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30 de novembro de 2021, o dia em que o meu teste de gravidez deu positivo. Que alegria tão grande! Fiz sem o meu marido para o poder surpreender, imaginei a sua reação, ia ficar radiante de certeza! Porém, no dia anterior, tinha tido umas cólicas fortes, principalmente do lado direito e achei por bem ir a uma urgência obstétrica e assim até teria uma ecografia para juntar à surpresa! No caminho para lá passei por uma loja e comprei um body de recém nascido e um embrulho para o surpreender. Enquanto esperava na urgência, baixei uma app de gravidez, estaria de 6 semanas e a data prevista do parto 23 de julho. Estava tão feliz!

Quando fui examinada pela médica, ao fazer a ecografia, não detectou nenhum saco gestacional, algo que já se deveria ver tendo em conta a data da minha última menstruação. Fiz o HCG e mais tarde confirma-se a gravidez ectopica, na minha trompa direita. Como assim? Que mal tinha feito eu?

Fui para casa meia perdida, quando cheguei a casa deitei fora os testes de gravidez que tinha feito de manhã, como num acto de revolta. Algo que me arrependo.

Falei com o meu marido, sempre muito preocupado comigo e tentando que eu visse o lado positivo, que se tinha descoberto cedo e que ia correr tudo bem. Mas, até hoje, é impossível alguém me consolar.

Estive 2 dias internada, segundo os médicos o meu próprio corpo percebeu que a gravidez estava no sítio errado e não deixou avançar. Não precisei de medicamentos nem de cirurgia. Vim para casa e nesse próprio dia comecei com perdas de sangue e algumas dores, até que um dia tive a perda de sangue maior com coágulos. As dores foram passando, mas o meu coração está cada vez mais partido.

Cada grávida que vejo penso ‘podia ser eu’.

Podia estar a pensar em nomes pro meu bebé e a comprar as suas primeiras roupinhas, em vez disso ando em consultas pra ver o que poderá ter causado esta minha gravidez ectopica.

Poderei ter ficado com algum problema na trompa ou até ter problemas nas duas, ainda falta alguns exames para poder ter conclusões mais definitivas. O que também me deixa muito ansiosa. Será que vou realizar o meu maior sonho, ser mãe ?

O meu bebé não teve nome, nunca ouvi o seu coração, mas para mim é e sempre será real. Sempre será o meu primeiro bebé. Passados mais de 2 meses o body que comprei para surpreender o meu marido continua na mala do meu carro e eu sem coragem pra lhe mexer.

Sinto-me uma pessoa diferente, perdi a inocência e grande parte da leveza com que levava a vida.

Muita força para todas que passaram ou que estão a passar por isto. Que consigamos viver com este vazio que ninguém nos tira.

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livros sobre perda gestacional

Não há de facto muitos livros sobre a perda gestacional em Portugal. No entanto, existem alguns exemplos de mamãs que decidiram contar a sua história e dos seus bebés em forma de livro.

Há também livros mais gerais sobre o luto e ainda, para quem souber inglês, algumas leituras que recomendamos publicadas em Inglaterra e que podem ser adquiridas online.

Livros sobre perda gestacional: sugestões de Portugal

“Hoje é o dia certo para nascer”, de Carla Sofia Santos

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Um relato alucinante, desde a criação de um sonho ao seu descalabro, onde abundam a fé e a esperança em Deus para transpor obstáculos.

Mais sobre o livro aqui.

“Camila, meu Amor”, de Renata Alves Marvão

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Camila, meu amor conta na primeira pessoa a história de uma perda gestacional e de uma interrupção voluntária da gravidez

Nota: 15% de desconto nos livros encomendados através do e-mail loja@myaura.pt que refiram o código “amorparaalemdalua”.

Mais sobre o livro aqui.

“Proibido comparar”, de Cristina Costa

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Cristina Costa conta-nos a sua história, a de uma Mãe com 4 filhos, dois na Terra e dois no Céu. Proibido Comparar é uma história de morte, de consecutivos lutos, mas também uma história de vida, de relações criadas e amplificadas.

Mais sobre o livro aqui.

“Acordar com a vida”, de Ana Higuera

Este livro conta uma história de amor que nos aproxima do mistério da vida e, também, do maior medo que temos – a morte.

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“Os anjos não comem chocolates”, de Andreia Sanches

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Os Anjos não Comem Chocolate fala-nos de amor, sofrimento, coragem – e, acima de tudo, da extraordinária capacidade do ser humano de encontrar um sentido para tudo. Até para o impensável.

Mais sobre o livro aqui.

“Defilhar: Como Viver a Perda de um Filho”, de José Eduardo Rebelo

Biólogo de formação, José Eduardo Rebelo dedicou-se à investigação do tema do luto parental depois de ter perdido a esposa e as duas filhas num acidente de viação. É possível superar a perda de um filho? Através de uma escrita simples, sensível e rigorosa, o autor auxilia-nos numa viagem segura pelo mar encapelado do «defilhar», uma palavra nova que concede uma merecida identidade social aos pais vítimas da perda de uma fatia do seu amanhã.

Mais sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional para crianças (e não só)

“Para onde vão os bebés que não nascem”, de Patrícia Sarmento

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Para Onde Vão os Bebés que Não Nascem? lembra-nos de que os adultos também têm muito a aprender com as crianças, sobretudo quando se trata de um tema sensível, que também eles têm dificuldade em compreender.

Mais sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional: mais sugestões e no domínio da ficção com base na realidade

A filha única“, de Guadalupe Nettlel

Livro em ficção, mas baseado em factos reais e que aborda a perda gestacional/neonatal.

Mais informação sobre o livro aqui.


Livros sobre perda gestacional: Publicados no Brasil

“Como lidar com o luto perinatal”, de Heloísa Salgado e Carla Polido

Este livro em específico é um guia direcionado para profissionais de saúde. Trata-se de um livro urgente, para apoiar profissionais que lidam com o nascimento quando ele vem acompanhado de perto pela morte. Ainda que possa ser lido por qualquer pessoa desejosa de saber mais sobre o tema, Como lidar: luto perinatal foi pensado, especificamente, como uma ferramenta de reflexão destinada a profissionais e instituições de saúde.

Mais sobre o livro aqui.

“Ele Se Foi, e Agora? Como Superar a Perda Gestacional”, de Patrícia Bellas

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Mais informação sobre o livro aqui.

“Perdi meu bebê”, de Damiana Angrimani

Este livro, publicado pelo Instituto do Luto Parental, é a materialização da voz de tantas pessoas que lidam com o luto e que, agora, encontram companhia e conforto – tão pouco presentes nesse processo – para atravessá-lo. Esse caminho não é fácil nem linear. Mas, com informação e vivências, você se sentirá acolhida para ser, sentir e fazer o que lhe é possível diante dessa dor.

Mais informações sobre o livro aqui.

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Claudia @amorparalemdalua

16 de setembro de 2021.

O dia que viria a mudar a minha vida para sempre. Fiz aquele teste de gravidez com zero expectativas, já tinha tido alguns descontrolos hormonais que se repuseram no mês seguinte, achei que seria mais do mesmo. Quando vi aquele positivo… quem já passou por isso sabe que é impossível descrever. Um misto de medo, ansiedade, felicidade, nervosismo… Não era suposto acontecer, mas como li uma vez “por vezes o melhor da vida é-nos entregue de mão beijada”. Entrei em pânico, afinal o que fazer quando se vê duas linhas no teste? Fui ao hospital.

Fizeram-me eco vaginal, não conseguiram ver nada. Mas a médica falou-me logo de gravidez não evolutiva, gravidez ectópica, gravidez química… Fiquei logo com o coração nas mãos. Fizemos HCG para confirmar o positivo, e restava aguardar, pois poderia ser apenas muito cedo para se ver alguma coisa. Os dias que se seguiram foram dolorosos. Queria estar bem, queria estar feliz. Passava a mão na barriga e queria sentir que estava a acontecer o melhor da vida por ali. Mas havia algo que me retraía. Às poucas pessoas a quem contei disse sempre “é muito cedo, não sei o que isto vai dar, não me quero sentir feliz”. Cada ida à casa de banho implicava inserir o papel higiénico bem fundo para ver se saía sangue. E eis que, no dia 23 de setembro, precisamente uma semana depois, tal aconteceu.

Quando vi o papel sujo pensei “acabou aqui o sonho”. Fui novamente ao hospital. Foram dois minutos até me perguntarem se tinha sido planeado ou não, para depois apenas me dizerem “tem uma gravidez ectópica na trompa direita, vista-se para conversarmos”. Tudo o que se seguiu foi do mais avassalador que já vivi até hoje. Tive que optar entre cirurgia ou metrotexato, com um médico nada afável a explicar-me em que consistia cada uma das opções.

Em desespero saí daquela sala, cheguei cá fora e abracei a amiga que estava comigo quase como que a pedir-lhe colo, chorei como nunca, sem saber o que fazer. Como assim eu é que tinha que decidir? Como é que eu sabia o que era melhor para mim? O melhor era tudo ter corrido bem e o meu maior sonho ter-se tornado realidade e não num pesadelo. Um médico estagiário veio cá fora, acalmou o meu desespero, pediu-me que entrasse acompanhada do meu namorado para falarmos com uma médica que, segundo o próprio, seria mais sensível e mais humana. E foi. Optamos assim pelo metrotexato e preservamos a trompa.

Seguiu-se o internamento, iria fazer a medicação nesse mesmo dia. Mas ao final da tarde a médica veio conversar comigo e explicou-me que o meu corpo já estaria em processo de aborto, estava a rejeitar a gravidez. Aconselhou-me a esperar até ao dia seguinte de manhã para repetirmos a eco e percebermos se haveria necessidade de fazer medicação, ou se o corpo resolveria sozinho. Assim foi. Sexta feira de manhã repetimos a eco, o HCG estava a diminuir a olhos vistos, mas consideraram ser melhor administrar a medicação na mesma, pois o saco estava a ser vascularizado (sabe lá Deus o que isso quer dizer, eu só queria vir embora daquele hospital). Sexta fizemos a medicação, sufoquei no meu próprio choro ao sentir aquele líquido entrar no meu corpo. Imaginei tudo o que aquilo iria fazer comigo e foi destruidor. Sábado voltei a casa, seguiu-se todo o processo de acompanhamento, análises, exames, por aí.


Toda a gente me diz que sou muito nova, que isto não quer dizer que nunca vá ter filhos, que tenho de acreditar e ter coragem para tentar no futuro. Acredito muito que isso vá acontecer, pois continua a ser o meu maior desejo e sonho. Mas deixei de ver a gravidez tão cor de rosa como crescemos a imaginar. Percebi que, por vezes, é muito doloroso e ingrato. Que podemos viver o melhor e o pior do mundo naquele que é considerado um estado de graça. Tenho imagens em looping na minha cabeça, como o momento em que fui à casa de banho e me saíram literalmente postas de sangue. São momentos muito marcantes e que acredito jamais esquecer.

O meu maior sonho tornou-se no meu maior pesadelo. Mas depois descobri que somos tantas, que não é uma luta tão solitária quanto aquilo que parece quando nos bate à porta. Ler testemunhos, saber de finais felizes depois de finais tão infelizes, dá-me alento e coragem. A minha vida agora está focada noutro tipo de objetivos, tenho 26 anos e tão cedo não me imagino a querer tentar a sorte grande. Mas quero que saibam que, no dia em que sentir que chegou a altura, muita da coragem que irei ter veio deste cantinho de partilha, de emoções, de amor. Encontrei aqui a paz que precisava.

Tive apoio incondicional do meu namorado, da minha família, dos meus amigos. Senti-me uma criança pequenina a andar de colo em colo, senti mesmo muito amor e carinho. Mas, por vezes, quando sentia que estava perdida, vinha a este lugar, para mim calmo e pacífico, procurar companhia e esperança junto daquelas que viveram a história na primeira pessoa como eu. E se um dia tiver o meu bebé arco-íris nos braços, garanto que venho aqui relatar o final feliz da minha história.

Não estamos e nunca estaremos sós. A perda gestacional existe: é real. Não deixem nunca que tentem diminuir a vossa dor. Depois disto me acontecer ouvi muitas histórias de pessoas próximas que passaram por situações semelhantes. Por isso acreditem quando dizem que somos muitas. O meu “quando tiver filhos” transformou-se num “se eu tiver filhos”. Percebi a necessidade de se alertar as mulheres para a existência deste estado que por vezes não tem graça absolutamente nenhuma. A maioria escolhe sofrer no seu canto em silêncio, não somos todas iguais. Não importa a forma como escolhemos sofrer, lidar com o sofrimento. Importa que se entenda que é algo que bate a muitas portas, que é bem real e que temos de viver isto conforme acharmos melhor para nós mesmas.

Se estás a ler isto porque passaste por algo idêntico e procuras conforto, recebe o meu abraço apertado e a certeza de que não estás sozinha. O tempo não cura, as memórias não desvanecem. Mas estamos juntas nesta luta. Muita força e coragem. O amanhã será certamente melhor! 🌈💛

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Gravidez pós-perda

Semana 28

Apoio para uma gravidez depois da perda

Olá, 3º trimestre! Estamos na última etapa desta gravidez depois da perda. Esta semana, o seu bebé pesa, oficialmente, 1 kg. Sim: um pacote de arroz ou de açúcar. Se vir outra mulher (ou homem) a embalar um pacote destes, já sabe, estão a testar o peso do bebé que aí vem.

Dependendo das condições da mãe, posição do pequeno ou placenta, se colocar um estetoscópio na sua barriga, vai conseguir ouvir o coração do seu rebento.

Esta semana, o cérebro do seu pequeno génio continua a desenvolver-se rapidamente e ganha as suas ‘dobras’. O seu bebé já deve ter uma rotina mais ou menos estabelecida de sono e já reage à sua voz, barulhos altos e luz exterior.

Ao entrar no terceiro trimestre, muitos pais têm dificuldade em confiar no seu corpo. Afinal, muitos ainda o culpam por uma perda anterior. Por vezes, esta desconfiança, leva a culpa ‘porque é que este bebé chegou aqui e o outro não?’, ‘será que foi algo que eu fiz?’ Isto é especialmente verdade para os pais que nunca souberam a razão da perda do bebé. Independentemente destes pensamentos, saiba que a morte do seu bebé não foi culpa sua. Foi, é, a melhor mãe que os seus bebés podiam ter e tanto a mãe como o seu corpo estão a fazer o melhor que podem para trazer este bebé ao mundo, vivo e saudável.

Eu permito-me apreciar a beleza e a alegria que esta gravidez me traz

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Gravidez pós-perda

Semana 13

Apoio na gravidez após a perda

Esta semana, estamos oficialmente no 2º trimestre. Noutra vida, esta seria a semana que, provavelmente, iria partilhar a notícia; com uma foto de uma ecografia, mãos em forma de coração na barriga… Mas desta vez, nesta gravidez após a perda, é diferente, não é?

Anunciar uma gravidez é algo muito pessoal. Para alguns pais, vai fazer sentido guardar até não poderem mais (por norma se tiver sido uma perda mais tardia). Outros, vão partilhar, finalmente, que chegaram ao 2º trimestre. Já outras famílias vão partilhar logo porque, afinal, não é contar que vai afetar o desfecho, mas poderá influenciar o apoio que recebem se voltarem a perder.

Seja qual for a sua decisão, saiba que é a correcta. Se quiserem guardar para vocês, está tudo bem. Se quiserem contar, força também!

Esta semana o seu pequenino deve pesar cerca de 25 gramas e medir 7.4 centímetros. Para além disto, os ovários ou testículos do seu pesseguinho devem estar a desenvolver-se por dentro, mas ainda não são visíveis cá fora.

Por esta altura, os sintomas mais desagradáveis, como os enjoos, devem começar a acalmar. Bem-vinda à lua de mel da gravidez!

A coragem tem muitas formas. Por vezes é correr para um edíficio em chamas, outras é contar a sua história.

Nate Pile
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Gravidez pós-perda

Semanas 0-4

Apoio para uma gravidez após a perda

Descobrir que estamos grávidas(os) após uma perda é uma viagem muito específica. Neste artigo, pretendemos dar apoio para uma gravidez após a perda, com enfoque no momento em que há um “positivo” e até ao final do 1º trimestre.

A verdade é que é um sentimento ambíguo. De repente não estamos nos grupos de grávidas que partilham todos os conselhos de parentalidade consciente. Por outro lado, também não sentimos que pertencemos a um grupo de luto, porque, dentro de nós, estamos a gerar uma nova vida. Aliás, não queremos magoar quem está a trabalhar o seu luto e a quem pode ser doloroso ver grávidas.

Mas, aqui está, deu um salto de coragem para esta nova aventura e está a preparar-se para a montanha russa que aí vem.

Assim, primeiro de tudo: Parabéns! Está grávida!

gravidez após a perda gestacional

Mães que tentam depois de uma perda, estão por norma atentas a tudo o que se passa no seu corpo e, por isso, tendem a descobrir mais cedo os resultados.

Facto: Sabia que mais de 50% dos casais voltam a tentar algures entre os 12 aos 18 meses depois da sua perda?

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Uma gravidez após uma perda gestacional, seja aborto, uma perda tardia ou até após uma perda neonatal não é algo pelo qual se passe de coração leve. Para muitas pessoas, a percepção de uma nova gestação indica que, agora que há um outro propósito, a dor ficará esquecida. No entanto, para uma família que passou por um trauma como este, esta não é a realidade. Nesta página, procuramos dar informação e apoio para uma gravidez após uma perda gestacional.

Se este é o seu caso, não está sozinha(o).

Apoio para uma gravidez após perda

Que a esperança fale mais alto do que o medo!

Para muitos pais que passaram por uma perda, descobrirem que estão “grávidos” de novo pode trazer muitas emoções ao de cima. Desta forma, a esperança, o entusiasmo, o medo e a ansiedade, entre outros sentimentos são, por norma, uma constante numa gravidez após uma perda.

Assim, pode sentir-se cautelosamente otimista ou assoberbado por preocupação — quase expetante que algo vá correr mal — ou até estar a equilibrar os dois.

Enquanto que, para alguns pais, a gravidez pode ser reconfortante, para outros pode ser um tempo de grande ansiedade; inclusive com sentimentos de culpa em relação ao bebé que perderam.

No entanto, todos estes sentimentos são normais. Somos humanos e, como tudo, vamos lidando: um dia de cada vez.

Recordamos também que, apesar de estar numa viagem diferente, procurar ajuda é importante para a ajudar a lidar com esta nova aventura.

Como percebemos que todas as gravidezes são diferentes e, especialmente desafiantes depois de uma experiência como a perda de um bebé, oferecemos aqui o que esperamos ser um bocadinho de informação, companhia e apoio para uma gravidez após uma perda gestacional.

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É a primeira vez que te escrevo desde o dia em que soubemos.

Desculpa a ausência. Podia-te mentir e dizer que estive muito ocupada, mas a verdade é que nem estive assim tão ocupada.

Mas estive a reaprender a viver e a saborear as pequenas coisas, como ver um filme (que nem precisa de ser bom) no sofá, enrolada numa manta com o teu pai, ouvir música, cantar (desafinada) e passear, e a reaprender (ou talvez aprender, pela primeira vez) a trabalhar com calma, serenidade e consciência. Não foi algo forçado, mas se a tua chegada já foi transformadora, a tua partida foi ainda mais.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas estes últimos dias têm sido difíceis. Tenho saudades tuas e uma tristeza profunda por saber que nunca te vou conhecer. Sinto-me quase vazia, como o pequeno saco que se formou no meu útero. Uma pequena casa que nunca foi habitada.

Quero enrolar-me no meu corpo e ficar. Só hoje. Amanhã já sou forte outra vez

Eu estava bem, a sério que estava. Mas agora preciso de respostas. Preciso de voltar a confiar no meu corpo. De voltar a acreditar que sou capaz de gerar uma vida e dar colo. Eu, que sempre me considerei cética, preciso de acreditar em algo mais forte do que números e ciência.

“Estas coisas acontecem, 1 em 4 gravidezes conhecidas.” Ok, mas e então? Porque é eu o teu pai fomos o 1 em 4? Porque é que não fomos o 3 em 4? Bem sei, nos escombros do meu ceticismo, que foi completamente aleatório, que nós não fomos escolhidos por uma entidade divina para alcançarmos um bem maior, acabar com a fome ou alcançar a paz no Mundo. Mas isso não torna menos duro.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas já passaram dois meses e sinto-te cada vez menos. Dois meses de tristeza, medo e dor, mas também de alegria, tranquilidade e amor. Afinal, tudo vai correr bem. Será que vai?

Estou cansada de ser forte. Quero enrolar-me no meu corpo e ficar. Só hoje. Amanhã já sou forte outra vez – ou pelo menos funcional. Pode ser? Amanhã já volto a pensar nos problemas do dia-a-dia, nas contas para pagar, na cadela que precisa de ser escovada, nos planos para a Passagem de Ano e no que vou fazer para jantar. Mas hoje quero desligar, enrolar-me no meu corpo e ficar.

Eu estava bem, a sério que estava. Mas é Natal e tudo doi mais porque tu não estás aqui.

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natal e perda gestacional

O Natal é uma época particularmente difícil para quem está a passar ou passou, recentemente, por uma perda gestacional ou neonatal.  Neste artigo, procuramos dar alguns conselhos sobre como lidar com o Natal após uma perda gestacional ou neonatal. 

No primeiro ano, imaginamos como seria o nosso bebé. Imaginamos como seria o seu primeiro Natal connosco. A tristeza e a saudade são mais fortes, pelo que é normal sentirmo-nos mais frágeis nessa época. 

Estivemos à conversa com a psicóloga Suzy Pinho Pereira, com um direto, na nossa página do instagram e que aqui integramos, pela sua importância. 

Como lidar com o Natal após uma perda gestacional ou neonatal:

Em resumo, algumas ideias: 

Como incluir, se quiser, o seu bebé:

  • acenda uma vela na mesa da consoada;
  • coloque ornamentos com o nome do seu filho(a) na árvore de Natal (algumas ideias aqui).
  • fale do seu bebé e inclua-o nas conversas com amigos e família (se sentir abertura para tal). 

Pode ainda:

  • Escrever um postal de Natal para o seu bebé. 
  • Fazer um donativo em homenagem ao seu bebé (por exemplo a uma criança da mesma idade que teria o seu filho/a).

Mas, também pode, se não se sentir bem, não celebrar o Natal. Se a perda for muito recente e, juntamente com o seu companheiro, não quiserem celebrar, avisem a família. 

Honestidade e assertividade à mesa no Natal

Na conversa com a Suzy, abordamos ainda outras possibilidades de encarar o Natal após uma perda gestacional ou neonatal. Se há quem sinta necessidade de falar no bebé, há quem, por outro lado, prefira não o fazer, por exemplo, por ainda ser muito recente/doloroso. 

É perfeitamente válido e normal. Aliás, é importante, diz-nos a Suzy, sermos honestos e assertivos e podemos consegui-lo sem sermos indelicados. Afinal, quem nos ama quer ver-nos bem e deve respeitar a nossa dor. 

No Natal após a perda gestacional, é também importante sensibilizar amigos e familiares para o que devem ou não dizer, especialmente numa altura como esta. Lembrar e incluir o bebé é reconhecer que ele existiu e que gostamos dele. Podemos não estar a oferecer-lhes uma tão desejada primeira prenda, mas podemos presentear os pais. 

Recordamos que, também na época de Natal, estão disponíveis várias linhas de apoio psicológico. Não está, nem estará sozinha!

Todos os conselhos sobre lidar com o Natal após a perda gestacional ou neonatal:

Assistam aqui ao vídeo completo:

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Em maio de 2019 soube que estava grávida após 1 ano de tentativas.

Fizemos a eco às 6 semanas e ouvi o som mais maravilhoso do mundo: o batimento cardíaco, som que ainda hoje ouço na minha mente.

Infelizmente às 8 semanas, quando me preparava para repetir a experiência, ouvi aquilo que ninguém quer ouvir: não há batimento, infelizmente a gravidez não evoluiu.

Passei por um processo doloroso física e psicologicamente. Nos dias seguintes tratei de me erguer e seguir em frente conforme deu, com o apoio brutal do meu marido (que também sofria imenso e nunca me e deixou cair).

Infelizmente, depois de muitos exames e consultas depois, a história repetiu-se mais 2 vezes. Sempre às 8 semanas.

Destas vezes não contamos a ninguém. Sofremos os dois em silêncio. Desisti. Desistimos. Resignamo-nos à infelicidade de não conseguir gerar vida.

Cada vez que alguém me dizia estar grávida, o sangue gelava. Ficava inconsolável semanas.

Quando chegou a quarta gravidez, a primeira espontânea (sem indutores de ovulação e afins), o medo reinstalou-se. O passar das semanas, cada vez era mais doloroso.

Cada consulta era de pânico. Fazia ecos todas as semanas.

Até que passei as 8, as 9, as 10 até às 41 semanas de gravidez. O medo era tanto que nos custou anunciar a gravidez mesmo às pessoas próximas (depois das 15 semanas). Nem me permitia ficar feliz, com medo da desilusão e da dor.

Passei a gravidez a mentalizar-me que era real. Que ia correr bem. Que desta vez era a sério.

Hoje tenho o meu bebé nos braços, e todos os dias dou graças. No meu caso agarrei-me à Fé. E esta é a mensagem que quero passar: Fé e resiliência. Independentemente da religião ou dos credos, para mim a Fé foi a minha âncora.

Todos os dias penso naqueles que também são meus filhos, mas que não chegaram. É devastador. Mas acreditem que um dia vai correr bem!