero, podendo acontecer nas trompas, ovário, colo do útero, cavidade abdominal ou cérvix. A forma mais comum é a tubária, que ocorre dentro das trompas de Falópio. Como sintomas podem surgir uma forte dor abdominal e um substancial sangramento vaginal, sobretudo no 1º trimestre. Se sentir algum destes sintomas, deve contactar de imediato o seu médico. 

Causas e tratamento da gravidez ectópica

Esta é uma situação muito delicada e é importante perceber em que local se encontra o embrião através de uma ecografia. Desta forma, é possível determinar qual o tratamento mais adequado. 

A gravidez ectópica é uma situação pouco frequente. Gestações fora do útero correspondem a cerca de 1 a 2% de todas as gravidezes. No entanto, há causas que estão muito associadas a este tipo de gravidez, como alterações na tuba uterina, gravidez ectópica anterior, histórico de endometriose, doença inflamatória pélvica anterior, uso do DIU (que raramente falha, mas quando ocorre o risco de gravidez tubária é muito elevado), entre outras. 

Se não for tratada, a gravidez ectópica pode representar risco de morte para a mãe, por isso é importante que seja detetada o quanto antes. Sabemos que é triste e que é estranho pensar no termo “tratamento” associado a uma gravidez, mas infelizmente, nestes casos, não há nada que se possa fazer a não ser cuidar de si. 

Existem dois tipos de tratamento: cirúrgico ou medicamentoso. Se for diagnosticada precocemente, é possível tomar um medicamento que impede o desenvolvimento do embrião. Nesse caso, será como um aborto.

O tratamento cirúrgico consiste na retirada do embrião e da trompa, o que pode ter de acontecer em caso de rutura de trompa. No caso de haver a necessidade de laquear uma trompa de Falópio, as probabilidades de engravidar novamente diminuem cerca de 50%, sendo que após a existência de uma gravidez ectópica, há ainda cerca de 15% a 20% de probabilidade de vir a ter outra.

Como prevenir?

Infelizmente é muito difícil de prevenir, pois a grande maioria deste tipo de gravidez surge em mulheres sem fatores de risco conhecidos. No entanto, a maioria das gravidez ectópicas são casos únicos. 

Após o tratamento da gravidez ectópica

Seguem-se consultas de acompanhamento. Os exames e testes que vai precisar vão depender do tipo de tratamento que seguir. Se o tratamento foi medicamentoso, deverá, por norma, esperar três meses antes de voltar a engravidar. Normalmente, é recomendado esperar, nestes casos, dois ciclos menstruais antes de voltar a tentar, o que também pode ajudar a processar o que aconteceu e a fazer o seu luto. 

Uma gravidez deste género é sempre uma perda gestacional. Por favor, faça o seu luto e não carregue esta dor sozinha. Procure ajuda, sempre que precisar! Seja ajuda médica ou psicológica. 

Após uma gravidez ectópica, é fundamental que a primeira ecografia de uma gravidez seguinte seja realizada um pouco antes do normal, por volta das sete semanas.

Fontes consultadas:

Pumpkin – Gravidez ectópica: o que é, quais os sintomas e o que fazer

Mãe me quer – Gravidez ectópica: o que é, causas e tratamento

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Ofertas e Recursos Perda gestacional Recursos

Livros sobre perda gestacional: Inglaterra

“Ask Me His Name – Learning To Live And Laugh Again After The Loss Of My Baby”, de Elle Wright

Depois da perda do seu filho, Teddy, aos 3 dias de vida, Elle começa a escrever sobre como se adaptar à sua nova vida.

Mais informação sobre o livro aqui.

“Saying Goodbye” de Zoe Clark-Coates

Zoe e o seu marido passaram pela devastadora perda de 5 bebés. Neste livro acompanhamos a sua história, incluindo a criação da fundação Mariposa Trust que acolhe pais enlutados.

Mais informação sobre o livro aqui.

“The Baby Loss Guide – Practical And Compassionate Support With A Day-By-Day Resource To Navigate The Path Of Grief”, de Zoe Clark-Coates

Juntando à sua voz a de muitas mulheres, Zoe utiliza testemunhos reais para a sensibilização dos vários tipos de perda gestacional e neonatal.

Mais informação sobre o livro aqui.

“Life After Baby Loss – A Companion And Guide For Parents”, de Nicola Gaskin; Ilustração: Nora Leinad 

Escrito para todas as famílias que passam pela perda de um filho.

Mais informação sobre o livro aqui.

“Hope Beyond An Empty Cradle”, de Hallie Scott 

Após a perda da sua filha Abigail, Hallie Scott conta a sua história, bem como a sua jornada no luto.

Mais informação sobre o livro aqui.

“Empty Cradle, Broken Heart : Surviving the Death of Your Baby”, de Deborah L. Davis

Livro de apoio e formas de lidar com o luto, com histórias verdadeiras de famílias que passaram por perdas.

Mais informação sobre o livro aqui.

Livros de apoio à perda gestacional para irmãos, irmãs e crianças

“Where are you Lydie?”, de Emma Poore

Honrando a sua filha Lydie, Emma escreve para os seus outros filhos, contando-lhes, de forma ilustrada, sobre a sua irmã que não ficou.

Mais informação sobre o livro aqui.

“These Precious Little People”, de Frankie Bunker

Livro que ajuda a contar e a explicar a crianças a perda de um bebé de uma forma meiga, clara e bonita.

Mais informação sobre o livro aqui.

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce

30 de novembro de 2021, o dia em que o meu teste de gravidez deu positivo. Que alegria tão grande! Fiz sem o meu marido para o poder surpreender, imaginei a sua reação, ia ficar radiante de certeza! Porém, no dia anterior, tinha tido umas cólicas fortes, principalmente do lado direito e achei por bem ir a uma urgência obstétrica e assim até teria uma ecografia para juntar à surpresa! No caminho para lá passei por uma loja e comprei um body de recém nascido e um embrulho para o surpreender. Enquanto esperava na urgência, baixei uma app de gravidez, estaria de 6 semanas e a data prevista do parto 23 de julho. Estava tão feliz!

Quando fui examinada pela médica, ao fazer a ecografia, não detectou nenhum saco gestacional, algo que já se deveria ver tendo em conta a data da minha última menstruação. Fiz o HCG e mais tarde confirma-se a gravidez ectopica, na minha trompa direita. Como assim? Que mal tinha feito eu?

Fui para casa meia perdida, quando cheguei a casa deitei fora os testes de gravidez que tinha feito de manhã, como num acto de revolta. Algo que me arrependo.

Falei com o meu marido, sempre muito preocupado comigo e tentando que eu visse o lado positivo, que se tinha descoberto cedo e que ia correr tudo bem. Mas, até hoje, é impossível alguém me consolar.

Estive 2 dias internada, segundo os médicos o meu próprio corpo percebeu que a gravidez estava no sítio errado e não deixou avançar. Não precisei de medicamentos nem de cirurgia. Vim para casa e nesse próprio dia comecei com perdas de sangue e algumas dores, até que um dia tive a perda de sangue maior com coágulos. As dores foram passando, mas o meu coração está cada vez mais partido.

Cada grávida que vejo penso ‘podia ser eu’.

Podia estar a pensar em nomes pro meu bebé e a comprar as suas primeiras roupinhas, em vez disso ando em consultas pra ver o que poderá ter causado esta minha gravidez ectopica.

Poderei ter ficado com algum problema na trompa ou até ter problemas nas duas, ainda falta alguns exames para poder ter conclusões mais definitivas. O que também me deixa muito ansiosa. Será que vou realizar o meu maior sonho, ser mãe ?

O meu bebé não teve nome, nunca ouvi o seu coração, mas para mim é e sempre será real. Sempre será o meu primeiro bebé. Passados mais de 2 meses o body que comprei para surpreender o meu marido continua na mala do meu carro e eu sem coragem pra lhe mexer.

Sinto-me uma pessoa diferente, perdi a inocência e grande parte da leveza com que levava a vida.

Muita força para todas que passaram ou que estão a passar por isto. Que consigamos viver com este vazio que ninguém nos tira.

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Ofertas e Recursos Perda gestacional Recursos
livros sobre perda gestacional

Não há de facto muitos livros sobre a perda gestacional em Portugal. No entanto, existem alguns exemplos de mamãs que decidiram contar a sua história e dos seus bebés em forma de livro.

Há também livros mais gerais sobre o luto e ainda, para quem souber inglês, algumas leituras que recomendamos publicadas em Inglaterra e que podem ser adquiridas online.

Livros sobre perda gestacional: sugestões de Portugal

“Hoje é o dia certo para nascer”, de Carla Sofia Santos

livros sobre perda gestacional
Um relato alucinante, desde a criação de um sonho ao seu descalabro, onde abundam a fé e a esperança em Deus para transpor obstáculos.

Mais sobre o livro aqui.

“Camila, meu Amor”, de Renata Alves Marvão

livros sobre perda gestacional
Camila, meu amor conta na primeira pessoa a história de uma perda gestacional e de uma interrupção voluntária da gravidez

Nota: 15% de desconto nos livros encomendados através do e-mail loja@myaura.pt que refiram o código “amorparaalemdalua”.

Mais sobre o livro aqui.

“Proibido comparar”, de Cristina Costa

livros sobre perda gestacional
Cristina Costa conta-nos a sua história, a de uma Mãe com 4 filhos, dois na Terra e dois no Céu. Proibido Comparar é uma história de morte, de consecutivos lutos, mas também uma história de vida, de relações criadas e amplificadas.

Mais sobre o livro aqui.

“Acordar com a vida”, de Ana Higuera

Este livro conta uma história de amor que nos aproxima do mistério da vida e, também, do maior medo que temos – a morte.

Mais sobre o livro aqui.

“Os anjos não comem chocolates”, de Andreia Sanches

livros sobre perda gestacional
Os Anjos não Comem Chocolate fala-nos de amor, sofrimento, coragem – e, acima de tudo, da extraordinária capacidade do ser humano de encontrar um sentido para tudo. Até para o impensável.

Mais sobre o livro aqui.

“Defilhar: Como Viver a Perda de um Filho”, de José Eduardo Rebelo

Biólogo de formação, José Eduardo Rebelo dedicou-se à investigação do tema do luto parental depois de ter perdido a esposa e as duas filhas num acidente de viação. É possível superar a perda de um filho? Através de uma escrita simples, sensível e rigorosa, o autor auxilia-nos numa viagem segura pelo mar encapelado do «defilhar», uma palavra nova que concede uma merecida identidade social aos pais vítimas da perda de uma fatia do seu amanhã.

Mais sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional para crianças (e não só)

“Para onde vão os bebés que não nascem”, de Patrícia Sarmento

bebés que não nascem livro
Para Onde Vão os Bebés que Não Nascem? lembra-nos de que os adultos também têm muito a aprender com as crianças, sobretudo quando se trata de um tema sensível, que também eles têm dificuldade em compreender.

Mais sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional: mais sugestões e no domínio da ficção com base na realidade

“A filha única“, de Guadalupe Nettlel

Livro em ficção, mas baseado em factos reais e que aborda a perda gestacional/neonatal.

Mais informação sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional: Publicados no Brasil

“Como lidar com o luto perinatal”, de Heloísa Salgado e Carla Polido

Este livro em específico é um guia direcionado para profissionais de saúde. Trata-se de um livro urgente, para apoiar profissionais que lidam com o nascimento quando ele vem acompanhado de perto pela morte. Ainda que possa ser lido por qualquer pessoa desejosa de saber mais sobre o tema, Como lidar: luto perinatal foi pensado, especificamente, como uma ferramenta de reflexão destinada a profissionais e instituições de saúde.

Mais sobre o livro aqui.

“Ele Se Foi, e Agora? Como Superar a Perda Gestacional”, de Patrícia Bellas

livros sobre perda gestacional

Mais informação sobre o livro aqui.

“Perdi meu bebê”, de Damiana Angrimani

Este livro, publicado pelo Instituto do Luto Parental, é a materialização da voz de tantas pessoas que lidam com o luto e que, agora, encontram companhia e conforto – tão pouco presentes nesse processo – para atravessá-lo. Esse caminho não é fácil nem linear. Mas, com informação e vivências, você se sentirá acolhida para ser, sentir e fazer o que lhe é possível diante dessa dor.

Mais informações sobre o livro aqui.

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Testemunhos Testemunhos Perda Precoce
Claudia @amorparalemdalua

16 de setembro de 2021.

O dia que viria a mudar a minha vida para sempre. Fiz aquele teste de gravidez com zero expectativas, já tinha tido alguns descontrolos hormonais que se repuseram no mês seguinte, achei que seria mais do mesmo. Quando vi aquele positivo… quem já passou por isso sabe que é impossível descrever. Um misto de medo, ansiedade, felicidade, nervosismo… Não era suposto acontecer, mas como li uma vez “por vezes o melhor da vida é-nos entregue de mão beijada”. Entrei em pânico, afinal o que fazer quando se vê duas linhas no teste? Fui ao hospital.

Fizeram-me eco vaginal, não conseguiram ver nada. Mas a médica falou-me logo de gravidez não evolutiva, gravidez ectópica, gravidez química… Fiquei logo com o coração nas mãos. Fizemos HCG para confirmar o positivo, e restava aguardar, pois poderia ser apenas muito cedo para se ver alguma coisa. Os dias que se seguiram foram dolorosos. Queria estar bem, queria estar feliz. Passava a mão na barriga e queria sentir que estava a acontecer o melhor da vida por ali. Mas havia algo que me retraía. Às poucas pessoas a quem contei disse sempre “é muito cedo, não sei o que isto vai dar, não me quero sentir feliz”. Cada ida à casa de banho implicava inserir o papel higiénico bem fundo para ver se saía sangue. E eis que, no dia 23 de setembro, precisamente uma semana depois, tal aconteceu.

Quando vi o papel sujo pensei “acabou aqui o sonho”. Fui novamente ao hospital. Foram dois minutos até me perguntarem se tinha sido planeado ou não, para depois apenas me dizerem “tem uma gravidez ectópica na trompa direita, vista-se para conversarmos”. Tudo o que se seguiu foi do mais avassalador que já vivi até hoje. Tive que optar entre cirurgia ou metrotexato, com um médico nada afável a explicar-me em que consistia cada uma das opções.

Em desespero saí daquela sala, cheguei cá fora e abracei a amiga que estava comigo quase como que a pedir-lhe colo, chorei como nunca, sem saber o que fazer. Como assim eu é que tinha que decidir? Como é que eu sabia o que era melhor para mim? O melhor era tudo ter corrido bem e o meu maior sonho ter-se tornado realidade e não num pesadelo. Um médico estagiário veio cá fora, acalmou o meu desespero, pediu-me que entrasse acompanhada do meu namorado para falarmos com uma médica que, segundo o próprio, seria mais sensível e mais humana. E foi. Optamos assim pelo metrotexato e preservamos a trompa.

Seguiu-se o internamento, iria fazer a medicação nesse mesmo dia. Mas ao final da tarde a médica veio conversar comigo e explicou-me que o meu corpo já estaria em processo de aborto, estava a rejeitar a gravidez. Aconselhou-me a esperar até ao dia seguinte de manhã para repetirmos a eco e percebermos se haveria necessidade de fazer medicação, ou se o corpo resolveria sozinho. Assim foi. Sexta feira de manhã repetimos a eco, o HCG estava a diminuir a olhos vistos, mas consideraram ser melhor administrar a medicação na mesma, pois o saco estava a ser vascularizado (sabe lá Deus o que isso quer dizer, eu só queria vir embora daquele hospital). Sexta fizemos a medicação, sufoquei no meu próprio choro ao sentir aquele líquido entrar no meu corpo. Imaginei tudo o que aquilo iria fazer comigo e foi destruidor. Sábado voltei a casa, seguiu-se todo o processo de acompanhamento, análises, exames, por aí.


Toda a gente me diz que sou muito nova, que isto não quer dizer que nunca vá ter filhos, que tenho de acreditar e ter coragem para tentar no futuro. Acredito muito que isso vá acontecer, pois continua a ser o meu maior desejo e sonho. Mas deixei de ver a gravidez tão cor de rosa como crescemos a imaginar. Percebi que, por vezes, é muito doloroso e ingrato. Que podemos viver o melhor e o pior do mundo naquele que é considerado um estado de graça. Tenho imagens em looping na minha cabeça, como o momento em que fui à casa de banho e me saíram literalmente postas de sangue. São momentos muito marcantes e que acredito jamais esquecer.

O meu maior sonho tornou-se no meu maior pesadelo. Mas depois descobri que somos tantas, que não é uma luta tão solitária quanto aquilo que parece quando nos bate à porta. Ler testemunhos, saber de finais felizes depois de finais tão infelizes, dá-me alento e coragem. A minha vida agora está focada noutro tipo de objetivos, tenho 26 anos e tão cedo não me imagino a querer tentar a sorte grande. Mas quero que saibam que, no dia em que sentir que chegou a altura, muita da coragem que irei ter veio deste cantinho de partilha, de emoções, de amor. Encontrei aqui a paz que precisava.

Tive apoio incondicional do meu namorado, da minha família, dos meus amigos. Senti-me uma criança pequenina a andar de colo em colo, senti mesmo muito amor e carinho. Mas, por vezes, quando sentia que estava perdida, vinha a este lugar, para mim calmo e pacífico, procurar companhia e esperança junto daquelas que viveram a história na primeira pessoa como eu. E se um dia tiver o meu bebé arco-íris nos braços, garanto que venho aqui relatar o final feliz da minha história.

Não estamos e nunca estaremos sós. A perda gestacional existe: é real. Não deixem nunca que tentem diminuir a vossa dor. Depois disto me acontecer ouvi muitas histórias de pessoas próximas que passaram por situações semelhantes. Por isso acreditem quando dizem que somos muitas. O meu “quando tiver filhos” transformou-se num “se eu tiver filhos”. Percebi a necessidade de se alertar as mulheres para a existência deste estado que por vezes não tem graça absolutamente nenhuma. A maioria escolhe sofrer no seu canto em silêncio, não somos todas iguais. Não importa a forma como escolhemos sofrer, lidar com o sofrimento. Importa que se entenda que é algo que bate a muitas portas, que é bem real e que temos de viver isto conforme acharmos melhor para nós mesmas.

Se estás a ler isto porque passaste por algo idêntico e procuras conforto, recebe o meu abraço apertado e a certeza de que não estás sozinha. O tempo não cura, as memórias não desvanecem. Mas estamos juntas nesta luta. Muita força e coragem. O amanhã será certamente melhor! 🌈💛

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Gravidez pós-perda

Semana 28

Apoio para uma gravidez depois da perda

Olá, 3º trimestre! Estamos na última etapa desta gravidez depois da perda. Esta semana, o seu bebé pesa, oficialmente, 1 kg. Sim: um pacote de arroz ou de açúcar. Se vir outra mulher (ou homem) a embalar um pacote destes, já sabe, estão a testar o peso do bebé que aí vem.

Dependendo das condições da mãe, posição do pequeno ou placenta, se colocar um estetoscópio na sua barriga, vai conseguir ouvir o coração do seu rebento.

Esta semana, o cérebro do seu pequeno génio continua a desenvolver-se rapidamente e ganha as suas ‘dobras’. O seu bebé já deve ter uma rotina mais ou menos estabelecida de sono e já reage à sua voz, barulhos altos e luz exterior.

Ao entrar no terceiro trimestre, muitos pais têm dificuldade em confiar no seu corpo. Afinal, muitos ainda o culpam por uma perda anterior. Por vezes, esta desconfiança, leva a culpa ‘porque é que este bebé chegou aqui e o outro não?’, ‘será que foi algo que eu fiz?’ Isto é especialmente verdade para os pais que nunca souberam a razão da perda do bebé. Independentemente destes pensamentos, saiba que a morte do seu bebé não foi culpa sua. Foi, é, a melhor mãe que os seus bebés podiam ter e tanto a mãe como o seu corpo estão a fazer o melhor que podem para trazer este bebé ao mundo, vivo e saudável.

Eu permito-me apreciar a beleza e a alegria que esta gravidez me traz

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Gravidez pós-perda

Semana 13

Apoio na gravidez após a perda

Esta semana, estamos oficialmente no 2º trimestre. Noutra vida, esta seria a semana que, provavelmente, iria partilhar a notícia; com uma foto de uma ecografia, mãos em forma de coração na barriga… Mas desta vez, nesta gravidez após a perda, é diferente, não é?

Anunciar uma gravidez é algo muito pessoal. Para alguns pais, vai fazer sentido guardar até não poderem mais (por norma se tiver sido uma perda mais tardia). Outros, vão partilhar, finalmente, que chegaram ao 2º trimestre. Já outras famílias vão partilhar logo porque, afinal, não é contar que vai afetar o desfecho, mas poderá influenciar o apoio que recebem se voltarem a perder.

Seja qual for a sua decisão, saiba que é a correcta. Se quiserem guardar para vocês, está tudo bem. Se quiserem contar, força também!

Esta semana o seu pequenino deve pesar cerca de 25 gramas e medir 7.4 centímetros. Para além disto, os ovários ou testículos do seu pesseguinho devem estar a desenvolver-se por dentro, mas ainda não são visíveis cá fora.

Por esta altura, os sintomas mais desagradáveis, como os enjoos, devem começar a acalmar. Bem-vinda à lua de mel da gravidez!

A coragem tem muitas formas. Por vezes é correr para um edíficio em chamas, outras é contar a sua história.

Nate Pile
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Gravidez pós-perda

Semanas 0-4

Apoio para uma gravidez após a perda

Descobrir que estamos grávidas(os) após uma perda é uma viagem muito específica. Neste artigo, pretendemos dar apoio para uma gravidez após a perda, com enfoque no momento em que há um “positivo” e até ao final do 1º trimestre.

A verdade é que é um sentimento ambíguo. De repente não estamos nos grupos de grávidas que partilham todos os conselhos de parentalidade consciente. Por outro lado, também não sentimos que pertencemos a um grupo de luto, porque, dentro de nós, estamos a gerar uma nova vida. Aliás, não queremos magoar quem está a trabalhar o seu luto e a quem pode ser doloroso ver grávidas.

Mas, aqui está, deu um salto de coragem para esta nova aventura e está a preparar-se para a montanha russa que aí vem.

Assim, primeiro de tudo: Parabéns! Está grávida!

gravidez após a perda gestacional

Mães que tentam depois de uma perda, estão por norma atentas a tudo o que se passa no seu corpo e, por isso, tendem a descobrir mais cedo os resultados.

Facto: Sabia que mais de 50% dos casais voltam a tentar algures entre os 12 aos 18 meses depois da sua perda?

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Gravidez pós-perda

Uma gravidez após uma perda gestacional, seja aborto, uma perda tardia ou até após uma perda neonatal não é algo pelo qual se passe de coração leve. Para muitas pessoas, a percepção de uma nova gestação indica que, agora que há um outro propósito, a dor ficará esquecida. No entanto, para uma família que passou por um trauma como este, esta não é a realidade. Nesta página, procuramos dar informação e apoio para uma gravidez após uma perda gestacional.

Se este é o seu caso, não está sozinha(o).

Apoio para uma gravidez após perda

Que a esperança fale mais alto do que o medo!

Para muitos pais que passaram por uma perda, descobrirem que estão “grávidos” de novo pode trazer muitas emoções ao de cima. Desta forma, a esperança, o entusiasmo, o medo e a ansiedade, entre outros sentimentos são, por norma, uma constante numa gravidez após uma perda.

Assim, pode sentir-se cautelosamente otimista ou assoberbado por preocupação — quase expetante que algo vá correr mal — ou até estar a equilibrar os dois.

Enquanto que, para alguns pais, a gravidez pode ser reconfortante, para outros pode ser um tempo de grande ansiedade; inclusive com sentimentos de culpa em relação ao bebé que perderam.

No entanto, todos estes sentimentos são normais. Somos humanos e, como tudo, vamos lidando: um dia de cada vez.

Recordamos também que, apesar de estar numa viagem diferente, procurar ajuda é importante para a ajudar a lidar com esta nova aventura.

Como percebemos que todas as gravidezes são diferentes e, especialmente desafiantes depois de uma experiência como a perda de um bebé, oferecemos aqui o que esperamos ser um bocadinho de informação, companhia e apoio para uma gravidez após uma perda gestacional.